Em finais de Setembro, tive uma surpresa, no dia anterior a rumar à minha nova vida em Coimbra. O meu pai, com medo que eu fosse para Coimbra com alguma mota velha a cair aos bocados, deu-me a mota com que sonhava! Infelizmente, para ele, descobri a surpresa por acaso dias antes. Sabem aquele "feeling" que se tem de vez enquando, de termos a certeza de algo, mesmo que ninguém nos tenha dito? Foi o que me aconteceu, quando entrei na loja para perguntar se tinham algum modelo em segunda mão da mota que queria, quando deparo com um modelo novo e com o placar a dizer vendida! Foi só perguntar à senhora da loja para confirmar se era o meu nome! E era! Claro está que fiz cara de surpresa quando o meu pai levou-me à loja, tal como a senhora que também não se descaiu quanto a já me conhecer!Depois de uma noite de farra em minha honra, para me despedir dos amigos e embarcar na minha nova aventura, com poucas horas de sono, lá rumou a famelga toda em excursão para Coimbra. Foi uma viagem atribulada, todos na carrinha da D.M.C, pai e mãe à frente, Eu e o João atrás, bem apertados, pois ainda havia uma mota e montes de caixas! Parámos para almoçar no restaurante Alfredo, para comer a bela da carne de porco na cataplana (que saudades!) e da parte da tarde, estivemos a confratenizar com o Ni e a Teresa, amigos do meu pai dos ralis que trago sempre nos meus pensamentos, por terem sido os meus pais adoptivos em Coimbra.
Chegou o momento de despedida que ninguém queria. Do meu irmão despedi-me com um até para a semana (a descontração de sempre), a minha mãe depois de me dar um beijo, susurrou-me ao ouvido que quando chegasse a Lisboa iria separar-se do meu pai e calado fiquei sem saber o que dizer, era uma informação pesada de mais para o momento. Do meu pai recebi o primeiro abraço sentido, de quem acorda e percebe que o filho já não é um miúdo, de quem respeitou e sentiu orgulho na minha decisão sem saber como lidar com esta separação. As lágrimas brotaram a correr na sua face e por consequência na minha, pensava no medo de me sentir só e no que o futuro guardava para ele.
Nessa noite mais tarde, depois de eles terem ido emboara à algum tempo, senti-me diferente, como que tivesse ganho num dia anos de maturidade, custou-me muito adormecer, senti o peso enorme da responsabilidade que vinha ao meu encontro, pensava em tudo, no que traria os próximos dias em Lisboa e como iria me encaixar a uma nova realidade.
O futuro só a Deus pertence, o miúdo fez-se homem e partiu na sua aventura...
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