Quando miúdo, adorava a altura do carnaval. Era o tempo de fazer das minhas tropelias e dos miúdos do liceu Camões, morrerem de medo. Era prática habitual, a rapaziada da praceta fazer um périplo que desembocava na porta dos liceus para alguns estragos. Nós em número bastante reduzido comparativamente ao número de estudantes, tinhamos por vantagem sermos mais velhos que eles e mais maléficos. O que nos assegurava uma confiança total para os nossos intuitos.
Saíamos da praceta, depois de abastecidos de ovos na Dona Emília, parecendo um furacão. primeira paragem na Almirante Reis tentado fazer pontaria para acertar nas aberturas das janelas dos autocarros. Podem imaginar os estragos que aconteciam quando um ovo casualmente entrava por uma brecha da janela. Era o cúlminar do extase para a miudagem, com risos e cumprimentos ao felizardo que tinha conseguido a façanha! Este não era o meu ponto forte e guardava-me para os liceus.
Quando chegavamos à porta do liceu Camões, o porteiro tentava sempre correr connosco, mas o coitado prevendo o que acontecia, pois todos os anos àquela parte era assim nesta altura do ano, resignava-se com a situação e nós com sorrisos de orelha a orelha aguardávamos a saída dos alunos. Era ver-los a tentar fugir sem qualquer hipótese, tal qual um tigre atacando a sua presa. Eu dava-me ao luxo de escolher, tal era a quantidade de catraios nervosos e assustados. Quando escolhia a minha vítima, o coitado poderia sofrer várias consequências! O medo que tinham tornava-os submissos e acabavam sempre por acatar o resultado com resignação. Desde colocar os ovos dentro das cuecas e depois dar um pontapé ou soco para esmagar o ovo, ao simples partir na cabeça. Tinha todos os anos uma nova maneira de executar aquela acção! Mas o que mais gostava era obrigar os miúdos a colocarem bombas de mau cheiro dentro da roupa. Nunca podia ser uma só! Duas ou três para se sentir o cheiro à distância! Aquilo é que era um fartote!
Depois de saciados, tomavamos o rumo do Sagrado Coração de Maria. Colégio de meninos bem, que era expugnável. Até ao dia em que encontrámos maneira de lá entrar através de uma garagem nas traseiras! Era o pânico total entre os anjinhos! Os diabos estavam à solta! Era uma incursão rápida mas eficaz. Tinha de ser assim, porque mal era lançado o alerta os seguranças vinham no nosso encalço!
A seguir à nossa fuga, subiamos o técnico em direcção ao Académico, colégio que frequentava. Cá fora entre os carros estacionados começava uma chuva de ovos para o pátio que obrigava o encerrar do portão e recolha dos alunos para o edifício! Depois das congratulações pelas nossas façanhas, alguns colegas meus juntavam-se ao grupo da praceta e dirigíamo-nos, reforçados em número e em ovos para a guerra final! Liceu Filipa de Lencastre.
Estes eram rijos, em maior número e muitos deles, mais velhos e maiores do que nós, o que tornava a batalha menos equilibrada para o nosso lado. Era a táctica do atacar e fugir com todas as forças para a praceta! O nosso porto seguro.
Assim me recordo do carnaval. Podem insinuar e apontar-me o dedo por termos sido uns diabos. Mas acredito que é preferível ter uns traquinas no jardim, que não criavam danos maiores com as suas travessuras, do que sentirem a insegurança actual, causada pelos toxicodependentes que frequentam o meu ido espaço de brincadeiras.
Saíamos da praceta, depois de abastecidos de ovos na Dona Emília, parecendo um furacão. primeira paragem na Almirante Reis tentado fazer pontaria para acertar nas aberturas das janelas dos autocarros. Podem imaginar os estragos que aconteciam quando um ovo casualmente entrava por uma brecha da janela. Era o cúlminar do extase para a miudagem, com risos e cumprimentos ao felizardo que tinha conseguido a façanha! Este não era o meu ponto forte e guardava-me para os liceus.
Quando chegavamos à porta do liceu Camões, o porteiro tentava sempre correr connosco, mas o coitado prevendo o que acontecia, pois todos os anos àquela parte era assim nesta altura do ano, resignava-se com a situação e nós com sorrisos de orelha a orelha aguardávamos a saída dos alunos. Era ver-los a tentar fugir sem qualquer hipótese, tal qual um tigre atacando a sua presa. Eu dava-me ao luxo de escolher, tal era a quantidade de catraios nervosos e assustados. Quando escolhia a minha vítima, o coitado poderia sofrer várias consequências! O medo que tinham tornava-os submissos e acabavam sempre por acatar o resultado com resignação. Desde colocar os ovos dentro das cuecas e depois dar um pontapé ou soco para esmagar o ovo, ao simples partir na cabeça. Tinha todos os anos uma nova maneira de executar aquela acção! Mas o que mais gostava era obrigar os miúdos a colocarem bombas de mau cheiro dentro da roupa. Nunca podia ser uma só! Duas ou três para se sentir o cheiro à distância! Aquilo é que era um fartote!
Depois de saciados, tomavamos o rumo do Sagrado Coração de Maria. Colégio de meninos bem, que era expugnável. Até ao dia em que encontrámos maneira de lá entrar através de uma garagem nas traseiras! Era o pânico total entre os anjinhos! Os diabos estavam à solta! Era uma incursão rápida mas eficaz. Tinha de ser assim, porque mal era lançado o alerta os seguranças vinham no nosso encalço!

A seguir à nossa fuga, subiamos o técnico em direcção ao Académico, colégio que frequentava. Cá fora entre os carros estacionados começava uma chuva de ovos para o pátio que obrigava o encerrar do portão e recolha dos alunos para o edifício! Depois das congratulações pelas nossas façanhas, alguns colegas meus juntavam-se ao grupo da praceta e dirigíamo-nos, reforçados em número e em ovos para a guerra final! Liceu Filipa de Lencastre.
Estes eram rijos, em maior número e muitos deles, mais velhos e maiores do que nós, o que tornava a batalha menos equilibrada para o nosso lado. Era a táctica do atacar e fugir com todas as forças para a praceta! O nosso porto seguro.
Assim me recordo do carnaval. Podem insinuar e apontar-me o dedo por termos sido uns diabos. Mas acredito que é preferível ter uns traquinas no jardim, que não criavam danos maiores com as suas travessuras, do que sentirem a insegurança actual, causada pelos toxicodependentes que frequentam o meu ido espaço de brincadeiras.



















