The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Andei a passear pela colecção musical. Deu-me a ideia de contextualizar o gosto num top ten, algo utópico, pois a paixão pela música é maior do que tudo. Voltei, revirei, ouvi e tentei ainda mais, por fim, fica-me a sensação frustrante de deixar grandes músicas de fora. As que escolhi são aquelas que relembram, acima de tudo, grandes recordações, momentos únicos, pois é natural em mim associar um momento eterno ou alguém especial a uma música. Fica aqui uma selecção muito única e própria....

Dave Matthews Band - #41


Guns N' Roses - Don't You Cry


Matchbox Twenty - If You're Gone


Pearl Jam - Black


Richard Bonna - Kaladancoro

Simply Red - For Your Babies

Phil Collins - Against All Odds


Creed - With Open Arms


Stevie Wonder - Lately


Bon Jovi - Never Say Goodbye


Aerosmith - Amazing

Sou católico, baptizado e com primeira comunhão feita, só faltou o crisma mas nessa altura, já não era mais um do rebanho e sim um ser pensante. De qualquer forma, hoje adulto, abomino a igreja católica em toda as suas normas fundamentadas em éticas demagógicas. A igreja católica foi o maior dos terroristas nas páginas da história. A maior culpada de muitos dos crimes cometidos na existência humana. A implementação do Cristianismo, Cruzadas, Inquisição, etc. Mesmo assim, num conflito muito próprio e ambíguo é ela que fornece-me a fé que possuo.
Não é em Cristo, o salvador que andou sobre água em quem acredito, não é nos mandamentos proclamados por Moisés que baseio esta crença, nem sequer em Adão e Eva ou no paraíso. É no existir do que há sempre algo de bom em todos nós, é no não querer aceitar que existem más pessoas, porque em tudo existe algo de um lado melhor. Como da mesma forma, não posso aceitar, que sou completamente mau ou bom... tenho defeitos, mas vivo com a convicção que tentarei sempre fazer tudo, o que está ao meu alcance, para ser melhor do que era ontem.
Um dia ouvi ou li uma frase, que fez acordar em mim a racionalidade sobre a religião. A religião é feita pelos homens. Os homens erram, logo a religião é um erro. Agora há um sentimento que é muito próprio, muito meu. Não é Alá, Buda ou Cristo, não é uma personagem mas um estado de ser. Em todas as religiões existe um senso comum, Todas adoram um além, um todo, pacífico, equilibrado, algo imperceptível que nos leva a atingir a paz com as decisões. que tomámos E é nesse acreditar, na existência de um exodus que recria-se a minha fé.
Quando oiço músicas como estas, levita-me o estado mais esotérico e passo a ser alguém mais crente, alguém que tenta realizar-se num estado melhor do que era quando acordou....



Eu sei que estou bem, quando ando sobre deadlines apertados e ainda me dou ao luxo de parar, para colocar um bom som em modo ambiente. Eu sei que estou bem, quando não procuro clientes e não tenho mãos a medir para o trabalho. Eu sei que estou bem, quando entro no café do costume e sou recebido com um sorriso e um novo mimo para adoçar o paladar. Eu sei que estou bem, quando tenho a noção que estou mais gordo mas mesmo assim não me dá para ter remorsos, por petiscar todas aquelas coisas gordurosas e deliciosas. Eu sei que estou bem, quando há amigos que telefonam a perguntar ansiosos, por aquele convívio cá em casa. Eu sei que estou bem, quando os amigos enviam mensagem do género: - Então não dizes nada!? Eu sei que estou bem, quando já não me ralo com avaliações de prós e os contras e deixo-me ir é na corrente da surpresa desconhecida e gostosa do que aí vem. Eu sei que estou bem, quando o maravilhoso entre brumas, já não me choca, não cria qualquer sentimento e só demonstra que estou a reconhecer a realidade. Eu sei que estou bem, pois quando rodo a chave, estou no meu lar e não há melhor lugar para querer estar. Eu sei que estou bem, porque não há imposição de rótulos, de afirmações ou surpresas de frases que foram ditas no passado.
Realmente eu estou bem, estou como um vinho de reserva de pequena tiragem. Encorpado, que deixa sem fôlego no primeiro trago, de degustação lenta e intensa mas que não serve a qualquer paladar. Sinto-me bem e não mudava nada neste momento. Gosto deste stress laboral, gosto de ter tempo para os convívios cúmplices e de explanar quem sou, para quem gosta de sentir a saudade da minha presença constante.




E tudo se resume ao maior defeito... a cedência. Se não tivesse cedido à tentação de parar de estudar para ir tomar um café, nunca teria ido parar a uma cama de hospital. Se não tivesse cedido ao apelo de levar uns amigos a sair, porque tinha um carro de cinco lugares, mesmo estando constipado, se calhar não tinha voltado a uma cama de hospital. Se tivesse sido orgulhoso e não tivesse abdicado do meu futuro em prol de um familiar, se calhar não teria passado as misérias que vivi. Se não tivesse caído em tentação numa noite sobre um luar perfeito, não teria vivido com quem vivi. Se tivesse dito não, numa noite fria em pleno inverno, perdido algures na serra da estrela, não sentiria esta sensação de falta que vive comigo constantemente. Se não cedesse à razão de que uma traição é um erro de percurso de vida, hoje seria um homem casado ou talvez divorciado. Se não cedesse ao facilitismo, provocado pela ausência de uma razão de existir e continuação, se calhar não teria sofrido tamanhas privações. Se não tivesse cedido à ilusão de palavras oportunistas em causa e tempo, se calhar não teria acreditado que havia maneira de reabilitar o meu espírito. Se um dia não tivesse, cedido à ilusão de que aquela pessoa que tinha à minha frente, voltaria a ser a menina que conheci com 11 anos, talvez não tivesse sofrido tanto dizer adeus. Se em cima disto tudo, tivesse tido a coragem para não ceder e demonstrar, que independentemente do passado, do medo que sentíamos, dos mundos tão antagónicos, da beleza que ofuscava-me e de vivências tão dispares, ainda havia lugar para a partilha e a esperança de um futuro a dois. Se calhar o rancor, não seria uma constante e pelo menos pudesse-se preservar uma amizade.
Se por uma vez na vida aprendesse a dizer não, a não ceder àquele momento em que é obrigatório dizer não, talvez hoje seria alguém realizado. Vamos ver se é neste novo capítulo, que consigo virar a mesa e dizer que não cedo.

Há a gripe suína, há sida, há tanta porcaria que se pode apanhar por tabela por aí, até maus-feitios e hipocrisias. Chegou o calor e com ele a fase da procriação, espero que esta não se lembre de bater-me à porta, que não tenho qualquer intenção de ser infectado.
É que é tudo muito giro mas ao fim de nove meses é que são elas, saem cá para fora uns seres adoráveis que têm como missão atormentar o resto da nossa vivência. Já fui infectado com este vírus e adorei mas chega a experiência de uma vez para perceber que os efeitos secundários são demolidores. Até porque se a situação não for bem medicada, ao longo do tempo, os germes tornam-se seres que só dá mesmo vontade de exterminar, tal é o feitio abominável. E há tantos por aí a precisarem de um exterminador à moda do Arnold. Alguns deles, até conseguem despistar a doença das vacas loucas mas a verdade é que elas próprias são as ditas loucas!
Este ano, vou ser tio, vou ser padrinho, só falta mesmo ser pai ou avô! Avô é difícil, mas não impossível, só se o Guigas for um verdadeiro artista da cabeça aos pés. Para pai já chega este, que não me apetece outra vez dormir só de duas, em duas horas, nem ouvir uma miúda a dizer às 5 da manhã que tem de comer morangos urgentemente e lá vai o palerma à procura deles.
O calor é lixado, trás sempre umas vontades maquiavélicas de reproduzir. Não é que eu não goste do treino, aliás sou apologista da execução até chegar-se à perfeição, é muito saudável. Só que nesta altura da vida prefiro acabar nos últimos lugares e não estar no pódio a receber um troféu ou medalha. Chiça! O que vale é que há cerveja fresca, os caracóis estão a chegar, a água refresca o ímpeto e o ar-condicionado está a preço acessível para vacinar qualquer um ;)

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que tende por norma a desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na mesma proporção que os dois vão estando mais unidos, é maior a partilha, torna-se superior a troca, a vivência conjugal. Para partilhar é necessário dar. Dar é a chave do sentimento.
Amor é sinónimo de entrega constante, dar-se ao outro recebendo na mesma medida. Só através de um sacrifício ilusório, se conserva o amor mútuo. É vital aprender a relevar os defeitos do parceiro, a perdoar uma e outra vez, sem guardar rancor. A não devolver com mal, um mal adquirido. A não dar importância exacerbada a uma frase desagradável e tantas mais definições de entrega poderiam ser mencionadas.
Por tudo isto o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é permitido, pois a verdadeira ilusão é a existência de regras no amor. Não há uma fórmula mágica que encaixe em todos os casais. É necessário uma vontade mútua de entrega incondicional, de partilha num espaço temporal único e equilibrado de ambos os lados, excedendo os nossos próprios limites.

Agora pergunto a mim mesmo... será que algum dia conseguirás absorver por completo esta filosofia?

Contagem Ao Segundo