The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Foram quase três anos a contemplar do convés o dia-a-dia da ilha que apelidara de sua. Conhecia os seus traços de olhos fechados, cada grão de areia de uma praia luzidia, o verde vivo da vegetação palpitante e aquele mar de águas escuras e turvas que teimosamente impeliam o barco de atracar em porto seguro. Muitas foram as noites em que admirava a calma reinante, sobre o luar cintilante, envolvido pelo sopro de um vento quente que suspirava ao seu ouvido, acalentando os sonhos de um futuro risonho. Bolinou toda a costa infinitamente, embevecido por aquele éden que ansiava designar de casa. O seu lar. A paz de espírito vivia na esperança desse dia, reflectido no seu olhar quando vislumbrava os encantos daquele local aprazível.
O tempo ia correndo e as águas turvas, teimavam em não amainar. O barco na asas do sonho arrastava-se no mar bravio, enfrentando as tempestades que por vezes visitavam o paraíso. Os dias passavam e com eles levaram a crença a pouco e pouco definhar. O desespero e angústia reinavam no escuro do porão, o canto solitário onde a luz não era convidada, indagado de porquês sem sentido. A esperança desamparada mirrava, seca, podre, sem essência de cor.
Após quase três anos a amarar ao largo da ilha, sempre na esperança de colocar pé em terra firme, é chegada a hora de içar ancora, hastear as velas e zarpar contra o vento, rumo ao desconhecido. A verdade finalmente emergiu, brilha reluzente sem pudor da sua essência. Ao leme salpicado pela água salgada, escondem-se as lágrimas de um último olhar. Nas docas, jaze um barco imponente. LR