Aos dezoito anos deu-me na mona e num impulso fui estudar para Coimbra, precisava de ganhar tino, sinceramente foram os melhores tempos da minha vida, como diz a canção "Coimbra é um lição de sonho e tradição, só passa quem souber e aprende-se a dizer Saudade".
Se algum dia tiverem essa possibilidade, aconselho-vos a sairem da vossa cidade, vão para fora, conhecer outras mentalidades, outros modos de vida, enriquece-vos muito. Eu escolhi aleatóriamente Coimbra! Tive sorte! E fui feliz!
A minha vida de teenager em Lisboa chegou ao ponto, que entrou naquele vício rotineiro, de vida de café, tabacos, borgas e noitadas. Como caí nesta rotína, não sei, sei que não conseguia dizer não e afastar-me, eu sabia que tinha que fugir se queria ser alguém na vida. Um dia peguei no telefone e liguei para o IPJ(Instituto Português da Juventude) com a seguinte questão: - Boa tarde minha senhora, eu gosto de artes e gostava de ir estudar para fora de Lisboa, que estabelecimentos existem com cursos ligados a artes? Diz-me a senhora do outro lado da linha, depois de consultar os seus registos: - Temos a Escola de Artes da Pedra no Porto.
Ao que respondi: - Porto! Não! (não sei porque mas sempre tive aversão àquela cidade) Que mais tem? Ao que ela diz: - Bem, temos a Escola de Artes de Coimbra! Cursos de Escultura e Design Gráfico! Penso eu, é isso mesmo, Coimbra, costumo lá ir aos ralis com o meu pai, ele tem lá amigos e pelo pouco que conheço pareceu-me uma cidade gira - Dá me o telefone e a morada?
Liguei imediatamente, para a tal Escola de Artes de Coimbra e perguntei se estavam abertas as inscrições e que papeladas necessitava para poder candidatar-me. A senhora do outro lado da linha foi muito prestável e deu-me todas as informações que precisava, havia um problema, tinha que me deslocar a Coimbra para fazer a inscrição e tinha de o fazer nessa semana! Normalmente não seria problema, mas eu queria supreender os meus pais, mostrar-lhes que estava determinado em mudar e que era adulto o suficiente para ser responsável pelas minha acções. Mesmo que tenha tomado a decisão de sair de Lisboa através de um impulso!
Consegui arranjar dinheiro contado para o bilhete de comboio e saber o horário, desafiei o Brito a vir comigo, ele aceitou, precisava de companhia, não tinha a real certeza do que estava a fazer e ter um amigo nestas alturas sempre ajuda, nem que seja pelo apoio silencioso de ter alguém conhecido presente quando temos de tomar decisões difíceis. Lá fomos, naquele turbilhão de adrenalina, apanhar o comboio a seguir ao almoço. Chegamos a Coimbra por volta das quatro da tarde e faltava uma hora para fecharem as inscrições. Asneira! Saimos na estaç
ão de Coimbra B, que fica nos limites da cidade, em vez de seguir para a estação principal no centro. Começa a pressão do tempo! Toca de contar trocos para apanhar um taxi, muito trânsito à mistura e eis que chegamos à ARCA ainda com um quarto de hora para fazer a inscrição! Por um triz!
Lá me inscrevi em design gráfico, sem fazer a mínima ideia no que estava a meter-me, só sabia que tinha algo a haver com desenho! Todo orgulhoso da minha façanha, viemos os dois a pé por aí abaixo até à estação principal! Apanhámos o comboio de volta para Lisboa, o caminho passámos a divagar de como seria a minha vida em Coimbra, das visitas que o Brito me faria, e das noitadas que iríamos fazer aquando dessas visitas. Claro está, ele nunca lá foi!
Cheguei a Lisboa quase à hora de jantar, e à hora de sempre, toda a família sentada à mesa e ao fim da refeição, eu com o ar mais sereno e decidido deste mundo, informo que vou estudar para Coimbra! Reacções: -Mas tu não bates bem da cabeça? Diz o meu pai. A minha mãe olha para mim, daquela maneira que só ela sabe, e faz aquele sorriso nervoso, como quem diz: - Estás com ar determinado e já nem vale a pena dizer nada, vais levar a tua avante. Quando o meu pai quis dizer algo mais, usei o argumento de que tudo estáva tratado e contei-lhe como tinha estado em Coimbra naquele dia a fazer a inscrição. Não houve hipótese!
No dia seguinte, após um grande sermão sobre a responsabilidade que era e o esforço financeiro que iria ser feito, lá nos entendemos a arranjar um fim-de-semana para ir a Coimbra arranjar uma casa para eu morar!
E foi assim, que através de um impulso, no ínicio do mês de Outubro de 1993 fui estudar para Coimbra, algo que não fazia a mínima ideia do que tratava!
P.S.:Coimbra, deu-me muito, mas essas histórias ficam para outro dia! Só gostava de conseguir retribuir à cidade tudo o que ela me deu.
BRIOSA !!!
A minha vida de teenager em Lisboa chegou ao ponto, que entrou naquele vício rotineiro, de vida de café, tabacos, borgas e noitadas. Como caí nesta rotína, não sei, sei que não conseguia dizer não e afastar-me, eu sabia que tinha que fugir se queria ser alguém na vida. Um dia peguei no telefone e liguei para o IPJ(Instituto Português da Juventude) com a seguinte questão: - Boa tarde minha senhora, eu gosto de artes e gostava de ir estudar para fora de Lisboa, que estabelecimentos existem com cursos ligados a artes? Diz-me a senhora do outro lado da linha, depois de consultar os seus registos: - Temos a Escola de Artes da Pedra no Porto.
Ao que respondi: - Porto! Não! (não sei porque mas sempre tive aversão àquela cidade) Que mais tem? Ao que ela diz: - Bem, temos a Escola de Artes de Coimbra! Cursos de Escultura e Design Gráfico! Penso eu, é isso mesmo, Coimbra, costumo lá ir aos ralis com o meu pai, ele tem lá amigos e pelo pouco que conheço pareceu-me uma cidade gira - Dá me o telefone e a morada?
Liguei imediatamente, para a tal Escola de Artes de Coimbra e perguntei se estavam abertas as inscrições e que papeladas necessitava para poder candidatar-me. A senhora do outro lado da linha foi muito prestável e deu-me todas as informações que precisava, havia um problema, tinha que me deslocar a Coimbra para fazer a inscrição e tinha de o fazer nessa semana! Normalmente não seria problema, mas eu queria supreender os meus pais, mostrar-lhes que estava determinado em mudar e que era adulto o suficiente para ser responsável pelas minha acções. Mesmo que tenha tomado a decisão de sair de Lisboa através de um impulso!
Consegui arranjar dinheiro contado para o bilhete de comboio e saber o horário, desafiei o Brito a vir comigo, ele aceitou, precisava de companhia, não tinha a real certeza do que estava a fazer e ter um amigo nestas alturas sempre ajuda, nem que seja pelo apoio silencioso de ter alguém conhecido presente quando temos de tomar decisões difíceis. Lá fomos, naquele turbilhão de adrenalina, apanhar o comboio a seguir ao almoço. Chegamos a Coimbra por volta das quatro da tarde e faltava uma hora para fecharem as inscrições. Asneira! Saimos na estaç
ão de Coimbra B, que fica nos limites da cidade, em vez de seguir para a estação principal no centro. Começa a pressão do tempo! Toca de contar trocos para apanhar um taxi, muito trânsito à mistura e eis que chegamos à ARCA ainda com um quarto de hora para fazer a inscrição! Por um triz!Lá me inscrevi em design gráfico, sem fazer a mínima ideia no que estava a meter-me, só sabia que tinha algo a haver com desenho! Todo orgulhoso da minha façanha, viemos os dois a pé por aí abaixo até à estação principal! Apanhámos o comboio de volta para Lisboa, o caminho passámos a divagar de como seria a minha vida em Coimbra, das visitas que o Brito me faria, e das noitadas que iríamos fazer aquando dessas visitas. Claro está, ele nunca lá foi!
Cheguei a Lisboa quase à hora de jantar, e à hora de sempre, toda a família sentada à mesa e ao fim da refeição, eu com o ar mais sereno e decidido deste mundo, informo que vou estudar para Coimbra! Reacções: -Mas tu não bates bem da cabeça? Diz o meu pai. A minha mãe olha para mim, daquela maneira que só ela sabe, e faz aquele sorriso nervoso, como quem diz: - Estás com ar determinado e já nem vale a pena dizer nada, vais levar a tua avante. Quando o meu pai quis dizer algo mais, usei o argumento de que tudo estáva tratado e contei-lhe como tinha estado em Coimbra naquele dia a fazer a inscrição. Não houve hipótese!
No dia seguinte, após um grande sermão sobre a responsabilidade que era e o esforço financeiro que iria ser feito, lá nos entendemos a arranjar um fim-de-semana para ir a Coimbra arranjar uma casa para eu morar!
E foi assim, que através de um impulso, no ínicio do mês de Outubro de 1993 fui estudar para Coimbra, algo que não fazia a mínima ideia do que tratava!
P.S.:Coimbra, deu-me muito, mas essas histórias ficam para outro dia! Só gostava de conseguir retribuir à cidade tudo o que ela me deu.
BRIOSA !!!
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