The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Hoje, fui almoçar com um bom amigo, amigo esse que vive uma situação emocional complicada. Namora com alguém com quem passa a vida em discussão. Na realidade, ele está completamente apaixonado por essa pessoa e acredito que do lado dela o sentimento seja igual mas a verdade é que a relação não resulta pelos mais variados motivos. Porque não foi a altura mais apropriada, porque têm posturas na vida antagónicas, porque os gostos são diferentes, a idade diferente, etc.
Vejo-o como nunca o vi. Vejo-o a fazer os sacrifícios que nunca fez, vejo-o acima de tudo infeliz à procura de uma razão para agarrar-se a uma felicidade efémera que já não existe mas que na sua mente vale a pena o esforço para reencontrar.
Fomos almoçar, num ambiente em que mais valia estar sozinho. A maior parte do tempo, esteve a trocar mensagens ou a discutir ao telefone , sobre um assunto irrelevante, como tantas vezes sucede. É já um vício rotineiro que leva-os a viverem em extremos. Muita paixão ou muito atrito. O almoço acabou por não ter o mesmo sabor, acabei a almoçar sozinho, com ele a despedir-se para mais uma vez ir ter com a sua cara-metade, discutir mais um assunto tão banal, como ir ver o jogo da bola onde e acompanhado de quem.
Dei-lhe conselhos antes de ir embora, tentei chamar-lo à razão, demonstrando o porque de esta situação não ser saudável para ele, como sempre tento fazer. A reacção de defesa foi apontar-me o dedo a dizer que também eu fiz o oposto aos meus conselhos, há bem pouco tempo. Tem razão o amigo, mas mais razão tem a razão. Não basta as pessoas gostarem uma da outra, não basta as pessoas amarem-se como se não existisse mais ninguém perfeito para elas. A realidade, é esta: As pessoas comprometem-se, estão dispostas a ceder e aceitam como o parceiro é ou então o amor acaba por não ser suficiente para a relação resultar. A vontade de moldar a pessoa amada às nossas vontades, de sermos intransigentes nos nossos quereres, não sentirmos segurança na relação, gera discussões desnecessárias e nada mais é do que um veneno para um término anunciado.
Estou preocupado com o meu amigo. Já presenciei situações complicadas na sua vida, sempre presenciei esses momentos difíceis mas nunca senti-me tão impotente para poder apoiar-lo. Por mais que diga, por mais que faça, ele acaba por tomar a opção errada. Não faz muito tempo, também ele tentou levar-me o espírito e por mais que falassem, por mais que dissessem, não conseguia aceitar uma decisão final sabendo o que iria sentir. Uma sensação de perda, de vazio, acima de tudo, uma sensação de frustração por não ter conseguido que a relação com a pessoa perfeita resultasse.
Houve um dia, como outro qualquer, sem qualquer razão aparente ou motivo, em que acordei e automaticamente compreendi. Devo acima de tudo gostar mais de mim, devo preservar-me e a vida não acaba hoje, há sempre a possibilidade de existir um amanhã. Como diz Neil Finn, numa das suas magníficas letras... It would cause me pain, If we were to end it, But I could start again, You can depend on it. E é esse o espírito que se deve ter nestas situações, embora saiba que não é fácil encaixar esta postura, é algo que deve ser aceite sem nunca pensarmos bem nisso. Também eu lutei contra essa sensação durante uns tempos, mas a verdade é que não era feliz, não sentia-me realizado, estava em guerra com o mundo, ainda pior, estava em guerra comigo e para que? Hoje já ultrapassei, já recomecei a minha vida. Claro que ainda tenho saudades da potencialidade do que poderia ter sido mas ao olhar para trás isso aconteceu numa breve passagem de um momento singular, se calhar mais na minha cabeça, mais numa esperança singular, do que em qualquer outra coisa.
Hoje estou melhor comigo, estou melhor com o mundo, nota-se naturalmente na minha postura, na minha vivência, na minha maneira de estar. Voltei a rir, divirto-me nos meus convívios, divirto-me com a vida, aprecio-a. Estou de volta ao meu melhor e foi algo que aconteceu naturalmente.
Espero que não demore muito a poder reencontrar-te meu amigo, pois hoje em dia não és a pessoa afável e bem disposta que sempre conheci. Meu caro, diz chega. Farta-te de ti, dá um chega para lá, não insistas. Volta a ser quem sempre foste. Cá estaremos como sempre estivemos para apoiar-te a superares a perda.

Nunca a frase - Ano novo, vida nova - teve tanto sentido na minha vivência e ainda estamos em Fevereiro. Tudo se apresenta com uma nova roupagem. Depois de uma mudança de planos profissionais repentina e numa corrida contra o tempo, eis que é chegada uma nova era.
Estou num novo rumo profissional, onde para além de ter encontrado um desafio aliciante, que desenvolve uma estabilidade há muito perdida, tem o condão de oferecer-me segurança em vários aspectos. Estava mesmo a necessitar de algo assim.
Financeiramente compensável, rodeado de um ambiente agradável e funcional, com uma vista deliciosa sobre a cidade, colegas com boa onda e mimado diariamente com um lanche devinal. Bolachas de azeite e coentros, petit-gateau, croissant, chá ou nespresso. Unicamente uma peca. As vindas à rua para matar o vício do cigarro mas até isso se torna irrelevante, quando te sentes bem com a vida.
Ao entrar no novo ano, já tinha mudado algumas coisas, algumas até na própria maneira de abordar a vida. Talvez, levado por toda esta onda positiva que tem-me abalado, vivo com uma nova postura. Mais serena, mais em paz comigo, o que leva a ser surpreendido com alguns comentários "Estás com bom ar" ou "Gosto de ver-te assim, andavas com má cara" ou até mesmo "Pareces mais novo". Embora surpreendido, pois realmente não estava à espera deles, acho que os comentários nada mais são, do que um espelho desta sensação de acalmia, este serenar do espírito que 2008 não trouxe.
Os dias em espera da mudança profissional, foram dedicados, quase em exclusivo, a conviver com amigos. Jantares e almoços diários, onde fui colocando em dia, a história de vidas daqueles por quem tenho carinho. Ele era italiano, indiano, churrasco, brasileiro, enfim, uma panóplia de boa degustação. Também reencontrei outros amigos, que têm surpreendido pela positiva, pois mais não eram que lembranças lonquíncuas e afinal, ao reencontrar-las, têm proporcionado momentos bastante deliciosos.
Também um novo look, inflamado por um guarda-roupa renovado a fundo, ajudou a auto-estima a impor-se. Agora fica a faltar a chegada do Licas e do novo lar, que acredito serem realizáveis ainda este mês, para as coisas comporem-se mas sem pressas e a seu tempo. Quando for será. Nunca será uma realização completa, acho que tal seria impensável, pois não é da minha maneira de ser, sentir-me satisfeito a 100%. Talvez a sensação de realização mas nunca de satisfação plena, até porque existem assuntos importantes que ainda têm de ser resolvidos, outros mal resolvidos e ainda aqueles que já não são assunto mas que ando a aprender a deixar.
De qualquer forma. O sol brilha, a sensação do calor torna os dias aprazíveis, o barco vai tomando o seu rumo e o espírito, esse encontra-se tranquilo, aguardado a chegada ao porto que se vislumbra no horizonte.

Como está o meu coração? O meu coração está bem, não consegues ouvir-lo? Está a bater, por isso acho que está bem. Continuo a viver não continuo?
Porque entraria eu numa longa conversa, tentando explicar o porque de já não querer acreditar no amor? Que defendo o meu coração pois não gosto de pensar que ele sobrevive por causa de outra pessoa. Que sou alguém, que quer manter a guarda bem alta e não pretende deixar ninguém chegar perto do coração.
O meu coração já foi rasgado e partido em mil pedaços tantas vezes, colado de volta mais umas quantas, mesmo quando algumas vezes, um pequeno pedaço ainda se solte e seja complicado de reencontrar-lo. Mas como disse no início, eu estou bem. O meu coração está bem, está a bater e quer-me parecer, que é essa a sua principal função. Certo?

Achei deliciosas as regras, para além de estarem muito bem fundamentadas. Por isso dei-me ao trabalho de traduzir e postar :)

Os homens estão sempre a ouvir "as regras" do lado feminino, pois aqui estão as do lado masculino. Sim, existem as regras do lado masculino e todas elas são número 1 intencionalmente.

1. Aprende a trabalhar com o tampo da sanita. Já és uma mulher. Se está levantada, baixa-a. Nós precisamos dela de pé, vocês precisam dela para baixo. Ninguém nos ouve queixar por encontrar o tampo em baixo.

1. Ir às compras não é um desporto. E não, nós nunca iremos pensar em compras como desporto

1. Chorar é considerado chantagem.

1. Pergunta exactamente aquilo que queres saber. Vamos ser claros: Pistas subtis não funcionam! Pistas óbvias não funcionam! Digam o que querem, ponto!

1. Sim e não são respostas aceitáveis para a maioria das questões.

1. Venham ter connosco com um problema, se quiserem ajuda para resolver-lo. É isso que fazemos. Se querem compreensão e incentivos, recorram às amigas, é para isso que elas servem.

1. Uma dor de cabeça que dura 17 meses é um problema. Consulta um médico.

1. Qualquer coisa dita por nós há seis meses é inadmissível como argumento numa discussão. Na realidade, todos os comentários expiram no prazo máximo de sete dias.

1. Se vocês não se vestem como uma top model, não esperem que nós nos comportemos como um galã de cinema.

1. Se pensas que estás gorda, é porque provavelmente estás. Não nos perguntem.

1. Se algo que dissermos pode ser interpretado de duas maneiras, e uma delas faz-te ficar furiosa, era a outra interpretação que nós pretendíamos dar.

1. É possível perguntar-nos se sabemos fazer algo ou dizer-nos para fazer algo. Não as duas coisas. Se sabes a melhor maneira de fazer, então faz tu própria.

1. Sempre que possível, por favor dizer o que tem de ser dito, durante o intervalo do jogo.

1. Vasco da Gama não necessitava de direcções para o caminho. Nós também não.

1. Todos os homens vêem a 16 cores, tal qual as definições básicas do Windows. Pêssego, por exemplo, é um fruto, não uma cor. Abóbora é um legume. Não temos a menor ideia do que é malva!

1. Se dá comichão, será coçado.

1. Se nós perguntamos o que se passa e a resposta for "nada". Nós vamos agir como se nada se passasse. Nós sabemos que estão a mentir mas nem vale a pena a trabalheira.

1. Se fazes uma pergunta para a qual não queres ouvir a resposta, espera uma resposta que não queres ouvir.

1. Se temos
imperativamente de ir algum lado e estamos atrasados, qualquer roupa é óptima para a ocasião.

1. Não perguntem-nos sobre o que estamos a pensar, caso não estejam preparadas para discutir sobre futebol, corridas de automóveis ou as contas da casa.

1. Tens demasiada roupa.

1. Tens demasiados sapatos e malas.

1. Eu estou em forma. Redondo é uma forma.

1. Obrigado por leres: Sim, eu sei. Tenho de dormir no sofá esta noite mas será que tens a noção que os homens não se importam? É como ir acampar!

Num fim-de-semana preenchido de actividades, onde a boa companhia foi imperatriz, reencontrei parte de um sossego que necessito para o meu equilíbrio.
Sexta-feira, tive a possibilidade de preencher o prazer da mesa, com o prazer da companhia, sempre fora de horas . Para mim, o prazer da mesa, estende-se muito mais além da qualidade da refeição. Uma boa refeição é aquela que compartilhamos com alguém com quem sentimos sintonia, num espaço acolhedor e intimista. Tive a satisfação de usufruir de um almoço transmontano condimentado de conversas agradáveis, com uma excelente pessoa, por quem tenho bastante apreço. As horas passaram como se de segundos se tratassem mas é sempre assim quando todos os bons temperos se misturam. Um bom vinho, uma agradável refeição, uma excelente companhia, uma conversa simpática e um ambiente acolhedor.
Para o jantar, um restaurante ao qual não voltava faz algum tempo e que em outra altura da vida, era local de assiduidade diária. Também mais uma vez, fora de horas decentes, na companhia de um amigo constante, com muita gargalhada à mistura, relembrando séries míticas de uma vida, Duarte e Companhia, os três Duques, MacGuiver, Casa na Pradaria, Bonanza e muitas mais, enquanto a faca deslizava num pedaço de carne macia, acompanhada de arroz e esparregado.
Sábado foi dedicado ao lado mais cultural, tendo ido passear à MAC, que imperdoavelmente já sentia falta das minhas visitas. Por coincidência do destino, à umas semanas, tinha descoberto que a MAC era propriedade do pai de uma namorada de um amigo e na altura foi-me apresentado o convite para conhecer um autor que desconhecia, Opitz. Sábado aceitei o convite e fiquei bastante agradado por ter aceite fazer a visita. Logo ao entrar descortinei semelhanças com Klimt, um dos pintores que mais aprecio. Embora fosse uma exposição pequena, despendi algum tempo a assimilar cada pincelada, cada tom e sensação intuitiva ocultadas deliberadamente. Se torna-se-me excêntrico, teria concerteza adquirido uma peça em especial, pela qual apaixonei-me ao primeiro olhar.
À noite a visita habitual, pois o cantor com novo repertório, não admite uma ausência muito prolongada. Uma novidade chamada I'm Yours, tocada pela primeira vez em cordas, deixando de lado as teclas, foi o auge do serão. A companhia bastante agradável, aliada a umas caipiroskas fizeram com que o resto da noite, se tornasse bastante acolhedora. Não foi de maior qualidade, devido a um percalço de encaixe, menos afável. Ainda assim, deu para passear pela discoteca do momento antes de retornar ao aconchego dos lençóis.
Domingo, adiei um encontro com um casal amigo para descansar um pouco mais, mas se os eventos sociais permitirem será compensado durante a semana, antes da minha viagem cultural extra território nacional. A tarde foi aproveitada para vislumbrar uma sonoridade antiga mas sempre actual. Tributo aos Beatles, coisa rara de ser presenciada, devido ao carácter privado das actuações. Rodeado de caras amigas, com quem não estava faz séculos e outras novas bastante afáveis. Uma plateia atípica ao tempos modernos, conciliada com momentos hilariantes, uns vídeos, fotos e acima de tudo uma banda irrepreensível na mestria de actuação.
A noite dedicada à visualização da chama imensa da alma de seis milhões, incorporada em onze indivíduos. Uma azia, provocada pela certeza absoluta da existência de um envelope chorudo para o homem de preto, presenteado pelo maior mafioso do país, mas que um qualquer reenie resolve. Um jantar, mais uma vez, fora de horas. Não tão saboroso como os anteriores mas bem acompanhado, onde se discutiu a azia anterior e uns peixes que parecem não se dar bem com pessoas embriagadas.
Foi bem preenchido o tempo, fez-me bem ao equilíbrio que necessito. Um bom convívio é sempre um excelente medicamento para curar os males do ser. Gostei do resultado e por isso já preenchi a semana com mais receitas do mesmo medicamento. Quatro ao todo antes da partida cultural.

Devo a ti, o ar que pressiona o espaço e não me deixa respirar. Devo a ti, a sensação de conquista e realização sem nunca ter dado um passo. Devo a ti, ter conhecido a felicidade e a dedicação ao amor. Dedico a ti, o sufoco que perdura em mim a cada momento e todo o segundo que mantenho os olhos abertos, como se algo imprescindível faltasse em mim. Dedico a ti, o último pensamento que levo antes de fechar-me num sono profundo. Devo a ti, a memória do sonho que relembro quando vislumbro o primeiro raiar de sol.
Se fosse possível esconder a lua, para no escuro sussurra-te ao ouvido o segredo que é a imensidão do meu sentir e que só tu não aceitas como uma verdade absoluta, faria-o sem nunca olhar para trás. Sei que soa estranho mas tenho a perfeita noção que entreguei o melhor, o pior e o mais escondido de mim, sem nunca reflectir muito no que isso iria mexer com o teu mundo.
Quero sentir-me no cume das emoções, com a certeza de compartilhar o futuro que é nosso por direito, sabendo que não sou só mais uma peça do puzzle. Não chega ser importante apenas num instante ou num segredo a dois. Não chega a ausência forçada de um momento que seria perdido se houvesse um abraço, um primeiro relance, um primeiro toque.
Quero mais do que isso, merecemos mais do que isso mas se é turvo aceitar um sentimento que forças em querer negar, se é viveres numa actuação de um qualquer papel principal, em que o que foi, apresenta-se ao mundo como uma mera paixão de verão fora de tempo, então faz a representação de uma vida.
Faz-me acreditar que a profunda sensação das palavras e actos, entregues em momentos singulares e únicos, foram o culminar de uma grande ilusão. Que da tua boca não ouvi a sinceridade das palavras que os teus olhos diziam-me à tanto tempo e ainda hoje quando cruzam com os meus, respiram o mesmo querer. Demonstra-me com uma franqueza impossível de ser posta em causa, que não ficas nervosa só por me ver. Que quando aproximo o meu corpo do teu, não tremes e o chão parece que te foge. Que quando olho no profundo dos teu olhos, esqueces o mundo e por maior que seja a multidão ao redor, parece que encontramos-nos numa sala vazia, a comunicar sem nunca necessitar de dizer uma única palavra. Faz-me apagar da memória as lágrimas que senti como minhas, impotente para impedir-las de jorrar, quando disse adeus e o mundo para ti parecia que tinha terminado ali. Prova-me que a saudade e a sensação de perda, não foram reais, quando da possibilidade de vivermos ainda mais longe.
Peço-te do fundo do coração, demonstra-me que estou errado. Talvez assim possa seguir no meu caminho, com a sensação de um erro de julgamento absoluto. Caso contrário, não forces um apartar que será cruel e não é necessário a nenhum dos dois. Como dizia Pessoa: - No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel. Eu vou continuar a representar o meu.

Contagem Ao Segundo