The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Para quem não sabe, sempre tive uma paixão enorme pela música. Desde miúdo que tento cantarolar, não que seja um Frankie mas gosto de cantar, mesmo tendo a noção que não o faça da melhor maneira. Com os anos tenho melhorado mas sei que a minha voz também não dá para sair do mediano e para entoar com a mínima perfeição conta-se pela palma da mão o número de músicas.
Nas longas viagens de carro feitas no verão durante a infância e adolescência, acompanhava o meu pai nas músicas da k7, o resultado? Mandavam-me calar! Quando das festas lá em casa com o Zé Lúcio, ou mesmo os encontros de fim-de-semana passados no Brasil. Lá vinha eu de mansinho e entrava no coro improvisado! O resultado? Mandavam-me calar! Na adolescência entrei para uma banda, tocava guitarra de acompanhamento e aos poucos, sem qualquer indicação dos meus colegas, comecei a fazer segundas vozes. Resultado? Madavam-me calar!
Até que um dia as nuvens dissiparam-se e fiz uma grande descoberta! O karaoke! Por piada e com um certo nervosismo à mistura comecei a frequentar bares de karaoke’s. Tinha a noção de não ser o melhor mas como via bem pior do que eu, lá ia cantando as minhas musiquitas pleno de orgulho! O apogeu chegou, quando tive o meu próprio bar. Às quintas fazia noite de karaoke e criei amizade com a pessoa que fazia o espectáculo. Seguia-o para todo o sitio, onde ele fosse actuar e como àgua mole em pedra dura tanto bate até que fura! Comecei a entender como entoar certas músicas e como colocar a voz em certos trechos. Na plenitude da aventura e da incosciência do ridículo, cheguei a fazer um quarto lugar num concurso! Nada mal para quem era mandado calar! Mas o melhor ainda estava para vir!
Desde que abriu o bar cá na vila, a minha presença naquele local é diária. É onde muitas das vezes vou almoçar e onde bebo o cafezito de fim de tarde. Onde bebo a imperial a seguir ao jantar e onde convivo com os meus amigos da vila. O bar possui noites temáticas, uma das quais por qual anseio é a do torneio de pes. Ainda em estado embriatório mas que já conta com acérrimos candidatos. Às sextas-feiras é noite de dj, ao domingo temos de vez enquando stand-up comedy e sábado é a noite das estrelas! Karaoke!
Ora ao princípio, não estando ambientado ao meio, foi um bocado complicado atirar-me para um palco, sozinho e pouco à vontade. Mesmo assim ganhei coragem depois de ver um certo número de participantes, fiz-me à maré e cantei a primeira música! Muita gente veio-me dar os parabéns, incluíndo o rapaz que estava a fazer o karaoke. Desde o primeiro sábado, em que cantei a primeira música, as pessoas abordam-me assim que entro no bar, a perguntar que música vou cantar nessa noite. Acho piada, porque embora continue a ter a noção de que não sou nenhum rouxinol, bem longe disso, as pessoas esperam que eu vá cantar! O meu grande problema neste momento, é que o repertório está a acabar e vou ter que começar a treinar outras músicas para não desapontar ninguém, na hora de actuar!