The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Cada um de nós nasce com aptidão para pelo menos uma profissão. Há aqueles que são bons em contas e seguem economia ou gestão. Os que se fascinam com a vida e a curiosidade do corpo humano, perseguem a carreira de médicos. Eu por exemplo, tenho uma percepção fértil de espaço, enquadramento e um traço mais ou menos seguro, por isso segui a área de Design, já que não via garantias num futuro promissor como pintor.
O que vejo é muitas pessoas a seguirem pela via errada, optam por uma profissão que não vai nada a condizer com as suas melhores apetências. E olhem que são uma catrefada delas, que eram perfeitas para executar uma profissão muito digna mas pouco valorizada devido ao fraco status, ordenado pouco expressivo e associação a outras vertentes, que nada têm a haver com a profissão em causa. Se esse posto trouxesse status, riqueza e pouco trabalho árduo, embora esta última exigência até seja razoável de ser alcançada, acredito que muitas dessas pessoas, estavam à porta do instituto do emprego e formação, a rogar a todos os santinhos e a meter cunhas, para darem-lhes o bem dito cargo.
Ok, há algumas tarefas menos agradáveis. Mas também qual é a profissão que não tem as suas pequenas chatices? E digo-vos que existem gajas, que se fosse necessário fazer um exame para provar que nasceram para a dita profissão, passavam com mérito e distinção. Não pelo trabalho em si, pois esse infelizmente a maioria de nós tem de aprender a fazer. Só mesmo os filhos dos excêntricos do euromilhões, do Balsemão, do Belmiro ou do Amorim, devem safar-se à maldita aprendizagem. Quem é que não sabe levar o lixo à rua, encerar pisos, lavar o chão ou vidros? A maioria de nós sabe!
O bom da profissão, é que não exige que despenda-se muito tempo do dia para fazer-lo aceitavelmente e acaba por abrir portas ou bocas, dependendo do tamanho, para se intrometer na vida alheia, mesmo quando não há no que se meterem ou dizer. A imaginação conjugada com a falta de carácter adjacente, é uma ferramenta muito útil, para estar entre a elite desta profissão . Qual de nós nunca soube notícias dos vizinhos através da porteira? - Veja lá o Miguel, filho do senhor Silva, do segundo direito, chegou a casa com os copos e vomitou-me a escada toda, porque não dava com o botão do elevador! Só pode andar nas drogas! Ou a senhora Isabel que tem a mania que é mais que os outros, pois passa por aqui e mal olha ao dizer um bom-dia, quase que aposto que o marido deve ter uma amante! E que dizer da fulaninha que alugou o quinto esquerdo e é um corrupio de homens a entrarem! Deve ser fresca, deve! Sinceramente, qual de vós nunca ouviu ou presenciou tais situações relatadas pela sempre ávida portadora das notícias frescas?
Se o Sócrates quer mesmo tirar este país do abismo onde se encontra, não deveria injectar dinheiro na banca, que esses mal sabem o que andam por lá a fazer mas sim a promover a profissão de porteira. Podíamos até exportar-las tal a qualidade e quantidade. A Venezuela não exporta petróleo, a Coreia microchips? Porque não exportar porteiras?
Se por algum acaso alheio o nosso primeiro-ministro, dignar-se a ler estas linhas deixo-lhe aqui, à consideração, as últimas palavras: - Ó Zé! investe é na porra da exportação de porteiras, que as gajas sejam da capital ou dos saloios, não largam a minha porta! Irra!!!