The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

At high speed, without steering or breaks.... the video lost the destination



Something else have been lost but maybe now, everything makes sense. Maybe now, everything means nothing or maybe a day will came that we don't want nothing at all... Maybe

Gostava de trocar de pele. Por vezes queria ser quem não sou, de assumir compromissos, condutas, de não me dar, não sentir tudo de uma vez, no fim há alturas em que gostava de ser um tipo diferente de quem sou. Consigo ter uma racionalidade de comportamento que até a mim, por vezes, impressiona. É sim ou não, não existe talvez. Não perco tempo, não me posso dar a esse luxo. É tão precioso o bónus que me foi oferecido por forças maiores que olho para a vida com uma enorme capacidade de encaixe às contrariedades. Quer, quer. Não quer, não quer. Adapto-me às disponibilidades e vontades.
Fazem de mim melhor pessoa do que na realidade sou, não há ninguém que me conheça melhor do eu e bem sei que sou capaz de deitar fora, de esquecer, de virar costas, quando assim acho que é necessário para preservar-me. Sei que tenho bom fundo, considero-me uma pessoa com valores e de bom trato. Dou a camisola, movo montanhas por quem gosto, estou sempre lá quando é necessário mas não sou boa pessoa porque sei que dou o melhor mas também tiro o tapete, quando me sinto magoado. Não gosto de limbos, não sei conviver com incertezas, ses e afins. A vida já me foi dura para insistir em dúvidas, por isso parto com facilidade para novos mundos, ideias, ambientes. Sou nómada de sentimentos e afectos, porque acima de tudo aprendi a amar e proteger quem sou.
Esta postura vem desde miúdo, embora tenha sido inflacionada com os tropeções da vida. Adorava o meu avô. Foi um pessoa com quem pouco convivi mas que recordo com muita ternura. Lembro-me que em pequeno, todas as manhãs antes de sair de casa, dava a mim e ao meu irmão, um tema para estudarmos e no final do dia, ao jantar, lançava-nos perguntas sobre esse mesmo tema que tínhamos de responder acertadamente, para receber um simples caramelo como prémio. Eram noites que guardo com muito carinho, é uma pessoa que guardo com muito carinho. No dia que faleceu, a minha mãe informou-me a mim e ao meu irmão, da sua morte e lembro-me perfeitamente que não fiz caso, joguei para trás das costas e continuei a brincar como se nada se passasse. É esta a minha maneira de estar. Não me dou ao luxo de magoarem-me, por isso esqueço o que me dói ou simplesmente abstraio-me.
Sim, muita vez acabo por chorar, choro muito a dor que me causam em cinco minutos, deito tudo cá para fora, depois ergo a cabeça e sigo caminho. Por isso, há alturas em que gostava de trocar de pele e não seguir este impulso de continuar, ser melhor pessoa e ficar mas esse não sou eu. Sou nómada, um nómada não sofre, não se prende a nada. Aproveita o que de bom há enquanto existe e depois segue o seu caminho.

Construo-me em ciclos da vida, tentando não cometer os mesmos pecados. Sou Peter Pan, o menino que se recusa a crescer. Vivo do riso, sou o contágio da alegria e continuo a não pensar no risco que é percorrer caminhos ainda não desbravados, sempre em busca da adrenalina que uma aventura proporciona. Não me acanho, por que os tombos fazem parte da vida e são eles que dão sentido às palavras experiência e maturidade.
Não preciso pensar se estarei certo, se estarei errado. Por muito que escreva, só fazendo é que tudo fará sentido. Não vivo de dúvidas, vivo de certezas, vivo de mim, sigo por mim. Como uma música que redescobri à pouco, estou na lanterna dos afogados e já não me importa as marcas do passado, elas estão cá como linhas de um enredo que contam uma história. A minha história.
Hoje fugi de mim, fugi do mundo e fui passear sozinho. Fui ver o rio, rio que banha a cidade, que banha os meus sonhos e me impulsiona a reflectir no que já se percorreu. Sou um felizardo. É essa a minha conclusão. Tenho vivido a duzentos à hora nessa estrada, vi de tudo, fiz de tudo e continuo a ter a mesma postura. Tudo se resolve, tudo tem a sua razão de ser e o fim de cada capítulo só me impulsiona a querer virar a página. Gosto de mim, sou positivo, sou como o sol que hoje estava no seu expoente anunciando o Verão que se aproxima. Fumava o meu cigarro, bebericando uma cerveja e embalado na ondulação do rio, perdia-me neste balanço de vida.
Peter sorveu os pós mágicos da Sininho e voou para o mundo do imaginário, sentou-se numa nuvem e desta vez ficou a contemplar o mundo cinzento do dia-a-dia que se deparava a seus pés. Que bom é ver que o calor humano ainda existe, saber dar valor ao que realmente é importante. Há sempre uma luz ao fundo do túnel, há sempre uma mão amiga em quem nos podemos apoiar e não me importa os desgostos da vida. Claro que às vezes a vida é dura mas embora não vivamos numa bolha em que as coisas negativas não nos afectam, tento sempre viver no positivo que o mundo nos oferece e é assim que encaro a nossa estadia no mundo.
Como cada um vê meio copo, diz muito da sua postura. Para mim está sempre por encher, anseio sempre por mais. Foi um dia bem passado, melhor virá com a noite e não olhem para mim, olhem para dentro de vocês e achem a vontade de fazer o que vos faz feliz. Sigam o impulso, enquanto Peter vira na segunda a direita seguindo sempre em frente até ao amanhecer, à procura de um novo capítulo.

Foi num virar de esquina que pela primeira vez te vi. Olhei para ti e pensei que o céu pintava-se de azul porque era o espelho dos teus olhos e que o prazer de contemplar as estrelas e o luar era causado pelo brilho do teu sorriso. Foste chegando de mansinho, de maneira arrebatadora conquistaste-me quando ainda não estava refeito de um grande desgosto e eu que só queria era passar tempo a divertir-me, numa tentativa de largar o passado. Trazia desde o início a noção que eras muito mais mulher para mim, do que eu poderia ser homem para ti. De algum modo bizarro vês em mim algo mais do que na realidade sou. Gostava de um dia ver e compreender pelos teus olhos como alguém que roça a perfeição consegue encontrar em mim o seu porto seguro.
Encontrei uma amiga, uma companheira, por vezes possessiva derivado da necessidade de precisar sentir-se segura, pois da vida já trás decepções e traições que cheguem. Hesitante com todos os comportamentos sociais, sempre com o pensamento na protecção daqueles que ama. Que treme quando lhe digo o que sinto ou que chora por achar que não mereço ter as limitações físicas que tenho. Uma mulher cheia de paixão, carinhosa, dedicada, leal e fiel. És muito mais do que pensas, és muito mais para mim do que realmente pensas.
Sim tens um lado mais escuro. Gostas de levar a tua avante mas também sabes quando deves parar e ceder. Tens rompantes que me fazem correr atrás de ti, que me tiram do sério mas não deixo de querer correr. Não me dizes todos os tormentos que envolvem a tua alma mas compreendo que ainda não te sintas completamente segura para os partilhar. Tens medo de perder o que temos, tens medo que isto não seja mais do que uma ilusão de ambos, principalmente minha mas também sei que no fundo, o que queres é muito ter um amanhã comigo.
E os nossos gostos? São incrivelmente parecidos. Gostamos das mesmas coisas, desgostamos das mesmos lugares e coisas. Passamos horas a falar de trivial e de momentos importantes. Da música que tanto amo e que te dou a conhecer, de brincarmos e observarmos o que nos rodeia. Ainda não percebi, se atinges o gozo que me dá não ter de usar palavras para falarmos e saber o que queres. Esse trejeito de boca, sinal de quem não quer aquela opção, o sorriso que diz o quanto estás a adorar um certo momento ou o brilho que os teus olhos trazem quando encontras a minha figura perdida na multidão.
Adoro-te, adoro a flor de lotus, adoro o que temos e não temos, o que não assumimos mas somos, a lealdade e o respeito que nutres por mim. És o girassol, a princesa, a dama. Faço-te rir, fazes-me rir e já não dispenso as mensagens, os telefonemas, os cafés surpresa, os jantares, as noitadas e os serões de filmes. Apetece-me terminar fazendo uma rábula ao filme que tanto nos fez rir no outro dia. P.S.: I don't love you!

Ganhei vontade de transformar o mundo, enquanto o mundo vai transformando-me. Tudo à volta é tão claro, tudo à volta é tão dúbio. Sento-me, acendo um cigarro enquanto os dedos percorrem o teclado autonomamente descrevendo cada sentido, cada momento, dissipando os pensamentos numa postura de equilíbrio equilibrista.
Com o sol a traçar-me o perfil, giro no mundo do girassol onde tudo é tão novo, tudo é simples numa teia de complicações. Não mergulho de cabeça, não cometo esse erro, porque de erros foi feita a estrada e sinuoso foi o seu caminho. Vivo do hoje, para hoje, sem querer sonhar, sem pedir mais. É fácil, sei como me sinto hoje, estou seguro do que quero, bebo de ti, bebes de mim, não paro obcecado a perder tempo com amanhã, se há um amanhã. Gosto do que tenho, gosto do que somos ou não somos, gosto de estar, gosto de sentir, de sentir falta, gosto porque gosto mas não perco o equilíbrio.
Tenho vontade de mais, sede de mais. Sinto o sangue pulsar nas veias, nativo de mim, nativo de ti mas ainda tenho tanto para reconquistar, tanto ainda para fazer, tenho tanto para percorrer e vou fazendo o malabarismo de equilibrar-me no tempo. No meu tempo, no teu tempo, naquele que até poderá vir a ser nosso. Fazes-me bem, faço-te melhor ainda e quando sozinhos ficamos o mundo encontra o equilíbrio fechando-se em nós e é assim que gosto de estar. Gosto do que gostas, estamos bem juntos, ficamos bem juntos, faço-te tremer, tu tiras-me o ar. Sim existe algo, existe mais, mas mais é amanhã e ainda estamos no hoje. No passo certo, com equilíbrio, talvez cheguemos lá ou talvez não mas isso é amanhã.
Vem ver, eu estou a batalhar com o tempo contra os meus problemas, a dançar no palco do mundo e vou vivendo o meu trabalho que tanto gosto, vivendo as relações, sejam amizades ou familiares, não te vou dizer como agir ou que fazer, só sei dizer-te que vivo por demais mas também que não vou desequilibrar porque preciso de traçar em mim a conduta de pensamento no equilíbrio que necessito e que à tão pouco tempo ajudaste-me a reconquistar.

É em adversidades da vida que encontramos pessoas bonitas, tantas vezes de forma inesperada, que nos perguntam como estamos e que até ficam à espera para ouvir a resposta.
Vagueavam em corredores sem ter muito tempo para pensar, duas cicatrizes que ainda recentes não sararam por completo, a vida contínua a ser sempre aquela procura de aventura e emoções, e num toque inesperado de mundos diferentes, dois rostos sorriram ao conhecerem-se. Um encontro fortuito que tem feito muito bem, apenas estar por estar, perdido no oriente em conversas cumplices infindáveis. Pensa muito nas opiniões dos outros, penso na tua opinião. Fala-me de ti, eu falo-te de mim e talvez no caminho esteja a cura dos nossos males.

Contagem Ao Segundo