The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida


Fomos a simbiose perfeita. Vesti o teu corpo em mim e em ti encontrei um sentido para a vida. O aroma da tua pele, era a fragrância que enchia os pulmões no primeiro respirar. Matava a sede com a água dos teus beijos e no longo abraço encontrava o descanso para a minha alma turbulenta. Elegantemente dançavam os dias, numa valsa intimista e cúmplice, na toada perfeita de risos felizes.
O tempo que tudo trás e tudo leva, roubou a estrela incandescente que vivia no teu olhar, dando lugar à penumbra de um cinzento pardo. Inodoro tornaram-se as manhãs. Os lábios áridos que em tempos jorravam doce mel, já não conseguiam matar a sede e as noites passadas ao relento, frias como rochedos, mirraram a harmonia que um dia proliferou.
Não há esperança que sobreviva à irredutibilidade do ser. Não há luz ao fundo do túnel que resista, ao vento da tua vontade transformado em tornado. Devastador, assola tudo o que se construiu, deixando um rasto de destruição massiva, levando consigo o amor banalizado e desrespeitado.
O amor intenso, esse amor real e raro de um arco-íris profundo, já só consigo vislumbrar além longe pelo telescópio, perto das estrelas mais antigas e brilhantes. Foi o furacão da tua essência parda, absorvida de desconfiança e ressequida pelo egoísmo, que catapultou para as estratosfera.
De quando em vez, quando fumar um cigarro nas noites quentes de verão, talvez erga a cabeça tentando procurar entre o escuro da noite, esse amor cintilante que um dia iluminou a minha vida. Não sei se ainda existirás ou sequer se terei a sorte de encontrar-te entre dois bafos no cigarro, por isso deixo-te aqui o o meu adeus agradecido pelas memórias de um antigamente, que nunca chegou a ser realidade. Sê feliz nesse céu imenso, acompanhado das estrelas que serão para sempre tuas companheiras. Eu continuarei a calcorrear a minha estrada no encalce do arco-íris que dá cor e significado à vida.

O hábito de entregar quem és, não certifica a satisfação da correspondência. Cansado de mar alto e turbulento, olha-se para a meia-praia como se mira um oásis. Não dês a quem não dá retorno. Não mostres a quem se fecha. Não sonhes com quem vive no cinzento da realidade. Não dês cor à vida de alguém que não aprecia, valoriza, ou sequer estima.
A palavra impossível existe para ser testada mas não abdiques da felicidade. Traça um rumo para longe do vazio e faz a mala. Leva contigo na sacola o equilíbrio, ilumina o caminho com o sorriso característico e não esqueças de embalar uma grande dose de positivismo. Só assim poderás levar o barco a bom porto. Vamos em frente.
Acredita no amanhã, sem nunca recordar o que se perdeu. Não interessa com quem se partilha ou se quer se é necessário partilhar mas se for caso disso, que sintas que é alguém que deseja com a mesma intensidade e não alguém que vive no egoísmo indiferente ao que sentes. Importante é estares de bem com a vida, de bem contigo, inundado pela essência do que te faz feliz.
Enquanto houver a premissa e a crença, de que um melhor dia virá. Tudo é possível. Acredito em ti, acredito no sonho, aliás, ainda acredito que possas ser feliz. Mereces, é imperativo que isso aconteça, caso contrário qual o intuito desta passagem? Sonha menino, continua a sonhar, que o êxtase encontra-se ao virar da esquina à tua espera e deixa de persistir numa conjuntura que só vive no teu ideal. Procura a tua felicidade.