The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Durante a tarde fui passear pelas Ramblas e visitar o Museu de Cera. O professor de português andava excitadíssimo, parecia que era a sua primeira viagem ao estrangeiro e massacrava todos os alunos para terem cuidado com a carteira, porque as Ramblas eram perigosas! No melhor pano, cai a nódoa! Mesmo tendo uma daquelas bolsas de cintura foi assaltado por um grupo de carteiristas! Um esquema simples mas eficaz! Um indivíduo despejou um pacote de leite para cima do seu casaco e outros dois apareceram do nada para ajudar a limpar, ele agradeceu a ajuda e eles agradeceram a carteira com todo o dinheiro para a viagem!
Ao fim do dia voltámos para o hotel. Tempo para retemperar energias e para um merecido banho! Ninguém sabe como iniciou mas do nada apareceu uma guerrilha entre quartos! O meu contra o do André! Tudo bons malandros! Tropelias e marotices de miúdos! Estávamos todos no quarto do André, do Sá e do Chico, à espera que o Sá fosse tomar banho para podermos ir jantar. Como ele nunca mais de despachava, decidimos apagar a luz e prender o Sá na casa de banho! Fomos jantar e só a meio da refeição alguém teve pena e lá foi liberta-lo! Apareceu na sala de jantar a bufar e a malta toda a rir! A retaliação não tardava a chegar!
Noitada atrás de noitada, combinada com muitos copos pelo meio, chegou o dia de visitar Andorra. O "Kent" que não percebia patavina de espanhol e inglês é língua que não consta no seu vocabulário, cravou-me para ir com ele comprar uns patins em linha. Corri Andorra de lés a lés. Entrei numas cinquenta lojas de desporto à procura dos malditos patins! Eu de canadianas já não tinha forças para andar mais nenhum metro mas finalmente arranjei uma loja que vendia os malditos! Já que estava em Andorra aproveitei para comprar cigarros e um Festina. Quando voltei para o autocarro, já não sentia as pernas e durante o regresso ao hotel passei o tempo todo a amaldiçoar o "Kent"!
Ao chegar ao quarto estava de rastos. Não dormira mais do que três horas consecutivas por noite desde o início da viagem e deitei-me um pouco antes da hora de jantar. Quando já estava ferrado, enfiado nos meus lençóis envolvido pelo silêncio do quarto ouvi uns murmúrios. A contragosto abri os olhos e dou de caras com os três malandros do quarto rival a roubarem os nossos sapatos! Tive sorte em acordar nesse momento, pois ainda consegui salvar os meus ténnis! Os meus colegas de quarto não tiveram a mesma fortuna! Tiveram de passar o resto da viagem com sapatos diferentes em cada pé! A vingança tarda mas não falha! O melhor estava para vir!
A seguir ao jantar dessa noite, alguns apanharam o comboio para uma discoteca enquanto eu preferi ficar no hotel. Estive um bom bocado com o Luís a magicar uma maneira de vingar-nos. Tinha de ser algo bem estruturado, algo que não criasse dúvidas sobre quem eram os mais maléficos! O resto da história fica para segundas núpcias...

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