A vida é uma caixa de surpresas onde de tudo se encontra a cada esquina. Costumo dizer que não me arrependo do que fiz no passado. Mas cada vez mais, o tempo me mostra que estou errado em pensar assim. Começo a clariar as vistas e a ponderar em escolhas tão simples que se tomaram no passado. É irónico como um sim, ou um não podem mudificar uma vida. O irónico é que uma atitude imponderada, sem reflexão leva o tempo a revelar, tal um furacão, o erro de não se ter parado para pensar. Isto não implica que não continue a decidir muitas da minhas opções de vida, no instinto e no intuito.
Talvez a idade, não diria bem a idade, o tempo.. Sim, o tempo é o termo correcto. O tempo, já revelou-me que não ter seguido por um sim em vez de um não, teria sido bem mais proveitoso, bem melhor, mais feliz, mais tudo. Mas orgulho-me do que tenho, ou do que não tenho, porque foi essa a opção e no fundo vivo bem com ela. Será que isso já não é bom? Sim é verdade, que o tempo encarregou-se de mostrar que poderia ter sido melhor. Mas o que há, não é mal e a lição é saber viver com isso, e acima de tudo respeitar.
Respeitar o que a vida nos dá, o que a vida nos tira e as opções que tomamos. Há que saber viver como o que nos circunda, porque aí vamos encontrar a paz de espírito que necessitamos. Não tentem mudar o passado, pois esse já lá vai e o que foi não volta a ser.
If I could wish for something in this moment, I would wish for a white rose kiss
Um mal que advém de ter tido várias operações cirúrgicas, é que as anestesias fazem com que percamos memórias. Ultimamente, graças ao reencontro com velhos amigos, aviva-se a memória em conversas electrónicas. Soltam-se desbravadas gargalhadas ao ler certas conversas.
Ontem recebi este texto, foi rir até virem as lágrimas aos olhos!
"Sim lembro-me perfeitamente do Abade, até uma vez que fez xixi pelas pernas abaixo porque a professora não o deixou ir à casa de banho, e que comia papel quando tinha fome!
Lembro-me quando íamos para a Gulbenkian jogar ao bate pé, com o Luís faria, o Filipe, Filipa Isabel, Joana, Zé....
lembro-me das aulas de ginástica na cidade universitária, e na viagem grande que havia sempre no fim do ano, lembro-me da de Óbidos....tanta coisa"
JOSÉ CASTELO BRANCO que arrasou a concorrência com 49% dos votos! A unanimidade mostra que o seu reinado está para durar! O povo sabe que é nele que podemos confiar o legado dos lusitanos em perpetuar uma imagem triste dos nossos habitantes. Já não há lugar para a postura ao fado, à Amalaia e ao Eusébio!
Numa votação renhida pelo segundo lugar, os votantes levaram em consideração, a sua avasoladora conquista perpectuada no homem comum, dos receios provocados e das aparições nos seus maiores pesadelos, de anos terapia para muitos e até, levando alguns a questionarem as suas preferências sexuais.... Linda Reis! Com 17% dos votos!
O pódium fica completo com a inquestionável presença dessa figura já mítica dos media de baixa densidade. O constante e deprimente excesso de julgamento da vida alheia, conspurcando tudo e todos sem olhar a meios e a fins, terá sido uma das características que pesou na sua votação! O verdadeiro "macho latino" dos tempos modernos... Analfabeto, intolerante e malicioso... Cláudio Ramos com 14% dos votos!
O avô do Bruno possui várias propriedades e entre essa variedade, uns quantos apartamentos em Isla Canela, perto de Ayamonte. Por duas vezes fomos para lá passar o fim-de-ano e em ambas, foram dias repletos de histórias. Da primeira vez, eram quatro malandros! Eu, o Bruno Reis, o Bruno Brito e o meu irmão. Mais tarde, no dia de passagem de ano, juntou-se a nós o Ismael, colega de liceu, do João e do Bruno Brito. Um rapaz de bom fundo, com energia para dar e vender e propenso a criar aventuras do nada! Encontrámo-nos todos no jardim para o dia de partida, eu tinha em mente seguir viagem no meu carro e o Bruno Reis levava o seu Vitara. À hora do arranque deixei-me convencer pelo Bruno Reis que não havia necessidade de levar dois carros e acabámos por fazer a viagem, os quatro, encafuados naquela amostra de jipe!
A viagem foi uma estucha! O poderoso Vitara fazia a estonteante média de noventa quilómetros por hora a gastar vinte litros aos cem! Não houve carteira que aguentasse o rombo e a paciência necessária para tantas horas de viagem! Ao fim de estonteantes seis horas de viagem atingimos o nosso destino. Isla Canela. Fomos para o apartamento que nos estava destinado e deparámos com o holocausto! O apartamento tinha sido alugado uns meses antes e desde então ninguém tinha entrado dentro do mesmo. O estado em que os inquelinos o deixaram, era lastimoso! Móveis partidos, lixo por todo lado e sem qualquer hipótese de alojar quatro adolescentes, com o mínimo de higiéne. Acabámos por convencer o Bruno Reis que não havia condições para permanecer ali e acabámos por nos instalar noutro apartamento.
Os dias passaram-se intercalados por boas sonecas e passeatas na vila. Já as noites eram de pura borga! Foram passando entre idas a Isla Cristina e Monte Gordo, até chegarmos ao dia de trinta e um de Dezembro. Como sempre fui o primeiro a acordar e depois de ir a Ayamonte tomar o pequeno-almoço, voltei ao apartamento ao fim da tarde. Já todos estavam despertos e prontos para mais uma noite de folia. Após os aprumos, a excitação para uma noite em grande, mas no meio disto ninguém se lembrou de reservar um restaurante ou se quer de ir comprar mantimentos para uma refeição digna da noite de fim-de-ano. Já tarde e sem hipótese de apanhar o supermercado aberto, decidimos rumar a Monte Gordo e procurar um restaurante que nos aceitasse. Nada feito! Só aceitavam clientes com reserva prévia ou já se encontravam fechados! Quatro miúdos a morrer de fome e sem saber muito bem o que fazer!
Estivemos no café uma hora, forrando o estômago com uns tremoços e umas cervejas, de maneira ajudar-me a desligar das dores no pé. Durante o convívio falou-se dos planos dessa noite. Ir ao Baile da Queima das Fitas e mais tarde seguir para o Parque. Estavam a contar com a nossa presença mas eu não tinha levado smoking, nem fato, fui para lá pelas borgas, não contava ventir fatos!
Quando fiz dezanove anos tirei a carta de condução e no verão preparava-me para fazer mais uma mini-volta pela europa, com o meu pai e o meu irmão. Desde miúdo que me recordo de fazer este género de viagens. Por hábito, o meu pai conduzia ao som dos afamados Paco Bandeira, José Cid, Júlio Iglesias e companhia, cantarolando as canções. Acredito que era a Era a paga pela viagem Para nós, o tempo que estávamos no carro era passado a dormir ou a apreciar a paisagem.
Fui sair na noite anterior, antes da partida e a rambóia foi tal, que acabei por chegar a casa às sete da manhã. Não cheguei a deitar-me e fui logo tomar um banho para estar pronto para a viagem. Fui o primeiro a despachar-me e aproveitei para ir tomar o pequeno almoço a um café, enquanto o meu pai e o meu irmão se arranjavam. Ao voltar já eles colocavam as malas no porta-bagagens do BMW e eu naturalmente fiz o papel que me competia. Abri a porta e sentei-me no banco do lado, rebaixei-o de maneira a preparar-me para a minha merecida sesta. Prontos para o arranque, o meu pai bate no vidro. Eu baixei o vidro e perguntei-lhe: - O que foi? - Durante anos tive de fazer de vosso motorista, agora já tens carta e eu estou velho! É a tua vez de levares o carro! - Disse-me ele ao abrir a porta. Que sina a minha! Arrancou-me do meu lugar e lá tive eu de conduzir com uma directa em cima!
O primeiro destino era Madrid, seiscentos quilómetros e antes de chegar à primeira centena percorrida já tinha como companhia roncos e ressonares. Ia sozinho, cheio de sono e sem
Em Lisboa nasceu um complexo de luxo. Agora não é necessário contar trocos para a gasosa e fazer-se à marginal para jogar à batota. Os alfacinhas já se podem deslocar de metro com direcção à Expo para esbanjar os euros, nas promessas da sorte.
Mais uma vez Lisboa, teve o privilégio de assistir a um Rock in Rio, desta vez com uma presença para mim relevante, os Guns ‘N Roses. Tinha curiosidade de ver como se comportaria Axel. A verdade é que a voz e a dinâmica continuam lá e foi do melhor que se assistiu. Em 2008 há mais!
Palhaçada, das palhaçadas, foi a teimosia inexplicável do governo, com a Colecção Berardo. Esteve para ir de armas e bagagens para a terra da “La Marseillaise”. A única imposição de Berardo? Que a colecção ficasse patente num espaço relevante cedido pelo estado! Com o poder negocial que lhe é reconhecido, Joe Berardo, sob contornar a ignorância dos nossos políticos e para nosso agrado, podemos visitar uma das maiores colecções de arte contemporânea no CCB.
DESPORTO

No desporto, foi um ano repleto de adeus aos idolos. Na minha prespectiva, uns mais sentidos do que outros. O futebol despediu-se de Zidane, um maestro da arte de tratar a bola por tu, mal amado entre muitos de nós, quis dar razão aos tugas ao despedir-se com uma reacção menos própria de uma figura mediática, na final do campeonato do mundo, vencida pela Itália. No automobilismo terminou uma era de domínio Ferrari, com a conclusão da carreira de Michael Shumacher, por muitos tido como o maior de sempre. Não que seja esta a minha opinião, mas não posso deixar de relevar o seu contribuito para a categoria. Um adeus precoce, deu-nos Ian Torpe. O “Torpedo” tem um currículo recheado de numerosos prémios internacionais e recordes mundiais onde se salienta 5 medalhas Olímpicas. Aos 24 anos fartou-se da pressão e com uma conta bancária recheada, virou costas à modalidade.
Desde miúdo lembro-me do Kid de Las Vegas, um senhor que sempre soube estar na ribalta. Foi com uma certa mágoa, que assisti à brilhante ovação prestada na sua despedida ao tenis. Para trás ficam 60 vitórias, entre elas oito títulos do Grand Slam.
Mas o mais relevante no desporto estava guardado para o fim do verão, com o caso Mateus a fazer manchete nos jornais nacionais e internacionais. Portugal no seu melhor! Foi por uma nesga que o campeonato não foi suspenso, bem como a participação nas competições europeias. Na minha opinião o Gil Vicente, bode expiatório desta história, só é culpado por aproveitar-se do amadorismo dos dirigentes que só vêem os cifrões. 2007 guarda-nos mais um circo com o Apito Dourado. Será desta que há culpados?
CURIOSIDADES
O sistema solar ficou mais curto. Da primeira vez que uma sonda chega a Plutão, este foi desqualificado. Não por doping ou por batota, mas porque não preenche os requisitos e é diferente dos outros planetas. Racismo, digo eu! Os pequenitos também tem direito a ser alguém.O senhor Microsoft esteve por terras lusas e não faltou quem lhe fosse lamber as botas em busca dos dolares. Houve direito a condecorações e todas as mordomias. Sempre gostava de saber onde vão parar os fundos do plano tecnológico, para a tal formação de um milhão de portugueses, quando a maioria dos portugueses mal sabe funcionar com um computador!
O que mais gostei na política, do Zé Tuga, este ano, foi a história da CIA. Aqueles secretos Americanos, pelos vistos fizeram do nosso país, posto de abastecimento mas ninguém sabia! Explicando melhor, enquanto foi ministro dos negócios estrangeiros, Freitas do Amaral, de nada sabia. A partir do momento que correram com ele do poder, avivou-se-lhe a memória e escreveu uma cartita para o Parlamento Europeu a confirmar os voos da CIA! Depois querem que o povo acredite nestes trolhas!
Para finalizar, nada melhor que a implementação das novas normas antitabagicas. É proibido fumar em locais públicos, como os hospitais. Não me assustei com a medida porque estamos a falar de Portugal e não de outro país educado. Para quem já presenciou, indivíduos a fumarem uns cigarritos para rir nas enfermarias dos hospitais de Lisboa, com a maior das conivências dos enfermeiros, querem-me fazer crer que estas normas vão pegar?
Só para rir! Para ano há mais!
Há alturas em que reflectimos sobre o que foi e no que se fez. É chegada a altura de fazer um balanço deste último ano e olhando para trás, chego à conclusão que foi intenso, repleto de alto e baixos. Em todos os sentidos e sentimentos. Foi um ano exemplar, reflexo do que sou e de como encaro a vida.Mas depois da tempestade, vem sempre a bonança, chegou o calor e com ele voltou o ânimo, o futuro sorriu. Nova oportunidade, a não desperdiçar! A vida começou-se a compor de cores alegres e vivas. Novo emprego, nova casa, nova vida, novos amigos. Tudo feito à medida do sonho perfeito. Talvez não perfeito, mas para lá caminha. Com o frio, as prioridades deram lugar à obra e já se concluíram as primeiras fundições.
Que fiz de errado este ano? Confiei cegamente, mais uma vez, em quem não merecia. Optei por decisões precipitadas. O que fiz de bem este ano? Muito! Voltei a acreditar em mim, comecei a criar património, recuperei amizades, recuperei alguma família e tentei, ainda tento, reparar erros do passado.
É caso para dizer comecei em baixo, acabei em alta! Mais um exemplo cabal do que é a minha vida. O que peço para 2007? Que continue a acreditar, a ter forças para lutar pelo meu lugar ao sol e acima de tudo a sonhar. Porque à que acreditar que o melhor ainda está para vir.
Não posso dizer que tenha sido um local onde me sentisse bem ou do qual tenha boas memórias. Como em tudo na vida, o mais selecto esconde sempre muita podridão. Meninos bem, com código de vestimenta e atitudes, que se sobrepunham a toda e qualquer qualidade ou virtude. Círculos restritos onde o ser popular era sinónimo de possuir um nome de família nobre ou um progenitor abastado. No meio deste ambiente de cortar à faca, onde era julgado constantemente, há que salientar a existência de alguns irreverentes que se desmarcavam do círculo.
E o que trago de positivo, por esse tempo, foram as amizades criadas. Os excluídos do círculo ou que se desmarcavam dele, produziram laços de amizade. Amizades sinceras e puras. Estes desalinhados eram olhados com desdém e inveja pelos membros do círculo. Sentimento causado por sermos irreverentes, revoltar-nos contra as normas impostas e que acreditavámos estarem erradas.
No seio dos desalinh
ados, começei uma união com outras três individualidades:Brito, rapaz que na infância era o gordo com o qual todos faziam troça. Na adolescência emagreceu e revoltou-se contra o passado. Adoptou uma imagem e postura controversa. Fã incondicional da era dos anos 50 americanos, apresentava-se como se pertence-se a essa época. De barba cerrada, nariz pronunciado, olhos vivos e sorriso nervoso. A vestimenta era uma mistura de James Dean com motard chopper. Casaco de napa a imitar cabedal, brinco na orelha, t-shirt branca, calças de ganga, botas à cowboy e os mais variados acessórios com simbolismo americano. No seu todo aquela postura acabava por fazer sentido e tornou-se a sua imagem de marca.
Luis Nuno, iludia a sua insegurança com uma máscara de confiança, assumia uma imagem mais conservadora, mais condizente com a conduta requerida pelo círculo, consequência própria de quem tem medo de cometer um erro social. Estes receios provinham de uma infância carente de apoio maternal. Desde tenra idade, o seu mundo particular, apresentou-se solitário. Era o único adolescente que conhecia naquela altura, que almoçava e jantava sozinho em restaurantes. Estas vicitudes da infância apuraram o seu sentido de critica e sarcásmo.
E como um grupo nunca está completo sem a sua mascote, foi incluída uma quarta personagem. O Ivo.
Era o único que não estudava no Valsassina. Apareceu no grupo através do Luís Nuno, era filho de uma amiga de infância da mãe. Veio um dia almoçar connosco e acabou por ficar. A sua aparência dizia tudo e ao mesmo tempo nada. Com quase dois metros de estatura, escanzelado até ao osso e com ar de rato de biblioteca, aparentava uma insegurança irrealista. Reservado e inteligente, soltou-se e começou a ver o mundo com outros olhos. Era o alvo predilecto das brincadeira e ao mesmo tempo o nosso protegido.
Foi assim que nasceram os quatro magníficos. Um grupo de miúdos de personalidades distintas que foram à descoberta do mundo. Do bom e do mau, viveram todas as experiências da juventude sempre unidos, sempre presentes. Estavam a toda a hora disponíveis para uma nova aventura, onde estava um, estavam os outros três. Fizeram o possível e quando já tinham feito tudo, fizeram o impossível. Foram as personagem de uma novela que durou vários anos, mas acima de tudo, o que sobressaía era a amizade que os unia.
Não sou da Terra, sou do mundo. Sou estranho, e gosto de ser assim. Divago sobre assuntos banais e peculiares. Prevejo atitudes futuras e sei falar com as estrelas. Sou esquisito, inventivo e estratégico. Não perco tempo a pensar sobre o que acham de mim e não quero descobrir. Adoro o excêntrico e o poder da imaginação. Alicia-me estar num café a dissertar sobre banalidades.
A arte e a história fascinam-me. Salvador Dali, Gustav Klimt, Andy Warhol e Le Croubusier. Na música encontro a minha alma e no futebol do Benfica encontro a paixão. A velocidade dos automóveis e a pacatez das vilas deste país, cativa a minha noção de tempo.
Adoro conhecer novas pessoas. Posso aprender algo e passar a outros as minhas teorias. Todo o indíviduo tem algo novo para oferecer. Detesto a ignorância e também a invejo. Não sou de inimizades mas não tolero traições. Sou radical e boémio, mas consigo rever-me na ponderação e no clássico. Sou despistado com o corriqueiro do dia-a-dia e diligente com questões do ser.
Esta é a minha essência e orgulho-me de ser único...
Nos últimos fins-de-semana andei a pôr a conversa em dia, com um amigo e colega de adolescência. Com a nostalgia sempre presente fomos revivendo o passado, as aventuras e as grandes emoções que elas nos provocaram. As histórias já saem algo foscas, pormenores faltam, mas o sorriso nas nossas caras, ao recriar esses momentos, é impagável.
O local destes nossos encontros é no Botas, restaurante que este meu amigo possui em Ranholas. Apareci a primeira vez, durante uma tarde e acabei por ficar para jantar, chegando a permanecer até a hora de fecho. Passamos o tempo recatados a uma mesa, deliciando com os petiscos e regando os copos com bons vinhos. A conversa flui naturalmente entre duas pessoas que viveram as aventuras dos quatro magníficos. Enquanto vamos avivando mutuamente a memória relembrando episódios caricatos que nos fazem rir, falamos também, sobre outros que passaram pelas nossas vidas, como estão e o que fazem. A esposa deste meu amigo junta-se a nós quando o movimento da casa o permite e vai ouvindo todas as embrulhadas e desventuras da nossa sobrevivência à adolescência.
A conversa parece nunca ter fim, o que faz com que acabe sempre por voltar no fim-de-semana seguinte, para retomar o diálogo, como se nunca o tivessemos parado. Como se pode condensar no tempo de uma conversa, as várias histórias que temos no nosso livro de memórias? Tem sido um vício, ou melhor, um gozo. É de salutar poder reviver, em companhia, estas lembranças e estas aventuras. Poder recordar o tempo em que a vida nos permitia sermos livres, jovens e despreocupados com o amanhã. Memórias que parecem tão distantes, tão longe de onde nos encontramos mas que por estes dias parecem ter acontecido ontem. O tempo passou, os miúdos tornaram-se graúdos mas as histórias estão vivas na memória para perdurarem até onde o tempo as permita.
I know i’m going to die so my reveange is living well...
Para quem não sabe, sempre tive uma paixão enorme pela música. Desde miúdo que tento cantarolar, não que seja um Frankie mas gosto de cantar, mesmo tendo a noção que não o faça da melhor maneira. Com os anos tenho melhorado mas sei que a minha voz também não dá para sair do mediano e para entoar com a mínima perfeição conta-se pela palma da mão o número de músicas.Nas longas viagens de carro feitas no verão durante a infância e adolescência, acompanhava o meu pai nas músicas da k7, o resultado? Mandavam-me calar! Quando das festas lá em casa com o Zé Lúcio, ou mesmo os encontros de fim-de-semana passados no Brasil. Lá vinha eu de mansinho e entrava no coro improvisado! O resultado? Mandavam-me calar! Na adolescência entrei para uma banda, tocava guitarra de acompanhamento e aos poucos, sem qualquer indicação dos meus colegas, comecei a fazer segundas vozes. Resultado? Madavam-me calar!
Desde que abriu o bar cá na vila, a minha presença naquele local é diária. É onde muitas das vezes vou almoçar e onde bebo o cafezito de fim de tarde. Onde bebo a imperial a seguir ao jantar e onde convivo com os meus amigos da vila. O bar possui noites temáticas, uma das quais por qual anseio é a do torneio de pes. Ainda em estado embriatório mas que já conta com acérrimos candidatos. Às sextas-feiras é noite de dj, ao domingo temos de vez enquando stand-up comedy e sábado é a noite das estrelas! Karaoke!
Ora ao princípio, não estando ambientado ao meio, foi um bocado complicado atirar-me para um palco, sozinho e pouco à vontade. Mesmo assim ganhei coragem depois de ver um certo número de participantes, fiz-me à maré e cantei a primeira música! Muita gente veio-me dar os parabéns, incluíndo o rapaz que estava a fazer o karaoke. Desde o primeiro sábado, em que cantei a primeira música, as pessoas abordam-me assim que entro no bar, a perguntar que música vou cantar nessa noite. Acho piada, porque embora continue a ter a noção de que não sou nenhum rouxinol, bem longe disso, as pessoas esperam que eu vá cantar! O meu grande problema neste momento, é que o repertório está a acabar e vou ter que começar a treinar outras músicas para não desapontar ninguém, na hora de actuar!
Já se desenvolvem as ferramentas para as novas conquistas. Há novas metas, outras batalhas para gladiar. Vem aí a maior de todas. Aquela onde vou clamar por todas as forças do universo para que arduamente possa pelejar pela verdade e pelo
que é correcto. A sensação de que desta vez não haverá espaço para desilusões, alia-se à fortuna do querer. Ela incita-me a corrigir o maior dos meus pecados passados, orgulho estúpido e banal que só a outro lesou. Está para breve o próximo degrau. Isso prometo-te.Espera por mim à janela, eu estou a chegar!
Ora já está! Oficializou-se mais um Bucelense. Com toda a pompa e circustância, o príncipe foi recepcionado pelos habitantes. Já se encontra imiscuído no meio da população, criou amizades e já é reconhecido quando passeia pela vila. As pessoas na sua amistosidade, vão soltando cumprimentos e jogando conversa sobre os sítios a frequentar, as virtudes e desvirtudes da vila. Esta pacatez do campo inspira o príncipe, eleva-lhe a alma e dá-lhe uma sensação de concretização e bem-estar.
Convergi em vários sentimentos este sábado. Tinha-me mentalizado para o que me iria deparar mas nunca se está realmente preparado. Quando cheguei à igreja fui conversar com a minha Querida. Embora não pratique qualquer religião, é nesta igreja que consigo manter um diálogo com a minha avó. Talvez por todo o simbolismo que este sítio teve na vida dos Moser. Foi aqui que presenciámos os batizados, os casamentos e onde velámos os nossos.
mo. O jantar correu bastante bem e estive sempre na conversa com os meus companheiros de mesa. Já de barriga cheia fiquei tentado a atacar a mesa de queijos e assim o fiz. Quando se começou a ouvir os primeiros sons do dj, fui sentar-me mais à frente.Estive o tempo todo, perto da mesa das bebidas, junto a um pequeno grupo de amigos. Uns recentes outros de longa data, sempre em amena cavaqueira. Fomos os últimos resistentes a abandonar a festa e enquanto seguia o caminho para casa, enchi-me de pensamentos. quando tinha a idade deles optei pelos caminhos mais sinuosos. A vida dá muitas voltas e hoje estabilizaste. Agora é o tempo deles, esta-se a apróximar a altura dos grandes desafios da vida, das grandes decisões e sinto confiança neles. Sei que tudo irá correr pelo melhor.
E assim chegamos à conclusão de mais uma etapa da vida.
Este fim-de-semana estive na festa do Vinho e das Vindimas. A festa tradicional de Bucelas. Nunca tinha ouvido falar de tal festa e estava curioso em saber como se processava. Durante a semana, fui sabendo mais pormenores, através dos meus conhecidos do núcleo sportingista de Bucelas. Sim do sporting! Ouviram bem! É uma águia na toca do leão! Querem o que? Não existe mais nada por aqui, onde se possa estar à noite! O Luís lá me foi explicando como se iria processar a festa, enquanto o Vasco me dizia o melhor sítio para ver o cortejo.
A praça central de Bucelas é contemplada, com um palco, uma zona de dança, outra de comes e bebes, uma banca de rifas, um espaço da padaria, com pão a sair na hora e uma outra em representação da junta. Ao longo da estrada podemos encontrar barraquinhas com artesanato local. O habitual nestas romarias mas o que realmente diferencia esta festa, das outras vilas, é o cortejo. Este é no domingo à tarde e apresenta vários carros alegóricos com as variadas fazes da criação do vinho.
Sexta-feira, saí do trabalho eram umas sete da tarde e fui directo para a praça, a festa já tinha começado e queria vislumbrar o que se passava. Misturei-me com a multidão que já preenchia a praça. Percorri todos os espaços e bancas. Na banca dos vinhos, para meu espanto, as Caves Velhas, só estavam representadas com o vinho branco de Bucelas. Depois fui à barraca da padaria exprimentar um pão com chouriço, feito em forno de lenha. De bramar aos céus! Percorri a zona do artesanato e segui caminho para o núcleo para ver o jogo do Beira-mar contra o Braga. Ainda o jogo não tinha terminado e já estava a ser aliciado para uma jogatana de snooker, com uns miúdos cá da terra. Depois de levarem três séries a seco, deram por finalizado o jogo! Este também era o dia da abertura do bar laranjinha que fica mesmo por baixo do núcleo e aproveitei para ir dar uma vista de olhos ao espaço. Depois do que vi, não ponho muita fé na longividade do bar. Os donos são simpáticos mas sem qualquer experiência e durante a hora que lá permaneci, vi de tudo um pouco. Bebedeiras, rixas e caloteiros a sairem sem pagar a despesa. Tenho pena, porque o espaço se fosse bem aproveitado, teria condições excelentes. Comecei a ouvir a música do bailarico e decidi, rumar para lá.
Encontrei o Luis perto dos comes e bebes, a dar o seu passo de dança. Convidou-me para juntar-me ao grupo e bem regado como já estava, aceitei o convite. O tempo foi passando com muitas rodadas de cerveja, coscuvelhices sobre as miúdas presentes. Aquela era isto e aquilo, a outra namorava com este mas já tinha estado com fulano e cicrano.... Eu no meio da conversa, sem conhecimento de causa lá ia dando o meu parecer sobre as belezas! Com a brincadeira já eram três da manhã e cheio de cerveja até à cabeça, foi com um enorme esforço que consegui despedir-me e conseguir ir embora para casa.
Sábado de manhã, pelas dez e meia, já estava de pé e fui para a vila, tomar o pequeno-almoço. Como é meu hábito, fui comprar o jornal e segui para o café. Bebi dois leites com chocolate, para ajudar a limpar o organismo e duas merendas para forrar o estômago. Depois de pôr a leitura em dia e ter feito as palavras-cruzadas, dirigi-me para a praça. Estava na hora de almoço e a barriga continuava a pedir atenção. Fiz a asneira de pedir uma fritada! Tanta gordura meu Deus! Tive de voltar a regar o estômago. Nesta vila quando se começa a beber, aparece sempre alguém para fazer companhia! O mais dificil é ir recusando mas tentei preservar-me, porque não ia ficar para a festa dessa noite, tinha outra mais siginificativa que obrigava-me a pegar no carro. Tinha de ir a Lisboa para a festa de despedida de solteiro do meu primo! Mesmo assim foi um martírio conseguir-me safar às solicitações.
Cheguei ao restaurante eram oito e meia. Não vi viva alma e indaguei o empregado sobre se seria mesmo ali o jantar da festa. tinha a ideia que era esta a hora combinada mas estava errado. A mesa estava marcada para as nove e meia. Fiquei a bebericar umas caipiroscas acompanhadas por mini-chamuças enquanto ia vislumbrando o jogo do Porto. Os primeiros a chegar foram o padrinho do noivo e um amigo. O meu primo chegou para lá da hora combinada.
O Pedro, recusou-se logo a beber, com a desculpa que não apreciava a sangria, nem as caipirinhas. Manteve-se na coca-cola mas comentou que a sua bebida predilecta é o whisky Jameson. Quando se aproximava o final do jantar, o noivo, continuava sóbrio e Eu, O Miguel e o Tiago, combinámos de pedir um Jameson para o Pedro e que o Miguel faria um discurso, obrigando-o a beber aquando do brinde! A brincadeira pegou, e o miúdo deve ter bebido uns bons quatro baldes de whisky de penalti! Tal foi a onda de discursos!
O Pedro que ao início da noite se tinha mostrado relutante a uma ida a casa de strip, como é usual neste momentos! À saída já nem sabia bem o que queria e lá o conseguimos colocar dentro do moquinhas com rumo ao strip. Pelo caminho tive de parar o carro. O Pedro precisava de vomitar e só o parou de fazer à porta da casa de strip. Ainda fui pedir umas garrafas de àgua com gás para tentar recompor-lo mas o rapaz não se aguentava em pé e só pedia para o levarem a casa! Como só tinhamos levado dois carros. Fiquei sozinho enquanto os restantes levaram o Pedro para casa. Como àquela hora já não iria a tempo de voltar para a festa em Bucelas, acabei por entrar e beber mais um copo antes de ir para casa.
Domingo, fui para a praça era meio-dia e dei de encontro com a Paula, minha colega na empresa e que estava de serviço na Enoteca. Tinha vindo cedo de mais e andava a conhecer a vila. Fomos comprar jornais. Eu, o correio da manhã, ela o público e sentámos na praça a ler-los. Pedimos uma sopa para cada um para servir de almoço. Ficámos por lá a ouvir a banda e a fazer tempo para a enoteca abrir. Estava a contar com uma prova de vinhos antes de ir ver o cortejo!
Às duas horas seguimos o percurso a pé até à Enoteca. Pelo caminho ia cumprimentando as pessoas e a Paula ia comentando como eu já estava integrado na vila. Levei logo um balde de àgua fria quando chegámos ao nosso destino. Estava lá a Dr. Maria José, não ia haver provas de vinho para ninguém! Os planos estavam desfeitos e decidi ficar por ali a ajudar e ainda aproveitei para fazer uma visita às caves, que não conhecia.
O cortejo é giro de se ver. É diferente dos cortejos que já vislumbrei. Os participantes trajados com vestes antigas, vão em cima de carros puxados a tractores, retratando cada fase da produção do vinho. Outros seguem atrás dos carros cantando, cantigas de outros tempo. Mas o meu maior espanto foi ver que no final do cortejo, as pessoas que participam sentam-se no chão ao longo das ruas, a merendar. A invocar os tempos antigos em que as pessoas se juntavam todas a seguir à vindima. Quem está presente a assistir ao costejo é convidado a juntar-se à festa, sentando-se no chão a comer sardinhas, uvas e pão e a beber vinho tirado da pipa! Muito giro e muito penoso para o estômago! Juntei-me ao senhor Júlio, perto do carro que trazia a pipa, em amena cavaqueira, sempre de copo cheio!
Quando terminou a merenda, desloquei-me para o café da praça onde me aguardava o Luis. Tinha-lhe prometido que passava por lá para provar a ginginha e comer um pão com torresmo. E foi então que fiz a maior descoberta do fim-de-semana! Então não é que os cafés oferecem àgua-pé à discrição durante o fim-de-semana!? Podiam ter-me avisado com antecedência! Escusava de ter gasto dinheiro em bebida! Bem, fiquei por ali abancado a beber a minha àgua-pé até à hora do jogo do sporting. Ainda me aguardava um lanche ajantarado no núcleo!
Cheguei ao núcleo pelas oito da noite, levei uma garrafa do nosso Bucelas para juntar à festa. Fiquei a ver o jogo do Sporting à conversa com o Bicho, um dos dirigentes do núcleo. Ele ainda ofereceu-me uma cerveja, mas já não conseguia beber mais nada! Não cheguei a participar do lanche ajantarado. Ganhei tino e achei que tinha chegado a hora de rumar à cama e fiz-me a casa! Afinal hoje é dia de trabalho!
O Rali Rainha Santa disputa-se todos os anos no fim-de-semana mais perto do dia da celebração do falecimento da Rainha Santa Isabel. Dia oito de Julho. Antigamente estava incluído no calendário nacional de ralis mas com o vinte cinco de Abril deixou de ser disputado sendo retomado nos anos oitenta, como rali de segunda categoria. Foram convidados os antigos concorrente a participar e entre eles o meu pai, por isso desde novo que acompanhava o meu pai nesse fim-de-semana. Com o passar do tempo o rali foi aberto a novos concorrentes e um dos sonhos que o meu pai sempre quis realizar, era o de conseguir juntar toda a familia como concorrentes. Ele, eu e o meu irmão.Durante um mês o meu pai, não falava de outra coisa. todas as conversas desembocavam no rali e como pela primeira vez ia participar o "clã" Manique. Para não dar mais ideias ao meu pai, eu recusei-me a levar o Crx. Participava sim, mas com o Corsa. Assim não lhe dava uma desculpa para pedir-me para disputar o rali para vencer. Tendo-me recusado a levar o Crx era preciso arranjar um carro para o João e foi reservado um Twingo para aluguar em Coimbra.
No dia de arranque para Coimbra, o meu pai saiu à frente com a Elsa Steglich, sua namorada da altura e co-piloto, enquanto eu ia buscar o Ivo e o meu irmão. Tinha combinado com eles em Alvalade num café por baixo da casa do Ivo. Iriamos os três no meu carro para cima. Ao chegar a Alvalade, à hora combinada o Ivo estava atrasado como sempre e comecei a ligar ao meu irmão. O telefone tocava e nada! O Ivo desceu e fomos tomar café. Passei as duas horas seguintes a ligar para casa da minha mãe e nada de resposta. Já fartos de esperar, comecei a ponderar passar em casa da minha mãe. Voltei a fazer uma última tentativa. Atende-me o João com voz de sono, tinha-se deitado tarde e não ouvira o telefone. Disse-lhe para se despachar rapidamente e para ir ter ao café, estavamos mais do que atrasados. Passou-se mais uma hora e nada do João aparecer! Entretanto, recebo um telefonema do meu pai preocupado conosco, contei-lhe o que se sucedia e ele disse-me para me vir embora. Respondi que ia dar ao João mais meia hora depois disso seguia viagem.
Quando estava prestes a vir-me embora o João chegou, com a maior cara de paú. Dei-lhe uma descompostura e preparava-me para ir-me embora, quando ele me comunica que ainda teria de voltar a casa para fazer a mala. Perdi as estribeiras e disse-lhe para ele fazer a viagem como quissese pois de certeza que comigo não a faria, pois recusava-me a esperar mais um minuto por ele! Já se tinham passado três horas desde a hora combinada! Sua excelência, saí-se com o seguinte comentário: - Por mim nem vou. Eu até nem queria ir! Foi a gota-de-àgua! Vim-me embora e liguei logo ao meu pai a contar a história.
A minha participação no rali estava a ser de uma postura de passeio e tinha dito em alto e bom som, para toda a gente ouvir-me, que iria fazer a prova de perícia devagar. Esta é a última fase do rali e na qual se encontram os resultados. Todo o resto da prova é de uma postura de convívio e todos cumprem o mesmo tempo. Quando chegou a minha altura de entrar para a perícia, olhei para o meu pai e vi uma certa amargura por não se cumprir o seu sonho. Tomei uma decisão e pensei bem na asneira que ia fazer. Não disse-lhe nada.
Mesmo antes do Ivo sair do carro, para eu começar a minha participação. Virei-me para ele e disse-lhe só isto: - Vou dar tudo por tudo, pelo menos a ver se o meu pai ficar contente. Ele respondeu-me: - Achas que é boa ideia, estando tu nesse estado? Só tive tempo para dizer: - Não! Mas tem de ser.
Foi o minuto e quarenta e nove segundos, mais longo da minha vida. Acabei a participação e não tinha forças para sair do carro, todo eu pingava do suor. Fiquei sentado no carro uns bons dez minutos a tentar recuperar forças. A primeira pessoa a vir ter comigo foi o Ivo. Pergunto-me se estava bem, fiz sinal de mais ou menos. Ele sorriu e disse-me: - Tens o melhor tempo e só faltam mais cinco concorrentes! Não quis acreditar, tinha a sensação que tinha corrido bem, mas nunca imaginei ser possível bater os tempos dos Coopers. Esta notícia deu-me animo e sai do carro para ir ter com o meu pai que estava sentado ao lado do Ni. Quando me acercei deles, não me disseram nada. Nem um, nem outro. Sentei-me ao lado deles a apreciar as outras participações que faltavam, mas eu bem que vi a troca de olhares entre eles e pensei: - Pronto, o meu papel está feito. Fizeste bem!
A espera pelos fim das restantes participações parecia-me uma eternidade. Fui-me embora sem saber os resultados finais, precisava de descansar. Eram umas cinco da tarde e tinha de estar pronto às nove para o jantar de entrega de prémios. Cheguei ao hotel e caí que nem uma pedra na cama. Não me dei, sequer ao trabalho de tirar a roupa. Não tinha forças. O Ivo acordou-me, faltava um quarto de hora para as nove. Não teve coragem para acordar-me antes, passei o tempo que estive a dormir a gemer com dores e ele simplesmente percebeu que eu necessitava de descansar e teve pena de me acordar antes.
É com muito gosto que recordo o momento em que recebi o meu troféu. Foi das mãos do meu pai que o recebi. Foi um abraço muito sentido, de ambas as partes. O mais caricato da situação foi ver a cara de muita boa gente, quando subi ao palanque em canadianas. Pensavam que o Ivo é que ia a conduzir e eu seria o co-piloto! Passei uma boa hora a tentar explicar a muita gente que afinal era eu o condutor!











