Chegou o ansiado dia.. Figueras aguardava-me! Primeiro paragem Carcassonne. Eu detesto os franceses e a sua arrogância mas tenho de admitir que a sua história e país são de facto bastante relevantes no panorama mundial.Carcassonne é uma cidade fortificada, algo como a nossa Óbidos mas relativamente maior! Em todos os recantos se encontram lojas de antiquários com as mais variadas espadas, elmos e armaduras! Depois de uma bela caminhada para conhecer a cidade. Eu, o Márcio e a Bety decidimos ir almoçar. O nosso francês estava horripilante e o empregado não ajudava... Inglês nestas paragens é língua madrasta! Lá consegui fazer-me entender e comer os meus escargots (adoro caracóis!) e uma lasanha simpática!
O tempo escassiava e nada de arrancar daquele país! E diz-me o professor de design que se calhar não iamos a Figueras! O tanas! Perder o melhor da viagem! Nem pensar nisso! Então eu e alguns colegas fizemos finca pé e lá nos dirigimos para Figueras. Chegamos eram para aí umas quatro ou cinco da tarde, recordo-me que só tinhamos uma hora para conhecer a casa museu! Sempre é melhor que nada!Não há palavras pa
ra descrever a casa... Um génio não se resume num blog. Vou tentar explicar os sentimentos que Dali me proporcionou. No meio de um aglomerado de casas térreas, pintadas de cinza deparamos com um forte de três andares com um interior em formato circular de cor de tijolo e paredes ornamentadas com alfaces doiradas. No topo do edifício ovos gigantes e estatuetas doiradas completam o panorama excêntrico do edificio. No interior assustei-me ao entrar no quarto de dormir idealizado por Salvador Dali. Enquanto contemplava a cama de estilo rococó e a banheira em forma de cisne senti-me observado e olhei para o tecto. Quase caí para trás! Avistei um fresco que cobria toda a área do tecto, muito realista onde um homem caí em direcção ao chão, simbolizando a expulsão de Adão do paraíso. Espectacular! Entre muitas peças de arte fabulosas recordo-me do momento em que sorri perante a genialidade. No centro do edifício encontra-se um jardim, no meio da área vislumbra-se um Cadillac com uma estátua plantada no capot e com o interior repleto de heras e dois manequins, um motorista e a sua patrona. Ao lado uma caixa para se inserir moedas. Estava eu a interrogar-me sobre o porque da caixa, quando se acerca de mim o "Kent". Chamei a sua atenção para a caixa e desafiei-o a colocar uma moeda. Ele um pouco relutante acedeu e inseriu a moeda. Nesse momento começou a chover dentro do carro! Era uma fonte dos desejos! Com muita pena minha a visita à casa-museu terminou rapidamente devido a já estarmos na hora de fecho. Muito ficou por ver e fiquei cheio de vontade de lá voltar outro dia.De regresso a Canet del Mar, para a nossa penúltima noite. Voltei a ficar pelo bar do hotel, fiz uma noite calma porque tinha planos para o último dia. Como era dia livre tinha decidido ir a Barcelona comprar umas engenhocas para os meus arqui-rivais do quarto ao lado! Corri as Ramblas à procura de coisas para utilizar no meu esquema de vingança! Regressei ao ínicio da tarde ao hotel, enquanto o resto dos meus colegas se encontravam ainda em Barcelona. Pedi na recepção a chave suplente do quarto dos meus "amigos" e plantei as armadilhas! Pasta de dentes espalhada uniformemente na tampa da sanita de maneira a não ser perceptível ao olhar distraído. Com uma seringa injectei litros de ketchup para dentro da mangueira da banheira. Açúcar colado às almofadas e pó de comichão nos lençóis e sapatos. Para distrair de uma possível inspecção roubei algumas roupas! Estava executado o plano! Agorra era só esperar!
Os meus colegas ao regressar ao hotel, avistam-me ao balcão do bar, desconfiados como são prontamente subiram no elevador para fazer uma inspecção ao quarto! Como planeei só deram pela falta da roupa. Mais tarde, depois de alguma insistência entreguei-lhes! Na manhã seguinte ao entrar no autocarro para a nossa partida, chorei a rir! Três mamarrachos com a cara toda arranhada do açúcar, sem banho tomado devido ao ketchup e a coçarem-se por todo o lado chegam perto de mim e disseram o que eu queria ouvir: - Ganhaste! Vocês ganharam!
O retorno a casa foi muito perigoso para a minha integridade física! Tinha umas dez cabeças à espera atentamente para o momento em que eu adormecesse, para conseguirem pintar a manta! Com muitos cafés à mistura, aguentei estoicamente e não adormeci nessas dezasseis horas! Ainda tive coragem e forças, para chegado a Coimbra, pegar no meu carro e rumar para mais duas horas de viagem até Lisboa!
2 comments:
Não se resume num blog, mas deixaste-me cheia de vontade de conhecer. ;)
Figueras, só vale mesmo pela casa-museu, pois de resto não há nada!
Digo-te que há coisas fascinantes e que te obrigam a pensar. Embora tenha vislumbrado toda a casa é necessário perderes tempo com cada objecto de arte. Tudo tem um porque e o giro é tentares decifrar a mensagem escondida. Assim era Dali. Um homem apaixonado pela sua Gala, pela arte e pela mente humana!
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