The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Antes de ir estudar para Coimbra, fui passar uns dias a Soure, localidade que fica a cerca de trinta quilómetros de Coimbra. Fui em Setembro altura das festas em honra de S. Mateus, um convite que estava pendente à alguns anos, um casal de irmão gémeos, amigos de infância dos meus tempos de Liceu Académico. Que envergonhado fiquei nesse fim-de-semana! Mas já lá vamos...
Arranque de Lisboa, eu, o Zé e a Joana mais a mãe deles, no renault clio, viagem de duas horas sem sobressaltos de maior. Chegamos a meio da tarde à vila de Soure, a primeira impressão, foi a de uma daquelas vilas típicas do norte/centro português, lugar muito aprazível, onde o tempo parece que pára e o bem receber está presente na face de cada habitante. A casa da avó dos meus amigos era muito gira, acolhedora quanto basta, sem grandes luxos, mas bem decorada, único problema, umas escadas em caracol para se chegar ao primeiro andar. Eu fiquei logo instalado no primeiro quarto à direita! Não fosse o diabo tecer-las!
Eu, o Zé e a Joana assim que nos instalámos, saímos para ir ao café onde se encontrava a miudagem da vila. Sou apresentado logo à rapaziada e começam a jorrar as rodadas de cervejas! Meu Deus! Eu até considero que tenho algum arcaboiço com o álcool mas não vamos exagerar! Quando chega a hora do jantar, já não estava em condições, fomos para casa e passei o jantar todo calado, sem grandes movimentos para que ninguém desse pelo o meu real estado.
Lembro-me que fiquei melhor depois do jantar, era o que o meu corpo necessitava! Ao acabarmos o jantar o programa consistia em voltarmos ao café e depois irmos para o bailarico no pavilhão. Ao chegar ao café já os meus "amigos" da tarde me recebiam como um deles e toca de recomeçar onde tinhamos parado, voltem as rodadas de cerveja! Apaguei! A única recordação turva que guardo é o de estar numa ponte a deitar fora os excessos que tinha no estômago! O resto da história dessa noite só vos posso contar pelo que me foi relatado à posterior.
O meu estado à saída do café era lastimoso e não sei como, houve uma rapariga que engraçou comigo e é verdade que começamos aos beijos e dirigimo-nos depois para o local do baile agarrados um ao outro, embora deveria ser mais eu a ela do do que ela a mim! Mas não passei a ponte! Maldita ponte! Tive de ter o apoio do meu amigo Zé Fausto para me encaminhar de volta a casa, para me ajudar no impossível caminho que eram aquelas escadas em caracol, para conduzir-me à casa de banho para despejar o resto que ainda tinha de Bílis! De joelhos e com os olhos dos seus familiares postos em mim, lá despejei, de gatas colado à sanita, o que de líquido ainda tinha em mim! A avó deixou um alguidar junto à cama para qualque eventualidade e adormeci!
O dia seguinte, acordei de ressaca, perto da hora de almoço, surpresa o prato principal era feijoada! Eu num ar muito envergonhado depois das figuras da noite anterior, tentei recusar mas nunca mais ei de esquecer a resposta da Avó dos gémeos - Só te vai fazer bem, depois do estado em que estavas ontem, precisas de forrar o estômago! Senti-me mais à vontade! A principio, a custo lá comi, mas a avó tinha razão estava mesmo a precisar de uma refeição assim! Fiquei num estado mais presentável!
No resto do fim-de-semana ganhei amigos e uma namorada, soube ser mais prudente com a bebida e até passei a ponte para ir ao baile! Guardo estes amigos no coração e sei que sempre que lá voltar tenho uma porta aberta! Mesmo depois das figuras tristes que fiz, naquela noite!

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