Quando fiz dezanove anos tirei a carta de condução e no verão preparava-me para fazer mais uma mini-volta pela europa, com o meu pai e o meu irmão. Desde miúdo que me recordo de fazer este género de viagens. Por hábito, o meu pai conduzia ao som dos afamados Paco Bandeira, José Cid, Júlio Iglesias e companhia, cantarolando as canções. Acredito que era a Era a paga pela viagem Para nós, o tempo que estávamos no carro era passado a dormir ou a apreciar a paisagem.
Fui sair na noite anterior, antes da partida e a rambóia foi tal, que acabei por chegar a casa às sete da manhã. Não cheguei a deitar-me e fui logo tomar um banho para estar pronto para a viagem. Fui o primeiro a despachar-me e aproveitei para ir tomar o pequeno almoço a um café, enquanto o meu pai e o meu irmão se arranjavam. Ao voltar já eles colocavam as malas no porta-bagagens do BMW e eu naturalmente fiz o papel que me competia. Abri a porta e sentei-me no banco do lado, rebaixei-o de maneira a preparar-me para a minha merecida sesta. Prontos para o arranque, o meu pai bate no vidro. Eu baixei o vidro e perguntei-lhe: - O que foi? - Durante anos tive de fazer de vosso motorista, agora já tens carta e eu estou velho! É a tua vez de levares o carro! - Disse-me ele ao abrir a porta. Que sina a minha! Arrancou-me do meu lugar e lá tive eu de conduzir com uma directa em cima!
O primeiro destino era Madrid, seiscentos quilómetros e antes de chegar à primeira centena percorrida já tinha como companhia roncos e ressonares. Ia sozinho, cheio de sono e sem
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