O ano de 91 foi recheado de histórias e aventuras, aqui vos conto como conheci o meu melhor amigo e claro a primeira impressão que ele teve de mim e do nosso grupo.
Tudo começa, numa tarde a combinarmos mais uma noitada de sexta-feira, não mais uma, mas "a noitada" pois o plano era audaz para um bando de miúdos! Eu, Brito, Luis Nuno, Ivo e o inigualável Esménio conjugámos esforços para por em práctica a ideia de irmos passar a noite de sexta-feira na discoteca News, sítio muito na berra naquela tempo mas o que para muitos dos outros miúdos da nossa idade, parecia impossível, pois o News ficava na Malveira da Serra, para cabeças demoníacas como as nossas, havia sempre a possibilidade de conseguirmos concretizar o plano.
O plano consistia em levarmos "emprestado" o carro dos pais do Esménio pois eram os mais idosos de todos os nossos pais, já andavam na casa dos 60 ou 70 anos e como tal deitavam-se por volta da dez horas, o que era o ideal para nós! O Esménio trazia o carro e vinha ter conosco ao bairro dos actores por volta das onze e faziamos-nos à estrada lá pela meia-noite, claro está que nenhum de nós tinha carta e só dois sabiam conduzir, eu e o Esménio.
Nessa mesma tarde, depois de tudo alinhado o Ivo pergunta se poderia trazer um amigo de infância que estava cá a passar férias e nós concordámos com a vinda dele pois ainda havia um lugar no carro. E eis que chega a tão esperada noite, encontro combinado no café do costume. Eu, o Brito e o Luis Nuno já lá estavamos e chega o Ivo, atrasado como sempre, com o seu look de maltrapilho acompanhado de um miúdo de feições típicas de "bife", cabelo aloirado, olhos azuis e bochechas bastante rosadas, com ar de inadaptado ao mundo onde estava a entrar, o perfeito menino do coro! Chamava-se René.
Começa o tempo a passar, o café a fechar e nada de notícias do Esménio, naquele tempo não havia telemóveis e era impensável ligarmos para casa dele, concerteza iríamos acordar os país dele e isso era meio caminho andado para o plano ir por água abaixo. Decidimos ir para o Pão de Açúcar, o café na zona que estava aberto até mais tarde, o tempo a passar e nós a ver a nossa noitada por um canudo, até que finalmente perdemos as esperanças, algo se devia ter passado o Esménio não devia ter conseguido sair de casa. Paciência! Ficava para uma outra vez! Voltamos para o bairro dos actores, precisamente para a rua onde morava o Brito, ficávamos ali na conversa e assim foi.
Quando chegamos à rua do Brito, que relembrem-se era aficionado em tudo o que era americano, ele dirigiu-se a um dos chaços que ia adquirindo por meia duzia de patacos, tinha a pancada de comprar carros de marca americana a cairem de podre e depois restaurar-los, claro está que nunca restaurou nenhum e só ia amontoando carros que não andavam na rua dele. O veículo em causa era um Ford Cortina Mk2 dos anos 60, o Brito queria colocar o casaco dentro do carro enquanto ficavamos ali à porta, à conversa, ainda demorou um bocado a abrir pois a fechadura estava um pouco encravada mas lá conseguiu o que queria, o tempo a correr e nós sem qualquer esperança que o Esménio aparecesse quando começamos a ouvir sirenes por todo o lado, vinha um carro em contramão e outro a subir a rua a todo o gás e nós atónitos, sem perceber o que se passava e eis que esses carros param mesmo em frente a nós, bloqueando qualquer tentativa de fuga, saindo guardas nocturnos dos carros e de armas em punho dizem-nos para nos encostarmos à parece para sermos revistados! De loucos! O que tinha acontecido? Simplesmente, o guarda nocturna do bairro dos actores, que por sinal era já entradote e usava uns grandes copos de fundo, vira ao longe o Brito a forçar a fechadura e pensava que estavamos a assaltar o carro! Ora, toca de chamar os colegas todos para apreenderem os delinquentes! Haja pachorra!
Estavamos a esclarecer a situação com os guardas noctunos, quando aparece um Volvo que pára mesmo ao lado de um dos carros dos guardas noctunos, lá de dentro saí uma cabecinha a perguntar o que se passava! Era o Esménio! Ora a minha preocupação era sair dali com ele o mais rápido possível para não haver perguntas da parte dos guardas nocturnos! E foi o que fiz, perguntei se estava tudo ok com os meus documentos, aos guardas nocturnos, estes disseram que sim e entrei no carro e disse ao Esménio para arrancar para a rua de trás! Uff! Lá nos safámos!
Ficámos os dois na rua de trás à espera que os guardas nocturnos se fossem embora, nessa altura reparo que o Volvo está todo riscado do lado direito! O que tinha acontecido, explicou-me o Esménio, era que com os nervos de tirar o carro da garagem, tinha riscado o carro todo naquelas subidas em espiral que as garagens dos prédios da Portela de Sacavém tinham! Mas havia ainda um outro problema, o Esménio não fazia ideia onde estaria a chave do depósito da gasolina e como o carro estava quase a entrar na reserva era impossível irmos para a Malveira. Quando nos juntámos todos, começou-se a pensar numa maneira através da bagageira de abrirmos o tubo do depósito e colocar gasolina e enquanto os outros pensavam na melhor maneira de o fazer, eu estava sentado no lugar do morto a pensar para os meus botões - Onde colocaria eu a chave do depósito se não está com a chave da ignição? Não tem lógica andarem à parte! Nisto abro o porta-luvas, por instinto e vejo uma chave! Digo eu - Esménio, não será esta a chave? Acredito que ele era capaz de me beijar naquele momento!
Lá nos fizemos a caminho, finalmente era possível, iamos ao News! Eu e o Esménio tinhamos feito um trato, eu levaria o carro até ao News e ele trazia-o de volta, o que me dava a possibilidade de beber uns copos sem me preocupar na maneira de voltar, menos preocupado fiquei, pois o Esménio éra daqueles tipos que não tocava em bebidas álcoolicas, pois não as aguentava. Ora o caminho foi uma aventura, como podem imaginar, cinco miúdos enfiados num carro, sem carta de condução e a caminho do desconhecido, é uma azáfama de emoções e adrenalina! Desde tentarmos picar-nos com um Ferrari, em plena A5 incompleta, até a saltar o punho da manete de velocidades e ficarmos só com quarta! É obra! Essa do punho foi óptima, o que aconteceu foi que este modelo da Volvo para se colocar a quinta erá necessário primir um botão na alavanca e puxar a alavanca para cima, ora na lógica deveria acender uma luz no páinel a avisar que a quinta tinha sido inserida, como isso não acontecia, eu cada vez fazia mais força, resultado o punho saltou disparado para o banco de trás e o resto do caminho feito no máximo em quarta!
Chegamos! Toca de por a camisa para dentro, dar os últimos toques no visual e seguir em frente! Mais um contratempo, o porteiro... Ao ver, um grupo de cinco miúdos que mal tinham idade para entrar, tira-nos logo a esperança! 2.000$00 por cabeça, uma fortuna para a altura! Bem começo, logo a virar-me em direcção ao carro quando um voz, com um sotaque mal amanhado, diz: Aqui está! Dez contos! Foi o René que tinha estado o tempo todo calado, a pagar-nos as entradas! Finalmente estavamos no News! E que noite foi! Nunca mais vou esquecer a
quele espaço!
Estava eu em plena animação, já para o fim da noite, ao balcão a pedir o meu segundo copo de tequilha, quando olho para o lado e que vêem estes meus olhos? O Esménio a beber de uma só vez uma bela caneca de cerveja! Ai, ai... Quem leva o carro? Eu não estou em condições! O Esménio!? Ui, medo.... Bem o sermão que eu lhe dei, foi demais, ao sairmos tento conduzir mas não estava mesmo em condições, teve de ser o Esménio a conduzir, fizemos o caminho de volta a quarenta à hora, o Luis Nuno ia ao lado a dizer-lhe - Mais para a esquerda, mais para a direita! Inconsciência total! Pelo meio ainda houve, paragens em plena A5 para levar-se uns pinos para casa! Ideias do Brito, óbvio!
Chegados novamente ao bairro dos actores, cada um para sua casa, o Luis Nuno pernoita com o Brito, o Ivo e o René foram para casa do Ivo, eu para a minha cama fui e o Esménio fez-se a caminho da Portela de Sacavém. No dia a seguir qual não é o meu espanto quando chego a casa do Brito e dou de caras com o Esménio a dormir lá! Acontece que ao chegar a casa, o pai estava à janela e ele achou por bem estacionar o carro no mesmo sítio e vir-se embora passar uma temporada para casa do Brito! Esteve assim uma semana a dormir por lá e a mãe dele a ligar-me todos os dias para casa! Finalmente ao fim de uma semana lá o consegui convencer a voltar para casa.
Faltam pormenores a esta história que já não me recordo, porque passou-se já muito tempo e porque também, já não me encontrava nas melhores condições no retorno a casa! Mas um coisa é certa, se quiserem saber mais pormenores é fácil, é perguntarem ao meu melhor amigo, ele conta-vos todos os detalhes! Pelas suas palavras, foi a melhor noite da vida dele! Não foi René?
O plano consistia em levarmos "emprestado" o carro dos pais do Esménio pois eram os mais idosos de todos os nossos pais, já andavam na casa dos 60 ou 70 anos e como tal deitavam-se por volta da dez horas, o que era o ideal para nós! O Esménio trazia o carro e vinha ter conosco ao bairro dos actores por volta das onze e faziamos-nos à estrada lá pela meia-noite, claro está que nenhum de nós tinha carta e só dois sabiam conduzir, eu e o Esménio.
Nessa mesma tarde, depois de tudo alinhado o Ivo pergunta se poderia trazer um amigo de infância que estava cá a passar férias e nós concordámos com a vinda dele pois ainda havia um lugar no carro. E eis que chega a tão esperada noite, encontro combinado no café do costume. Eu, o Brito e o Luis Nuno já lá estavamos e chega o Ivo, atrasado como sempre, com o seu look de maltrapilho acompanhado de um miúdo de feições típicas de "bife", cabelo aloirado, olhos azuis e bochechas bastante rosadas, com ar de inadaptado ao mundo onde estava a entrar, o perfeito menino do coro! Chamava-se René.
Começa o tempo a passar, o café a fechar e nada de notícias do Esménio, naquele tempo não havia telemóveis e era impensável ligarmos para casa dele, concerteza iríamos acordar os país dele e isso era meio caminho andado para o plano ir por água abaixo. Decidimos ir para o Pão de Açúcar, o café na zona que estava aberto até mais tarde, o tempo a passar e nós a ver a nossa noitada por um canudo, até que finalmente perdemos as esperanças, algo se devia ter passado o Esménio não devia ter conseguido sair de casa. Paciência! Ficava para uma outra vez! Voltamos para o bairro dos actores, precisamente para a rua onde morava o Brito, ficávamos ali na conversa e assim foi.

Quando chegamos à rua do Brito, que relembrem-se era aficionado em tudo o que era americano, ele dirigiu-se a um dos chaços que ia adquirindo por meia duzia de patacos, tinha a pancada de comprar carros de marca americana a cairem de podre e depois restaurar-los, claro está que nunca restaurou nenhum e só ia amontoando carros que não andavam na rua dele. O veículo em causa era um Ford Cortina Mk2 dos anos 60, o Brito queria colocar o casaco dentro do carro enquanto ficavamos ali à porta, à conversa, ainda demorou um bocado a abrir pois a fechadura estava um pouco encravada mas lá conseguiu o que queria, o tempo a correr e nós sem qualquer esperança que o Esménio aparecesse quando começamos a ouvir sirenes por todo o lado, vinha um carro em contramão e outro a subir a rua a todo o gás e nós atónitos, sem perceber o que se passava e eis que esses carros param mesmo em frente a nós, bloqueando qualquer tentativa de fuga, saindo guardas nocturnos dos carros e de armas em punho dizem-nos para nos encostarmos à parece para sermos revistados! De loucos! O que tinha acontecido? Simplesmente, o guarda nocturna do bairro dos actores, que por sinal era já entradote e usava uns grandes copos de fundo, vira ao longe o Brito a forçar a fechadura e pensava que estavamos a assaltar o carro! Ora, toca de chamar os colegas todos para apreenderem os delinquentes! Haja pachorra!
Estavamos a esclarecer a situação com os guardas noctunos, quando aparece um Volvo que pára mesmo ao lado de um dos carros dos guardas noctunos, lá de dentro saí uma cabecinha a perguntar o que se passava! Era o Esménio! Ora a minha preocupação era sair dali com ele o mais rápido possível para não haver perguntas da parte dos guardas nocturnos! E foi o que fiz, perguntei se estava tudo ok com os meus documentos, aos guardas nocturnos, estes disseram que sim e entrei no carro e disse ao Esménio para arrancar para a rua de trás! Uff! Lá nos safámos!

Ficámos os dois na rua de trás à espera que os guardas nocturnos se fossem embora, nessa altura reparo que o Volvo está todo riscado do lado direito! O que tinha acontecido, explicou-me o Esménio, era que com os nervos de tirar o carro da garagem, tinha riscado o carro todo naquelas subidas em espiral que as garagens dos prédios da Portela de Sacavém tinham! Mas havia ainda um outro problema, o Esménio não fazia ideia onde estaria a chave do depósito da gasolina e como o carro estava quase a entrar na reserva era impossível irmos para a Malveira. Quando nos juntámos todos, começou-se a pensar numa maneira através da bagageira de abrirmos o tubo do depósito e colocar gasolina e enquanto os outros pensavam na melhor maneira de o fazer, eu estava sentado no lugar do morto a pensar para os meus botões - Onde colocaria eu a chave do depósito se não está com a chave da ignição? Não tem lógica andarem à parte! Nisto abro o porta-luvas, por instinto e vejo uma chave! Digo eu - Esménio, não será esta a chave? Acredito que ele era capaz de me beijar naquele momento!
Lá nos fizemos a caminho, finalmente era possível, iamos ao News! Eu e o Esménio tinhamos feito um trato, eu levaria o carro até ao News e ele trazia-o de volta, o que me dava a possibilidade de beber uns copos sem me preocupar na maneira de voltar, menos preocupado fiquei, pois o Esménio éra daqueles tipos que não tocava em bebidas álcoolicas, pois não as aguentava. Ora o caminho foi uma aventura, como podem imaginar, cinco miúdos enfiados num carro, sem carta de condução e a caminho do desconhecido, é uma azáfama de emoções e adrenalina! Desde tentarmos picar-nos com um Ferrari, em plena A5 incompleta, até a saltar o punho da manete de velocidades e ficarmos só com quarta! É obra! Essa do punho foi óptima, o que aconteceu foi que este modelo da Volvo para se colocar a quinta erá necessário primir um botão na alavanca e puxar a alavanca para cima, ora na lógica deveria acender uma luz no páinel a avisar que a quinta tinha sido inserida, como isso não acontecia, eu cada vez fazia mais força, resultado o punho saltou disparado para o banco de trás e o resto do caminho feito no máximo em quarta!
Chegamos! Toca de por a camisa para dentro, dar os últimos toques no visual e seguir em frente! Mais um contratempo, o porteiro... Ao ver, um grupo de cinco miúdos que mal tinham idade para entrar, tira-nos logo a esperança! 2.000$00 por cabeça, uma fortuna para a altura! Bem começo, logo a virar-me em direcção ao carro quando um voz, com um sotaque mal amanhado, diz: Aqui está! Dez contos! Foi o René que tinha estado o tempo todo calado, a pagar-nos as entradas! Finalmente estavamos no News! E que noite foi! Nunca mais vou esquecer a
quele espaço!Estava eu em plena animação, já para o fim da noite, ao balcão a pedir o meu segundo copo de tequilha, quando olho para o lado e que vêem estes meus olhos? O Esménio a beber de uma só vez uma bela caneca de cerveja! Ai, ai... Quem leva o carro? Eu não estou em condições! O Esménio!? Ui, medo.... Bem o sermão que eu lhe dei, foi demais, ao sairmos tento conduzir mas não estava mesmo em condições, teve de ser o Esménio a conduzir, fizemos o caminho de volta a quarenta à hora, o Luis Nuno ia ao lado a dizer-lhe - Mais para a esquerda, mais para a direita! Inconsciência total! Pelo meio ainda houve, paragens em plena A5 para levar-se uns pinos para casa! Ideias do Brito, óbvio!
Chegados novamente ao bairro dos actores, cada um para sua casa, o Luis Nuno pernoita com o Brito, o Ivo e o René foram para casa do Ivo, eu para a minha cama fui e o Esménio fez-se a caminho da Portela de Sacavém. No dia a seguir qual não é o meu espanto quando chego a casa do Brito e dou de caras com o Esménio a dormir lá! Acontece que ao chegar a casa, o pai estava à janela e ele achou por bem estacionar o carro no mesmo sítio e vir-se embora passar uma temporada para casa do Brito! Esteve assim uma semana a dormir por lá e a mãe dele a ligar-me todos os dias para casa! Finalmente ao fim de uma semana lá o consegui convencer a voltar para casa.
Faltam pormenores a esta história que já não me recordo, porque passou-se já muito tempo e porque também, já não me encontrava nas melhores condições no retorno a casa! Mas um coisa é certa, se quiserem saber mais pormenores é fácil, é perguntarem ao meu melhor amigo, ele conta-vos todos os detalhes! Pelas suas palavras, foi a melhor noite da vida dele! Não foi René?

