The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Quando miúdo, adorava a altura do carnaval. Era o tempo de fazer das minhas tropelias e dos miúdos do liceu Camões, morrerem de medo. Era prática habitual, a rapaziada da praceta fazer um périplo que desembocava na porta dos liceus para alguns estragos. Nós em número bastante reduzido comparativamente ao número de estudantes, tinhamos por vantagem sermos mais velhos que eles e mais maléficos. O que nos assegurava uma confiança total para os nossos intuitos.
Saíamos da praceta, depois de abastecidos de ovos na Dona Emília, parecendo um furacão. primeira paragem na Almirante Reis tentado fazer pontaria para acertar nas aberturas das janelas dos autocarros. Podem imaginar os estragos que aconteciam quando um ovo casualmente entrava por uma brecha da janela. Era o cúlminar do extase para a miudagem, com risos e cumprimentos ao felizardo que tinha conseguido a façanha! Este não era o meu ponto forte e guardava-me para os liceus.
Quando chegavamos à porta do liceu Camões, o porteiro tentava sempre correr connosco, mas o coitado prevendo o que acontecia, pois todos os anos àquela parte era assim nesta altura do ano, resignava-se com a situação e nós com sorrisos de orelha a orelha aguardávamos a saída dos alunos. Era ver-los a tentar fugir sem qualquer hipótese, tal qual um tigre atacando a sua presa. Eu dava-me ao luxo de escolher, tal era a quantidade de catraios nervosos e assustados. Quando escolhia a minha vítima, o coitado poderia sofrer várias consequências! O medo que tinham tornava-os submissos e acabavam sempre por acatar o resultado com resignação. Desde colocar os ovos dentro das cuecas e depois dar um pontapé ou soco para esmagar o ovo, ao simples partir na cabeça. Tinha todos os anos uma nova maneira de executar aquela acção! Mas o que mais gostava era obrigar os miúdos a colocarem bombas de mau cheiro dentro da roupa. Nunca podia ser uma só! Duas ou três para se sentir o cheiro à distância! Aquilo é que era um fartote!
Depois de saciados, tomavamos o rumo do Sagrado Coração de Maria. Colégio de meninos bem, que era expugnável. Até ao dia em que encontrámos maneira de lá entrar através de uma garagem nas traseiras! Era o pânico total entre os anjinhos! Os diabos estavam à solta! Era uma incursão rápida mas eficaz. Tinha de ser assim, porque mal era lançado o alerta os seguranças vinham no nosso encalço!
A seguir à nossa fuga, subiamos o técnico em direcção ao Académico, colégio que frequentava. Cá fora entre os carros estacionados começava uma chuva de ovos para o pátio que obrigava o encerrar do portão e recolha dos alunos para o edifício! Depois das congratulações pelas nossas façanhas, alguns colegas meus juntavam-se ao grupo da praceta e dirigíamo-nos, reforçados em número e em ovos para a guerra final! Liceu Filipa de Lencastre.
Estes eram rijos, em maior número e muitos deles, mais velhos e maiores do que nós, o que tornava a batalha menos equilibrada para o nosso lado. Era a táctica do atacar e fugir com todas as forças para a praceta! O nosso porto seguro.
Assim me recordo do carnaval. Podem insinuar e apontar-me o dedo por termos sido uns diabos. Mas acredito que é preferível ter uns traquinas no jardim, que não criavam danos maiores com as suas travessuras, do que sentirem a insegurança actual, causada pelos toxicodependentes que frequentam o meu ido espaço de brincadeiras.

Houve uma estadia por terras lusas em que era proíbido ao René tocar no carro de quem quer que fosse. As coisas que lhe aconteciam eram absurdas. Muita das vezes caricatas e que só mesmo a ele podiam acontecer. Para se entender a gravidade da situação, vou relatar um fim-de-semana onde a lógica da proibição passa a fazer sentido.
Estavamos no bar havana, tinhamos chegado da nossa incursão por terras algarvias e como que por obrigação fomos ainda beber um copo. Eu, o Ivo, o René e o Gonçalo. Estavamos mortos de cansaço e afundámos numas cadeiras ao fundo da pista de dança. Aparecendo do nada vêm uma miúda ter com o René e começam a falar. Com o som da música não me apercebia da conversa e com curisosidade de saber quem era, inclinei-me para perto do Ivo e pergunto-lhe: - Quem é? Conheces? Ao que ele responde com um não. Bem a rapariga foi-se embora e o René explicou-nos que era uma espanhola que estava em Lisboa a passar férias com a amiga e que olhou para nós e indagou-se porque estavamos com aquelas caras num local de diversão. O René justificou aquele nosso ar com o chegar de uma viagem cansativa. Eu incentivei o René a convidar-las para jantar no dia seguinte e que estavamos disponíveis para mostrar-lhes todos recantos e sítios de Lisboa. Ele dirigiu-se para o balcão e fez a proposta, elas aceitaram de bom grado e o René ficou de ir ter com elas ao Hotel no dia seguinte para levar-las a conhecer as nossas sete colinas.
No dia seguinte, o René que é o perfeito cavalheiro, ao chegar ao hotel, saíu do carro, deixando as chaves na ignição e foi receber-las à entrada do hotel, esteve uns bons cinco minutos naquelas conversas de cordialidade e depois dirigiram-se os três para o carro. Pequeno detalhe! O carro da Zé, mãe do Ivo, tinha um sistema de segurança que fazia com que o carro trancasse as portas automáticamente ao fim de três minutos, para o caso de o proprietário se esquecer de o fazer. Claro está, que ficaram os três cá fora a olhar para a chave na ignição! O René teve de telefonar ao Ivo para que este arranjasse a chave suplente de maneira a poderem deslocar o carro do sítio onde se encontrava.
No dia seguinte, eu fui com o René buscar nostras hermanas ao hotel para um jantar e posterirmente uma saída nocturna. O René da parte da tarde pediu o Corsa emprestado ao meu pai, visto já se ter queimado com a Zé, depois da situação do dia anterior. O meu pai relutantemente acedeu ao pedido. Eu levei o meu Crx e o René levou o Corsa, chegámos ao hotel e ainda bebemos um copo no hall à espera das raparigas. Fomos jantar ao copas e de seguida fomos para a discoteca kapital, dali seguimos para o plateau para acabar a noite. Despedimo-nos das miúdas à porta do hotel, com troca de moradas para correspondência e seguimos viagem para Linda-a-Velha, casa do meu pai. Eu ia à frente e ao chegar perto de casa tomei um atalho que adorava fazer de carro. Acelarei e como em tantas outras vezes gozei um bocado da condução que aquele pequeno troço me oferecia. Tinha deixado de vislumbrar o René, que até aquele momento seguia no meu encalço. Estacionei o carro, abri o portão da garagem e fiquei à espera do René. Passaram cinco minutos... dez e nada de René! Onde estaria aquele alemão? Quando já estava prestes a entrar no carro para ir à procura dele, vejo de relance a silhueta do Corsa no fim da rua. Vinha devagar e com um andar desengonçado. Quando se acercou de mim reparei que o artista tinha conseguido partir o eixo traseiro do carro! Era necessário um embate muito violento para que tal acontecesse e nem o René conseguiu explicar como tal se tinha sucedido. Ele diz que tentou acompanhar-me e que sentiu o carro bater no passeio e de seguida o carro ficou naquele estado! Belo serviço! O carro foi mais uma vez para a oficina, já era cliente habitual!
Apartir desse momento o René ficou proíbido de tocar nos carros dos amigos durante bastante tempo! Ninguém queria correr o risco de ficar sem carro! Mas mesmo assim no ano seguinte ainda conseguiu fazer das dele e encravar o leitor de cassetes do Corsa! Estive muito tentado, desde esse momento, a não deixar-lo chegar perto dos meus carros...

Continuando a saga de Pedras del Rei...
Chegámos ao nosso destino. Sentámo-nos na esplanada do café à espera do Ivo e da Vera. Eram seis da tarde quando eles chegaram. Estava com o René, a relaxar ao sol, a beber uma imperial e a contemplar a piscina. Estava na hora de conhecer a casa onde iamos pernoitar. Ao abrir a porta da casa deparo-me com o caos total! Um quarto e sala mal amanhado, uma casa-de-banho e uma kitchnet. O pó e o cheiro eram demais mesmo para mim que não tenho olfacto!
O senhor Ivo e o senhor René arranjaram maneira de desparecer do mapa e seguir rumo para o café. A fava saiu a mim e à Vera. Dividimos o espaço em dois e começamos nas limpezas. Eu fiquei encarregue da casa-de-banho e a Vera da cozinha. Depois de calçar umas luvas despendi uma embalagem inteira de amoniacal nas minhas limpezas! A casa de banho ficou um brinco a cozinha equiparava-se e depois de muito suor retornámos ao café à procura dos fugitivos. Raspanete passado e excursão ao supermercado para comprar os mantimentos necessários para o fim-de-semana.
Retirando a primeira noite em que fomos sair para o Bubbi, o resto dos dias foram passados na pasmaceira e com o pormenor de a Vera chagar-nos o juizo de cinco em cinco minutos para irmos a Ayamonte! A mãe dela que era uma bronca, tinha-lhe dito que era um mundo diferente, era Espanha! Eu replicava que não havia necessidade de gastar gasolina numa viagem para ir ver uma terra que é uma cópia de Vila Real de Santo António. Mas o martírio continuava e ela não se calava. Sempre que podia colocava a deixa - Podiamos ir a Ayamonte! Quando vamos a Ayanonte?
Eu até me considero uma pessoa com muita paciência, o René é outro igual e o Ivo. Bem, o Ivo não tem explicação, é a paciência em pessoa! Estavamos todos na esplanada a gozar o sol e a beber umas cervejas em amena cavaqueira quando mais uma vez do meio do nada aparece a mítica frase - Podíamos ir a Ayamonte! Transbordei o copo dos meus limites! Viro-me para a Vera e aos altos berros digo: - Queres ir a Ayamonte! Então vamos à merda de Ayamonte! Levantei-me, o René seguiu-me e entrei no carro. A Vera com um ar meio de espanto, meio feliz foi com o Ivo, para o carro dela. Parei o carro ao lado do dela, abri o vidro e disse-lhe: - Quando voltarmos vais me dar razão! Mas estou farto de te ouvir e só para te calares vou-te fazer a vontade! De seguida arranquei a todo o gás!
Pelo caminho o René gozava com a situação e comentava a pachorra que todos estavamos a ter com aquela atitude da Vera. Ela excitadissima telefonou à mãe a dizer que ia a Ayamonte! Ela desejou-lhe boa viagem! Passei a ponte sobre o Guadiana e entrei na vila. Estacionei o carro, a Vera parou atrás do meu e aí começou o gozo! O René dizia: - Olha Vera, um carro espanhol! Olha, um café espanhol! E ali, olha, olha! Espanhóis! Como era diferente o mundo a quarenta quilómetros de distância! A Vera desiludida fulminava com os olhos o René que fazia pouco dela com insistência! Fomos serenar ânimos para um café que aprecio por aquelas paragens e aproveitei para comprar uma marca de leite espanhola que é muito do meu agrado.
Voltámos para Pedras del Rei e aí, a tensão aumentou! Pela primeira vez na minha vida vi o René exaltado! Teve uma discussão de cortar à faca com a Vera sobre o rídiculo daquela tarde e como ela esteve o tempo todo a chatear-nos, confiando na conversa da mãe! Após separarmos os dois para um canto, aconteceu o insólito que fez com que as coisas terminassem por ali. A mãe da Vera ligou-lhe e fez-lhe uma pergunta.
- Então fizeram boa viagem? Correu tudo bem? como se Ayamonte fosse do outro lado do globo e tivessemos feito uma viagem repleta de aventuras! Eu, o Ivo e o René desatámos a rir à debandada, a Vera corada de vergonha pelo rídiculo da situação e sem saber o que dizer! Respondeu-lhe: - Sim fizemos boa viagem! Já não conseguimos e foi um fartote! Desatámos todos a chorar de tanto rir, até a própria Vera!

Para quem não acredita em azares... Aqui vai os acontecimentos dos últimos dias!
Como alguns sabem, estou a ter uma aventura com a mudança de casa. Segunda-feira, pernoitei em casa do meu amigo Tomás mas como ele foi passar uns dias ao Algarve era impossível ficar por lá. Entretanto como estava à espera da chave da minha nova casa para esse dia não vi qualquer problema. Pensei que mesmo que só conseguisse a chave na terça, poderia sempre passar uma noite numa pensão sem ter grandes consequências no orçamento.
Tinha uma programação arrojada para essa noite, combinei de ir ao Inatel ver um filme com o meu primo Pedro, a noiva Maria e a amiga deles a Joana. De seguida, tinha que ir ter com o Tomás à estação dos autocarros em Sete Rios para comprar os bilhetes para ele e para a Sofia, despedia-me e ia cear com uma pessoa amiga. Tudo estava a correr como o previsto, até cheguei a sair cinco minutos mais cedo do cinema para estar a horas na estação. Quando sai do Inatel, apanhei um táxi e cheguei à estação a um quarto para a uma. Ok, tudo bem, o Tomás tinha me dito que o autocarro tinha hora de partida à uma e quarenta e cinco, tinha mais do que tempo! Ao entrar na gare reparo que afinal a hora de partida era à uma da manhã e corri a ir comprar os bilhetes. Começam as complicações! Não aceitavam o cartão! Eu tinha trinta euros comigo, tinha gasto cinco com o taxi e não chegava para comprar os bilhetes! E o Tomás onde andava? O próximo autocarro só partia às sete da manhã! Faltavam dois minutos para a partida e vislumbro o Tomás com a maior calma a entrar. Digo-lhe - Despacha-te! O autocarro parte daqui a um minuto! Bem depois de uma grande azáfama e desentendidos, ele acabou por levar o meu cartão com ele pois não tinha dinheiro e eu vi-me com trinta euros no bolso para três dias e sem sítio para ir dormir nessa noite!
Despedi-me e segui para o meu encontro à boleia com a Maria, o Francisco e o Serginho. Estava combinado encontrar-me às duas da manhã em frente ao Tivoli na avenida da Liberdade. Eles deixaram-me na rua Castilho, o Francisco deu-me as chaves do carro dele para o utilizar de manhã e segui caminho após uns quantos problemas gástricos do Serginho. Quando cheguei ao meu destino, ainda não tinha jantado, tinha cigarros mas não tinha lume e para melhorar recebo uma mensagem da minha amiga a dizer que estava atrasada! E eu com frio e de t-shirt! Bom, muito bom... Bem, vou ao hard rock café tentar comer qualquer coisa. Estavam a fechar mas ao lado havia uma esplanada e deliciei-me com um cheeseburguer e uma imperial. Voltei para o Tivoli, já lá estava a minha amiga à minha espera... Fomos cear, a um retiro que conheço, umas bifanas bem regadas com um vinho tinto e depois de uma excelente conversa retornámos à Lapa.
Chego à porta de casa do Francisco e reparo que o carro não está lá! Comecei a indagar-me sobre o paradeiro do carro e fomos direitos ao local do emprego dele. Nada de carro! Pensei - Será que está à porta de casa da Catarina? Eles foram à festa dela. É bem capaz! Ao lá chegarmos, dei de caras com o carro e eu e a minha amiga seguimos viagem, cada um no seu carro. Arranquei e o carro começa a soluçar. Vai a baixo duas vezes e eu sem perceber nada! Então olho para o indicador do depósito. Estava sem gasolina! Acabei por empanar na Fontes Pereira de Melo! Fui com a minha amiga até ao Areeiro buscar gasolina e voltámos. Enchi o depósito com um litro e meio e pedi para ela acompanhar-me até à bomba. Cheguei à bomba, despedimo-nos, gabei-lhe a paciência e atestei mais dois euros de gasosa. Não podia despender muito dinheiro pois tinha ficado sem o cartão!
O mecânico do meu carro era ali ao lado e fiquei a fazer tempo para a garagem abrir. Ele chegou e fomos para o sítio onde estava o meu carro. Tentámos resolver o problema mas não foi possível, gastei o resto do dinheiro que tinha comigo em gasolinas e combinámos de nos encontrar na oficina às seis para resolver o assunto de uma vez por todas. De pronto segui para o local de trabalho do Francisco e perguntei-lhe se tinha dinheiro para a gasolina porque ainda tinha de ir ao Marquês de Pombal resolver um assunto e tinha combinado com o mecânico no Areeiro. O Francisco estava liso e disse-lhe que mesmo assim ia arriscar ir até ao Marquês porque ia receber dinheiro e assim podia colocar gasolina no carro. Na rua Barata Salgueiro, o carro ficou nas lonas e segui o resto do caminho a pé. Ao chegar ao Marquês fiquei sem bateria no telemóvel e com a bela notícia que dinheiro só no dia seguinte! Pensei. O que podia eu fazer? Sem dinheiro, sem carro e sem telefone. Fiz-me a caminho do Areeiro a pé! Claro está, que quando cheguei ao meus destino o mecânico já não se encontrava! Toca de voltar a andar a pé o caminho todo para trás!
Quando cheguei perto do carro, não podia com os pés, tinha feridas nos dedos, estava todo dorido e só queria dormir um pouco pois trazia duas directas no corpo. Foi o que fiz! Deitei-me no carro, com o pensamento que de manhã ia ao Marquês buscar o meu dinheiro e resolvia aquela embrulhada de uma vez por todas!
Dormia eu o sono dos justos no carro, quando acordo com um estrondo! Um tipo numa mota conseguiu numa avenida de quatro faixas enfiar-se no único carro estacionado. O meu! Como era possível tanto azar? Quatro faixas e um único carro estacionado! Nesse momento passava pelo local um carro da polícia e vi-me rodeado por uma ambulância, três carros da polícia, um da polícia de trânsito e um janado no chão a blasfemar e a praguejar. O carro com a traseira desfeita eu sem os documentos do carro e com a inspecção em falta! Bonito!
O artista, foi transportado para o hospital mesmo depois de oferecer uns quantos açoites nas pessoas presentes e os polícias de trânsito, foram impecáveis. Disseram-me que iam fazer de conta que eu não estava dentro do carro e para o Francisco ir no domingo à esquadra para apresentar os documentos. Deixara-me foi sozinho a mudar o pneu! Com isto já eram uma seis da manhã e não preguei mais o olho, o que recuperei de sono perdi com as forças que despendi! Às nove fui ao Marquês. Esperei, esperei... a fome apertava, os cigarros já não existiam e eu a ver a minha vida a andar para trás! Ao princípio da tarde recebo a notícia que o dinheiro continuava a não estar disponível. Estava feito! E agora? Consegui que um antigo colega me empresta-se dinheiro. Fui a pé até à bomba da rua castilho buscar gasolina e segui caminho para o carro. Ao lá chegar o carro não pegava! Que raio! Nada podia correr certo! Toca de voltar à bomba e comprar mais gasolina! Transpirava por cada poro que tenho no corpo com o sol abrasador e com os pés em ferida! Desta vez o carro pegou e segui viagem até ao emprego do Francisco. Quando apareci, ele estava num stress, disse-me que já estava a pensar em ligar para os hospitais. Contei-lhe o sucedido e foi aí que ele entrou em despiste! O carro não tem seguro! E agora temos de ir à esquadra no domingo! Temos de arranjar uma solução!
Segui para casa dele. Estava a precisar de um banho e estava esganado de fome. Depois de repostas as minhas necessidades, tentei saber notícias da minha casa, como entretanto estava sem bateria no telefone, não sabia se a senhoria tinha ligado. Consegui falar com ela, mas a questão mantêm-se. As chaves da casa não estão em Lisboa! Ficou de contactar-me a dar notícia mais tarde. Combinei com o Francisco de resolver todos os problemas no dia seguinte e acabei por ficar essa noite em casa dele a dormir. Ainda fomos sair, fazer um campeonato de pes, o Francisco seguiu para o Bairro Alto mas eu estava de rastos e fiquei em casa. Tentei ler um pouco mas o cansaço tomou conta de mim e não passei da segunda página.
Acordei de manhã e liguei para as Caves, precisava de saber notícias da proposta de trabalho e recebi a informação que passados dois meses desde o nosso primeiro encontro, ligavam-me mais tarde a dar uma resposta. Fui direito ao Marquês saber notícias do meu dinheiro, mas ainda não haviam informações. Retornei a casa e o Francisco acordou. Plano do dia. Direitos à Etic para resolver um problema que ele tem com um módulo em atraso, de seguida ir à axa resolver a questão dos meus dinheiros e aproveitar para arranjar um seguro provisório para o carro e finalmente ir ao mecânico tratar do meu carro e do dele.
Fomos até à Etic devagar pois o carro têm a roda traseira empenada. A professora deu-lhe um trabalho para fazer e entregar. Seguimos para a axa. Iamos em plena avenida da Liberdade quando o Francisco ultrapassou um carro da polícia! Eles continuaram a rodar atrás de nós até que ao examinarem os danos lastimosos do carro, mandaram-nos parar. Pediram os documentos do carro e os dele. O Francisco não tinha nada com ele! Eu não tinha os meus para abonar pela identidade dele pois estavam com o mecânico! E agora? Queriam levar-nos para a esquadra até alguém identificar-nos! Felizmente, tivemos muita sorte, disseram para deixar o carro onde estava e ir à nossa vida a pé! Safámos uma multa de setecentos e cinquenta euros!
Num salto chegámos à axa. Os meus ex-colegas não estavam e não podiam resolver o assunto do seguro do carro mas pelo menos tinha dinheiro! Não a totalidade, pois isso seria pedir de mais! Mas nem tudo estava perdido. Sentámos num café a pensar no que fazer a seguir. Decidimos primeiro estacionar o carro como devia de ser e depois apanhar o metro para o Areeiro para ir ter com o Leonardo, o mecânico. Depois de estacionar o carro seguimos para o metro e fomos à garagem do Leonardo. Felizmente ele estava por lá mas só podia sair dali para tratar dos carros às nove e meia da noite. Pelo menos já tinha as novas matrículas do meu carro!
Eu estava com o meu pé cheio de feridas e para ajudar à festa, comecei a ter taquicardia. Decidimos parar numa tasca, e quando digo tasca é na verdadeira ascensão da palavra! Fumamos uns cigarros e bebemos uma cerveja. Ainda nos aguardava um longo percurso até casa. Volta para o metro, saída na estação do rato e caminhada até ao nosso café para saldar as contas. Pelo caminho ainda dei de caras com a ex para ter mais uma discussão! O dia era perfeito, tudo estava a correr de feição! Só faltava mesmo esta! Quais seriam às hipóteses de dar de caras com ela? Nesse momento sinto o telemóvel a vibrar, mensagem recebida. Li a mensagem, parecia ser boas notícias! Depois de um certo caos com a ex, fiz-me ao caminho e cheguei ao café, saldei as dívidas e pedi dois euros emprestados ao Francisco para telefonar. A porcaria da máquina comeu o dinheiro e nada de telefonar! Já estava a ter um fanico! Voltei para dentro do café pedi ao Carlos para mandar uma mensagem do telefone dele a pedir para ligarem-me. Finalmente estava resolvido! Uma boa notícia! Sou o novo designer das Caves Velhas!

E agora pergunto-me eu. Será preciso passar por tantos azares para acontecer algo de bom na minha vida?

Um blog é um espaço onde expomos as nossas ideias, sentimentos e experiências. O intuito desde blog sempre foi o de entreter as pessoas com as histórias caricatas da minha vida e ao mesmo tempo retirarem daí algum ensinamento através de uma reflexão dos meus erros e azares.
A minha arte sempre foi o desenho. Desde pequeno que sei que é para o que estou fadado. Foi com muito espanto e apreço que recebi os primeiros elogios e críticas à minha escrita. Todos se dirigem no mesmo intuito. Tenho jeito para contar histórias e que escrevo bem. Mais abismado fiquei porque nunca me imaginei a escrever, não me passou pela cabeça ter jeito para tal.
O blog também me retribuiu algo de bom. Por causa de uma pesquisa de alguém, sobre um certo tema, aleatoriamente apareceu este blog. A pessoa ao aterrar os olhos nestas linhas, por cá ficou e retorna todos os dias à espera de novas histórias. É com muito prazer que vos informo que o blog ganhou uma fã! Sinto-me envergonhado mas sim é verdade! A História da minha vida - The Real Johnny Bravo, tem uma fã! Nunca poderia prever tal coisa!
Gostava de deixar aqui o meu agradecimento a todos os que me incentivaram para a criação deste espaço e a todos os leitores do blog que retornam para conhecerem mais episódios. Em particular deixo uma mensagem para a minha Peúga.
Foi um acaso do destino ter criado este blog... Ele apresentou-nos e hei-de estar sempre grato por isso

O René costuma vir de férias a Portugal uma vez por ano, mas já houve tempos em que apareceu para a passagem de ano e na Páscoa. Numa dessas alturas de Páscoa, o Ivo convidou-nos aos dois para ir com ele e a Vera passar o fim-de-semana a Pedras del Rei. O tio Hélder tinha proposto ao Ivo que ele fosse para lá passar esses dias, convinha-lhe que alguém fosse limpar a casa porque esta já não era habitada à algum tempo. Eu e o René, que estamos sempre prontos para uma viagem, concordámos num ápice.
Na sexta-feira de manhã fiz a mala e saí com o meu pai. Ele também ia de férias para o Algarve com a namorada. Tomámos café-da-manhã juntos e depois de chamar-me à atenção para o trânsito que ia encontrar, despedi-me e segui em direcção à casa da Vera. Como sempre, o Ivo estava atrasado! Ficámos os dois no café a fazer tempo para que eles chegassem. Uma hora depois estavamos na estrada. Eu e o René no meu Honda Crx e o Ivo no Renault 5 da Vera.
Eu seguia à frente da Vera e nem quis acreditar no trânsito infernal que tinha pela frente quando passei a ponte sobre o Tejo! Seguia numa marcha lenta que começou a enervar-me. Pensei para com os meus botões: - Por este andar nem à hora de jantar lá estou! - Parecia que todos os portugueses tinha tido a mesma ideia de rumar de carro para o Algarve!
Perto de Grândola, parámos para tomar café e aliviar um pouco a cabeça. Perguntei ao Ivo onde ficava exactamente Pedras del Rei, ao que ele me respondeu que ficava perto de Tavira. Antes de entrar para o carro, combinei com a Vera que ia fazer o caminho um pouco mais depressa e que quando chegasse ao nosso destino, ficava à espera dela e do Ivo. Despedi-me e segui viagem. Começei a ultrapassar aos quatro e cinco carros de uma assentada. O trânsito começava a complicar-me, cada vez mais, com os nervos. Olhava para o lado e vi-a o René a fazer força no apoio da porta. Disse-lhe que sabia o que estava a fazer e ele sem querer dar parte fraca lá dizia: - Não estou com medo! O trânsito está por demais! Continuei a minha cruzada contra aquele caos, neste momento, já chegava a ultrapassar aos sete e oito carros de uma vez só! Estava a entrar na serra de Monchique quando ao passar uma série de carros, travei a fundo e coloquei-me na minha faixa de rodagem. O René arregalou os olhos com a manobra e perguntou-me: - O que foi? Viste um carro da polícia? - Não! O carro que segue à minha frente é o do meu pai! Ele tinha saído em direcção ao Algarve, uma hora antes de mim! Ultrapassei o carro dele com toda a segurança possível e depois de um olhar espantado por parte do meu pai, segui a minha viagem.
Quando finalmente entrei em Tavira, encontrava-me descontraído por estar perto do destino. Vinha sem capota e com um boné na cabeça, virado para trás, a sentir o calor da primavera. Estava na galhofa com o René sobre algo que já não recordo... que descambou em "Não és capaz de baixar as calças!". O René que não se deixa ficar, começou a desabotoar as calças e nesse preciso momento, um polícia manda-me encostar! - Boa tarde! O seu bilhete de identificação? - Pediu-me o guarda e pensei: - Bilhete de Identificação? Que raio! Ok, apresentei-lhe o B.I. e ele muito espantado, mandou-me seguir viagem. Achava que eu era menor de idade! E o René no banco do lado de calças abertas!
Andei às voltas, à procura de uma placa com indicação sobre Pedras del Rei. Mas nada! Parei perto de duas miúdas e pedi por direcções: - Podem dizer-me como vou para Pedras del Rei? A primeira miúda ao tentar dar a primeira indicação é interrompida pela segunda rapariga com um "Não é por aí!" e começa a dar-me novas orientações. A primeira miúda vira costas, cruza os braços e amua! A amiga que estava a dar indicações percebeu que afinal não sabia o caminho e pediu ajuda à colega. Esta como estava amuada começa nesta conversa: - Não digo! Diz tu! Tu é que sabes! - Eu olhava para aquela discussão de boca aberta, até que em alto e bom som digo: - Mas vão dizer-me onde fica Pedras del Rei ou Não!? As raparigas ao perceberem que já estava a perder a calma, disseram para seguir por aquela estrada e na rotunda virar na segunda rua e seguir em frente! Disse obrigado e segui viagem!
Vinha a comentar com o René o bizarro da situação quando deparei-me com a rotunda. A segunda saída era um beco! Furioso, dei mais uma volta á rotunda e virei na primeira rua. Seguia por essa rua, quando volto a parar para pedir indicações: - Desculpe! Pode dizer-me como vou para Pedras del Rei? - O rapaz acerca-se do carro e faz este monólogo: - Vai por esta rua e vai encontrar a Igreja, segue em frente. Vai, vai e segue sempre em frente e vê um café do lado direito, continua em frente. Anda, anda, anda e há uma mercearia mais à frente do lado esquerdo e segue em frente. Vai sempre em frente, continua e seguindo sempre em frente está em Pedras del Rei! - Só por uma questão de escárnio perguntei: - É sempre em frente? - Ele respondeu-me com um enorme sorriso: - Sim segue sempre em frente!
O René ria despregadamente, eu perguntava-me, se naquela terra eram todos atrasado! Segui em frente! Já passara a igreja, o café e a mercearia... Não havia mais habitações e nada de Pedras del Rei! Só mar à esquerda e mata do lado contrário. Começo a rogar pragas ao rapaz quando reparo numa rapariga a vir na minha direcção a andar de bicicleta. Voltei a pedir indicações: Desculpa! Sabes dizer-me onde fica Pedras del Rei? Ao que ela responde: - Estão na direcção errada! Fica para trás! Perdi a cabeça! Arranquei e comecei a dar a volta para trás! Ao passar pela rapariga ela pergunta-me: - Estavam a falar a sério? E eu com um - Desculpa? - Sim, estavam a falar a sério sobre Pedras del Rei? Acenei a cabeça afirmativamente e ela lá disse-me: Ah! É que pensei que estavam a meter-se comigo! Pedras del Rei fica ali à frente a uns duzentos metros!

Quando conheci o Ivo e o René. Criou-se um grupo de amigos, que mantivemos durante vários anos. Colegas que frequentavam a mesma escola do Ivo. Com o passar dos tempos mais pessoas entraram para o nosso círculo, outros saíram mas estes três mais a Vera estavam sempre presentes.
O Ivo e o Brito tinham casas na Ericeira e era muito frequente irmos passar fins-de-semana ou férias escolares para este vila plantada em frente ao mar. O Brito possuia uma vivenda que situava-se em São Julião a poucos quilómetros da Ericeira e o Ivo em pleno centro tinha o apartamento da avó.
Certo ano, já eu estudava em Coimbra, combinámos passar outro passagem-de-ano na Ericeira. Eu e o René iamos no meu carro. O Ivo e a Sandra seguiam no carro da Vera e por fim o Gonçalo e o Rui no carro deste. Ponto de encontro, o café perto de casa da Sandra. Fomos ao supermercado comprar mantimentos e o René como sempre quis adquirir muitas grades de cerveja! Isso é que não podia faltar!
O Rui, era o rapaz que esteve internado comigo em S. José. Começara a namorar a Maura, outra amiga nossa que não podia ir connosco mas que veio despedir-se de nós. Fez-me um aviso: - Olha que ele não bebe nem fuma! Vê-lá como o trazes de volta! Ao que respondi: - Ele é maior de idade! Eu não sou pai dele para andar no controle! Ela deitou-me aqueles olhos de reprovação e eu reparei que o rapaz estava excitadíssimo. Com o começo daquela chuva miúda avisei-o que era para ter cuidado na estrada, não queria aventura, tinhamos tempo e o caminho quase a chegar à Ericeira era traiçoeiro quando estava molhado!
Quase a chegar ao nosso destino apanhei um daqueles azelhas, que a carta saíu de certeza em qualquer promoção! Duas faixas de rodagem não chegavam para o condutor! Andei uns bons cinco quilómetro atrás do tipo até que me fartei e coloquei uma abaixo e ultrapassei aquele perigo. A Vera seguiu os meus passos e o Rui ficou estancado atrás do azelha! Perdi o Rui de vista e segui a minha viagem. Chegámos à Ericeira e começei a retirar as malas e os mantimentos da bagageira. Já tinhamos arrumado tudo e o Rui nada de aparecer! Ele não sabia onde era a casa mas o Gonçalo sabia! Mas que raio! Onde andavam? Já farto de esperar, entro no carro e com o René começamos a fazer o caminho inverso, dois quilómetros mais à frente dou de caras com o espectáculo!
Com a ansia de nos alcançar o Rui tinha batido num carro que vinha em direcção contrária e despistou-se, só parando na beira da ribanceira! Alguns metros mais e tinha sido o belo e o bonito! O Rui uma pilha de nervos! Tentei acalmar-lo e mandei os outros seguirem no meu carro enquanto eu tratava da declaração amigável e ficava à espera do reboque! A preocupação do René foi as duas grades de cerveja que se tinham partido! Não ia chegar! A cerveja não ia chegar! Tratei de tudo e enquanto esperava pelo reboque, chegaram os pais do Rui. Serenei os animos e depois de nos despedirmos, seguimos para a Ericeira.
Nesse dia à noite, depois de ter jurado que a Vera nunca mais cozinhava para mim, por me servir uns bifes com sabor a caracol! Fomos ao Cadillac. Era um bar que frequentava muito quando estava naquelas paragens. Possuí-a um ambiente que se notava cuidado com a decoração algo que não imperava nos restantes bares e cafés. Eu e o René pedimos cervejas Amesterdam e o Rui pediu um cocktail! Logo fiquei espantado! Avisei-o que aquilo tinha álcool! Ao que ele respondeu: - Oh! A Maura não está cá para controlar-me! Simplesmente encolhi os ombros! O espectáculo estava guardado para depois...
Retornámos a casa e ficámos a beber umas cervejas na sala enquanto o Rui chateava a Sandra para dar-lhe um cigarro! Estávamos todos a rir despregadamente com as figuras do Rui e o Gonçalo, que tinha preferido ficar por casa, perguntou-me: - O que ele bebeu? Um cocktail !- Respondeu a Vera. Ainda mais risos! Como era possível alguém ficar naquele estado com um cocktail! Um! Só um! As atracções ainda não tinham terminado. A certo ponto vindo do nada, o Rui começou a dizer que o rabo dele era limpinho! E nós todos a dizer-lhe que sim! - Claro Rui! nós sabemos que é - Respondi eu, a ver se ele se calava. Ele não foi de modas! Virou-se de costas para nós, enclinou-se para a frente e baixou as calças e saísse com esta frase: - Eu não estava a mentir! É limpo! Vês como é limpo! Foi um fartote!
O resto dos dias até ao fim-de-ano foram passados calmamente. Eu e o René faziamos a nossa rotina. Levantar cedo e ir para o café central ler o jornal. Eu com o meu jornal desportivo, o René a pedir-me traduções para as palavras que não entendia no Público. Da parte da tarde iamos dar uma volta de carro pela região e à noite, a seguir ao jantar, sair até às tantas! O resto dos nossos colegas de férias dividiam o seu tempo por uma permanência constante em casa e uma ou outra vez, lá para o fim da tarde, aventuravam-se a sair para tomar o café!
No dia da passagem-de-ano, combinámos fazer um belo jantar em casa e de passar a meia-noite no Cadillac. Aprumámo-nos para aquela noite. E depois de alguma insistência por parte da Vera, acedemos a que ela ajudasse na preparação da refeição. Correu tudo sobre rodas e depois de umas quantas cervejas, seguimos para o bar. Estranhei bastante as ruas estarem vazias. Nem parecia a Ericeira, quase não se via viva alma. Entrámos e o Zé, dono do Cadillac, recebeu-nos com um sorriso rasgado na cara. Até às doze badaladas, o ambiente, entre nós foi se intensificando de folia. Atingindo o seu clímax na passagem de ano com o despejar de uma garrafa inteira de champanhe por cima da minha cabeça! O Rui bebia de tudo. Champagnhe e cerveja. Comprara um maço de tabaco e parecia uma chaminé! Por esta altura saí do bar para ligar ao meu pai a desejar bom ano e dou com o centro da Ericeira apinhado de pessoas! A noite e a folia continuaram até ao primeiros raios de sol!
No dia seguinte ao regresso. Encontrei-me no café com a Maura, Gonçalo e Sandra, Ivo e Vera. Estavamos em amena cavaqueira quando a Maura vê o Rui chegar com um cigarro na mão! Fulminou-me com os olhos e perguntou: - O que aconteceu na Ericeira? - Fez-se homem - Respondi eu!

Chegou o ansiado dia.. Figueras aguardava-me! Primeiro paragem Carcassonne. Eu detesto os franceses e a sua arrogância mas tenho de admitir que a sua história e país são de facto bastante relevantes no panorama mundial.
Carcassonne é uma cidade fortificada, algo como a nossa Óbidos mas relativamente maior! Em todos os recantos se encontram lojas de antiquários com as mais variadas espadas, elmos e armaduras! Depois de uma bela caminhada para conhecer a cidade. Eu, o Márcio e a Bety decidimos ir almoçar. O nosso francês estava horripilante e o empregado não ajudava... Inglês nestas paragens é língua madrasta! Lá consegui fazer-me entender e comer os meus escargots (adoro caracóis!) e uma lasanha simpática!
O tempo escassiava e nada de arrancar daquele país! E diz-me o professor de design que se calhar não iamos a Figueras! O tanas! Perder o melhor da viagem! Nem pensar nisso! Então eu e alguns colegas fizemos finca pé e lá nos dirigimos para Figueras. Chegamos eram para aí umas quatro ou cinco da tarde, recordo-me que só tinhamos uma hora para conhecer a casa museu! Sempre é melhor que nada!
Não há palavras para descrever a casa... Um génio não se resume num blog. Vou tentar explicar os sentimentos que Dali me proporcionou. No meio de um aglomerado de casas térreas, pintadas de cinza deparamos com um forte de três andares com um interior em formato circular de cor de tijolo e paredes ornamentadas com alfaces doiradas. No topo do edifício ovos gigantes e estatuetas doiradas completam o panorama excêntrico do edificio. No interior assustei-me ao entrar no quarto de dormir idealizado por Salvador Dali. Enquanto contemplava a cama de estilo rococó e a banheira em forma de cisne senti-me observado e olhei para o tecto. Quase caí para trás! Avistei um fresco que cobria toda a área do tecto, muito realista onde um homem caí em direcção ao chão, simbolizando a expulsão de Adão do paraíso. Espectacular! Entre muitas peças de arte fabulosas recordo-me do momento em que sorri perante a genialidade. No centro do edifício encontra-se um jardim, no meio da área vislumbra-se um Cadillac com uma estátua plantada no capot e com o interior repleto de heras e dois manequins, um motorista e a sua patrona. Ao lado uma caixa para se inserir moedas. Estava eu a interrogar-me sobre o porque da caixa, quando se acerca de mim o "Kent". Chamei a sua atenção para a caixa e desafiei-o a colocar uma moeda. Ele um pouco relutante acedeu e inseriu a moeda. Nesse momento começou a chover dentro do carro! Era uma fonte dos desejos! Com muita pena minha a visita à casa-museu terminou rapidamente devido a já estarmos na hora de fecho. Muito ficou por ver e fiquei cheio de vontade de lá voltar outro dia.
De regresso a Canet del Mar, para a nossa penúltima noite. Voltei a ficar pelo bar do hotel, fiz uma noite calma porque tinha planos para o último dia. Como era dia livre tinha decidido ir a Barcelona comprar umas engenhocas para os meus arqui-rivais do quarto ao lado! Corri as Ramblas à procura de coisas para utilizar no meu esquema de vingança! Regressei ao ínicio da tarde ao hotel, enquanto o resto dos meus colegas se encontravam ainda em Barcelona. Pedi
na recepção a chave suplente do quarto dos meus "amigos" e plantei as armadilhas! Pasta de dentes espalhada uniformemente na tampa da sanita de maneira a não ser perceptível ao olhar distraído. Com uma seringa injectei litros de ketchup para dentro da mangueira da banheira. Açúcar colado às almofadas e pó de comichão nos lençóis e sapatos. Para distrair de uma possível inspecção roubei algumas roupas! Estava executado o plano! Agorra era só esperar!
Os meus colegas ao regressar ao hotel, avistam-me ao balcão do bar, desconfiados como são prontamente subiram no elevador para fazer uma inspecção ao quarto! Como planeei só deram pela falta da roupa. Mais tarde, depois de alguma insistência entreguei-lhes! Na manhã seguinte ao entrar no autocarro para a nossa partida, chorei a rir! Três mamarrachos com a cara toda arranhada do açúcar, sem banho tomado devido ao ketchup e a coçarem-se por todo o lado chegam perto de mim e disseram o que eu queria ouvir: - Ganhaste! Vocês ganharam!
O retorno a casa foi muito perigoso para a minha integridade física! Tinha umas dez cabeças à espera atentamente para o momento em que eu adormecesse, para conseguirem pintar a manta! Com muitos cafés à mistura, aguentei estoicamente e não adormeci nessas dezasseis horas! Ainda tive coragem e forças, para chegado a Coimbra, pegar no meu carro e rumar para mais duas horas de viagem até Lisboa!

Durante a tarde fui passear pelas Ramblas e visitar o Museu de Cera. O professor de português andava excitadíssimo, parecia que era a sua primeira viagem ao estrangeiro e massacrava todos os alunos para terem cuidado com a carteira, porque as Ramblas eram perigosas! No melhor pano, cai a nódoa! Mesmo tendo uma daquelas bolsas de cintura foi assaltado por um grupo de carteiristas! Um esquema simples mas eficaz! Um indivíduo despejou um pacote de leite para cima do seu casaco e outros dois apareceram do nada para ajudar a limpar, ele agradeceu a ajuda e eles agradeceram a carteira com todo o dinheiro para a viagem!
Ao fim do dia voltámos para o hotel. Tempo para retemperar energias e para um merecido banho! Ninguém sabe como iniciou mas do nada apareceu uma guerrilha entre quartos! O meu contra o do André! Tudo bons malandros! Tropelias e marotices de miúdos! Estávamos todos no quarto do André, do Sá e do Chico, à espera que o Sá fosse tomar banho para podermos ir jantar. Como ele nunca mais de despachava, decidimos apagar a luz e prender o Sá na casa de banho! Fomos jantar e só a meio da refeição alguém teve pena e lá foi liberta-lo! Apareceu na sala de jantar a bufar e a malta toda a rir! A retaliação não tardava a chegar!
Noitada atrás de noitada, combinada com muitos copos pelo meio, chegou o dia de visitar Andorra. O "Kent" que não percebia patavina de espanhol e inglês é língua que não consta no seu vocabulário, cravou-me para ir com ele comprar uns patins em linha. Corri Andorra de lés a lés. Entrei numas cinquenta lojas de desporto à procura dos malditos patins! Eu de canadianas já não tinha forças para andar mais nenhum metro mas finalmente arranjei uma loja que vendia os malditos! Já que estava em Andorra aproveitei para comprar cigarros e um Festina. Quando voltei para o autocarro, já não sentia as pernas e durante o regresso ao hotel passei o tempo todo a amaldiçoar o "Kent"!
Ao chegar ao quarto estava de rastos. Não dormira mais do que três horas consecutivas por noite desde o início da viagem e deitei-me um pouco antes da hora de jantar. Quando já estava ferrado, enfiado nos meus lençóis envolvido pelo silêncio do quarto ouvi uns murmúrios. A contragosto abri os olhos e dou de caras com os três malandros do quarto rival a roubarem os nossos sapatos! Tive sorte em acordar nesse momento, pois ainda consegui salvar os meus ténnis! Os meus colegas de quarto não tiveram a mesma fortuna! Tiveram de passar o resto da viagem com sapatos diferentes em cada pé! A vingança tarda mas não falha! O melhor estava para vir!
A seguir ao jantar dessa noite, alguns apanharam o comboio para uma discoteca enquanto eu preferi ficar no hotel. Estive um bom bocado com o Luís a magicar uma maneira de vingar-nos. Tinha de ser algo bem estruturado, algo que não criasse dúvidas sobre quem eram os mais maléficos! O resto da história fica para segundas núpcias...

Todos os anos a ARCA organiza em Abril uma visita para os estudantes. Os destinos são a feira da Arco em Madrid ou uma visita a Barcelona. Devido aos meus infortúnios só tive possibilidade de participar em duas dessas viagens. Barcelona foi a primeira em que participei. Estava no meu segundo ano de Coimbra.
O programa incluía visitas aos monumentos mais emblemáticos de Barcelona, um dia para compras em Andorra, uma tarde às muralhas de Carcassone e o melhor da viagem, guardado para Figueras, terra de onde é natural o meu pintor preferido, Salvador Dali e onde se encontra a sua casa museu. A duração da viagem era de uma semana e ficávamos instalados num hotel em Cannet del Mar, uma pequena aldeia balnear que dista quarenta quilómetros de Barcelona.
Devido aos meus problemas físicos, foi-me destinado dois bancos no autocarro, para ter a possibilidade de esticar as pernas sempre que necessário. Saímos em dois autocarros, de frente às instalações da ARCA pelas vinte e duas horas em direcção à fronteira em Vilar Formoso. Parámos na estação de serviço na fronteira, já em território espanhol, para desentorpecer as pernas. Eu e um colega entrámos no mini-mercado e comprámos uma garrafa de ponche! Não com o intuito de beber mas com outra finalidade! Foi uma ideia brilhante!
Passada a excitação da partida, a maioria dos meus colegas já dormitava! Muitos passavam pelas brasas a ressonar e de boca aberta! Não existe situação mais engraçada do que assistir ao acordar de alguém quando se despeja umas quantas gotas de ponche para a boca! Foi um fartote! Vitimámos cerca de seis a sete colegas! No resto da viagem continuei impossível, sempre a fazer travessuras, azucrinando os colegas.
Dezoito horas depois, já muitos estavam pelos cabelos por não deixar ninguém dormir mas finalmente deslumbraram sossego ao ver o hotel! Toca a descarregar as malas e procurar os quartos atribuídos. Foi-me destinado um cúbiculo que tinha de dividir com o Jorge. No momento que estou a deparar com o espaço chega-se perto de mim o Sérgio, a dizer-me que se queria podia ficar no quarto dele e do Luís pois era o maior de todos no hotel. Não pensei duas vezes e deixei o Jorge com um sorriso na cara por ver que teria mais espaço do que esperava. Instalei-me e fui tomar um banho antes de descer para jantar.
Ao descer para jantar foi-me destinado um lugar numa mesa com os meus colegas de quarto, o André e o Sá que estavam instalados no quarto ao lado do nosso e o João e o Pratas, professores de informática e cerâmica, respectivamente. Continuei a fazer das minhas! O Sá tardou a descer e já tinham servido a sopa. Tomei a liberdade de melhorar a sua sopa com meio frasco de tabasco! Todos rimos com a situação e ninguém se acusou! Aquilo é que foi suar! No fim da refeição a boa disposição imperava e quando chegou a altura de beber café, eu distrai o André enquanto o Sérgio trocava o sal pelo o açúcar, transformando o café do André intragável! Que esgar! A seguir dirigimo-nos para o bar do hotel, ficámos a beber umas "cañas" e de seguida, com os meus colegas de jantar e mais umas miúdas, dicidimos sair do hotel e procurar um bar nas imediações. Fomos em direcção à praia, que distava uns trezentos metros do hotel. Não encontrava-mos um local aberto para continuar a nossa noite, estava tudo fechado até que no fim da rua nos deparamos com um café. Acabámos por entrar, visto não haver mais nenhum sitio nas redondezas.
Era um café normalíssimo, estava vazio e os únicos ocupantes que se vislumbrava era o casal que geria o espaço. Sentámos e alguém reparou num cartaz onde se podia ler que a especialidade da casa era a Sangria! Realmente era especial! Pedimos dois jarros e lembro-me de ficar espantado com os modos minuciosos como o proprietário produzia aquelas sangrias, com medidores e quantidades ao milímetro. O resultado esse, foi bombástico! Alguém sugeriu jogarmos à moeda! Quem perdesse bebia um copo de sangria num trago! Os estragos foram muitos! As miúdas, que por sinal não beberam, ficaram embriagadas por comerem a fruta da sangria! Os rapazes nem se fala e doze jarros depois retornamos ao hotel! O André que andava com uma canadiana, fazia corridas com o Sá! Eu larguei uma das canadianas e sinceramente não me lembro de voltar para o hotel! Eram quatro da manhã e tinhamos de estar a pé às sete e meia!
Antes de deitar-me tive uma ideia brilhante... Fui buscar pasta para os dentes e espuma de barbear! Cheguei ao primeiro piso e dei de caras com o Paulo Jorge! Tanto no primeiro como no segundo piso os quartos eram da nossa comitiva. Começei a exprimentar as maçanetas das portas e consegui encontrar quatro quartos com a porta aberta! Foi entrar surrateiramente e espalhar pasta para os dentes na cara dos coitados e espuma nos cabelos! No dia seguinte foi ver caras avermelhadas e cabelos em pé!
Três horas de sono depois, um belo banho, pequeno almoço e toca de entrar no autocarro com destino à Sagrada Famíilia em Barcelona. A ressaca era tal, que quando o autocarro parou no seu destino eu encontrava-me tão abstraído que achava que ainda estavamos em andamento! Tiveram que chamar por mim, já toda as pessoas tinham saído! Cá fora deparei-me com os meus colegas da noite anterior enfiados num café! Dirigi-me para lá depois de visitar o monumento de Gaudi. Já estavam todos de copo na mão e a seguir a tomar um café, cedi e juntei-me ao grupo! À hora de almoço, depois de umas "cañas" e de estomâgo forrado, já estava bem disposto! A farra continuou...

O resto da viagem foi ainda mais louca mas fica para um próximo post!

Hoje tive mais um contratempo, perdi a calma e fiquei uma pilha de nervos. Alguém disse-me algo que me fez pensar... "Não fiques assim, o tipo que conheço não fica assim, não é do teu feitio... anima-te!".
Porra! Será que não tenho esse direito? Lá porque estou sempre com um sorriso na cara, não posso ir abaixo momentaneamente? Já começo a achar que é perseguição! Será que já não chega? Paz e sossego! Uma certa estabilidade! É pedir muito? E aí lembro-me de algo.
Uma viagem que fiz sozinho a Londres. Eu tinha dezoito anos e abordei essa viagem com o espirito de aventura. Depois de muito passear e já cansado de teatros decidi sair uma noite e ir a um bar. Aí conheci um inglês, já a rondar os cinquenta e que fazia do pub sua casa. Estivemos a falar horas! Senti o à vontade, com ele, para falar de todos os meus problemas e ele para tudo tinha resposta. Fiquei fascinado com a sua maneira de encarar a vida! No fim, ao despedir-me disse-me uma frase que nunca esqueci! E a qual recordo sempre que fico neste estado.

"Shit happens realize that and move on"

Tive a possibilidade de ir a várias Queimas mas a que contêm a história mais gira, foi a do ano seguinte a finalizar os estudos em Coimbra. Eu tenho um amigo de adolescência, o Zé Miguel. Ele também conhece pessoas de Coimbra e combinámos de ir juntos à Queima desse ano. Eu arranjava um preço especial no Hotel Tivoli e dividiamos o quarto. Ficámos combinados de ir para o fim-de-semana da Queima da Fitas!
Fizemos a viagem num Mg Metro que eu tinha comprado à pouco tempo para restaurar. Chegámos a Coimbra sexta-feira ao princípio da tarde. Deixámos a bagagem no hotel e fomos directos ao café onde costumavam parar os amigos do Zé. Não estavam mas deixamos recado para telefonarem para nós. De seguida, zarparmos para o café que era o ponto de encontro das pessoas com quem me dava. A festa começou! Cumprimentos para aqui, apresentações para ali e muitas rodadas de cerveja! Relembrando tempos que já pareciam idos à muito!
Ao fim da tarde fomos ao hotel só mudar de roupa e tomar um banho. Seguimos para um jantar na pizzaria do André, outro ponto de encontro! A mesma festa, mais cumprimentos, apresentações e cervejas acompanhadas de pizza e de lasanha! O corpo já pedia alimento! Eramos um grupo de dez a vinte pessoas, os colegas do Zé ainda não tinham dado notícias mas como estavamos bem acompanhados não nos preocupamos! Acabou o jantar pelas onze horas e voltamos para o café. Mais uns amigos, mais umas cervejas e está na hora de ir para o Parque!
Eu e o Zé fomos no Mg e combinamos de encontrar-nos com o resto dos meus amigos na barraca do bar de Quiaios. Encontrar lugar para estacionar perto do Parque num dia de Queima é como achar uma agulha no palheiro mas tive sorte e consegui um bom lugar! O Zé, já não estava no seu melhor estado! Eu, por outro lado tinha-me controlado e depois do jantar estava bem. Saímos do carro e fomos comprar os bilhetes e seguimos à procura dos meus colegas.
Estavamos todos muito bem na barraca, quando o Zé se oferece para comprar bebidas, colocou-se na fila para tirar as senhas e nós todos encostados ao balcão na conversa. Foi a última vez que vi o Zé nessa noite! Estava em animada cavaqueira, deu-me sede e começo a pensar: - Então o Zé nunca mais tira as senhas? Viro-me e não vejo o Zé! Que raio! Começo a perguntar se alguém o vira e ninguém punha os olhos nele a já algum tempo. Organizamo-nos em grupos de dois e três para procurar o Zé. Mais parecia aquela história mítica da Elsa na Expo 98! Um bando de pessoas à procura daquele tipo e nada dele! Passada uma hora, bati com o pé numa raiz de uma árvore e fiquei cheio de dores! Precisava de sentar-me e desistimos! Estava na hora do conserto e eu não queria perder por nada. Disse ao resto das pessoas que de certeza ele tinha ido para o hotel e que não valia a pena preocupar-nos! Arranjaram-me um caixote e sentei-me a ver o concerto.
Por descaro de consciência às seis da manhã quando saí do Parque ainda fui à discoteca Via latina à procura dele. Como tinhamos um amigo em comum que trabalhava lá, não custava nada ir perguntar! A resposta foi um não! O Zé não tinha estado por aquelas bandas. Paciência! Já preocupado dirigi-me ao hotel! Na recepção quando recolhi a chave do quarto, a resposta foi a mesma! Não viera ninguém pedir a chave! Estava a percorrer o corredor, quando começo a ouvir água a correr no meu quarto! Abro a porta e saí uma cabeça da porta da casa de banho! Era o Zé com uma cara de poucos amigos! Diz-me: - Vocês são lixados! Abandonaram-me! Acabei de chegar! Claro está que o sermão que levou a seguir foi valente! Quando olhei para o interior da casa de banho e vejo o lavatório todo cheio de conteúdo gástrico! Mais danado fiquei! Tomei um comprimido para as dores e enfaixei a pé com uma ligadura antes de deitar-me mas sem antes obrigar-lo a limpar a casa de banho. Agora que tinha parado as dores no pé eram maiores!
Na tarde de sábado, lá consegui descortinar o que se tinha passado! O estado do Zé não era o melhor e quando recebeu as senhas, em vez de se virar para a direita onde estavamos todos, virou-se para a esquerda em direcção à barraca do lado e como não nos viu, decidiu ir-se embora. A distância do Parque ao hotel já é simpática. Quase um quilómetro! Mas o estado do Zé não era realmente o melhor! Passou a ponte para a outra margem e andou, andou... seguiu em direcção à auto-estrada! Voltou a passar a ponte para o lado correcto. Andou, andou... até que depois de percorrer cinco quilómetros a cambalear, encontrou um taxi! Este estava a duzentos metros do hotel e o Zé não fez por menos: - Leve-me já ao hotel Tivoli! A contra-gosto o taxista lá o levou, ele entrou disparado pelo hall do hotel e nem se lembrou da chave! Qual não é sorte a dele! Não tinha trancado a porta! Vinte minutos depois entrei eu no quarto!
O caminho do Zé! :D

Amar não é olhar um para o outro mas olhar na mesma direcção... Nunca ouvi maior verdade!
Estou cansado de viver de dúvidas. Achei alguém que me completa... Se é mutuo não sei, nunca soube... Sinceramente não sei! Quando a conheci mudei a minha vida para estar perto dela, mas também é verdade que baixei barreiras muito depressa! Coloquei-me numa posição tipo "with open arms" Irracional mas o coração foi mais forte que a razão! Neste momento estou a pagar por esse erro! E vou continuar a pagar a factura...
Sinto-me traído, sinto angústia. Tentei afastar-me, ainda tento... Envolvi-me em vários projectos para não pensar nela! Mas não consigo... Sinto-me pior por saber que ela seguiu com a sua vida como se nada fosse! Eu parei! Vivo no passado, vivo das memórias... Custou quando iludi-me e tentámos reatar. Ela disse que teve alguém! Disse: - Eu sei diferenciar sexo de amor! Infelizmente eu não sei! Sou da velha guarda! Eu amo-te, só penso em ti! Fui fiel! Bolas, ainda sou fiel! fui feliz e não aceito menos que isso....
Sinto-me cansado mas ainda anseio por uma esperança de encontrar alguém e voltar a viver aquele momento como vi no teu rosto em que te sentias completa!

I know you'r alright but I also know I'll never get over you... You were the one

It's not like you didn't know that
I said I love you and I swear I still do
And it must have been so bad
Cause living with me must have damn near killed you

Durante muitos anos tive o previlégio de passar quinze dias de férias neste local. Por norma, sempre no hotel Príncipe Sol. Já conhecia a maioria do staff e animadores. Sentia-me, como numa segunda casa. Torremolinos é uma vila à beira-mar que vive do turismo e devido a isso contempla uma parafernália de locais de diversão, dividida por hoteis, clubes, aquaparque, parque de diversões, discotecas e bares. É o sítio perfeito para uma pessoa se entreter e relaxar!
O complexo onde ficava repartia-se em duas partes. O hotel com as suas três torres e o aparthotel rodeando uma das piscinas. Pelo meio tinhamos tudo! Três piscinas, bares, lojas, zonas de lazer, jardins, campo de tenis, campo de basquetebol, campo de tiro, campo de malha, discoteca, supermercado, sempre seguidos de uma programação de animação exemplar. A praia do outro lado da rua! Um mundo do qual não há a necessidade de sair!
Conservo na memória alguns episódios divertidos que lá passei.

Um dia, eu e o João conhecemos duas espanholas na discoteca do hotel. Elas faziam parte de uma excursão escolar. Elas engraçaram connosco e as coisas aqueceram. Fugiram à marcação dos professores e levamos as miúdas a dar uma volta pelo complexo. Eu levei a minha nova amiga para um recanto mais reservado enquanto o João, que era novo por estas andanças, foi para perto de uma das piscinas. Acabou por ser apanhado deitado em plena relva em posições menos impróprias com a espanhola e como era menor, o segurança conduzio-o até ao quarto onde estavamos alojados com os meus pais! Eu do meu recanto assisti a tudo e tentava conter o riso! Nunca vi o meu irmão tão envergonhado! No dia seguinte, claro está que os meus pais vieram pedir-me explicações e eu com a maior cara de pau disse que não tinha visto nada enquanto o meu irmão bufava no meio de tanto acanhamento sem poder dizer nada!

Existe na vila um mini parque de diversões. Para muitos a sua maior atracção é o mini-golf, para mim é um dos bares mais bem conseguidos da história! O bar consiste num balcão ao ar livre em forma de U, que possui uma bica de cerveja por cada dois assentos. Trinta e duas bicas, no total! Cada bica é de uma de marca de cerveja diferente! Um dia, resolvi exprimentar dar a volta ao balcão! O grande problema não é beber trinta e duas cervejas, mas aguentar as suas variações. Passar de uma cerveja de malte para uma cerveja de arroz, não é fácil, teores alcoólicos diferentes, sabores diferentes. O alcoól sobe muito mais depressa à cabeça!
Estive cerca de cinco horas a saltar de banco em banco mas consegui dar por terminado o plano. Acho que não é relvante contar-vos a maneira como cheguei ao Hotel! Só gostava de um dia ter coragem para voltar lá e exprimentar a colecção de sessenta e poucas marcas de cerveja de garrafa!

A primeira vez que fiquei envergonhado foi nesta terra. Eu devia ter uns treze anos e durante a minha estadia no hotel comecei a namorar com uma irlandesa, de pele clara, olhos azuis e cabelos encaracolados cor de fogo! Em redor dos olhos pequenas sardas desvaneciam-se num sorriso que irradiava simpatia. A primeira paixão de Verão!
Como em casa, conversas sobre relações com o sexo oposto pareciam ser tabu, fiz questão de esconder dos meus pais a minha relação. No dia de regressar a Lisboa, estava em pleno hall do hotel a carregar as malas para o carro quando ela se acerca de mim e dos meus pais. A chorar, entregou-me um papel com a sua morada. Pediu-me para escrever-lhe e de seguida deu-me um beijo na boca e eu vermelho que nem um tomate, fui cabisbaixo para o carro, com o meu pai a gozar-me o caminho todo!

Houve um tempo em que o meu pai namorou com a mãe da Joana Steglich e acabámos por convidar-las para virem connosco para Torremolinos. Saí eu uma noite com a Joana, o calor era abrasador e quase de madrugada andavamos a passear de carro pela marginal. A certa altura quis fazer inversão de marcha e fiquei com o carro atolado, não tinha maneira de sair dali! Eis que se chega perto de nós um pescador já de idade e ao deparar-se com a situação, diz-me para não me preocupar pois era comum aquilo acontecer e que a Guarda Civil patrulhava a marginal, com o intuito de ajudar as pessoas empanadas. Deveriam estar a passar por ali. Era uma questão de esperar.
Enquanto esperava, o pescador ofereceu-me um cigarro, fiquei muito grato, pois já não tinha nenhum comigo e estava mesmo com vontade de fumar! Olhei para o cigarro e reparei que era feito à mão. Estranhei. Ao aperceber-se da minha cara, disse-me que eram cigarros de Marrocos e que eram do melhor. Sorri e voltei a agradecer. O cheiro era estranho e comecei a ficar enjoado! Era chamon e fiquei cá com uma moca! Agora imaginem a minha cara quando chegou a Guarda Civil e eu a tentar conter o riso!

Tive o prazer de voltar ao Brasil para passar férias em 1998. O meu pai deu a mim, ao meu irmão e à namorada da altura a escolha, Brasil ou Cuba. A resposta foi unânime! Brasil! E assim foi criado um itenerário que começava no Rio de Janeiro, passava por Foz do Iguaçu, mesmo no sul do Brasil, seguido por uns dias na Amazónia e terminava em Salvador. Cidade onde vivi os primeiros anos de vida.
Mais uma vez tive de passar por uns calafrios! No Rio de Janeiro, quis sair uma noite e tinha em mente ir para a discoteca Rock in Rio, muito badalada na altura! Uma noite apanhei um taxi com o meu irmão, trazia alguns reais escondidos comigo, todos os cuidados são poucos naquela cidade! fiquei logo impressionado por o taxista não parar nos semáforos, disse-me que era um risco pois muitos assaltantes aproveitavam nessas alturas para executarem os seus assaltos! A discoteca ficava bastante distante de Ipanema, local onde estavamos instalados. quando vi a conta do taxi, até assustei-me! Paguei e dirigimo-nos à discoteca. À porta, pediram-nos um valor exorbitante e depois de fazer contas à vida, cheguei à conclusão que não teria dinheiro para voltar de taxi. Ainda tentei convencer o porteiro, com o argumento que eramos turistas e que tinha muito gosto em conhecer a casa. Mas nada feito! Toca de voltar para o hotel! Gastei cerca de cinquenta euros para andar a passear à noite de taxi pelo Rio de Janeiro!
Foz do Iguaçu é conhecida pelas suas cataratas. Embora maior parte das cataratas estejam em território Paraguaio e Argentino, a melhor vista é sem dúvida do hotel onde ficámos hospedados. Durante a estadia fizemos o Macuco Safari. Consiste em percorrer um trilho de três quilómetros num jipe até uma plataforma no Rio Iguaçu, embarca-se num barco bimotor rumo à Garganta do Diabo, uma queda de água com noventa metros de altura! A viagem até poderia ser "light" se o barco não terminasse a viagem a apenas cinco metros das Cataratas! Conforme navegavamos em direcção às cataratas o caminho ficava cada vez mais acidentado e eu digo aos saltos: - Eu com a perna engessada ainda vou cair à água! Depois ninguém me acode! O meu pai ria-se e eu cada vez mais nervoso. Éra água por todo o lado, gritos, adrenalina pura e eu com a coluna toda durida dos saltos da lancha! Quando o "passeio" terminou saltei do barco e disse: - Nunca mais me apanham noutra!
Na Amazónia, embarcamos num cruzeiro pelo rio amazonas acima, em direcção ao centro da floresta! Cinco dias enfiados num barco a cair de velho, cercados por mata e animais perigosos! Apelativo! Eu e o João ficámos numa "suite" que consistia no seguinte: Um beliche, uma cómoda e os melhores pormenores guardados para a casa de banho. Um lavatório e sanita em plástico, uma mangeira para tomar banho com um furo, mal amanhado no chão, para escorrer a água! Que luxo! O João que até não se importou com a falta de qualidade! Ficou aterrado quando percebeu que dividiamos o quarto com um amiguinho ao qual ele tem pavor! Uma barata com uns sete centímetros de comprimento!
Da viagem, guardo na memória dois acontecimentos. O primeiro foi o nosso dia de pescaria às piranhas. Nós os quatro pescámos cinquenta e três piranhas numa hora e meia! Foi comer piranhas de todas as maneiras e feitios! Fritas, cozidas, guisadas. Ao fim de dois dias deitava piranha pelos olhos! O segundo acontecimento, passou-se numa viagem nocturna pelo afluente. Iamos numa jangada que não tinha mais que dez centimetros do nível da água. Fomos ver jacarés! Eu olhava para um lado, olhava para o outro e só via o contorno das arvores e uns olhos a piscar! Os sons do animais vinham de todas as direcções e eu de máquina fotografica em punho a tremer por todos os lados! Perguntei ao capitão qual era o tamanho médio dos jacarés ao que ele respondeu: - Entre um metro e meio e dois metros mas já vi uns quantos com três! Estive tentado a indagar. Se um bicho destes se lembra de vir contra nós quais são as probalidades de sobrevivência? Mas achei melhor calar-me. A certa altura, o capitão tem a brilhante ideia de apanhar um jacaré bebé, com somente trinta centimetros e de colocar-lo no meu colo! Os nervos eram tantos que parti a lente mas a bricadeira saiu mais cara ao capitão. A criatura apercebendo-se do meu medo, soltou-se e mordeu-lhe a mão! Bem feita que é para não assustar os turistas!

Desde miúdo os meus pais me proporcionaram a possibilidade de conhecer o mundo. Adoro viajar! Conheço meio mundo e devo isso à metalidade dos meus pais de sempre me levarem com eles! No verão, enquanto a maioria dos amigos ia para o Algarve, eu rumava para destinos exóticos.
Quando voltei para casa, depois de São José e da CUF, o meu pai achou por bem irmos passar quinze dias de férias à Grécia incluindo um cruzeiro às ilhas! Eu opus-me veemente à ideia! Enjoo em barcos de grande porte, tinha que utilizar a cadeira de rodas para grandes distâncias e tinha a perna engessada, o que não ajudava em nada para movimentar-me nos portos. Corria o risco de cair à água e afundar-me! Não, não e não! Grécia não!
O meu pai recorreu ao meu avô, durante um jantar, para convencer-me. Como ele é médico e já tinha feito cruzeiros, achou que seria fácil convencer-me! Dizia o meu avô: - Só vais sentir uma "leve brisa", não te apercebes que estás num barco! Não é possível enjoar! Não conseguiu e continuei a ser contra tal ideia. Mesmo perante a minha resposta, no dia seguinte o meu pai tratou de tudo e comunicou-me que já não havia volta a dar! Íamos de férias para a Grécia!
Já fazia algum tempo desde que entrara pela última vez num avião. A viagem até nem correu mal se retirármos o pormenor que a minha perna inchou com a pressão da altitude e que com gesso não é das sensações mais agradáveis! Mas pronto! Foi um mal menor desta viagem e que até foi suportável!
Estivemos quatro dias em Atenas. A cidade é recheada de história, banhada por monumentos variados, muito bonita mas com muita pena minha é repleta de poluição! Ficámos instalados num hotel com vista para a acrópole e o partenon. Uma das imagens que guardo de Atenas, era a vista nocturna que se tinha no último andar do hotel, da acrópole. Simplesmente fabulosa! Um dos dias, o meu pai acordou com um taxista um tour pela cidade, fomos de taxi passear e conhecer os cantos à cidade! Estivemos no partenon, no templo de Diana, na Pláka (a zona mais antiga de Atenas, como a nossa baixa), no estádio olímpico e chegámos a visitar sítios que não são do conhecimento dos turistas, como a gruta onde esteve preso Sócrates. Ao fim do dia já não podia ver pedras à minha frente!
Na primeira noite, estava ansioso para ir jantar! Adoro chegar a estes lugares e provar os pratos típicos! Tinha em mente a Moussaka, prato muito apreciado pelos gregos, que tinha ouvido ser uma iguaria. Decidimos jantar no hotel, pois tirando a Pláka, não existem restaurantes na cidade e os melhores restaurantes atenienses são os dos hoteis. sentei-me com o meu pai e nem olhei para a lista, disse de pronto: - Moussaka! Sentia curiosidade e água na boca! Qual não é o meu espanto, de olhos esbugalhados, a tentar perceber o que colocaram à minha frente! EMPADÃO!!! Mas que raio? Moussaka é empadão! Fui enganado!
Bem chegou o dia de zarpar no cruzeiro, olhei para as escadas que davam para a escotilha e começei logo a ter maus presságios! Isto não vai ser fácil! A custo, o meu pai, lá empurrou a cadeira de rodas e ao entrar vira-se a hospedeira de bordo: - Coitados! Já tinham planeado a viagem e aconteceu-vos este imprevisto? Ao que o meu pai replicou: - Não nós gostamos é de aventura! A cara dela quando ouviu a resposta do meu pai, não tem descrição. Enquanto amanhava-me no interior da cabine, o louco do meu pai. Sim louco! Inscreveu-nos em todas as visitas! O que fazia com que todos os dias tinha de levantar-me às sete da manhã para tomar o pequeno-almoço. O horário era rigoroso, das sete e meia às oito, quem estava nessa altura no compartimento comia, quem não estava esperava pela hora de almoço! Andava sempre numa correria! Saía do pequeno-almoço e apeava-me para ir ver uma ilha. Voltavamos à hora de almoço, comia à pressa porque tinha outra visita a seguir ao almoço e estivemos assim até ao penúltimo dia! Já não havia forças para mais visitas e desistimos das duas últimas!
Todas as noites, havia um espectáculo no salão principal. Um romeno com ar de Serafim Saudade, cantava umas músicas enquanto umas bailarinas dançavam. Na primeira noite quando procurava lugar para ver o espectáculo "a leve brisa" fez com que o meu pai, que pesa pouco por sinal, caísse em cima da minha perna! Dores? Sim muitas! Estamos a falar em mais de cem quilos! Na última noite, quando o navio passava na convergência do mar Mediterrâneo e o Mar Egeu, a "leve brisa" pôs em sentido os passageiros e as meninas que dançavam no palco! Eramos uns dez gatos pingados a ver o espectáculo, os outros passageiros estavam nas suas cabines a terem um dilema com os enjoos! As meninas em palco era vê-las aos papéis a tentar não cair! O Serafim agarrado a um dos postes e eu, mesmo com uma dose de dois comprimidos para o enjoo por dia, não deixava de sentir-me nauseado! O meu pai dizia: - Vês isto não é giro! E eu pensava Só podes estar a gozar comigo!
Conheci várias ilhas, entre elas Mikonos, Creta e Santorini. Quando atracamos em Santorini, preparava-me para a visita e ao chegar à escotilha percebo que não estavamos no porto! Tinha de saltar para um bote, para levar-me a terra! Eu pensava: - Mas tão loucos! Eu com a perna assim não vou saltar para dentro de um bote! O bote estava a um metro e meio de distância da escotilha, eu tinha de saltar e um marinheiro agarrava-me! Eu disse-lhe: - Nem pensar, se voce não me agarrar eu vou parar ao mar e afundo-me com o peso do gesso! O meu pai, de pronto, tomou um medida! Empurrou-me! Quando chegamos a terra olhei para a ilha e disse para o meu pai: - Nem penses que vou lá acima! (reparem na imagem!). A única maneira de chegar à vila era através de uma viagem pela rampa em paralelepípedos montado em burros! Eu bem vi aquelas turistas americanas "levezinhas" montadas nos bichos e os burros a patinarem por todos os lados! Fiquei cá em baixo na esplanada a beber uma cerveja, não ia arriscar a cair e levar com o peso do bicho em cima de mim!
O meu pai teve a paga por esta triste ideia do
cruzeiro! As ilhas gregas são muito acidentadas e para todo o lado ele tinha que empurrar a cadeira de rodas! Durante uma visita, iamos em plena rampa, por sinal bem inclinada e começo a ouvir o meu pai a falar sozinho: - Vens à Grécia, fui eu que paguei a viagem e ainda por cima tenho de te empurrar para todo o lado! Eu viro a cabeça para trás e pergunto: - Estás a falar comigo? Ao que ele replica: Não! Estou a falar desta maldita cadeira de rodas que está a dar cabo de mim! Desatei a rir! Foi a vingança!





P.S: Vão aos links saber um pouco mais sobre estas ilhas... a história do albatroz em Mikonos é muito gira.

Os acontecimentos que vão ler, sobre a minha estadia em S. José, por mais bizarros que vos pareçam, são verídicos.
O acidente na avenida de Berlim foi aparatoso ao ponto de os clientes que se encontravam na bomba de gasolina, no fim da avenida, terem fugido com o estrondo do poste a cair.
A primeira pessoa a recuperar a consciência foi a Joana Steglich, que vinha sentada a meu lado, ao acordar entrou em pânico, sentiu o peso da minha cabeça sobre o seu ombro, viu sangue e pensou que eu estava morto mas aos poucos fui recuperando a consciência, o que não invalidou que se mantivesse em pânico. A Joana Santos estava bem e o Zimbabué tinha um pequeno corte de vidro na cabeça, mais tarde teve de levar dois pontos. Eu encontrava-me entalado no meu lugar, com dores e ainda meio zonzo. O Zimbabué lembrou-se de me tirar do carro e puxou-me pelos ombros até conseguir retirar-me do carro. As calças começaram a jorrar sangue, como se de um filme de terror se tratasse, deitei-me no alcatrão. Prontamente chegou a ambulância que me levou num ápice para o hospital de São José.
Fui operado de urgência duas vezes num espaço de vinte e quatro horas. Estavam a tentar não me amputar a perna. Tinha feito trinta e cinco fracturas na perna esquerda, cinco delas expostas. O joelho e pé desfeitos. A bacia partida dos dois lados e mais grave, tinha rasgado a artéria femural. A prioridade dos médicos foi pararem a hemorragia da artéria, pois poderia ter morrido se assim não fosse. Quando dei entrada no hospital fizeram-me logo um bypass na artéria, que não se aguentou. Voltei a ser operado para colocarem uma prótese no lugar do bypass, que ainda hoje trago comigo! Foi o que me safou a vida e de ficar com a perna. Na segunda operação, aproveitaram também, para me colocar uma parafernália de ferros de apoio para manter os ossos unidos. Nunca em São José tinham colocado tantos ferros numa perna só! E não se esqueçam que estamos a falar de um dos hospitais portugueses que mais sinistros vê por ano!
Já instalado na enfermaria de ortopedia tinha-me calhado a cama trinta e três e comigo encontravam-se mais quatro pessoas. Entre eles do meu lado direito, o Rui, o rapaz que tinha estado a meu lado nos cuidados intensivos quando acordei e com quem mantive relacionamento depois de abandonar o hospital. O Rui era um miúdo na casa dos dezoito anos que tinha partido a perna num acidente de mota, nada de muito grave mas hipocondríaco como era, parecia-lhe o fim do mundo.
Num hospital como São José, a melhor altura para se conseguir dormir e realmente descansar, não é à noite mas a seguir à ronda da manhã dos enfermeiros e até à hora das visitas. O que contemplava umas boas cinco horas de sono. Certo dia, tinha eu acabado de receber os meus tratamentos diários, tomado o pequeno-almoço e preparava-me para dormir. Coloquei os headfones para abstrair-me do barulho das obras no andar de cima. Disse um até já, aos meus companheiros de enfermaria e fechei os olhos. Cinco segundos bastaram para ouvir aquele som tão característico, abri os olhos e vi um vulto a cair do tecto na direcção da minha perna, seguido por uma dores excruciantes e um alvoroço à minha volta. Os enfermeiros entraram a correr, depararam-se com um espectáculo no mínimo improvável de acontecer num sítio daqueles, eu a contorcer-me com dores na cama, por cima de mim faltava um bocado do tecto que se tinha estilhaçado sobre a minha perna! Prontamente deram-me uma dose de morfina, mais tarde soube o que aconteceu. Um dos senhores das obras, no andar de cima não colocou o pé em cima da viga como era suposto e fez com que parte do tecto desabasse. O impacto foi de tal ordem, que os médicos tiveram mais tarde, noutra operação, de corrigir o posicionamento dos ferros. O Rui esteve umas boas duas noites sem dormir a olhar fixamente para o tecto a pensar que também ia acontecer-lhe o mesmo. Como se ficar a olhar para o tecto, fosse de alguma maneira impedir que este se aluisse sobre ele!
Já se tinham passado um mês desde que estava na enfermaria e eu continuava a dizer aos médicos e enfermeiros que tinha algo no braço esquerdo, não sabia explicar mas sentia que tinha um objecto estranho dentro do braço... Nunca fizeram caso, então casmurro como sou, guardei uma faca do pequeno-almoço. Escarafunchei o braço, cortei, cortei e finalmente dei com uma pedra de alcatrão, com cerca de meio centímetro de diâmetro. Retirei-a orgulhoso, por ver que estava certo e digo para o Rui: - Estás a ver! Tinha ou não tinha razão? Ao que ele com os olhos quase a sairem das órbitas, levanta a mão e apontando o dedo para o meu braço, desmaia-me! Estava tão contente por ter retirado aquele objecto estranho e nem reparei, que com a brincadeira, tinha sangue a escorrer pelo braço abaixo! O enfermeiro, com maus modos lá me cozeu o braço com três pontos a sangue frio. Acho que custou-lhe admitir que eu tinha razão!
No segundo mês de estadia, tentaram com que eu saísse da cama e fosse para uma cadeira de rodas. Com algum esforço lá consegui sentar-me. Isto aconteceu perto da hora do almoço e como me sentia bem, tirando algumas tonturas, o que era normal, mantive-me até perto da hora das visitas na cadeira e pensei: - Vou fazer uma surpresa ao meu pai e vou esperar-lo lá fora! Assim foi, saí da enfermaria e fui encostar-me à parede junto a um banco. Travei a cadeira de rodas e por lá fiquei à espera do meu pai. Do meu lado direito encontrava-se o hall dos elevadores, à esquerda umas escadas para o piso inferior e uma rampa para o piso superior. O Hall começo a apinhar-se de visitas que aguardavam a hora de entrada e eis que oiço um voz a gritar: - CUIDADO! Era o senhor que trazia o carro da roupa. Vinha a descer a rampa e não teve forças para suster o peso que trazia no carrinho e largou-o. Este vinha desenfreado pela rampa abaixo e só parou a sua viagem quando embateu de encontra a minha perna! A cadeira de rodas que estava travada deu uma volta de noventa graus e eu só tive forças para dizer: - Levem-me para a cama! De seguida desmaiei!
Em Janeiro, tive mais um acontecimento insólito! O meu corpo começou a ficar coberto de bolhas, tinha constantemente comichão e quando arrebentava uma dessas bolhas, ardia-me insistentemente como se tivesse feito uma queimadura. Chamaram a dermatologista de serviço, para compreenderem o que se passava comigo. Fiz análises de urina e sangue. Nenhum médico chegou a uma conclusão sobre o que me apoquentava e já se tinham passado três dias desde o aparecimento da primeira bolha. Sentia-me cada vez mais desconfortável com comichão, ao ponto de não conseguir dormir. Até que chegou sábado à noite e o meu avô que é pediatra, veio visitar-me. Ao chegar à porta da enfermaria, bastou-lhe olhar para mim e disse: - Como foi que apanhaste varicela? Eu espantado com aquela afirmação desabafei: Finalmente alguém diz-me o que tenho! Foi preciso vir o meu avô visitar-me para descobrir do que padecia! Incrivel mas verídico!
Quando tive o acidente, ainda tinha na coluna placas e parafusos, resultantes do episódio com a mota. Ganhara uma prenda durante uma das operações à coluna! Uma infecção de nome Estafilococos Aureus, um bichinho que ainda hoje me acompanha! Esse estafermo fez com que o corpo começasse a rejeitar as placas e por consequência a tentar expeli-las, abriu um buraco no centro da coluna onde se via perfeitamente a olho nu as placas! A juntar à parafernália da minha armadura na perna tinha mais este adorno para a indumentária perfeita de Robocop! Como o meu médico pessoal, doutor Noronha e Andrade, trabalhava também neste hospital, pensei que poderia ser operado durante a minha estadia para retirar as placas mas... existe sempre um mas na minha vida! O médico responsável pela perna, tinha tido anos antes, atritos com o Doutor Noronha e não se falavam. Ou seja, quem se queimou foi aqui o mexilhão! Pois por ordem expressa o doutor Noronha e Andrade estava proibido de me ver! Vinha visitar-me às escondidas! Ridículo, mas verdade! Só fui operado à coluna, no hospital da Cuf, quinze dias depois de ter alta de São José.
Houve mais episódios durante a minha estadia em São José, os suficientes para escrever um livro mas achei melhor só contar os mais relevantes! Já se passaram alguns anos desde essa estadia. Acredito que devia receber uma medalha por ter sobrevivido às aventuras que lá passei e ainda hoje sempre que tenho que lá voltar, fico nervoso à espera de ver o que vai me acontecer mais!

Esta história não segue a ordem cronológica mas achei melhor despachar as amarguras de uma vez só para depois colocar outros posts com histórias mais divertidas.
Estávamos em 1995 e tinham-se passado quase dois anos desde o acidente. Durante esse tempo dediquei-me aos estudos e estava plenamente integrado no ambiente académico de Coimbra. Fiz muitas folias, estive presente em duas queimas das fitas, namorisquei bastante e continuava a fazer fisioterapia numa clínica privada três vezes por semana. Recuperei bastante, mais do que seria possível prever e andava com uma canadiana por uma questão de equilíbrio. A grande mazela com que fiquei foi não ter força a cem porcento na perna esquerda e ter de usar uma tala no pé pois era quase desprovido de movimento. Nada que me complicasse muito a vida, tendo em conta o primeiro prognóstico.
Entretanto tinha mudado de casa e vivia num belo apartamento na rua de Aveiro. Vista magnífica, bem decorado e partilhava-o com um colega da Arca, o André. Nunca quis partilhar uma casa, gosto muito da minha privacidade mas o André foi um caso diferente. Tinhamos uma ligação muito forte porque ele também tinha sofrido um acidente grave. Ficou com o joelho em mau estado, o que o obrigava a utilizar uma canadiana para se movimentar. Era a casa dos coxos! Ao André devo o meu amor pela fotografia, paixão que foi partilhando comigo durante o breve tempo em que vivemos juntos.
Durante esse período, quando vinha a Lisboa ficava em casa do meu pai em Linda-a-Velha e ganhei maturidade para finalmente perceber que muitos conhecidos não são sinónimo de amigos e passei a ser mais reservado com as pessoas com quem convivia em Lisboa... poucos mas bons! Num desses fins-de-semana, em Novembro, vim para baixo apanhado por uma arreliante gripe e cheguei mais cedo do que o previsto a casa, deveriam ser aí umas seis da tarde. Andei a semana toda com uma ideia que o André me pôs na cabeça: várias vezes por semana ele andava de bicicleta para exercitar o joelho e achava que eu também conseguiria andar de bicicleta, o que ajudaria a melhorar a massa muscular da perna esquerda. Fiz o caminho para Lisboa a pensar na bicicleta do meu irmão que estava na garagem e que se calhar era capaz de me pôr nela. Ao chegar a casa estacionei ao lado do portão, fui colocar as minhas coisas lá em cima e voltei a descer. Estava com um nervoso miúdo e só pensava que era louco por tentar aquilo, ia cair, era o mais certo! Pior, ia doer bastante!
Ganhei coragem, abri o portão e lá estava ela. Primeiro sentei-me para ver qual era a sensação, estive uns bons cinco minutos parado e feito parvo olhava para baixo, como que a tentar dizer aos pés para começarem a pedalar e depois olhava para a frente e dizia a mim mesmo: - Vai! Vai! Não tenhas medo! Fui! Comecei a pedalar, com o primeiro susto a ser a descida do lancil! Equilibrei-me e dei uma volta ao quarteirão, já me sentia confiante e tentei uma segunda volta, mas a perna já acusava cansaço, então voltei para trás e ao chegar perto de casa o meu pai acabara de estacionar o carro. Saiu, olhou para mim a sorrir e veio na minha direcção para me ajudar a desmontar. Abraçou-me e disse que devia ter esperado por ele mas eu nestas coisas tenho de ser assim. Respondo ao impulso e tenho de o fazer sozinho!
Fomos jantar, como era hábito, ao Copas. Não tinha qualquer intenção nessa noite de sair, visto estar engripado e a Vera ligou-me para saber se ia lá ter a casa. Disse-lhe que em princípio não ia mas que se fosse sair ia buscá-la. A seguir liga-me a Joana Santos, que me tentou convencer a sair, precisava de boleia e acabei por ceder. Despedi-me do meu pai e fui ter com a Joana Santos e com a Joana Steglich. Para meu espanto estavam com o Zimbabué!
O Zimbabué era um daqueles cromos que buscam incessantemente a atenção de todos os que o rodeiam e de uma maneira que chega a incomodar. A alcunha de Zimbabué fui eu que lha pus pois o tipo tinha lá nascido. Vestia-se à Elvis e estava sempre com um sorriso na cara que soava a falso. Para ser sincero nunca simpatizei com ele mas como a Joana Santos andava envolvida com o tipo... Tinha de o aturar!
Tomei café e dirigimo-nos os quatro para o Alfa Romeo com o intuito de ir buscar a Vera. Por essa altura já estava farto do Zimbabué! Esteve o tempo todo a chatear-me por causa do meu carro. Que o carro era isto, que era aquilo, que não tinha isto... é preciso paciência! Uma pessoa dá boleia e ainda tem de aturar estes filmes. Quando cheguei a casa da Vera já estava pelos cabelos!
Seguimos para a discoteca Subsolo e aí tive um pouco de descanso do Zimbabué. Encostei-me ao balcão com a Vera a acalmar-me e com ela a dizer para não ligar às conversas do indivíduo. Enquanto isso, ele foi para a pista dançar com as Joanas e só me foi deu para rir. O tipo fazia lembrar um Michael Jackson de terceira a dançar! Que ridículo! O meu descanso não durou muito, o Zimbabué teve de vir meter conversa comigo ao balcão, era mais forte do que ele! Eu de sorriso amarelo, para não arranjar confusão, ia aceitando as observações.
Finalmente convenci as miúdas a irmos embora, ia possesso, deixei a Vera em casa, ela despediu-se com um, acalma-te, e segui para Moscavide. Porque Moscavide? ainda hoje não sei... Meti na cabeça que o Zimbabué morava para aqueles lados. Entrei na avenida de Berlim muito depressa, depressa de mais... Estava a ferver. Não é desculpa eu sei que não devia ter perdido a cabeça mas que não é fácil, aí isso não é! Quase ao final da avenida tenho a plena noção que vou a desacelarar, quando vejo um vulto a vir da direita para o meio da estrada, guinei o volante, a roda da frente do lado direito bate no separador e entrei em peão, fiz uma volta completa, já não tinha controlo no carro e enfie a minha porta por um poste a dentro. O poste partiu-se me três, o carro desfeito e entre a minha porta e a consola não cabia um palmo de mão! Eu estava lá!
Acordei no hospital, no dia seguinte. Estava nos cuidados intensivos, desorientado, um enfermeiro, ao aperceber-se que eu tinha acordado chegou-se perto da cama e disse: - Você teve um acidente, os médicos estão a tentar tudo mas em principio vão amputar-lhe a perna. Chorei e roguei-lhe para que não o fizessem e antes de voltar a desfalecer, perguntei se alguém se tinha ferido, a resposta foi um não , estavam todos bem... Adormeci a pensar no meu passeio de bicicleta.


Os anos passam e às vezes não percebemos... O meu priminho já cresceu... Pediu a namorada em casamento. Fiquei muito feliz mas sinto-me velho, ainda ontem ele brincava com o Snoopy!
Embora não conheça a namorada, sei que ela deve ser espectacular e que vai fazer o Pedro feliz!
Parabéns à Maria e ao Pemy!

Antes de ter os acidentes de mota em Coimbra, tive uma história gira no primeiro fim-de-semana que por lá fiquei, os acontecimentos desses dias apanharam-me completamente desprevenido. Tudo começou quando o Ni convidou-me para passar, no clube automóvel do centro (CAC), durante uma noite de semana.
O meu pai e o Ni, são amigos de longa data, desde os tempos de adolescência onde entravam em ralis nacionais. Quando regressámos do Brasil, o CAC voltou a realizar o Rali Rainha, já não como rali nacional mas numa espécie de convívo-desportivo, entre antigos pilotos que tinham participado no nacional. Foi assim que ganhei o bicho dos ralis e passámos a frequentar Coimbra uma vez por ano.
Cheguei ao CAC, com o intuito de confraternizar mas saiu-me o tiro pela culatra! Colocaram-me logo a trabalhar, a fazer os sacos para os participantes do Rali de Iniciados na Figueira da Foz, que se disputava nesse fim-de-semana! No fim da noite o Ni perguntou-me, se no sábado queria ir ver o rali e respondi afirmativamente. Já tinha planeado ir ao concerto de James no domingo, com uns amigos de Soure e por isso até calhava bem, preenchia-me o fim-de-semana.
Arranquei de mota, no sábado logo pela manhã, em direcção à Figueira, não queria perder o inicio do rali e por isso saí mais cedo, foi o que valeu-me de chegar a horas! Como em tudo na minha vida, tem sempre de existir um contra-tempo, pneu furado algures em terra de ninguém! Ao fim de uns quilómetros a empurrar a mota, sobre um sol abrasador, lá encontro uma oficina e mudaram-me o pneu, perdi algum tempo com isto e acabei por chegar quase à hora de partida do primeiro carro. A azáfama era muita, todos a correrem de um lado para o outro, ao fim de alguns cumprimentos, lá encontrei o Ni. Sem perder tempo, disse-me que estava com falta de pessoal para o gabinete de imprensa e que por isso eu faria parte da comitiva! Explicou-me sucintamente o que tinha de fazer e foi-se embora, fiquei a apanhar do ar, deixando-me à maré do desconhecido! Sinceramente, acho que ele já tinha planeado esta situação!
O gabinete de imprensa de um rali, é o que tem o trabalho mais longo durante um rali, pois é o primeiro que começa a trabalhar e o último a fechar portas! O gabinete estava montado no stand da Renault em plena marginal, eramos quatro elementos e acho que portei-me à altura. O trabalho consistia em recolher os tempos dos participantes, passar as informações para as equipas, criar a tabela de resultados e afixar-los, e por fim fazer o press-release para a imprensa. Extenuante!
As horas passavam e eu, a ver a minha vida andar para trás! Já eram cerca das duas da manhã quando fechámos o gabinete e ainda tinha de fazer a viagem de volta para Coimbra, eis que entra o Ni a dizer que eu ficava na Figueira pois precisavam de mim no dia seguinte! Eu começei logo a dizer: - Não tenho roupa! Não tenho onde dormir e a mota não pode ficar na rua! Não posso mesmo ficar, para mais tenho de ir para Coimbra, comprei um bilhete para o concerto de amanhã à noite e não vou faltar! Ao que ele responde: - Não há problema! Já tens quarto reservado no hotel, a mota fica aqui no stand e o rali acaba a meio da tarde de amanhã! Não tive hipótese! Ele já tinha planeado tudo e acabei por ceder!
Eu e o resto da equipa fomos petiscar na cervejaria ao lado do stand, ainda não tinha jantado e a barriga já dava horas! Travessas de camarões para entrada, seguido de um belo bife sempre acompanhado de canecas de cerveja. O esforço do dia foi recompensado e quando já não conseguia comer mais nada, o grupo lembra-se de irmos beber um copo a qualquer lado! Lá fomos, todos atafulhados num carro para um discoteca e lembro-me que embora o meu estado não fosse dos melhores, resisti e não era o que estava pior, mas que não saí de lá direito, aí isso não saí! Com a brincadeira eram cinco da manhã quando cheguei ao hotel, deitei-me e como estava estoirado, ferrei por completo.
Passado uma hora e meia estavam a acordar-me, eram seis e meia da manhã e era preciso abrir o gabinete às sete! Ainda era noite e só tive tempo de tomar um banho a correr, fazer uma bucha e seguir para o stand! Abrimos o gabinete e cada um tinha uma cara pior que o outro. Lá fiz o meu trabalho e ao fim da tarde, como o Ni nunca mais vinha, despedi-me e retornei a Coimbra. Não ia faltar ao concerto! Do rali só consegui mesmo ver os carros no parque! Que excitação!
Estava de rastos mas lá tive forças para ir a casa arranjar-me e mudar de roupa. Jantei qualquer coisa e segui para o local do concerto. Encontrei-me com a Sara e os amigos de Soure, estava a morrer mas mantive-me estóicamente até ao fim! Ao terminar o concerto eles ainda queiram ir para algum lado e aí acabaram-se as forças! Recusei a oferta, despedi-me e fui para o vale dos lencóis, não há quem aguente e no dia seguinte havia aulas.

Outras Aventuras

Contagem Ao Segundo