Entrando na época em que o mundo exalta os melhores sentimentos da humanidade, onde ao virar de cada esquina se encontra glorificações a valores nobres, como a família, a amizade e o amor, a mensagem vai-se propagando aos sete ventos, celebrando esses sentimentos como solução miraculosa para uma conduta de vida repleta de satisfação. E eu, no peso que arrasta a alma por estes dias, sinto arrepio na pele perante a constatação de um mundo frio, onde o calculismo se sobrepõem ao impulso da bondade.
Um mundo onde o amor já não é como nos filmes a preto e branco, a paixão e dedicação são irrelevantes perante uma estabilidade ou comodismo. Já não se escolhe um parceiro para a vida de forma sentimental, pondera-se benefícios. A falsa esperança não pesa na consciência, desde que o egoísmo seja o centro do universo.
Sinto-me traído pela própria alma, que sempre tomou decisões baseadas numa visão idílica, em sonhos e esperanças, terminando invariavelmente condenado ao insucesso. Cansado de remar contra a maré, cansado da solidão, cansado do vazio. Quando se aprende a deixar a esperança morrer?
Oiço mil vozes em acesa discussão deambulando na cabeça, a boca economiza palavras por estes dias, refugia-se no escuro. O corpo arrasta-se do sofá para a cama, da cama para o sofá, em busca de um vazio. A angústia de uma alma que finalmente compreende que nunca foi relevante na vida de ninguém, nem mesmo na vida do filho que se perdeu.
É hora de fazer extinguir fantasias, aceitar que as amarguras possuam o corpo, como o ar que se respira. É deixar os dias correrem para um final sem mágoas, esquecido no tempo, descartável e irrelevante. É hora de enterrar as dores atrás de um sorriso, tudo está bem, é Natal.
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MM design
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