Sentia o cheiro do alcatrão ardente entranhado nos pés descalços. Tornava-se difícil caminhar, o sol abrasador destilava toda a água do corpo. O ar pesado dificultava a respiração, como se todo o oxigénio tivesse evaporado por magia. Caiu de joelhos, prostrado sem forças, olhando um horizonte infinito. Fechou os olhos e deixou-se estar à espera de um final anunciado.Leve, leve como um punhado de brisa, apareceu uma oferenda da vida, do ser, do momento. Do vazio apareceu um anjo invisível pairando sobre o seu corpo, restituindo as energias que o tempo e as pessoas sugaram no caminho. Molhou os seus lábios com um néctar doce, suculento, recheado de esperança e convicções. Revitalizou-lhe a alma, a vontade e de repente o seu corpo ergueu-se do solo, em busca de uma lufada de ar, como se de um recém-nascido se tratasse. Olhou ao redor, começou a sentir crescer dentro de si um sentimento. Ao princípio estranhou mas com o passar dos ponteiros, recordou-se daquela sensação há muito perdida. Era o sangue, sangue que lhe corria nas veias, pulsando freneticamente.
Relançou o olhar consciente para o horizonte, das cinzas renascendo o querer de uma fénix, as prioridades foram traçadas mas sem nunca descurar as lições do passado, onde uma entrega total pode ser o primeiro passo para o abismo. É bom sentir que é por aqui, é agradável saber que existe algo do outro lado da porta, a certeza de que há algo à espera. Vamos recomeçar a caminhada
Relançou o olhar consciente para o horizonte, das cinzas renascendo o querer de uma fénix, as prioridades foram traçadas mas sem nunca descurar as lições do passado, onde uma entrega total pode ser o primeiro passo para o abismo. É bom sentir que é por aqui, é agradável saber que existe algo do outro lado da porta, a certeza de que há algo à espera. Vamos recomeçar a caminhada
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