The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Hoje, fui almoçar com um bom amigo, amigo esse que vive uma situação emocional complicada. Namora com alguém com quem passa a vida em discussão. Na realidade, ele está completamente apaixonado por essa pessoa e acredito que do lado dela o sentimento seja igual mas a verdade é que a relação não resulta pelos mais variados motivos. Porque não foi a altura mais apropriada, porque têm posturas na vida antagónicas, porque os gostos são diferentes, a idade diferente, etc.
Vejo-o como nunca o vi. Vejo-o a fazer os sacrifícios que nunca fez, vejo-o acima de tudo infeliz à procura de uma razão para agarrar-se a uma felicidade efémera que já não existe mas que na sua mente vale a pena o esforço para reencontrar.
Fomos almoçar, num ambiente em que mais valia estar sozinho. A maior parte do tempo, esteve a trocar mensagens ou a discutir ao telefone , sobre um assunto irrelevante, como tantas vezes sucede. É já um vício rotineiro que leva-os a viverem em extremos. Muita paixão ou muito atrito. O almoço acabou por não ter o mesmo sabor, acabei a almoçar sozinho, com ele a despedir-se para mais uma vez ir ter com a sua cara-metade, discutir mais um assunto tão banal, como ir ver o jogo da bola onde e acompanhado de quem.
Dei-lhe conselhos antes de ir embora, tentei chamar-lo à razão, demonstrando o porque de esta situação não ser saudável para ele, como sempre tento fazer. A reacção de defesa foi apontar-me o dedo a dizer que também eu fiz o oposto aos meus conselhos, há bem pouco tempo. Tem razão o amigo, mas mais razão tem a razão. Não basta as pessoas gostarem uma da outra, não basta as pessoas amarem-se como se não existisse mais ninguém perfeito para elas. A realidade, é esta: As pessoas comprometem-se, estão dispostas a ceder e aceitam como o parceiro é ou então o amor acaba por não ser suficiente para a relação resultar. A vontade de moldar a pessoa amada às nossas vontades, de sermos intransigentes nos nossos quereres, não sentirmos segurança na relação, gera discussões desnecessárias e nada mais é do que um veneno para um término anunciado.
Estou preocupado com o meu amigo. Já presenciei situações complicadas na sua vida, sempre presenciei esses momentos difíceis mas nunca senti-me tão impotente para poder apoiar-lo. Por mais que diga, por mais que faça, ele acaba por tomar a opção errada. Não faz muito tempo, também ele tentou levar-me o espírito e por mais que falassem, por mais que dissessem, não conseguia aceitar uma decisão final sabendo o que iria sentir. Uma sensação de perda, de vazio, acima de tudo, uma sensação de frustração por não ter conseguido que a relação com a pessoa perfeita resultasse.
Houve um dia, como outro qualquer, sem qualquer razão aparente ou motivo, em que acordei e automaticamente compreendi. Devo acima de tudo gostar mais de mim, devo preservar-me e a vida não acaba hoje, há sempre a possibilidade de existir um amanhã. Como diz Neil Finn, numa das suas magníficas letras... It would cause me pain, If we were to end it, But I could start again, You can depend on it. E é esse o espírito que se deve ter nestas situações, embora saiba que não é fácil encaixar esta postura, é algo que deve ser aceite sem nunca pensarmos bem nisso. Também eu lutei contra essa sensação durante uns tempos, mas a verdade é que não era feliz, não sentia-me realizado, estava em guerra com o mundo, ainda pior, estava em guerra comigo e para que? Hoje já ultrapassei, já recomecei a minha vida. Claro que ainda tenho saudades da potencialidade do que poderia ter sido mas ao olhar para trás isso aconteceu numa breve passagem de um momento singular, se calhar mais na minha cabeça, mais numa esperança singular, do que em qualquer outra coisa.
Hoje estou melhor comigo, estou melhor com o mundo, nota-se naturalmente na minha postura, na minha vivência, na minha maneira de estar. Voltei a rir, divirto-me nos meus convívios, divirto-me com a vida, aprecio-a. Estou de volta ao meu melhor e foi algo que aconteceu naturalmente.
Espero que não demore muito a poder reencontrar-te meu amigo, pois hoje em dia não és a pessoa afável e bem disposta que sempre conheci. Meu caro, diz chega. Farta-te de ti, dá um chega para lá, não insistas. Volta a ser quem sempre foste. Cá estaremos como sempre estivemos para apoiar-te a superares a perda.

Nunca a frase - Ano novo, vida nova - teve tanto sentido na minha vivência e ainda estamos em Fevereiro. Tudo se apresenta com uma nova roupagem. Depois de uma mudança de planos profissionais repentina e numa corrida contra o tempo, eis que é chegada uma nova era.
Estou num novo rumo profissional, onde para além de ter encontrado um desafio aliciante, que desenvolve uma estabilidade há muito perdida, tem o condão de oferecer-me segurança em vários aspectos. Estava mesmo a necessitar de algo assim.
Financeiramente compensável, rodeado de um ambiente agradável e funcional, com uma vista deliciosa sobre a cidade, colegas com boa onda e mimado diariamente com um lanche devinal. Bolachas de azeite e coentros, petit-gateau, croissant, chá ou nespresso. Unicamente uma peca. As vindas à rua para matar o vício do cigarro mas até isso se torna irrelevante, quando te sentes bem com a vida.
Ao entrar no novo ano, já tinha mudado algumas coisas, algumas até na própria maneira de abordar a vida. Talvez, levado por toda esta onda positiva que tem-me abalado, vivo com uma nova postura. Mais serena, mais em paz comigo, o que leva a ser surpreendido com alguns comentários "Estás com bom ar" ou "Gosto de ver-te assim, andavas com má cara" ou até mesmo "Pareces mais novo". Embora surpreendido, pois realmente não estava à espera deles, acho que os comentários nada mais são, do que um espelho desta sensação de acalmia, este serenar do espírito que 2008 não trouxe.
Os dias em espera da mudança profissional, foram dedicados, quase em exclusivo, a conviver com amigos. Jantares e almoços diários, onde fui colocando em dia, a história de vidas daqueles por quem tenho carinho. Ele era italiano, indiano, churrasco, brasileiro, enfim, uma panóplia de boa degustação. Também reencontrei outros amigos, que têm surpreendido pela positiva, pois mais não eram que lembranças lonquíncuas e afinal, ao reencontrar-las, têm proporcionado momentos bastante deliciosos.
Também um novo look, inflamado por um guarda-roupa renovado a fundo, ajudou a auto-estima a impor-se. Agora fica a faltar a chegada do Licas e do novo lar, que acredito serem realizáveis ainda este mês, para as coisas comporem-se mas sem pressas e a seu tempo. Quando for será. Nunca será uma realização completa, acho que tal seria impensável, pois não é da minha maneira de ser, sentir-me satisfeito a 100%. Talvez a sensação de realização mas nunca de satisfação plena, até porque existem assuntos importantes que ainda têm de ser resolvidos, outros mal resolvidos e ainda aqueles que já não são assunto mas que ando a aprender a deixar.
De qualquer forma. O sol brilha, a sensação do calor torna os dias aprazíveis, o barco vai tomando o seu rumo e o espírito, esse encontra-se tranquilo, aguardado a chegada ao porto que se vislumbra no horizonte.

Como está o meu coração? O meu coração está bem, não consegues ouvir-lo? Está a bater, por isso acho que está bem. Continuo a viver não continuo?
Porque entraria eu numa longa conversa, tentando explicar o porque de já não querer acreditar no amor? Que defendo o meu coração pois não gosto de pensar que ele sobrevive por causa de outra pessoa. Que sou alguém, que quer manter a guarda bem alta e não pretende deixar ninguém chegar perto do coração.
O meu coração já foi rasgado e partido em mil pedaços tantas vezes, colado de volta mais umas quantas, mesmo quando algumas vezes, um pequeno pedaço ainda se solte e seja complicado de reencontrar-lo. Mas como disse no início, eu estou bem. O meu coração está bem, está a bater e quer-me parecer, que é essa a sua principal função. Certo?

Achei deliciosas as regras, para além de estarem muito bem fundamentadas. Por isso dei-me ao trabalho de traduzir e postar :)

Os homens estão sempre a ouvir "as regras" do lado feminino, pois aqui estão as do lado masculino. Sim, existem as regras do lado masculino e todas elas são número 1 intencionalmente.

1. Aprende a trabalhar com o tampo da sanita. Já és uma mulher. Se está levantada, baixa-a. Nós precisamos dela de pé, vocês precisam dela para baixo. Ninguém nos ouve queixar por encontrar o tampo em baixo.

1. Ir às compras não é um desporto. E não, nós nunca iremos pensar em compras como desporto

1. Chorar é considerado chantagem.

1. Pergunta exactamente aquilo que queres saber. Vamos ser claros: Pistas subtis não funcionam! Pistas óbvias não funcionam! Digam o que querem, ponto!

1. Sim e não são respostas aceitáveis para a maioria das questões.

1. Venham ter connosco com um problema, se quiserem ajuda para resolver-lo. É isso que fazemos. Se querem compreensão e incentivos, recorram às amigas, é para isso que elas servem.

1. Uma dor de cabeça que dura 17 meses é um problema. Consulta um médico.

1. Qualquer coisa dita por nós há seis meses é inadmissível como argumento numa discussão. Na realidade, todos os comentários expiram no prazo máximo de sete dias.

1. Se vocês não se vestem como uma top model, não esperem que nós nos comportemos como um galã de cinema.

1. Se pensas que estás gorda, é porque provavelmente estás. Não nos perguntem.

1. Se algo que dissermos pode ser interpretado de duas maneiras, e uma delas faz-te ficar furiosa, era a outra interpretação que nós pretendíamos dar.

1. É possível perguntar-nos se sabemos fazer algo ou dizer-nos para fazer algo. Não as duas coisas. Se sabes a melhor maneira de fazer, então faz tu própria.

1. Sempre que possível, por favor dizer o que tem de ser dito, durante o intervalo do jogo.

1. Vasco da Gama não necessitava de direcções para o caminho. Nós também não.

1. Todos os homens vêem a 16 cores, tal qual as definições básicas do Windows. Pêssego, por exemplo, é um fruto, não uma cor. Abóbora é um legume. Não temos a menor ideia do que é malva!

1. Se dá comichão, será coçado.

1. Se nós perguntamos o que se passa e a resposta for "nada". Nós vamos agir como se nada se passasse. Nós sabemos que estão a mentir mas nem vale a pena a trabalheira.

1. Se fazes uma pergunta para a qual não queres ouvir a resposta, espera uma resposta que não queres ouvir.

1. Se temos
imperativamente de ir algum lado e estamos atrasados, qualquer roupa é óptima para a ocasião.

1. Não perguntem-nos sobre o que estamos a pensar, caso não estejam preparadas para discutir sobre futebol, corridas de automóveis ou as contas da casa.

1. Tens demasiada roupa.

1. Tens demasiados sapatos e malas.

1. Eu estou em forma. Redondo é uma forma.

1. Obrigado por leres: Sim, eu sei. Tenho de dormir no sofá esta noite mas será que tens a noção que os homens não se importam? É como ir acampar!

Num fim-de-semana preenchido de actividades, onde a boa companhia foi imperatriz, reencontrei parte de um sossego que necessito para o meu equilíbrio.
Sexta-feira, tive a possibilidade de preencher o prazer da mesa, com o prazer da companhia, sempre fora de horas . Para mim, o prazer da mesa, estende-se muito mais além da qualidade da refeição. Uma boa refeição é aquela que compartilhamos com alguém com quem sentimos sintonia, num espaço acolhedor e intimista. Tive a satisfação de usufruir de um almoço transmontano condimentado de conversas agradáveis, com uma excelente pessoa, por quem tenho bastante apreço. As horas passaram como se de segundos se tratassem mas é sempre assim quando todos os bons temperos se misturam. Um bom vinho, uma agradável refeição, uma excelente companhia, uma conversa simpática e um ambiente acolhedor.
Para o jantar, um restaurante ao qual não voltava faz algum tempo e que em outra altura da vida, era local de assiduidade diária. Também mais uma vez, fora de horas decentes, na companhia de um amigo constante, com muita gargalhada à mistura, relembrando séries míticas de uma vida, Duarte e Companhia, os três Duques, MacGuiver, Casa na Pradaria, Bonanza e muitas mais, enquanto a faca deslizava num pedaço de carne macia, acompanhada de arroz e esparregado.
Sábado foi dedicado ao lado mais cultural, tendo ido passear à MAC, que imperdoavelmente já sentia falta das minhas visitas. Por coincidência do destino, à umas semanas, tinha descoberto que a MAC era propriedade do pai de uma namorada de um amigo e na altura foi-me apresentado o convite para conhecer um autor que desconhecia, Opitz. Sábado aceitei o convite e fiquei bastante agradado por ter aceite fazer a visita. Logo ao entrar descortinei semelhanças com Klimt, um dos pintores que mais aprecio. Embora fosse uma exposição pequena, despendi algum tempo a assimilar cada pincelada, cada tom e sensação intuitiva ocultadas deliberadamente. Se torna-se-me excêntrico, teria concerteza adquirido uma peça em especial, pela qual apaixonei-me ao primeiro olhar.
À noite a visita habitual, pois o cantor com novo repertório, não admite uma ausência muito prolongada. Uma novidade chamada I'm Yours, tocada pela primeira vez em cordas, deixando de lado as teclas, foi o auge do serão. A companhia bastante agradável, aliada a umas caipiroskas fizeram com que o resto da noite, se tornasse bastante acolhedora. Não foi de maior qualidade, devido a um percalço de encaixe, menos afável. Ainda assim, deu para passear pela discoteca do momento antes de retornar ao aconchego dos lençóis.
Domingo, adiei um encontro com um casal amigo para descansar um pouco mais, mas se os eventos sociais permitirem será compensado durante a semana, antes da minha viagem cultural extra território nacional. A tarde foi aproveitada para vislumbrar uma sonoridade antiga mas sempre actual. Tributo aos Beatles, coisa rara de ser presenciada, devido ao carácter privado das actuações. Rodeado de caras amigas, com quem não estava faz séculos e outras novas bastante afáveis. Uma plateia atípica ao tempos modernos, conciliada com momentos hilariantes, uns vídeos, fotos e acima de tudo uma banda irrepreensível na mestria de actuação.
A noite dedicada à visualização da chama imensa da alma de seis milhões, incorporada em onze indivíduos. Uma azia, provocada pela certeza absoluta da existência de um envelope chorudo para o homem de preto, presenteado pelo maior mafioso do país, mas que um qualquer reenie resolve. Um jantar, mais uma vez, fora de horas. Não tão saboroso como os anteriores mas bem acompanhado, onde se discutiu a azia anterior e uns peixes que parecem não se dar bem com pessoas embriagadas.
Foi bem preenchido o tempo, fez-me bem ao equilíbrio que necessito. Um bom convívio é sempre um excelente medicamento para curar os males do ser. Gostei do resultado e por isso já preenchi a semana com mais receitas do mesmo medicamento. Quatro ao todo antes da partida cultural.

Devo a ti, o ar que pressiona o espaço e não me deixa respirar. Devo a ti, a sensação de conquista e realização sem nunca ter dado um passo. Devo a ti, ter conhecido a felicidade e a dedicação ao amor. Dedico a ti, o sufoco que perdura em mim a cada momento e todo o segundo que mantenho os olhos abertos, como se algo imprescindível faltasse em mim. Dedico a ti, o último pensamento que levo antes de fechar-me num sono profundo. Devo a ti, a memória do sonho que relembro quando vislumbro o primeiro raiar de sol.
Se fosse possível esconder a lua, para no escuro sussurra-te ao ouvido o segredo que é a imensidão do meu sentir e que só tu não aceitas como uma verdade absoluta, faria-o sem nunca olhar para trás. Sei que soa estranho mas tenho a perfeita noção que entreguei o melhor, o pior e o mais escondido de mim, sem nunca reflectir muito no que isso iria mexer com o teu mundo.
Quero sentir-me no cume das emoções, com a certeza de compartilhar o futuro que é nosso por direito, sabendo que não sou só mais uma peça do puzzle. Não chega ser importante apenas num instante ou num segredo a dois. Não chega a ausência forçada de um momento que seria perdido se houvesse um abraço, um primeiro relance, um primeiro toque.
Quero mais do que isso, merecemos mais do que isso mas se é turvo aceitar um sentimento que forças em querer negar, se é viveres numa actuação de um qualquer papel principal, em que o que foi, apresenta-se ao mundo como uma mera paixão de verão fora de tempo, então faz a representação de uma vida.
Faz-me acreditar que a profunda sensação das palavras e actos, entregues em momentos singulares e únicos, foram o culminar de uma grande ilusão. Que da tua boca não ouvi a sinceridade das palavras que os teus olhos diziam-me à tanto tempo e ainda hoje quando cruzam com os meus, respiram o mesmo querer. Demonstra-me com uma franqueza impossível de ser posta em causa, que não ficas nervosa só por me ver. Que quando aproximo o meu corpo do teu, não tremes e o chão parece que te foge. Que quando olho no profundo dos teu olhos, esqueces o mundo e por maior que seja a multidão ao redor, parece que encontramos-nos numa sala vazia, a comunicar sem nunca necessitar de dizer uma única palavra. Faz-me apagar da memória as lágrimas que senti como minhas, impotente para impedir-las de jorrar, quando disse adeus e o mundo para ti parecia que tinha terminado ali. Prova-me que a saudade e a sensação de perda, não foram reais, quando da possibilidade de vivermos ainda mais longe.
Peço-te do fundo do coração, demonstra-me que estou errado. Talvez assim possa seguir no meu caminho, com a sensação de um erro de julgamento absoluto. Caso contrário, não forces um apartar que será cruel e não é necessário a nenhum dos dois. Como dizia Pessoa: - No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel. Eu vou continuar a representar o meu.

Gosto da chuva, sempre gostei. Gosto de sentir a força da natureza, a relembrar que mais não somos do que meros peões. Hoje chovia a potes, ainda chove e das sensações que mais prazer me dá, é parar no meio da rua e sentir cada gota de água a escorrer na cara. Fico com a sensação que Deus lava-me a alma, com se esta estivesse encardida a necessitar urgentemente de um novo visual.
Hoje à tarde, foi o que fiz. Parei em plena rua, acendi um cigarro e fiquei estático no meio da rua a desfrutar dessa lavagem. A chuva é mística, encerra em si o crescimento do ser, tal como uma planta que brota da terra, assim renasci eu para o mundo. Sinto que tenho um novo visual, sinto-me revigorado e cheio de energia. Bem que ando a necessitar desse vigor pois o presente é simpático, o futuro risonho e o passado mais do que palavras.
Falta-me tempo para o tempo que preciso e vou vendo mais do que desejo, sabendo mais do que quero e compreendendo que a euforia não é mais do que uma fuga à realidade. Ainda não cai em mim mas enquanto isso não acontece, vou deixando Deus lavar-me a alma, para que a concretização do futuro seja completa. Let it rain.

Sentia o cheiro do alcatrão ardente entranhado nos pés descalços. Tornava-se difícil caminhar, o sol abrasador destilava toda a água do corpo. O ar pesado dificultava a respiração, como se todo o oxigénio tivesse evaporado por magia. Caiu de joelhos, prostrado sem forças, olhando um horizonte infinito. Fechou os olhos e deixou-se estar à espera de um final anunciado.
Leve, leve como um punhado de brisa, apareceu uma oferenda da vida, do ser, do momento. Do vazio apareceu um anjo invisível pairando sobre o seu corpo, restituindo as energias que o tempo e as pessoas sugaram no caminho. Molhou os seus lábios com um néctar doce, suculento, recheado de esperança e convicções. Revitalizou-lhe a alma, a vontade e de repente o seu corpo ergueu-se do solo, em busca de uma lufada de ar, como se de um recém-nascido se tratasse. Olhou ao redor, começou a sentir crescer dentro de si um sentimento. Ao princípio estranhou mas com o passar dos ponteiros, recordou-se daquela sensação há muito perdida. Era o sangue, sangue que lhe corria nas veias, pulsando freneticamente.
Relançou o olhar consciente para o horizonte, das cinzas renascendo o querer de uma fénix, as prioridades foram traçadas mas sem nunca descurar as lições do passado, onde uma entrega total pode ser o primeiro passo para o abismo. É bom sentir que é por aqui, é agradável saber que existe algo do outro lado da porta, a certeza de que há algo à espera. Vamos recomeçar a caminhada

Na minha vida, não vale a pena perder tempo a planear nada, tudo se transforma num ápice, tudo muda ao nascer de um novo dia. Por esta altura do ano passado, toda a minha vida desenrolava-se numa direcção, parecia que em todas as vertentes tinha encontrado uma certa estabilidade, que os projectos e metas propostos iriam realizar-se a breve trecho. Alguns capítulos assemelhavam-se a uma realidade quase completa, outros nem tanto mas para lá caminhavam.
Um ano se passou e pelo meio tudo se transformou. Nem os argumentistas da minha série preferida (Prison Break), seriam capazes de criar uma transformação no enredo desta magnitude. Ao entrar nos 34 fiquei convicto. Fiquei convicto que verdades absolutas não existem, sejam elas do foro profissional ou emocional. O que hoje é verdade, amanhã poderá ser a maior das falsidades.
Tão baças e longínquas vão as noites no Arriba, os cafés em Telheiras, 8 horas de camioneta ou a viagem diária para o Marquês. A constante absoluta de um vai e vem a São José, a convicção ardente de que com o tempo seria a relação perfeita, que os verdadeiros amigos eram os que estavam próximos ou que estava estabilizado profissionalmente. Fez um ano que jantava no Matos e tanta coisa mudou desde então. Já não oiço o mar faz tempo, Telheiras é local por onde já não passeio, São José mudou-se para um centro de saúde ao qual faço visitas extemporâneas. O Marquês deixou de ser um lugar rotineiro para ser um local de passagem e os amigos? Alguns ainda cá estão, sempre cá estiveram. Talvez a maior prova da sua fidelidade, outros já são só memórias vagas. Os sentimentos que pareciam ser imortais, hoje não existem, tornaram-se em compaixão e redireccionaram-se para outro destino mais recente que talvez menos cabimento tenha para existir.
No espaço temporal de um ano, tive de tudo. Perdi uma pessoa que era uma das minhas bases, tive desgostos amorosos, traições profissionais e de supostos amigos, muita hipocrisia, chorei, senti-me sozinho, senti-me por momentos perdido mas também encontrei amigos, reencontrei outros, tive momentos de folia, outros de ternura que guardarei para sempre, cumplicidades e sucessos profissionais.
Ao finalizar o ano, parei para reflectir e fiz umas quantas promessas. Acima de tudo queria provar que sou capaz, que ainda sou válido. Terminei o ano com uma vontade férrea, com objectivos concretos mas tal como recordo a minha vida à um ano, assim posso olhar para Dezembro. Tudo muda, tudo se transforma num ápice. Parece incrível a reviravolta. Como diz uma grande amiga: - Contigo a aventura é sempre uma garantia! Vou começar um novo ciclo, quando todas as baterias apontavam para outras direcções e destinos. Outros desafios batem à porta, outras pessoas, outros momentos e lugares esperam por mim. Afinal tenho de dar a mão à palmatória. Tinhas razão amiga Maya, tenho que passar a acreditar nos números, é mesmo um ano de realizações.

Já não há mais registos do passado, só memórias e essas, com o passar do tempo, vão-se tornar vagas ou como tão bem mencionou uma amiga há uns tempos, sugestivas. A memória sugere aquilo que queremos recordar, não guarda mágoa ou momentos menos felizes. Será dessa maneira que o passado será recordado. Difuso, longínquo e feito de bons momentos.
Hoje compreendi a ilusão que sempre foi a presença de um papel amarelo na carteira. Não significa esperança, não significa uma verdade. Significa que enganou-se no destinatário e veio fora de validade. Todas as demonstrações de um sentir inocente e puro, foram apagadas sem apelo nem agravo. Essas, a serem importantes, seriam mantidas com carinho e respeito pelo que se viveu mas ao invés morreram queimadas, como morrem girassóis a olhar para um sol abrasador e impiedoso. De igual forma tomei a liberdade de anúnciar a morte do papel amarelo e todas as outras recordações que ainda mantinha. Não teria nexo manter vivo o que nunca foi real e talvez o último passo do passado, seja o rasgar de um retrato que concerteza já não mora na sala, que qualifico como o seio de uma felicidade utópica.
É bom descobrir assim, cru e muito frio como os dias que hoje vivemos. Morre a esperança na praia, clarifica-se muito bem posições, aceita-se que ilusões não enchem um coração. Está na hora de seguir caminho e passarei a fazer o percurso de todos os dias, sem voltar a olhar para a mesma paragem, sem ansiar vislumbrar o vulto do passado. Amanhã, não irei sentar à janela, fecharei os olhos a ouvir a música do presente. Talvez desta forma a cicatriz feche para sempre. Quem sabe, talvez até deixe de ser um cicatriz e dilua-se com o tempo.
Vou fechar os olhos com a sensação que não sei dar mais, que sempre fui verdadeiro e leal. Ofereci tudo, fui o melhor amigo, companheiro e amante mas as vozes de fundo dos velhos do Restelo estiveram sempre a fazer ressonância e serão sempre defendidas como a entrega total nunca foi. O passado estava certo quando lembrava que magoamos quem mais gosta de nós e aí também eu tenho culpa no cartório, porque magoei deliberadamente o passado, quando este fez-me sofrer. Não soube ser maior, não soube ser benevolente, ataquei como forma de defesa e por isso peço perdão. Ninguém é perfeito, eu muito longe encontro-me disso mas talvez um dia o passado consiga perdoar os meus erros, assim como eu já relevei a dor que senti.
Desejo o melhor para o passado. Que consiga em dobro realizar o que acalento para mim mas acima de tudo, desejo que tenha mesmo a tal força aclamada aos quatro ventos para seguir em frente, da mesma forma como eu hoje encontrei ainda mais perseverança para atingir as minhas promessas ao vislumbrar que a minha existência, o meu sentir já se transformaram em cinzas. A primeira promessa está cumprida, a segunda e a terceira à porta batem. Outras promessas serão realizadas, outras palavras ditas mas para outro tempo e espaço, como diz o provérbio chinês: Há três coisas que jamais voltam. A flecha lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida.
Não há rancor, não há mágoa, já não há nada, apenas a aceitação da verdade incondicional. Esperança nunca teve razão de existir, palavras de momentos não devem ser tomadas como verdades absolutas, os sonhos foram ilusões da minha responsabilidade e o presente que chama por mim, merece que lhe dê uma hipótese.




Again and again I'm starting up. I'm going on my own but this time without a mask, this time I'm going to find alone a way to deal with all the sorrow I've inside.
Life can't be only this and I'm tired of playing a roll just to defend my heart. I'm accepting my pain, dealing with it, asking myself for forgiveness and forgiving everyone else.
New Year's Resolution: - Life can be a be bitch, realise that and move on.

Nesta que é considerada por muitos, a noite em que por breves momentos esquecemos as nossas diferenças, os erros e as mágoas, chorei. Choro não porque esteja feliz, pois quem me conhece sabe que este deixou há muito, muito tempo de ser um dia especial para mim. Choro de alívio. Já lá voltamos. Quero antes de mais clarificar, o porque de esta ser uma noite sem significado para mim.
Há 15 anos, passei o meu primeiro Natal, num hospital. Fui operado a 23 de Dezembro de 1993, a consoada foi pela primeira vez passada longe de quem eu amava. Os meus pais, os meus avós, os meus tios e primos. Tive direito a um beijo da minha mãe na véspera de Natal, eram 15h00. Foi sem dúvida a última verdadeira prenda que recebi. Nessa noite, sinónimo de paz, amor e tolerância, onde a distância dos meus e a noção que também era o culpado por eles não estarem a celebrar, assisti em directo à primeira morte da minha vida. Lembro de fechar os olhos, de pensar que não era justo, que se era para ser assim, mais valia ter sido eu. Foi a única vez na minha existência que o pensamento da morte, entrou na minha cabeça. Mas tal como a vida demonstra-me a cada passo, amanhã é um novo dia. Assim tem sido passados 15 anos. Continuo por cá sem remorsos, à espera de um novo dia, sempre com esperança nas pessoas, nas suas atitudes e num futuro risonho.
Nos cinco anos seguintes, a consoada foi também passada em hospitais. Era a altura ideal para ser operado, devido às férias escolares. Perdia menos tempo de aulas, perdia também, aos poucos, a réstia dessa sensação que assola todos que vivem esta noite. Nestes 15 anos, tive o desprazer de ter de sobreviver à noite de Natal por quatro vezes.
A primeira, fez com que estivesse de serviço, a amaldiçoar o meu triste consentimento em ser o chefe para a família. Supostamente seriamos três. Acabámos por ser nove a jantar e mais seis para a sobremesa. À meia-noite, já eu queria deitar-me. Às 2 da manhã, já no limite das forças, recordo-me de dizer ao meu primo: - Quando vais-te embora? Já é tarde, já todos se foram embora! e receber a resposta:- Quando o teu pai acabar de servir-me. Infelizmente a garrafa, só acabou às 6 da manhã! Para vingança, bebia vat69 a pensar que era whisky xpto, da casa do tio Luís!
A segunda foi marcada, pela esperança. Estávamos em 1999 e tive de ir ao fundo do baú buscar as forças todas e colocar o maior sorriso do mundo. Nesse ano, acreditei que o meu sentimento natalício voltaria a reacender-se. Andava animado, era o primeiro ano em que seria literalmente considerado a segunda geração mas foi-me roubado no último instante esse prazer. Jantei e passei a meia-noite sozinho e para mal dos meus pecados ainda tive de colocar a máscara, quando mais tarde visitei a casa da minha mãe, para o acto final. Sim também eu, já tive de representar o papel da família feliz.
Passados alguns anos, voltei a ter de estar presente numa noite de Natal. Estávamos em 2004 e como vivia em casa de uma ex-companheira, tive forçosamente de desfrutar do momento. Foi estranho, pois mais pareceu uma festa de copos. Um grupo de pessoas estranhas, jantarada, tocar guitarradas e dançar. Sensação no mínimo estranha, para não dizer atípica de costumes com a data em si. A última vez, passou-se no ano seguinte, quando tive que à última da hora comparecer forçosamente em casa da namorada do meu pai. Três pessoas, sem já nada em comum e com a nítida sensação, que todo aquele momento era forçado. Para isto mais vale estar sozinho.
Conclusão. Enfim, entendo que haja sempre pessoas novas, que vou conhecendo pelo caminho, que fiquem chocadas com este meu completo desinteresse com o Natal. Aqueles que lidam comigo há anos, já sabem que nem vale a pena tocar no assunto. Trocamos mensagens, telefonemas mas nem referem o lugar onde vou estar nessa noite. Já conhecem as minhas ideias e a minha postura. Mais vale sozinho do que mal acompanhado, sem espírito para a coisa e a aturar pessoas que não me apetece ver. Este ano, por incrível que pareça, até para espanto próprio, senti um leve reavivar do espírito, mesmo tendo perdido à uma questão de dias um dos meus ídolos, fui às compras! Sim, eu que abomino centros comerciais, por lá passeie de sorriso na cara, mas logo passou-me o vírus.
Hoje já sentia-me restituído, igual a mim mesmo. Levantei-me de ressaca (maldito escuta e a sangria da laranja!), fui tomar o meu pequeno-almoço, ler o jornal calmamente e cruzar-me com a minha mãe ao fim da tarde, como sempre, após uma curiosa pergunta. Dois beijos, uma troca de carinho e um até amanhã, com algum sentido. Estive pela net, a enviar as felicitações a todos, a ver episódios da minha série favorita, a jogar o meu jogo online (aconselho a todos :D) e por fim, quando o sentimento de culpa, já fazia-se pesar e estava tentado a dar-me como culpado, chegou a prenda de natal. Um alívio, que demonstrou-me que afinal não fui intolerante, que não estava errado, não fui radial e que o meu intuito continua apurado como sempre. Chorei mas chorei de alívio, porque já não me sinto culpado. Obrigado ao portador da boa-nova, foi um alívio e uma verdadeira prenda de Natal. Afinal não havia razão para não dormir. A consciência estava tranquila, só eu que ainda não tinha a certeza absoluta.
Aos verdadeiros amigos desejo, felicidades, harmonia e muita saúde. Para mim, desejo que 2009 seja mesmo o meu ano, como previu a minha querida "Maya de Segunda" (N.º 9, cá está! 9, 2009, certo?) e que amanhã continue a ser sempre longe demais. Se assim quiser será o ano da PDL!


Numa era onde impera o egoismo, onde a brutalidade do realismo apresenta-se em cada esquina e em que cada um vive no seu casulo muito seu, muito fechado, há momentos que fazem-nos acreditar na possibilidade de algo melhor, de um mundo mais justo e mais solidario. Esse momento chegou-me através de um filho de um amigo meu. Ele fazia seis anos e como era-me impossivel estar com o miudo no dia do seu aniversário, fui tomar café a casa desse amigo na noite anterior, de maneira a poder oferercer a prenda de anos.
O antes, o durante e o após da entrega da prenda, fizeram passar por mim aquela brisa da juventude, que por vezes faz retornar o que fui  num reavivar da sua presença. No arrepio da sua passagem, recorda-me que já fui feliz, que também eu um dia tive aquele brilho ingénuo no olhar, onde o sorriso rasgado era genuino. Foi assim que ganhei o dia. Voltei atrás no tempo...
Estou em casa do meu avô, rodeado pelos meus pais, tios, primos e os avós. Excitado pela aproximação da meia-noite, contando os minutos. Os brinquedos com que sonhei estão a chegar porque eu portei-me bem o ano inteiro e o Pai Natal bem o sabe! Dizia para os meus pais que era injusto, eu não poder ficar com eles a ver a chegada do Pai Natal. Porque teria que estar com o meu irmão e os meus primos fechado no quarto, se eu era o mais velho? Será que o Pai Natal, não percebia que os adultos estavam a fingir? Eu também sei fingir! Pai Natal, eles não estão a dormir!
Os adultos entravam no quarto, chamando por nós e a correria para a árvore de Natal era enorme. A excitação deambulava na cara de cada um de nós. Rodeávamos a árvore tentado adivinhar através do formato dos embrulhos, o que cada um deles continha. Seria aquele carro tele-comandado? Ou talvez o jogo de construção? Sentavamos impacientes, para que a minha mãe começasse a distribuição das prendas. Cada um de nós aguardava pela sua vez de receber a prenda, com o mesmo brilho nos olhos que revi no outro dia na cara do filho do meu amigo. Soube-me bem recordar, soube-me bem sentir-me humano, voltei ao presente e plantei os pés no chão ao sentir-me útil a alguém, à felicidade de uma criança. Foi um momento agradável, que ao chegar a casa reavivou outras recordações, outras emoções. Acima de tudo, levou-me à saudade.
Tenho perdido tantos momentos cruciais da tua vida, Tento todos os dias fugir às culpas, consciencializando-me que está para breve, será em breve, o dia em que seremos mais unidos do nunca. Mas bateu-me a saudade ao recordar como nós brincámos os dois no dia em que te dei a bateria. Recordas-te dela? O sorriso que vi no outro dia na cara do outro menino, tinha as mesmas marcas do teu. Por qualquer motivo inexplicável, rias sem conseguir parar, sempre que começavas a fazer vibras as baquetes. Adoravas o som que emanava daquela bateria. Passámos horas e horas nos batuques, até tu caires nos meus braços, com o peso do cansaço e do sono. O sorriso que levavas quando adormeceste, foi o mesmo que revi na outra noite, quando um menino ensonado me deu um beijo de boa noite e disse: – Obrigado Tio Nuno!

...Well, I'm a man of many wishes,
I hope my premonition misses,
but what I really feel, my eyes won't let me hide,
cause they always start to cry.
cause this time could mean goodbye...

I've had the perception of goodbye before we say hello. Today more than ever I'm one more friend and with hope you will be the past...

P.S.:...

Olá,

Desculpa a frontalidade mas sem querer perder a razão não estarás errado? Sei que emano um ser egoísta, repleto de razões fundamentalistas banais, orgulhos descabidos e de um brio que não leva interesse a ninguém mas mesmo assim pensei que estávamos pagos. Pelos vistos não estás do meu lado, abandonaste-me há muito, muito tempo e fazes questão de empurrar-me para um inferno, que de vénias se enche ao ver-me entrar. Será que fui eu ou tu, o primeiro a abandonar-me?
Seja de que maneira for, agradeço-te por tudo. Pelo bom que tão longínquo me parece, que tão longe se encontra perdido numa inocência pura de alguém em quem já não me revejo. De ter tido o prazer de conhecer todas as pessoas maravilhosas, que cruzaram o meu caminho, começando logo por aquelas que tinha dentro de casa. De todas as conversas que absorvi e enriqueceram a minha vida. Desde a sabedoria popular, à cultura visual e histórica. Das lições de sobrevivência que tenho e deste-me em todos os obstáculos que impuseste no meu caminho. Da esperança e sonhos que sempre gostaste de alimentar sarcasticamente, mesmo quando começava a perder a fé. Sem dar conta perdi muito mais do que isso, não foi? Perdi os meus, a semente, as companhias, a companheira, o sol e sempre fizeste questão de clarificar o que tinha perdido. Ainda gostas de demonstrar, de cada vez que os pulmões se enchem e a cada bater do coração. Pois bem, cansei-me do empate no nosso braço de ferro. Dou-me como vencido, ganhaste.
No fundo estou zangado e triste contigo. Pensei que eras muito mais do que eu mas afinal, és tão ou mais casmurro. Será que não entendes que é demais? Que há limites, que não devem ser ultrapassados e que a vontade própria por vezes se deve subjugar à sensatez. Também tu estás errado, porque ser feito à tua semelhança, não é proporcional a dizer que terei a tua capacidade de encaixe. Não sou exemplo, não sou um líder, nem modelo a seguir ou a ser admirado. Sou um pedinte do mundo, que viveu no sonho de realizar o que mendigava. Primeiro pedi realização financeira, depois profissional e emocional, por fim pedi paz com os que amo e a companhia dos que admiro. Todos os pedidos falharam a sua realização e pergunto-me se será só culpa própria ou não terá por aí um dedo teu?
Não te maço mais, não quero importunar a tua existência tão relevante para muitos. Acho que não foste justo comigo mas não guardo ressentimentos, pois vivi o que quis, fiz o que quis e a factura dos meu actos, só eu a poderei pagar, nunca pensei é que fosse tão cara. Desculpa o desabafo e talvez um dia, os desígnios que guardas no futuro, reservem-nos mais um confronto de ideias e debates. Talvez apeteça-me outra vez... quem sabe. Obrigado pela última lição: A verdadeira felicidade alcança-se através daqueles que amamos.

Aquele abraço,

Nuno

Cada um de nós nasce com aptidão para pelo menos uma profissão. Há aqueles que são bons em contas e seguem economia ou gestão. Os que se fascinam com a vida e a curiosidade do corpo humano, perseguem a carreira de médicos. Eu por exemplo, tenho uma percepção fértil de espaço, enquadramento e um traço mais ou menos seguro, por isso segui a área de Design, já que não via garantias num futuro promissor como pintor.
O que vejo é muitas pessoas a seguirem pela via errada, optam por uma profissão que não vai nada a condizer com as suas melhores apetências. E olhem que são uma catrefada delas, que eram perfeitas para executar uma profissão muito digna mas pouco valorizada devido ao fraco status, ordenado pouco expressivo e associação a outras vertentes, que nada têm a haver com a profissão em causa. Se esse posto trouxesse status, riqueza e pouco trabalho árduo, embora esta última exigência até seja razoável de ser alcançada, acredito que muitas dessas pessoas, estavam à porta do instituto do emprego e formação, a rogar a todos os santinhos e a meter cunhas, para darem-lhes o bem dito cargo.
Ok, há algumas tarefas menos agradáveis. Mas também qual é a profissão que não tem as suas pequenas chatices? E digo-vos que existem gajas, que se fosse necessário fazer um exame para provar que nasceram para a dita profissão, passavam com mérito e distinção. Não pelo trabalho em si, pois esse infelizmente a maioria de nós tem de aprender a fazer. Só mesmo os filhos dos excêntricos do euromilhões, do Balsemão, do Belmiro ou do Amorim, devem safar-se à maldita aprendizagem. Quem é que não sabe levar o lixo à rua, encerar pisos, lavar o chão ou vidros? A maioria de nós sabe!
O bom da profissão, é que não exige que despenda-se muito tempo do dia para fazer-lo aceitavelmente e acaba por abrir portas ou bocas, dependendo do tamanho, para se intrometer na vida alheia, mesmo quando não há no que se meterem ou dizer. A imaginação conjugada com a falta de carácter adjacente, é uma ferramenta muito útil, para estar entre a elite desta profissão . Qual de nós nunca soube notícias dos vizinhos através da porteira? - Veja lá o Miguel, filho do senhor Silva, do segundo direito, chegou a casa com os copos e vomitou-me a escada toda, porque não dava com o botão do elevador! Só pode andar nas drogas! Ou a senhora Isabel que tem a mania que é mais que os outros, pois passa por aqui e mal olha ao dizer um bom-dia, quase que aposto que o marido deve ter uma amante! E que dizer da fulaninha que alugou o quinto esquerdo e é um corrupio de homens a entrarem! Deve ser fresca, deve! Sinceramente, qual de vós nunca ouviu ou presenciou tais situações relatadas pela sempre ávida portadora das notícias frescas?
Se o Sócrates quer mesmo tirar este país do abismo onde se encontra, não deveria injectar dinheiro na banca, que esses mal sabem o que andam por lá a fazer mas sim a promover a profissão de porteira. Podíamos até exportar-las tal a qualidade e quantidade. A Venezuela não exporta petróleo, a Coreia microchips? Porque não exportar porteiras?
Se por algum acaso alheio o nosso primeiro-ministro, dignar-se a ler estas linhas deixo-lhe aqui, à consideração, as últimas palavras: - Ó Zé! investe é na porra da exportação de porteiras, que as gajas sejam da capital ou dos saloios, não largam a minha porta! Irra!!!

Anjo da guarda envolve-me nas tuas asas, abriga-me deste mundo. Vamos levantar voo, leva-me para o outro lado da lua porque hoje já nem as estrelas querem brilhar. As nuvens encobrem o seu brilho, tal como as palavras que uso não chegam ao seu destino. Anjo da guarda, sábio do tempo, abriga-me no teu manto acolhedor de penas, necessito tanto de descansar um momento. Vou fechar os olhos por breves segundos, talvez quando voltar a abrir-los, esteja novamente revitalizado e encontre o luar a banhar a estrada e talvez... talvez as palavras já façam sentido na outra margem.
Anjo da guarda, anjo ponderado, faz-me compreender porque é que o som do meu coração não ecoou audível. Estarei a declamar correctamente ou as barreiras deturpam a melodia? Não sei ser diferente e não sei se conseguirei fazer-me entender um dia, quero manter essa esperança mas parece que o que falo só é perceptível momentaneamente. Anjo da guarda, ilumina o caminho a estas palavras que merecem chegar ao seu destino. Mostra que a pureza do seu timbre é genuína. Por enquanto, deixa-me repousar no teu colo, a beber da tua sabedoria para encontrar o tom correcto.
Mas acima de tudo anjo da guarda, depois do meu descanso, peço-te desculpa mas até ao infinito da minha existência empresta-me as tuas asas, para com elas oferecer abrigo a quem mais quero bem e necessita de sentir-se segura.

Hoje soube que o último dos Moicanos está de partida. Como há catorze anos, também me foi comunicado que a tua cara-metade estava de partida. Até à data do meu nascimento sei poucas coisas da tua vida, hoje tenho a percepção que é muito pouco, que sabe-me a pouco, queria saber mais sobre ti e já não vou a tempo.
Todas as histórias que sei, enchem de orgulho e fazem voar o imaginário, daquele que te admira desde menino. Sei que tenho sido um desapontamento, que merecias que tivesse sido muito mais para ti, quando durante muitos anos foste muito mais do que o meu padrinho, foste o meu pai. Desculpa ser quem sou, se de alguma forma isto servir para atenuar a tristeza e a desilusão que te posso ter causado.
Viveste histórias maravilhosas, talvez algumas já vieram deturpadas com o tempo quando chegaram ao meu conhecimento, mas não deixam de ser míticas. Nasceste numa família burguesa da Beira-Centro, vivias numa quinta ancestral muito bonita, onde a porta da casa ainda guardava a marca da espada dos Visigodos, como eu me lembro tão bem de lá ir em miúdo contigo e com a Querida. Adorava as nossas viagens, essa em particular ficou-me na memória, onde tive o prazer de conhecer o lugar onde cresceste, vi o olival de onde trazias aquele azeite caseiro que ainda hoje trago no paladar sempre que molho o pão no azeite. De deliciar-me a ver o castelo que o teu pai construiu para ti quando eras miúdo, hoje um restaurante conhecido nas redondezas. Lembro-me de ter pensado que devias ser um rei, só por teres um castelo. Mal sabia eu que eras um rei mas por motivos bem mais nobres.
Foste estudar em Coimbra para seres médico e orgulho-me tanto de poder partilhar contigo essa sensação que é muito peculiar e só pertence a quem lá estudou. Formaste-te em pediatria mas para ti ainda não era suficiente o pequeno salto de Nelas para Coimbra e partiste à aventura para Londres à procura de conquistar o mundo. Assim o fizeste, porque só mesmo tu poderias conseguir tal feito. De Inglaterra guardo a história de quererem que saísses da carruagem devido à tua tez escura e confundirem-te com um indiano. As aventuras ainda não te preenchiam e foste atrás do teu sonho. Acabaste no Congo Belga num lugar onde nunca tinham visto um branco, onde a civilização moderna estava a uns distantes, quinze mil quilómetros. Lembro-me de contares, já trôpego pelo álcool num dos meus aniversários, que tinhas casado com uma indígena nos rituais da tribo mas que quando acabou a tua campanha vieste sozinho. Voltaste para Portugal, talvez porque sabias que ainda não tinhas encontrado o que tanto procuravas.
Não sei exactamente como encontraste, como se conheceram mas sei que esperaste trinta anos para casar com o teu sonho e só por isso mereces o meu respeito e admiração. Tu que palmilhaste o mundo, que conheces todos os seus recantos, abdicaste de tudo, abdicaste de todas as aventuras que a vida ainda tinha para te oferecer, porque acreditavas no amor.
Em Lisboa, assentaste arraiais, sobre uma vista magnifica sobre o Tejo, que tantas vezes me deliciou a tomar o pequeno almoço, que a nossa Querida, nos oferecia. Tão bom é recordar o carinho que vocês me ofereceram, tão bom é recordar os nossos fins-de-semana em que tu ias dormir para o sofá, para eu dormir na cama com a nossa Querida. Em que tu, apegado ao dinheiro, como sempre foste, percorrias quinhentas tasquinhas antes de te decidires em qual almoçávamos, mas sempre, sempre. Uma dose para mim, outra a dividir entre ti e a Querida.
Tu não és só o meu padrinho, és o meu avô, o meu pai. Amo-te muito muito e só agradeço ter esta possibilidade de poder despedir-me antes do teu último adeus. Obrigado por tudo Padrinho. Vai-se o último dos Moicanos mas no fundo acredito que vais voltar a reencontrar o amor da tua vida, que perdemos à quatorze anos e tanta falta nos tem feito. Quando lá chegares, dá-lhe um beijo meu e diz-lhe que sinto muitas saudades dos nossos fins-de-semana.

Era uma vez um menino que sonhava com o mais puros dos sonhos. Era imensamente feliz, sem nunca notar que essa constante da sua vida, poderia um dia ter término. A sua pureza era imensa, levou-o a acreditar até ao início da sua adolescência, que as visitas do Pai Natal à sua casa eram reais, que as pessoas eram todas boas e a maldade só existia nos vilões da banda desenhada.
Era um menino simples, que vivia das coisas simples. Adorava os passeios de fim-de-semana com os seus pais, sempre com paragem para um bom almoço ou jantar. Adorava passar horas a jogar à bola ou às escondidas com os amiguinhos. Não tinha qualquer percepção geográfica, de como as suas raízes viviam a quilómetros de distância e não compreendia porque teimavam os outros meninos em dizer-lhe que era um forasteiro, quando as suas mais recônditas memórias o colocavam sempre no mesmo lugar. Adorava estar na escola, onde vivia as suas pequenas aventuras, entretinha-se com contas de somar e nem imaginava o que eram palavrões. Sentia-se deliciado com aqueles convívios de sábado, onde os pais e os amigos cantarolavam músicas acompanhados do violão, a criar peças de teatro ou somente a passar tempo em conversas banais.
O menino passava horas infindáveis a construir os seus legos, casas de madeira e a desmontar engenhocas, com a curiosidade infinita de perceber como funcionavam as coisas e com uma vontade férrea de ver algo criado por si. Adorava desenhar, era algo que lhe dava muito prazer e para o qual tinha muito jeito. Ria com um riso contagiante todas as brincadeiras e jogos, riso daqueles que dá satisfação de ouvir, pela pureza e satisfação emanadas. Era querido por todos e todos auguravam-lhe um futuro brilhante. Talvez, por viver numa terra de ambiente sempre ameno, detestava andar calçado e era uma carga de trabalhos para calçarem-lhe os sapatos que tanta liberdade roubavam. Um dia, como em tudo na vida, a sua rotina teve um final. Mudaram-lhe a vida, os hábitos, deixou os colegas para trás e voltou para a terra dos seus pais, a qual diziam-lhe também ser a sua.
Perdeu rapidamente a inocência e pureza, que o tornavam especial. A sua nova casa era fria, tal como o país. As pessoas falavam com um sotaque diferente, igual ao do seu pai. Embora fosse a terra onde tinha nascido, continuava a ser tratado como um forasteiro. Diziam agora que era pela sua maneira diferente de falar. Passou a conviver com os seus avós diariamente e essa era uma das coisas boas desta mudança. Foi parar ao liceu, com outro género de meninos dos que estava habituado a conviver, aprendeu a lidar com coisas que nunca tinha visto. Palavrões, malícia ou rejeição. Por momentos detestou a mudança mas foi aprendendo a lidar com as cicatrizes que o tempo nos guarda.
Os anos foram passando e o menino tornou-se homem. Os seus sonhos foram ficando pelo caminho sem se realizarem. O homem, já sem a inocência de menino, talvez com alguma maldade e rancor à mistura, devido ao presente não ser o futuro que acreditaram ser o da criança, defende-se do mundo e das pessoas, não possuindo a fé convicta na bondade dos outros, em que acreditava quando era inocente. A vida, foi-lhe apresentando bastantes amarguras e decepções, embora haja ainda vontade e esperança num futuro melhor, a verdade é que o presente não se apresenta bonito, não mostra estabilidade, nem mesmo algo construído para vislumbrar. Só mesmo uma vontade, mescla de coragem e casmurrice, para continuar a tentar ser feliz.
Um dia o homem, quis voltar às suas raízes, às suas lembranças. Assim teve possibilidade de o fazer. Rumou ao lar do menino que fora e por onde quer que passasse, havia sempre algo que vinha-lhe à memória. Recordações de meninice, coisas bonitas que aqueciam-lhe a alma, ao recordar momentos felizes. Surgiu a possibilidade, nessa altura de por lá ficar, de recomeçar a vida onde ela tinha parado. Por vários motivos o homem, teve receio. Teve receio de não encontrar a pureza que perdera, de voltar a sentir-se um forasteiro, de sentir-se acima de tudo sozinho. Foi um erro não ter tomado essa opção, agora o homem tem a percepção que deveria ter dado esse passo. Pouparia-se a mais amarguras que o destino reservou-lhe mas talvez ainda vá a tempo de mudar tudo isso, pois nunca é tarde para tomar a opção correcta. Hoje, sem realmente visualizar grande hipóteses de conquistar os seus sonhos, talvez seja na opção que não tomou à dez anos, que encontre a resposta para o seu futuro. Talvez o homem reencontre o menino, em toda a sua essência, se ao menos for audaz para abandonar a ficção e dar esse passo.

Leva o destino à curiosidade de acasos. Juntos por um breve instante, não se celebrou o que hoje sempre seriam quatro. Não se comentou, talvez pensou-se. Seria irónico ou talvez angustioso demais, ser proferido a casualidade de datas neste reencontro.
Na razoabilidade de convivência aborda-se o fútil e as novas que não remexem com sentimentos. Talvez assim seja saudável, talvez seja num reencontro contínuo desta naturalidade, que encontrarei um amanhã onde já não existirá o sonho que vagueia em brisas quentes.
Terão passado duas semanas ou anos? Perdi-me na noção do tempo que dispara à velocidade de uma bala. Quando vislumbrei a silhueta familiar, retive-me num segundo em sensações tão longínquas, como doces no seu tempo e espaço, antes de retornar ao que hoje é a minha realidade.
Ontem, uma amiga através de um email, ofereceu-me a seguinte comparação entre sexos: - Vocês homens bebem para esquecer e nós comemos chocolate! Achei simplesmente fabuloso.
Hoje, entre máscaras de risos, num convívio momentâneo e a não descansar até descobrir o fundo do copo, certamente pararei um momento encostado a um balcão qualquer, para esquecer o que para mim, hoje sempre seriam quatro.

À sobra de uma flor cresci. E o meu futuro e o teu futuro, já mais viverão no mesmo trilho. As palavras matam uma relação e quando já não controlas certos sons que fogem do pensamento para a boca, sem terem o significado pretendido, percebes que chegou o final. A mágoa toma o lugar da razão e define a morte do caminho.
Talvez um dia irei notar que muita falta vai fazer a mão que já não guiará o caminho, naquela sensação de que o destino é guiado por um divino que não controlas. A flor que murchou ao fim de um dia, tal qual o amor efémero que em ti viveu, teve o mesmo final. Era assim que estava escrito esse malfadado destino, destino que nunca foi meu, nunca foi nosso e tentei modificar.
Em dias cai na ilusão que a tudo podia desafiar, o mundo parecia fácil de conquistar, com a certeza que o tal destino à sombra de uma flor podia ser modificado e nessa mesma sombra que a flor brotava, existia o abrigo onde encontrava sempre a tua intimidade, oferecendo energia para continuar a batalha que afinal foi só minha e nunca nossa. Em tempos de certezas de viver com um sentido de pleno bem estar, deixei por fim fugir o teu nome a esvoaçar no vento, quando compreendi que esta guerra travava sozinho. Os fantasmas do passado, não possibilitaram viver esse amor a dois, que nunca chegou a ser. Os teus e os meus, fortes e pesados. Fardo contínuo, que sempre presente, atrapalhou o sorriso que à sombra de uma flor foi sempre tímido mas genuíno de ambas as partes. Quis a mágoa tomar as rédeas e nunca soube apreciar o pouco que de ti foi oferecido.
Quis tudo, acabei por ter nada. Talvez ainda fresco, ache que iludi-me por acreditar que alguma vez tive algo de ti. Talvez não seja ilusão mas o fado do meu caminho. A dedicação, o carrinho, o sorriso, a vontade de querer que o sentimento fosse algo mais, permanecerão vivos durante bastante tempo, embora sejam abafados neste momento pelos maus sentimentos que agora a mágoa faz reviver na lembrança do momento. Com o tempo, a lágrima do adeus dará lugar às boas sensações vividas, à saudade do que foi vivido e na consequente sensação de perda. Com o tempo que tudo sabe, talvez volte a querer caminhar mas por agora aqui fico, aqui estou e daqui não quero sair.
Estou de luto por algo que afinal foi só meu e acabo por ver-me a estas horas da madrugada a desejar para um dia acordar, sem ter nada para contar, esquecer o teu nome e pensar que nós somos uma história antiga, que se encontra num lugar longínquo e baço o suficiente para não ser relatado, nem revivido com exactidão. Dito pelo maior dos sonhadores, sonhar faz mal, mesmo quando à sombra de uma flor eles são vividos intensamente, numa privacidade que será sempre só minha, só tua, só nossa.



Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa, tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo, tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos de parede.
Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista, tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul, tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.
Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara, tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos, tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.

Adoro este anúncio. Acho que é das melhores coisas feitas em Portugal na minha área. É esse o espírito. Ter orgulho em nós, independentemente do que te chamem. Orgulha-te do que és e de quem és. Pobres daqueles que no seu percurso nunca tiveram de alcançar o sentido de existência. A vida é uma luta constante e parar é morrer. Não interessa quantos socos levas mas quanto consegues caminhar enquanto a vida te bate, pois essa é uma constante da equação.
Assim fui, assim serei, tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto de viver

Os primeiros anos da minha vida, são recordados com o maior carinho possível. Foram vividos na terra onde ordem e progresso estampam o mote da bandeira. Em que o povo cheio de calor humano, embala o tempo com alegria de viver numa terra banhada pelo calor de paisagens maravilhosas. Há desse tempo imagens, cheiros, sons e emoções que ficaram gravados para sempre dentro de mim.
Recordações dos primeiros passos e da manta que ia comigo para todo o lado, tal qual Linus da banda desenhada do Snoopy. Aquela camisola de os belenenses e a primeira bola, prenda do avô distante na pátria onde nasci mas que me era estranho. A teimosia de chuchar no dedo até tarde, sempre, sempre, a ver na televisão o sítio do pica-pau amarelo. O país que parou literalmente para ver Sócrates e Falcão no mundial e criarem em mim a paixão pelo jogo. O violão tocado todos os sábados, em convívio de brasileiros e portugueses, naquele espaço que era muito mais do que um pátio alfacinha. Uma segunda casa.
Ao reviver essa altura da vida, chego à conclusão que os anos que lá vivi, embora já se encontrem longínquos, ajudaram em parte a moldar a pessoa que hoje sou. Sinto que um pedaço de mim trás muito do espírito baiano, onde existe alegria de viver, de não viver para sobreviver e olhar para o que de bom nós dá o tempo. Onde tudo são emoções quentes e se vive para os prazeres da vida. Como diz muito bem a música, pegando nas palavras do rei...

Sei tudo que o amor
É capaz de me dar
Eu sei já sofri
Mas não deixo de amar
Se chorei ou se sorri
O importante
É que emoções eu vivi...

O importante é viver. E é já com carinho que olho para trás, por ter tido a felicidade de viver o amor mais amigo e das lembranças que levarei da vida, tu serás sempre a saudade, que voltarei sempre a recordar, para sentir outra vez a tua presença a meu lado. Obrigado pelo sonho...

Existe um momento, um breve segundo, em que tudo muda, tudo passa a fazer sentido e o que somos deixa de estar presente. A existência é efémera e o ser o humano tende sempre a ignorar esse facto. Num instante estamos cá e no seguinte poderemos não estar.
Pensava já ter tido os meus momentos de fio de navalha, onde fui lutando pela continuação da minha existência. Hoje, continuo por cá mas não foi por ter batalhado para que assim acontecesse. Foi um momento de inspiração, de acaso ou de sorte, ou talvez até de um abraço de anjo da guarda. Como disse-me a minha mãe: - Hoje, não te esqueças de agradecer. Sim, é isso que estou a fazer.
O dia parecia ser igual a tantos outros, fui almoçar e ao retornar a casa, coloco a chave na porta trancada. Rodo a chave e em vez de ligar a luz, como sempre o faço, deixei-me estar na entrada tentando perceber de onde vinha aquele som estranho. Fui-me aproximando da cozinha e o ruído cada vez mais perceptível, envolvido num odor peculiar. Abri a porta da cozinha e de repente percebi. Havia uma fuga de gás!
Fui ao telefone, liguei para a minha mãe, que dizia-me ser impossível, pois não há contador de gás ligado aqui. Eu replicava que o cheiro era intenso, o som da fuga de gás era audível até do outro lado da casa. Desliguei, liguei para os bombeiros que em cinco minutos estavam aqui à porta. Parecia estar a presenciar uma cena de filme. Dois carros dos bombeiros, uma dezena de homens fardados com máscaras de oxigénio, grande ventiladores por todos os lados, um verdadeiro aparato.
Sim, realmente era uma fuga de gás, derivado de um daqueles canalizadores que não percebem nada do assunto, que adoram experimentar e mexer em tudo. Ele está a fazer umas obras na cave e para fechar a conduta da água, mexeu em todas as válvulas, deixando ficar aberta a conduta do gás do prédio. A minha mãe também estava correcta. Não existe contador do gás aqui, mas existe o tubo de ligação e como este não estava bem vedado, todo o gás do prédio foi canalizado para esse tubo.
O Chefe dos bombeiros dizia-me depois de resolvida a situação e serenado os ânimos, que tinha sido uma sorte eu não ter ligado o interruptor da luz. O piquete da companhia do gás, colaborou a ideia. Se assim fosse, o mais certo seria ser capa do jornal de amanhã, como parte do novo papel de parede, isto se ficasse parede para contar a história.
Fiquei nauseado, tonto e com dores de cabeça, pois ainda inalei bastante gás mas antes de me ir deitar, precisava fazer o que a minha mãe me disse ao fim da tarde. Não sei a quem devo-o fazer mas quero agradecer-te por teres zelado por mim. Obrigado.

Feliz daquele que conta com a incondicional presença de alguém. Feliz daquele que aceita, que as dificuldades não são mais do que acumular experiência de vida, maturidade na sua ascensão de existência. As palavras são importantes, mas as acções é que nos incentivam, elevam-nos a outro patamar. A postura, a dedicação, o carinho demonstrados são muito mais relevantes do que as palavras ou músicas dedicadas.

Em tempos menos felizes até posso parecer enorme mas se assim pareço, é porque o que me incentiva vem dessa postura devota, recheada de ternura com que sou contemplado. Na realidade sou pequeno, serei sempre David que encara Golias nos olhos seja em que situação for e essa imensidão de postura não é nada mais do que uma defesa contra os meus cavalos de batalha.

Posso vir a perder batalhas mas o resultado final, fará de certeza que tenhas orgulho em mim. Não desisto, não desistirei enquanto beneficiar da energia que esse olhar que me admira com amor estiver presente. As agruras, traições, egoísmos, nem sempre podem levar de vencida um querer maior e mais puro.

Mesmo desgastado em tempos de luta, não deixo de querer estar presente nas tuas aventuras, nas tuas decepções e sucessos. Porque dois em consonância fazem o mundo girar ou parar. E como eu adoro poder sentir-me útil, parte de ti e da tua vida. Se com uma atenção, gesto ou acção possa contribuir para aliviar, para melhorar algo ou fazer-te feliz assim será sempre que queiras contar comigo.

Sei que quero viver tudo numa noite, num momento. Pareço infeliz ou sozinho mas essa é a maior das mentiras. Tenho-me acima de tudo a mim, é comigo que conto. Sei que é difícil perceber esta maneira de estar, sei que custa avaliar a minha existência mas acredita que sou feliz, muito mais sou desde que a tua presença é uma constante. Sempre fui da noite mas contigo aprendo a admirar o sol que tanto amas e que hoje brilha intensamente para mim.

P.S.: ...

Cada vez mais me consciencializo que a linha do percurso de vida, vive vertiginosamente num sobe e desce em constante aceleramento. Ter consciência de tal facto, não implica directamente uma adaptação rigorosa do mesmo.
A montanha-russa do tempo, trás tudo na sua subida. Calma, confiança, boa disposição, convívio, convicção, sonhos efémeros e planos futuros. Pura ilusão óptica de quem não quer ver o início da descida. Ao primeiro sintoma de descida, com o aumento da velocidade, já existem ocupantes a saltar fora. Há alguns que ainda se vão manter, acreditando que a descida termina depressa e de volta estará a escalada mas até estes vão de certeza abandonar o carro, pois a velocidade aumenta vertiginosamente, a adrenalina e o medo sobem em pulsações fortes e por fim o condutor vai encontrar-se sozinho agarrando firmemente o leme, fazendo finca pé a um abismo que se aproxima numa rapidez estonteante.
Se mais uma vez conseguir ultrapassar o abismo, virá de novo a lentidão segura da subida. Com ela nova acalmia, confiança, boa disposição, novos planos e ocupantes. Até a nova subida, segura firme o leme vivendo da ilusão, tentando convencer-se que, mais uma vez, vai conseguir passar o abismo. Será?

Trago em mim, na boca e alma, o sabor dos teus lábios. Trago em mim o teu sabor que me vicia. Fecho os olhos e sinto o abraço que me aconchega, o aroma que me embriaga ou o o sorriso que me aquece. Cerro ainda mais os olhos e deixo-me levar pelo fervor que me toma o sangue, o sussurro de desejo ou a respiração quente que encosta ao meu pescoço.
Abro os olhos e vislumbro o brilho de um azul água, recordo com um sorriso estampado um entrelaçar de mãos, um aperto terno, um riso, sorriso, uma troca de olhares, um carinho de ternura e a frase que me enche a alma. Sim tens toda a razão. Não a deves dizer quando eu quero mas quando sentes que o deves fazer.
Há ainda muitos risos que quero proporcionar, borboletas a esvoaçar que vou adorar libertar, pecados por acometer que anseio prevaricar mas é no beijo de despedida que mais sinto a nossa união. Um beijo que prolongamos numa eternidade muito própria de quem sabe que viverá sozinho algumas horas até poder voltar a repetir-lo. É quase no final desse beijo, ao abrir os olhos, que vislumbro nos teus a dificuldade em deixar ir e a tristeza que nos avassala por sentir a separação momentânea.
É esse beijo e o que ele representa, que me envolve de certezas. A certeza que não é transitório ou passageiro, a certeza que tenho a outra metade de mim e não penso em mais ninguém. Uma certeza onde os olhares só existem para ambos. A certeza de que tenho medo de adormecer, porque acordado vivo um sonho de cumplicidade tão gostoso. A certeza de queremos uma história que ainda não vivemos mas a qual desejamos numa ternura convicta. Só não tenho a certeza do que guarda o futuro mas com a certeza convicta que me dás muita força, muita vontade de viver o que ainda não vivi. Será que já confias no que me fazes sentir? Se ao menos um minuto pudesses viver em mim, pois não há um minuto que possa estar sem ti... Sinto-me um miúdo em noite de natal, sinto-me maior que o mundo. Sou um conquistador, sou imbatível, sou maior que o mundo e a ti devo esta força. P.s.: ...

At high speed, without steering or breaks.... the video lost the destination



Something else have been lost but maybe now, everything makes sense. Maybe now, everything means nothing or maybe a day will came that we don't want nothing at all... Maybe

Gostava de trocar de pele. Por vezes queria ser quem não sou, de assumir compromissos, condutas, de não me dar, não sentir tudo de uma vez, no fim há alturas em que gostava de ser um tipo diferente de quem sou. Consigo ter uma racionalidade de comportamento que até a mim, por vezes, impressiona. É sim ou não, não existe talvez. Não perco tempo, não me posso dar a esse luxo. É tão precioso o bónus que me foi oferecido por forças maiores que olho para a vida com uma enorme capacidade de encaixe às contrariedades. Quer, quer. Não quer, não quer. Adapto-me às disponibilidades e vontades.
Fazem de mim melhor pessoa do que na realidade sou, não há ninguém que me conheça melhor do eu e bem sei que sou capaz de deitar fora, de esquecer, de virar costas, quando assim acho que é necessário para preservar-me. Sei que tenho bom fundo, considero-me uma pessoa com valores e de bom trato. Dou a camisola, movo montanhas por quem gosto, estou sempre lá quando é necessário mas não sou boa pessoa porque sei que dou o melhor mas também tiro o tapete, quando me sinto magoado. Não gosto de limbos, não sei conviver com incertezas, ses e afins. A vida já me foi dura para insistir em dúvidas, por isso parto com facilidade para novos mundos, ideias, ambientes. Sou nómada de sentimentos e afectos, porque acima de tudo aprendi a amar e proteger quem sou.
Esta postura vem desde miúdo, embora tenha sido inflacionada com os tropeções da vida. Adorava o meu avô. Foi um pessoa com quem pouco convivi mas que recordo com muita ternura. Lembro-me que em pequeno, todas as manhãs antes de sair de casa, dava a mim e ao meu irmão, um tema para estudarmos e no final do dia, ao jantar, lançava-nos perguntas sobre esse mesmo tema que tínhamos de responder acertadamente, para receber um simples caramelo como prémio. Eram noites que guardo com muito carinho, é uma pessoa que guardo com muito carinho. No dia que faleceu, a minha mãe informou-me a mim e ao meu irmão, da sua morte e lembro-me perfeitamente que não fiz caso, joguei para trás das costas e continuei a brincar como se nada se passasse. É esta a minha maneira de estar. Não me dou ao luxo de magoarem-me, por isso esqueço o que me dói ou simplesmente abstraio-me.
Sim, muita vez acabo por chorar, choro muito a dor que me causam em cinco minutos, deito tudo cá para fora, depois ergo a cabeça e sigo caminho. Por isso, há alturas em que gostava de trocar de pele e não seguir este impulso de continuar, ser melhor pessoa e ficar mas esse não sou eu. Sou nómada, um nómada não sofre, não se prende a nada. Aproveita o que de bom há enquanto existe e depois segue o seu caminho.

Construo-me em ciclos da vida, tentando não cometer os mesmos pecados. Sou Peter Pan, o menino que se recusa a crescer. Vivo do riso, sou o contágio da alegria e continuo a não pensar no risco que é percorrer caminhos ainda não desbravados, sempre em busca da adrenalina que uma aventura proporciona. Não me acanho, por que os tombos fazem parte da vida e são eles que dão sentido às palavras experiência e maturidade.
Não preciso pensar se estarei certo, se estarei errado. Por muito que escreva, só fazendo é que tudo fará sentido. Não vivo de dúvidas, vivo de certezas, vivo de mim, sigo por mim. Como uma música que redescobri à pouco, estou na lanterna dos afogados e já não me importa as marcas do passado, elas estão cá como linhas de um enredo que contam uma história. A minha história.
Hoje fugi de mim, fugi do mundo e fui passear sozinho. Fui ver o rio, rio que banha a cidade, que banha os meus sonhos e me impulsiona a reflectir no que já se percorreu. Sou um felizardo. É essa a minha conclusão. Tenho vivido a duzentos à hora nessa estrada, vi de tudo, fiz de tudo e continuo a ter a mesma postura. Tudo se resolve, tudo tem a sua razão de ser e o fim de cada capítulo só me impulsiona a querer virar a página. Gosto de mim, sou positivo, sou como o sol que hoje estava no seu expoente anunciando o Verão que se aproxima. Fumava o meu cigarro, bebericando uma cerveja e embalado na ondulação do rio, perdia-me neste balanço de vida.
Peter sorveu os pós mágicos da Sininho e voou para o mundo do imaginário, sentou-se numa nuvem e desta vez ficou a contemplar o mundo cinzento do dia-a-dia que se deparava a seus pés. Que bom é ver que o calor humano ainda existe, saber dar valor ao que realmente é importante. Há sempre uma luz ao fundo do túnel, há sempre uma mão amiga em quem nos podemos apoiar e não me importa os desgostos da vida. Claro que às vezes a vida é dura mas embora não vivamos numa bolha em que as coisas negativas não nos afectam, tento sempre viver no positivo que o mundo nos oferece e é assim que encaro a nossa estadia no mundo.
Como cada um vê meio copo, diz muito da sua postura. Para mim está sempre por encher, anseio sempre por mais. Foi um dia bem passado, melhor virá com a noite e não olhem para mim, olhem para dentro de vocês e achem a vontade de fazer o que vos faz feliz. Sigam o impulso, enquanto Peter vira na segunda a direita seguindo sempre em frente até ao amanhecer, à procura de um novo capítulo.

Foi num virar de esquina que pela primeira vez te vi. Olhei para ti e pensei que o céu pintava-se de azul porque era o espelho dos teus olhos e que o prazer de contemplar as estrelas e o luar era causado pelo brilho do teu sorriso. Foste chegando de mansinho, de maneira arrebatadora conquistaste-me quando ainda não estava refeito de um grande desgosto e eu que só queria era passar tempo a divertir-me, numa tentativa de largar o passado. Trazia desde o início a noção que eras muito mais mulher para mim, do que eu poderia ser homem para ti. De algum modo bizarro vês em mim algo mais do que na realidade sou. Gostava de um dia ver e compreender pelos teus olhos como alguém que roça a perfeição consegue encontrar em mim o seu porto seguro.
Encontrei uma amiga, uma companheira, por vezes possessiva derivado da necessidade de precisar sentir-se segura, pois da vida já trás decepções e traições que cheguem. Hesitante com todos os comportamentos sociais, sempre com o pensamento na protecção daqueles que ama. Que treme quando lhe digo o que sinto ou que chora por achar que não mereço ter as limitações físicas que tenho. Uma mulher cheia de paixão, carinhosa, dedicada, leal e fiel. És muito mais do que pensas, és muito mais para mim do que realmente pensas.
Sim tens um lado mais escuro. Gostas de levar a tua avante mas também sabes quando deves parar e ceder. Tens rompantes que me fazem correr atrás de ti, que me tiram do sério mas não deixo de querer correr. Não me dizes todos os tormentos que envolvem a tua alma mas compreendo que ainda não te sintas completamente segura para os partilhar. Tens medo de perder o que temos, tens medo que isto não seja mais do que uma ilusão de ambos, principalmente minha mas também sei que no fundo, o que queres é muito ter um amanhã comigo.
E os nossos gostos? São incrivelmente parecidos. Gostamos das mesmas coisas, desgostamos das mesmos lugares e coisas. Passamos horas a falar de trivial e de momentos importantes. Da música que tanto amo e que te dou a conhecer, de brincarmos e observarmos o que nos rodeia. Ainda não percebi, se atinges o gozo que me dá não ter de usar palavras para falarmos e saber o que queres. Esse trejeito de boca, sinal de quem não quer aquela opção, o sorriso que diz o quanto estás a adorar um certo momento ou o brilho que os teus olhos trazem quando encontras a minha figura perdida na multidão.
Adoro-te, adoro a flor de lotus, adoro o que temos e não temos, o que não assumimos mas somos, a lealdade e o respeito que nutres por mim. És o girassol, a princesa, a dama. Faço-te rir, fazes-me rir e já não dispenso as mensagens, os telefonemas, os cafés surpresa, os jantares, as noitadas e os serões de filmes. Apetece-me terminar fazendo uma rábula ao filme que tanto nos fez rir no outro dia. P.S.: I don't love you!

Ganhei vontade de transformar o mundo, enquanto o mundo vai transformando-me. Tudo à volta é tão claro, tudo à volta é tão dúbio. Sento-me, acendo um cigarro enquanto os dedos percorrem o teclado autonomamente descrevendo cada sentido, cada momento, dissipando os pensamentos numa postura de equilíbrio equilibrista.
Com o sol a traçar-me o perfil, giro no mundo do girassol onde tudo é tão novo, tudo é simples numa teia de complicações. Não mergulho de cabeça, não cometo esse erro, porque de erros foi feita a estrada e sinuoso foi o seu caminho. Vivo do hoje, para hoje, sem querer sonhar, sem pedir mais. É fácil, sei como me sinto hoje, estou seguro do que quero, bebo de ti, bebes de mim, não paro obcecado a perder tempo com amanhã, se há um amanhã. Gosto do que tenho, gosto do que somos ou não somos, gosto de estar, gosto de sentir, de sentir falta, gosto porque gosto mas não perco o equilíbrio.
Tenho vontade de mais, sede de mais. Sinto o sangue pulsar nas veias, nativo de mim, nativo de ti mas ainda tenho tanto para reconquistar, tanto ainda para fazer, tenho tanto para percorrer e vou fazendo o malabarismo de equilibrar-me no tempo. No meu tempo, no teu tempo, naquele que até poderá vir a ser nosso. Fazes-me bem, faço-te melhor ainda e quando sozinhos ficamos o mundo encontra o equilíbrio fechando-se em nós e é assim que gosto de estar. Gosto do que gostas, estamos bem juntos, ficamos bem juntos, faço-te tremer, tu tiras-me o ar. Sim existe algo, existe mais, mas mais é amanhã e ainda estamos no hoje. No passo certo, com equilíbrio, talvez cheguemos lá ou talvez não mas isso é amanhã.
Vem ver, eu estou a batalhar com o tempo contra os meus problemas, a dançar no palco do mundo e vou vivendo o meu trabalho que tanto gosto, vivendo as relações, sejam amizades ou familiares, não te vou dizer como agir ou que fazer, só sei dizer-te que vivo por demais mas também que não vou desequilibrar porque preciso de traçar em mim a conduta de pensamento no equilíbrio que necessito e que à tão pouco tempo ajudaste-me a reconquistar.

É em adversidades da vida que encontramos pessoas bonitas, tantas vezes de forma inesperada, que nos perguntam como estamos e que até ficam à espera para ouvir a resposta.
Vagueavam em corredores sem ter muito tempo para pensar, duas cicatrizes que ainda recentes não sararam por completo, a vida contínua a ser sempre aquela procura de aventura e emoções, e num toque inesperado de mundos diferentes, dois rostos sorriram ao conhecerem-se. Um encontro fortuito que tem feito muito bem, apenas estar por estar, perdido no oriente em conversas cumplices infindáveis. Pensa muito nas opiniões dos outros, penso na tua opinião. Fala-me de ti, eu falo-te de mim e talvez no caminho esteja a cura dos nossos males.