Durante muitos anos tive o previlégio de passar quinze dias de férias neste local. Por norma, sempre no hotel Príncipe Sol. Já conhecia a maioria do staff e animadores. Sentia-me, como numa segunda casa. Torremolinos é uma vila à beira-mar que vive do turismo e devido a isso contempla uma parafernália de locais de diversão, dividida por hoteis, clubes, aquaparque, parque de diversões, discotecas e bares. É o sítio perfeito para uma pessoa se entreter e relaxar!O complexo onde ficava repartia-se em duas partes. O hotel com as suas três torres e o aparthotel rodeando uma das piscinas. Pelo meio tinhamos tudo! Três piscinas, bares, lojas, zonas de lazer, jardins, campo de tenis, campo de basquetebol, campo de tiro, campo de malha, discoteca, supermercado, sempre seguidos de uma programação de animação exemplar. A praia do outro lado da rua! Um mundo do qual não há a necessidade de sair!
Conservo na memória alguns episódios divertidos que lá passei.
Um dia, eu e o João conhecemos duas espanholas na discoteca do hotel. Elas faziam parte de uma excursão escolar. Elas engraçaram connosco e as coisas aqueceram. Fugiram à marcação dos professores e levamos as miúdas a dar uma volta pelo complexo. Eu levei a minha nova amiga para um recanto mais reservado enquanto o João, que era novo por estas andanças, foi para perto de uma das piscinas. Acabou por ser apanhado deitado em plena relva em posições menos impróprias com a espanhola e como era menor, o segurança conduzio-o até ao quarto onde estavamos alojados com os meus pais! Eu do meu recanto assisti a tudo e tentava conter o riso! Nunca vi o meu irmão tão envergonhado! No dia seguinte, claro está que os meus pais vieram pedir-me explicações e eu com a maior cara de pau disse que não tinha visto nada enquanto o meu irmão bufava no meio de tanto acanhamento sem poder dizer nada!
Existe na vila um mini parque de diversões. Para muitos a sua maior atracção é o mini-golf, para mim é um dos bares mais bem conseguidos da história! O bar consiste num balcão ao ar livre em forma de U, que possui uma bica de cerveja por cada dois assentos. Trinta e duas bicas, no total! Cada bica é de uma de marca de cerveja diferente! Um dia, resolvi exprimentar dar a volta ao balcão! O grande problema não é beber trinta e duas cervejas, mas
aguentar as suas variações. Passar de uma cerveja de malte para uma cerveja de arroz, não é fácil, teores alcoólicos diferentes, sabores diferentes. O alcoól sobe muito mais depressa à cabeça!
Estive cerca de cinco horas a saltar de banco em banco mas consegui dar por terminado o plano. Acho que não é relvante contar-vos a maneira como cheguei ao Hotel! Só gostava de um dia ter coragem para voltar lá e exprimentar a colecção de sessenta e poucas marcas de cerveja de garrafa!
A primeira vez que fiquei envergonhado foi nesta terra. Eu devia ter uns treze anos e durante a minha estadia no hotel comecei a namorar com uma irlandesa, de pele clara, olhos azuis e cabelos encaracolados cor de fogo! Em redor dos olhos pequenas sardas desvaneciam-se num sorriso que irradiava simpatia. A primeira paixão de Verão!
Como em casa, conversas sobre relações com o sexo oposto pareciam ser tabu, fiz questão de esconder dos meus pais a minha relação. No dia de regressar a Lisboa, estava em pleno hall do hotel a carregar as malas para o carro quando ela se acerca de mim e dos meus pais. A chorar, entregou-me um papel com a sua morada. Pediu-me para escrever-lhe e de seguida deu-me um beijo na boca e eu vermelho que nem um tomate, fui cabisbaixo para o carro, com o meu pai a gozar-me o caminho todo!
Houve um tempo em que o meu pai namorou com a mãe da Joana Steglich e acabámos por convidar-las para virem connosco para Torremolinos. Saí eu uma noite com a Joana, o calor era abrasador e quase de madrugada andavamos a passear de carro pela marginal. A certa altura quis fazer inversão de marcha e fiquei com o carro atolado, não tinha maneira de sair dali! Eis que se chega perto de nós um pescador já de idade e ao deparar-se com a situação, diz-me para não me preocupar pois era comum aquilo acontecer e que a Guarda Civil patrulhava a marginal, com o intuito de ajudar as pessoas empanadas. Deveriam estar a passar por ali. Era uma questão de esperar.
Enquanto esperava, o pescador ofereceu-me um cigarro, fiquei muito grato, pois já não tinha nenhum comigo e estava mesmo com vontade de fumar! Olhei para o cigarro e reparei que era feito à mão. Estranhei. Ao aperceber-se da minha cara, disse-me que eram cigarros de Marrocos e que eram do melhor. Sorri e voltei a agradecer. O cheiro era estranho e comecei a ficar enjoado! Era chamon e fiquei cá com uma moca! Agora imaginem a minha cara quando chegou a Guarda Civil e eu a tentar conter o riso!
Conservo na memória alguns episódios divertidos que lá passei.
Um dia, eu e o João conhecemos duas espanholas na discoteca do hotel. Elas faziam parte de uma excursão escolar. Elas engraçaram connosco e as coisas aqueceram. Fugiram à marcação dos professores e levamos as miúdas a dar uma volta pelo complexo. Eu levei a minha nova amiga para um recanto mais reservado enquanto o João, que era novo por estas andanças, foi para perto de uma das piscinas. Acabou por ser apanhado deitado em plena relva em posições menos impróprias com a espanhola e como era menor, o segurança conduzio-o até ao quarto onde estavamos alojados com os meus pais! Eu do meu recanto assisti a tudo e tentava conter o riso! Nunca vi o meu irmão tão envergonhado! No dia seguinte, claro está que os meus pais vieram pedir-me explicações e eu com a maior cara de pau disse que não tinha visto nada enquanto o meu irmão bufava no meio de tanto acanhamento sem poder dizer nada!
Existe na vila um mini parque de diversões. Para muitos a sua maior atracção é o mini-golf, para mim é um dos bares mais bem conseguidos da história! O bar consiste num balcão ao ar livre em forma de U, que possui uma bica de cerveja por cada dois assentos. Trinta e duas bicas, no total! Cada bica é de uma de marca de cerveja diferente! Um dia, resolvi exprimentar dar a volta ao balcão! O grande problema não é beber trinta e duas cervejas, mas
aguentar as suas variações. Passar de uma cerveja de malte para uma cerveja de arroz, não é fácil, teores alcoólicos diferentes, sabores diferentes. O alcoól sobe muito mais depressa à cabeça!Estive cerca de cinco horas a saltar de banco em banco mas consegui dar por terminado o plano. Acho que não é relvante contar-vos a maneira como cheguei ao Hotel! Só gostava de um dia ter coragem para voltar lá e exprimentar a colecção de sessenta e poucas marcas de cerveja de garrafa!
A primeira vez que fiquei envergonhado foi nesta terra. Eu devia ter uns treze anos e durante a minha estadia no hotel comecei a namorar com uma irlandesa, de pele clara, olhos azuis e cabelos encaracolados cor de fogo! Em redor dos olhos pequenas sardas desvaneciam-se num sorriso que irradiava simpatia. A primeira paixão de Verão!
Como em casa, conversas sobre relações com o sexo oposto pareciam ser tabu, fiz questão de esconder dos meus pais a minha relação. No dia de regressar a Lisboa, estava em pleno hall do hotel a carregar as malas para o carro quando ela se acerca de mim e dos meus pais. A chorar, entregou-me um papel com a sua morada. Pediu-me para escrever-lhe e de seguida deu-me um beijo na boca e eu vermelho que nem um tomate, fui cabisbaixo para o carro, com o meu pai a gozar-me o caminho todo!
Houve um tempo em que o meu pai namorou com a mãe da Joana Steglich e acabámos por convidar-las para virem connosco para Torremolinos. Saí eu uma noite com a Joana, o calor era abrasador e quase de madrugada andavamos a passear de carro pela marginal. A certa altura quis fazer inversão de marcha e fiquei com o carro atolado, não tinha maneira de sair dali! Eis que se chega perto de nós um pescador já de idade e ao deparar-se com a situação, diz-me para não me preocupar pois era comum aquilo acontecer e que a Guarda Civil patrulhava a marginal, com o intuito de ajudar as pessoas empanadas. Deveriam estar a passar por ali. Era uma questão de esperar.
Enquanto esperava, o pescador ofereceu-me um cigarro, fiquei muito grato, pois já não tinha nenhum comigo e estava mesmo com vontade de fumar! Olhei para o cigarro e reparei que era feito à mão. Estranhei. Ao aperceber-se da minha cara, disse-me que eram cigarros de Marrocos e que eram do melhor. Sorri e voltei a agradecer. O cheiro era estranho e comecei a ficar enjoado! Era chamon e fiquei cá com uma moca! Agora imaginem a minha cara quando chegou a Guarda Civil e eu a tentar conter o riso!
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