The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

O arauto chegou com a sua proclamação solene, com medo de ouvir as palavras que sempre temi e a invasão dilacerante de um sentimento agridoce que penetra a pele ambígua a cada palavra. A esperança de realização do sonho de uma vida desvanece por completo na penumbra da mensagem, sendo apenas colmatada pela propagação de um sentimento de paz, ao compreender que já não é relevante o sentimento desta casa, a felicidade mora na porta ao lado. A noite toma conta de si, com estrelas que ofuscam a memória ao saber que voltou a sorrir. Achou o seu rumo, já não está sozinha.
Ao vislumbrar o vulto que se afasta na linha do horizonte, uma lágrima começa a escorrer face abaixo por ter dado à metade de mim, a liberdade de voar em busca do seu caminho mas essa mesma lágrima cessa ao tocar a ponta do lábio que sorri, por presenciar a existência de uma nova mão que se entrelaça. Guiando, envolvendo e acompanhando o seu caminho por águas menos turvas e revoltosas. É a maior prova de amor que poderia dar. Estou profundamente feliz por ti.
Eu nunca fui de promessas passageiras e houve algumas que quebrei mas juro que nos curtos dias que ainda restam, serei eternamente grato por ter tido o privilégio e o orgulho, de por breves instantes ter caminhado a teu lado. As memórias de quem fomos já foram embaladas e só desejo que este novo alguém compreenda e agradeça, a sorte de ser responsável pela tua felicidade. Eu não sou de muitas caras, uso só uma máscara, por isso compreendes que este desejo vem do mais sincero de mim.
Felicidades para o teu novo sonho, meu amor



Quando puderes Doce, envia um sonho da família feliz, porque acho que vou precisar dele para enfrentar mais uma noite. O meu orgulho, as palavras cruéis  a tua desconfiança constante, a dúvida sobre o amor e tantos episódios tristes, roubaram-nos o bom senso e com ele os beijos suculentos, que produziam um luzir muito próprio ao teu sorriso.
Doce, eu digo o que sinto. Se olhasses para mim nesta hora em que colapso, irias vislumbrar um vulto atormentado pelo pêndulo do desejo versus a razão, quando a minha ânsia de amar-te, só encontra sossego quando embalado pelo teu toque. Rogo. Envia um sonho da família feliz, para que possa beber lentamente do que mais desejei e fingir que ainda me pertence.
Tu meu Doce, que és a arqui-rival do meu sono, meu suave veneno, vergo a teus pés e imploro. Envia um sonho da família feliz, pois estou saturado de lutar com a almofada, nesta batalha infinita de "ses" que arranham as cicatrizes do meu coração. Combate de memórias, saudades e desejos que teimam em carregar-me as olheiras, presente das noites em que tolhas o pensamento.
Neste reino do incompleto, onde lá longe a linha do infinito guarda só para si a paz interior, num egoísmo atroz. A solução para as insónias, seria o sonho iluminado pelo brilho desse olhar Doce, num enredo de abracinhos desmesurados de piolha. O soporífero perfeito para o descanso merecido deste corpo velho e degradado.
Doce, envia um sonho da família feliz

Se ainda amo? Muito. Se ainda quero? Para sempre. Se ainda vens? Não acredito mas...