The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

A confirmação através daquela mensagem seca, foi apenas a assinatura de uma sentença de morte há muito sentida. Há dois meses soou o alarme, a intuição que te mostra a certeza daquilo que não consegues ver, sussurrou. O mundo terminou, capacita-te disso. Tens de aceitar. O mundo morreu e não há nada que possas fazer para alterar o seu fim.
Mas aquela fé estúpida, que te consome até à última gota do teu ser, dizia. Acredita, o amor um dia irá falar mais alto. Sentimento estúpido que fazes tanto sofrer, que escondo na minha profundeza e luto todos os dias por ignorar, com o único intuito de manter um norte equilibrado. Hoje deitaste-me por terra. Senti-o bem cedo, senti que algo não estava bem e à noite, ali estava. Bem em frente dos olhos, o recado que apenas tinha um destinatário.

Senti o chão fugir, um peso enorme dentro de mim, como se fosse explodir. Respira, respira, dizia uma voz no fundo da alma mas não sei, não sei como respirar, sussurrava em resposta. Cada palavra dilacerava mas era impossível parar de consumir cada uma daquelas frases, tentar compreender a emoção com que foi escrito aquele recado. Sinto que fui abalroado por um camião em excesso de velocidade deixando-me consciente, apenas para sentir na plenitude, a imensa agonia corroer o meu corpo.

Não foi inocente a maneira como o recado foi escrito, como aliás nada do que fazes é feito irracionalmente. Doeu horrores, destruíste em segundos, o pouco do que tinha conseguido reparar com muito esforço neste último ano mas também não posso deixar de agradecer. Afinal, compreendo acima de tudo, que fizeste o que sempre pedi. Não foi uma declaração ao teu novo amor, foi uma afirmação para mim. Já não te quero, amo outra pessoa. Estas são as palavras que não escreveste.

Reli e voltei a reler cada palavra, perdi a conta às vezes que procurei os significados e agora mesmo de rastos, a maior mágoa é a forma como tudo aquilo que sei que fiz-te sentir de bom, forças em relativizar por completo, como se nunca tivesse existido. Em parte estou feliz que estejas a viver um grande amor, também compreendo que é necessário deixar para trás o passado, para poder viver o presente mas desculpa dizer-te.

Esse carrossel de sentimentos, as tais borboletas que agora sentes e que afirmas não viver desde a adolescência, viveste-as todas intensamente comigo. Estão tatuadas para sempre em cada foto, em cada recado de amor, na caixa de memórias que construímos, eu, tu e a nossa princesa. No vídeo que guardo e revivo tanta vez, onde declaras o amor que sentes, não pelas palavras que saem da tua boca mas pelo brilho que trazes no olhar, no imenso sorriso estampado no teu rosto. Estas memórias podes tentar ocultar-las da tua vida, da mesma forma que apagas tudo que te possa recordar o que vivemos mas estarão para sempre presentes num lugar dentro de ti.

Não havia necessidade de teres sido cruel, eu recebi o recado de uma forma clara. Não era preciso proclamar em tão viva voz, que estás a viver o teu grande amor. O que foi vivido entre nós tão intensamente, irá para sempre perdurar, mesmo que não leve em si a mesma adrenalina desse teu novo amor. Os pequenos pormenores de mim, estarão para sempre escondidos sobre pequenos marcos teus, que só nós dois sabemos decifrar. A cifra csaid que tanto estimas e usas até profissionalmente, é apenas um dos muitos exemplos.

Como vês meu doce, não foi necessário esperar dez anos, para arranjares antídoto para o nosso amor. Apenas um bastou para encontrares a morada da casa branca e apagares-me por completo da tua existência.
Aceito não ter sido o teu grande amor, mas com certeza fui um dos amores da tua vida.

"A ver se é desta que ficas quieto...
A ver se é desta que metes na cabeça que ninguém ganha nada com ataques de mau feitio
A ver se é desta que percebes que medir forças faz-nos perder os dois.
A ver se é desta que metes na cabeça que a saudade chega a um ponto que faz mal à saúde
A ver se é desta que percebes que sou teimosa, decidida, quero tudo ao meu jeito mas sou-te completamente fiel.
A ver se é desta que entendes que as histórias não têm de ser como vêm nos livros mas depende de nós criar novos capítulos e dar-lhe o nosso pantone.
A ver se é desta que entendes que o nosso sorriso um com o outro tem um molde especial.
A ver se é desta que entendes... que é isto!"
09-05-2014 by CSaid

Sonho com alguém que não tenha conversas dúbias. Que não seja de meias verdades, de meias palavras. Que não releve os seus actos. Que não crie barreiras ao que deve ser fácil e natural. Sonho com alguém que sabe o que quer e que quer já.

Sonho com alguém que assume. Que caminha ao meu lado com orgulho. Sonho com alguém que não esconde-se, que não esconde-me. Que apresenta à família, aos amigos, aos colegas, à senhora do café.

Sonho com alguém que pára por um segundo na rua, só para dar um abraço apertado. Sonho com alguém que quando abraço, o mundo pára e deixa de ter significado para além desse abraço.

Sonho com alguém que não esteja mal resolvido. Alguém que saiba que para ser feliz, o passado fica atrás. Sonho com alguém que só está interessada no futuro e que o desejo desse futuro seja ao meu lado.

Sonho com alguém que solta aquela gargalhada estridente que há em mim. Que em momentos mais pesados, consegue demonstrar que a vida pode ser leve. Sonho com alguém que seja o meu porto de abrigo quando o mundo revolve em tempestades.

Sonho com alguém que dá mais convicções do que dúvidas. Sonho com alguém que é a solução para os problemas e não a causa. Sonho com alguém que não quer saber o que os outros pensam de mim.

Sonho com alguém que queira fazer planos a dois. Que veja um futuro a dois. Que veja não uma casa mas uma família. Sonho com alguém que apesar de ter consciência que consegue viver sem mim, opta por uma vida ao meu lado.

Sonho com alguém que faça com que olhe para trás e seja grato por não ter resultado com mais ninguém. Sonho com alguém que faça o que fala, e não passe o tempo só a debitar promessas.

Sonho com alguém que confia, que apoia, que não passa o tempo a criticar. Sonho com alguém que acredita em mim, que acredita em nós.

Sonho com alguém que não preciso de convencer do meu amor. Sonho com alguém que olha-me de cima a baixo e sem hesitar sabe, sabe que é ao meu lado que quer estar.

Sonho com alguém...

A imagem jovial murcha em segredo sem que ele notasse, porque o distanciamento vigente, trouxe transformações indeléveis, que só a mágoa de um desamor consegue envelhecer. Não são sentimentos fugazes, sem expectativas de futuro que alimentam o ego, a mágoa da sensação de perda é um vazio infindável, impossível de preencher.

A felicidade não tem medida, nem poderá existir em toda a sua essência enquanto penosamente houver memórias de um passado abrupto e amargo. Ele resguarda-se perseverante de portas fechadas para novas possibilidades, ainda mais trancadas a sete chaves para um reinado de desolação.

No melhor e pior de si, não é difícil de ser lido. É mistério sem segredos. Não te percas ao entrar no infindável do seu mundo, porque traição, promessas vazias e menosprezo de carinho, são impulsionadores de desterro.

Na minha praia, mandei ao mar a última peça oferecida por alguém que me fez tão mal, mas tão mal que não deixa qualquer pena ou memória que faça sorrir. Foi tão natural, tão libertador, tão prazeiroso... Perguntaram-me se ia pedir um desejo e naturalmente pedi ao mar: por favor leva-o e mantêm-o bem longe de mim.

Incrível como ainda consegue deixar-se surpreender pelo poder da mágoa. Convicto de ver o lado optimista em todas as situações. As palavras tornam-se um excelente repelente, um condutor afrodisíaco de silêncio e distância que salvaguarda a imensidão de más vibrações. 

Chegou o sol, caracóis e imperiais, regados de convívios e risos. Pôr-do-sol em amizade, sensação de equilíbrio no horizonte do mar e uma determinação... à merda com o teu reinado :)

Virado do avesso, a avidez da pele transparece a preocupação. A revolta de um grito mudo vinca as expressões faciais. Silêncio, silêncio que impera a injustiça e impotente se faz o bom senso.
O futuro a Deus pertence e o que sobra, é enfrentar nova batalha concentrado em sobreviver. São 2400 horas surripiadas de uma existência, uma marca que prevalecerá na memória para o resto dos dias. Não é o tempo que repugna, é a tela de um futuro vazio, tentando alcançar paz interior para ver o mundo desabar. E onde encontrar forças para aceitar recomeçar do zero?
A espera, essa maldita que corrói as entranhas, que empurra o pensamento, na penumbra da noite, a correr uma maratona até se fazer dia. O que se quer é uma decisão. Sim ou Não, uma roleta desenfreada, onde as probabilidades não são favoráveis ao jogador. Solto ou encarcerado, decidam! Caso contrário, receio que seja a espera a definhar a existência.

Sinto que em cada passo estás ao meu lado, que quando a dúvida persiste és tu que iluminas o meu caminho. Perco a conta no número de vezes que falo contigo no nosso silêncio, quando fecho os olhos e o teu olhar doce toma conta do meu imaginário, trazendo nesse semblante a esperança e força para encarar a vida.

Foste tu que ensinaste-me a nunca perder a sede do conhecimento, a querer sempre saber mais. Que saudade das horas intermináveis no café, onde abrias o livro da tua sabedoria e deixavas-me folhear cada palavra, embebida num gesto de ternura e alimentado por um suspiro cor-de-rosa.

Este riso contínuo, marca registada da minha personalidade, de alguém que aprendeu a não duvidar do seu potencial, que dá alento a uma força interior para nunca desistir, foste tu que alimentaste e fizeste florescer. Foste sempre o apoio e os braços para onde corria, o meu retiro seguro. Que saudades dos teus beijos na minha testa, enquanto tentavas encaracolar o meu cabelo. Sinto falta desse calor humano, de um ser extraordinário que partiu cedo demais. Fazes-me falta Querida.

Obrigado meu anjo da guarda por teres ensinado a levantar a cabeça e apreciar o arco-íris neste trilho que é a vida. O teu corpo deixou-nos há 20 anos mas a tua alma tem sido a melhor das companhias. Amo-te muito minha Querida Avó. Parabéns pelos teus 86 anos

Desde sempre oiço aquela máxima que a vida começa aos quarenta. Será que hoje, que aqui chego, nasci para o mundo? A entrada nos entas vem atormentando a minha existência há um ano. Senti o peso nos ombros com a proximidade desta data simbólica. Recordo-me de entrar na adolescência e ter a convicção que nunca chegaria a este marco, que a minha existência nunca teria tal longevidade. Agora que aqui cheguei, pergunto-me: Como é que o tempo passou tão rápido!?
Afinal, juro que sinto-me exactamente o mesmo. Não sei o que é a chamada crise da meia idade, continuo a padecer do síndroma de Peter Pan, com um feitio sui generis. Da mesma forma que não estou preocupado em desvendar o sentido da vida. Sou apenas quem sou, ou sou tudo o que sou... não é relevante. Eu sou eu, com todas as minhas virtudes e defeitos.
Foram quarenta anos recheados de emoções e de vivências. Repleto de marcos importantes. Passeei pelo mundo, vivi fora, conheci outros lugares e pessoas interessantes. Dei-me à escrita de músicas ou no pretensiosismo deste blog. Tive sonhos desfeitos e outros concretizados. Lutei pela minha sobrevivência e venci. Descobri novas aptidões e esqueci os sonhos que não realizei. Namorei, juntei-me, sofri por amor e aprendi a viver muito bem com a minha solidão. Tive um filho lindo e uma filha adoptada que encheram o meu coração. Reencontrei-me na minha família e nos amigos que fui colhendo pela estrada. Dei tudo de mim esperando sempre mais, mas tal como dizia John Lennon, a vida é o que acontece enquanto fazemos planos. Por isso não aceito essa máxima de que a vida começa aos quarenta, porque isso implica aceitar que tudo o que vivi nunca existiu. Não quero que a vida comece, quero que ela se prolongue e traga consigo sensações novas, sabedoria e coragem para aceitar o que vem aí.
Se me perguntassem aos vinte o que gostaria de receber, a resposta seria de certeza uma vivenda na praia com um porsche na garagem, dois filhos e uma mulher fantástica do meu lado. Uma vintena depois, levanto-me feliz para ir comprar um micro-ondas. A importância do dia-a-dia tem muito mais força do que algum sonho alguma vez sonharia.
Neste caminho fui aprendendo muita coisa... Aprendi que os bens materiais são insignificantes ao lado de pequenos gestos. Aprendi que ser frontal nem sempre é a melhor postura e que o silêncio é a melhor resposta. Aprendi a dar-me às pessoas, sem nunca esquecer em proteger-me da malícia alheia. Aprendi que falar é sempre fácil mas são as acções que contam, por isso não devo criar expectativas. Aprendi que não se morre de amor, mas algo morre sem ele. Aprendi que mereço ser feliz. E aprendi que ainda tenho muito para aprender.
A conclusão a que chego é que a vida não começa aos quarenta, mas também não acaba. Os sonhos é que se tornaram simples, existe menos tempo para recomeços. Aceitei que não seria um jogador de futebol, muito menos seria um grande músico. Que nunca serei o melhor no que faço mas o que faço, faço com dedicação e empenho. Que não ter criado a minha própria família não é um drama e viver sozinho tem o seu lado positivo. E no fundo, o que importa não é o que ficou para trás mas o que há de vir.
Portanto só pretendo continuar a seguir esta estrada, mesmo que os pneus estejam um pouco desgastados. A vida não começa aos quarenta, ela começa quando olho ao espelho e digo: eu sou eu, com todas as minhas virtudes e defeitos.

Espero que venhas sem sobressaltos, que passes por mim como uma brisa quente de verão, onde os novos ventos elevem o sucesso nas apostas profissionais e pessoais. Que a criatividade e energia sejam uma constante, para fazer frente aos desafios que estão para vir.
 Que os amigos marquem presença assídua e as jantadas proliferem, recheadas de conversas interessantes, risos e boa disposição. Pois são eles a outra família que dá sustento ao viver.
Que não falte a família e o sorriso dos meus pequenos, que dês alento à solidão, com a inocência do seu sentir. Que a saúde não falte, a mim e a quem mais quero bem. De encontrar constantemente o carinho maternal em meias-de-leite ao final de tarde ou no abraço de um petiz de cinco anos, que considera-te o seu melhor amigo.
Que o marco dos quarenta anos, não roube o sorriso de viver, a risada estridente, a parvoíce e espírito juvenil. Anseio que tragas à alma o discernimento para não reagir impulsivamente, a sabedoria para fazer as melhores escolhas e a coragem de seguir em frente, sem guardar rancor do passado.
 Que a palavra desespero desapareça do teu dicionário e seja substituída pela paz. Que a harmonia sentimental seja uma constante, pois o teu antecessor encheu-se de emoções demasiado intensas e por pouco não levou-me ao abismo.
Quero poder viver o silêncio do pôr-do-sol banhado pelas ondas do mar, recordando as memórias no bafo de um cigarro e no final sorrir genuinamente.
Espero muito de ti 2015 e tentarei não desiludir-te.
Até já

Em noite de Consoada, encontro com humildade sorrisos de confiança e ternura.
Danço nas memórias e na nostalgia de guardar o que é bom de ser mantido.
Foi uma montanha-russa de desejos impossíveis, onde já só há espaço à resignação.
Doeu muito perder, mais ainda aceitar que nunca tive.
Já não há revolta, apenas uma caixa cheia de memórias guardada num recanto escuro.
Em resoluções de final de ano, só resta dizer adeus e desejar que sejas feliz, como e com quem quiseres... pois tudo fica mesmo quando se acaba.
Feliz Natal Rainha e Princesa



Tal como o tempo agreste, a realidade bate como a lufada de ar gélido. chocante no primeiro contacto, revigorante na sua convivência.
Sempre fui adepto do inverno, quando a natureza eleva-se ao expoente relembrando o quão infimos somos, sendo também nessa imensidão realçados os nossos sentidos. Ao vislumbrar o mar em todo o seu explendor, sinto-me tonificado. A paixão de viver que há em mim revitaliza-se.

Porque o mundo está cheio de palavras e poucos actos, cansado de ouvir e de verdades turvas. Talvez o maior choque seja compreender que o idealizado, nunca foi a realidade. O sentimento nunca será puro quando por trás se escondem outros interesses.

É entre bafos de um cigarro e as ondas que rompem contra os rochedos, que cresce em mim a convicção de que não permito mais desrespeito, que não tolero a ausência de compromisso. Sem entrega, não existe estabilidade, não existe futuro. A esperança, guarda-se naquele baú bem no recanto escuro que o tempo faz por esquecer.
Não se cura um vício com outro, só o tempo e o bem-estar interior saram feridas. Aos poucos caminho para lá, tal como as ondas que vislumbro, também eu chegarei à praia.
Os salpicos gélidos de água salgada escorrem pela cara, intensificando o sentir. Está na hora de recolher à lareira e deixar-me embalar pelas chamas, queimando o desgosto e apagando memórias.

"O meu corpo esqueceu-se de ti. A mão já não sabe o caminho para os teus cabelos. A língua estranha o teu sabor. Só o coração te reconhece. Ainda." by Nano Contos

No outro dia lia, viver perto do mar ameniza o stress. Não é o mar, é a sua imensidão que faz com que compreendamos o grão de areia que somos.
Fechei a lauda do qual nunca tive direito a passar, deixei de arranjar desculpas para as mutilações de privacidade, apenas aceitei que não poderia ter sucesso. Não foi o mar, esse embalo viciante que tolda os meus dias, foi a convicção do amor próprio que tenho de possuir.
É não privar das amizades, das conversas ou da essência de ser quem sou, é não sentir culpa por algo que não se fez, é sentir a consciência tranquila por dar muito mais do que alguma vez se recebeu. É amar sem esperança de retorno, são 1460 dias a sonhar com um único dia de postura decente que nunca existiu. É não mostrar disponibilidade, quando o verso da carta está aberto a nova escrita. Corpo e alma estiveram lá.
É ver a mesquinhes de quem jogou pedras, vive da hipocrisia de utilizar aquilo que foi dado por amor, banalizar o que foi dado com alma, trocado pela moeda do consumismo. Que bem que sabe, dormir profundamente, bom que foi entregue sem barreiras e agora utilizado para consumo popular. Obrigado destino, pelo reflexo desse espelho.
Ao invés do sentimento de traição profunda que oculta cada acção, cada manietação ou cada abuso, o melhor de tudo é a hipocrisia das palavras, duras como pedras no apedrejamento de acusação absurda.

Um dia iludi-me ao achar que tinha encontrado o amor da minha vida. Desde o primeiro instante, tive a completa noção que seria uma relação sem futuro por diversos factores mas mesmo assim, insisti e atirei-me de cabeça. Talvez baseado na esperança que todo o coração impregna nestes momentos.
Foi no final de uma longa ressaca, de um fim anunciado, que entraste na minha vida. Com a mesma graciosidade com que te movimentas, arrebataste a minha vida. Deste-lhe sentido, fizeste com que quisesse ser uma pessoa melhor. De repente os meus olhos brilhavam só por te ver e quando consegui tocar o chão, na imensidão da realidade, cheguei à conclusão fatal que era teu por inteiro.
Costumo dizer que a melhor fase da minha vida, foram os anos que passei em Coimbra, que era feliz, que tinha tudo o que sonhara mas não poderia contar maior mentira do que esta. A melhor fase da minha longa vida, foram três lindos anos que passei do vosso lado, a compartilhar o vosso dia, a viver de pequenos nadas, num bailado tão natural e tão nosso, que não há palavras suficientes para descrever tamanha felicidade. Sim, tivemos o nosso lado negro, a nossa luta constante de vontades diferentes, de ideais de compromisso mas foram tantos os sorrisos que inundaram a nossa vida, que toda a mágoa se desvanece com uma simplicidade atroz.
Estava saturado do círculo vicioso que era o nosso fica, não fica. Do é e não é, do esconder e de não assumir algo que deveria ser tão natural como o ar que se respira. Nós éramos um casal, com uma filha linda. É assim que ainda hoje olho para trás. Há dois anos atrás, precisamente, foste ter à minha antiga casa. Ofereci-te um bouquet de flores e fomos ao Vaskus jantar. Vinhas linda, de olhos pintados que realçam ainda mais o brilho da tua alma. Terminado o repasto fomos para tua casa, reescrever o retrato que tanto amámos. Uma conversa silenciosa de olhares e sorrisos, envolvida num copo de whisky e outro de amêndoa amarga com muito limão. Fomos nessa noite o melhor de nós, fomos o que sempre fomos, enquanto estivemos juntos. Um casal feliz.
O meu mundo entretanto desvaneceu de baixo dos meus pés, tanto se passou na tua ausência, tanto que sussurrei o teu nome ao vento e nem sinal de ti. Compreendi que era hora de partir, de seguir viagem para uma vida nova, de mudar rotinas. Foi sem poder recuar, olhando para o horizonte, que virei  a minha vida do avesso. Aqui estou, nada arrependido, feliz na medida do possível, a ouvir o mar quando embalo no sono e fecho os olhos, como tantas vezes idealizámos o nosso futuro idílico. Recordaste? Era assim que queríamos viver, com uma grande janela com vista para o mar. Aqui estou eu no nosso sonho sem ti, sem vocês. E é assim que tem de ser.
É necessário respeito e compromisso, para além do amor. Que esse tivemos de sobra. Já não sinto mágoa, sinto saudade mas consciente que não devo e não posso agarrar-me a algo que não é meu por direito. Sigo os dias sempre com a premissa em mente, de que se fosse meu teria voltado mas consciente da verdade irrefutável, de que não voltará.
Quando sou invadido pelo impulso de ligar, de beijar, de sentir a presença ou o abraço, lei-o as tuas últimas palavras no telemóvel: Já não te amo faz tempo, já não estou ligada a ti.
Mas eu CSaid, amo-te para toda a eternidade.
Feliz dia dos namorados, Amores da minha vida.

"Na vida há erros que cometemos e verdades que não conhecemos. Entre erros e verdades, amei-te. Talvez tenha sido o meu único erro e a minha única verdade."

Hoje chorei muito. Pela primeira vez, eu e a minha mãe, falámos abertamente sobre os meus acidentes de uma forma natural. Revivemos cada detalhe, relatámos como alterou para sempre quem nós somos. Senti a sua dor, senti a nossa dor, dei por mim angustiado pelo mal que causei aos que mais amo.
Recordei o meu anjo da guarda, que deixou-me amputado e o peso que a sua promessa tem em cada dia que vivo. Que promessa tão estúpida, uma riqueza de vida desperdiçada com alguém que não é merecedor.
Hoje deveria sentir-me muito feliz, sou acolhido no seio da minha família como há muito não acontecia. Sinto-me amado, foi um Natal em pleno, rodeado de mimos, abraços e beijos mas não deixo de sentir profunda tristeza.
A névoa negra que envolve o horizonte, não agoira bom futuro. Tenho saudades de nós, o que não daria para ter as minhas meninas a celebrar o auge familiar do meu lado. Eu sei, o quanto é utópico mas elas serão sempre a minha Princesa e Rainha, donas do meu mundo. Preocupado que estou com o meu irmão e os meus sobrinhos. O que guardará o futuro para eles? Não quero estar longe dos meus sobrinhos, são eles que voltaram a dar sentido ao Natal, que amenizam a ausência do meu filho. Já não basta sentir falta da Princesa, também tenho de perder-los? E a bomba que ainda não larguei, que irá mexer com os alicerces de todos? Não era justo comunicar num momento de harmonia e felicidade.
Vida madrasta, que teimas em fazer sofrer. Faz uma pausa, acalenta a esperança de um futuro, não pintes de cinza o que merece ser colorido.

Novo ano, nova vida, novo recomeço. Em busca de forças para esta mudança forçada, dou por mim a pensar: E agora? Estou com receio de perder-me no isolamento mas foi a única solução viável que encontrei. Já não estou habituado a mudanças drásticas, ao empacotar, montar tudo de raiz, ao começar de novo. Sempre aceitei o destino, encarei sem temor as alterações de residência, de hábitos, de convivências. Soube ser um camaleão e adaptar-me ao meio em redor mas e agora? E agora, que já não és jovem e as forças teimam em faltar. Será que tens o que é necessário para vencer? E agora?
Já eram alguns anos de arraiais assentes numa zona que estimo muito, onde criei laços, onde sinto-me querido. Talvez não seja tanto o que se deixa para trás mas o vazio do horizonte que se avizinha. Longe de tudo e de todos acorrentado à pacatez, de novo um estranho numa terra que me viu crescer.
Tento agarrar-me ao lado positivo, a descortinar vantagens. A possibilidade de uma vida mais saudável, poder acordar ao lado do mar, que tanta saudade deixou mas tudo isto não esbate o sentimento de perda.
Há que cerrar fileiras, não há volta a dar, portanto vamos começar de novo...




Sara Bareilles é uma das minhas cantoras predilectas. Talvez por ser uma luso-americana, consegue atingir o profundo do meu ser transformado em majestosas melodias, sentimentos que guardo nos escombros da minha alma. Por vezes dá calafrios ouvir uma música sua pela primeira vez. É como quem decifra o negro íntimo de mim em busca de inspiração para criar algo maravilhoso. Um misto de surpresa e reconforto ao deparar que todos os cacos dilacerados ainda podem ser transformados em algo harmonioso.
Cansado desta força invisível que me puxa sempre ao mesmo sitio, repleta de hipocrisia que foram acusações constantes, eu só quero sair do limbo que não me deixa partir, impregnado na minha pele e em tudo ao meu redor. Não é justo amarrar alguém a uma ilusão que nunca passou de um capricho, ainda mais quando já se está num novo rumo. Roçar por um breve instante, não é o mesmo que um abraço e cansado de obrigações sem deveres, só quero erguer no alto de mim olhando com esperança o horizonte.

Desta vez quase esqueci esta data. Parece irreal mas já passaram vinte anos, mais de metade da minha vida e contra todas as previsões, aqui estou. Ainda estou, já sem a tenacidade inicial mas presente.
Como tudo poderia ter sido diferente, se tivesse ficado em casa naquele dia. Talvez seria um caminho menos penoso, mais inocente e menos amargo, talvez... muito talvez.
A partir daquele dia tudo passou a custar mais. Para as tarefas mais banais é necessário muito empenho e com o passar do tempo, cada vez mais. Tornei-me frio, fechado em mim, tornei mestre em esconder falhas, os receios, a enfrentar a vida de uma forma cada vez mais crítica, mais crítico com os outros e sobretudo comigo.
Também houve consequências positivas. Tornei-me mais aplicado, mais objectivo, testei os meus limites e hoje tenho real percepção das minhas capacidades. Sou decidido mas não sou o poço de força que proclamam. Escondo bem o quanto custa viver, o cansaço de sofrer constantemente, a batalha que é necessária para conseguir acompanhar os outros. Utilizo um sorriso como escudo, para disfarçar a dor que há em mim.
Por vezes, fechado em mim, na minha solidão, revolto-me com o destino. Queria uma folga, poder ser quem não me foi permitido. Poder viver ao invés de sobreviver, não tratar a dor por tu e ter uma casa a que pudesse chamar de lar. A minha família, que acolhe a minha chegada com carinho e afecto. Então, eis que chegam os primeiros raios de sol, dissolvendo o escuro da minha solidão e sou puxado novamente à realidade. A minha guerra solitária continua, não há tempo para sonhar, é vital haver empenho para almejar respirar.
Vinte anos passaram, vinte anos a batalhar, parabéns a mim, por vinte anos de sobrevivência.

Ontem morri, amanhã sangrando cairei nessa luz. O futuro aberto para além do imaginável, no intuito de descobrir o porque da esperança morrer.
Perdendo o que se achou, num mundo tão vazio, suspenso de compromisso. Ainda é cedo para seguir o silêncio desse som. De alguma forma o sol se foi e para encontrar respostas, é necessário cair no esquecimento das perguntas, às quais sempre apelidámos de casa.
A razão encobre os olhos num esplendor desvanecido. Ilusões dessa luz. Um reflexo de uma mentira que mantêm-me esperando há tanto tempo pelo fim da vida. Este final de dia é a prova do tempo secando toda a fé que conheço. sabendo que a fé é tudo o que tenho.
Eu perdi quem sou e não consigo compreender onde começou o declínio, um coração desfeito que ressoa palavras sem sentido, continuando, continuando...
Mas sei, apenas sei, que começou o fim do desgosto. Quem sou desde os primórdios, menino traquina, de sorriso fácil, levar-me-à a bom porto, para um tempo ou espaço onde tudo fará sentido, onde existe harmonia e os sonhos se casam à realidade. Deixo-me ir, vou navegando, não ficarei calado, seguirei.
Todo este tempo perdido em vão, anos perdidos, palavras sem vida num mundo destruído mas a esperança insiste e esta luta não termina aqui. Há uma luz, há um sol que eleva-nos ao lugar que pertencemos. O amor irá prevalecer e ainda conquistarei a felicidade.
Amanhã cairei nessa luz.

Foram quase três anos a contemplar do convés o dia-a-dia da ilha que apelidara de sua. Conhecia os seus traços de olhos fechados, cada grão de areia de uma praia luzidia, o verde vivo da vegetação palpitante e aquele mar de águas escuras e turvas que teimosamente impeliam o barco de atracar em porto seguro. Muitas foram as noites em que admirava a calma reinante, sobre o luar cintilante, envolvido pelo sopro de um vento quente que suspirava ao seu ouvido, acalentando os sonhos de um futuro risonho. Bolinou toda a costa infinitamente, embevecido por aquele éden que ansiava designar de casa. O seu lar. A paz de espírito vivia na esperança desse dia, reflectido no seu olhar quando vislumbrava os encantos daquele local aprazível.
O tempo ia correndo e as águas turvas, teimavam em não amainar. O barco na asas do sonho arrastava-se no mar bravio, enfrentando as tempestades que por vezes visitavam o paraíso. Os dias passavam e com eles levaram a crença a pouco e pouco definhar. O desespero e angústia reinavam no escuro do porão, o canto solitário onde a luz não era convidada, indagado de porquês sem sentido. A esperança desamparada mirrava, seca, podre, sem essência de cor.
Após quase três anos a amarar ao largo da ilha, sempre na esperança de colocar pé em terra firme, é chegada a hora de içar ancora, hastear as velas e zarpar contra o vento, rumo ao desconhecido. A verdade finalmente emergiu, brilha reluzente sem pudor da sua essência. Ao leme salpicado pela água salgada, escondem-se as lágrimas de um último olhar. Nas docas, jaze um barco imponente. LR


Fomos a simbiose perfeita. Vesti o teu corpo em mim e em ti encontrei um sentido para a vida. O aroma da tua pele, era a fragrância que enchia os pulmões no primeiro respirar. Matava a sede com a água dos teus beijos e no longo abraço encontrava o descanso para a minha alma turbulenta. Elegantemente dançavam os dias, numa valsa intimista e cúmplice, na toada perfeita de risos felizes.
O tempo que tudo trás e tudo leva, roubou a estrela incandescente que vivia no teu olhar, dando lugar à penumbra de um cinzento pardo. Inodoro tornaram-se as manhãs. Os lábios áridos que em tempos jorravam doce mel, já não conseguiam matar a sede e as noites passadas ao relento, frias como rochedos, mirraram a harmonia que um dia proliferou.
Não há esperança que sobreviva à irredutibilidade do ser. Não há luz ao fundo do túnel que resista, ao vento da tua vontade transformado em tornado. Devastador, assola tudo o que se construiu, deixando um rasto de destruição massiva, levando consigo o amor banalizado e desrespeitado.
O amor intenso, esse amor real e raro de um arco-íris profundo, já só consigo vislumbrar além longe pelo telescópio, perto das estrelas mais antigas e brilhantes. Foi o furacão da tua essência parda, absorvida de desconfiança e ressequida pelo egoísmo, que catapultou para as estratosfera.
De quando em vez, quando fumar um cigarro nas noites quentes de verão, talvez erga a cabeça tentando procurar entre o escuro da noite, esse amor cintilante que um dia iluminou a minha vida. Não sei se ainda existirás ou sequer se terei a sorte de encontrar-te entre dois bafos no cigarro, por isso deixo-te aqui o o meu adeus agradecido pelas memórias de um antigamente, que nunca chegou a ser realidade. Sê feliz nesse céu imenso, acompanhado das estrelas que serão para sempre tuas companheiras. Eu continuarei a calcorrear a minha estrada no encalce do arco-íris que dá cor e significado à vida.

O hábito de entregar quem és, não certifica a satisfação da correspondência. Cansado de mar alto e turbulento, olha-se para a meia-praia como se mira um oásis. Não dês a quem não dá retorno. Não mostres a quem se fecha. Não sonhes com quem vive no cinzento da realidade. Não dês cor à vida de alguém que não aprecia, valoriza, ou sequer estima.
A palavra impossível existe para ser testada mas não abdiques da felicidade. Traça um rumo para longe do vazio e faz a mala. Leva contigo na sacola o equilíbrio, ilumina o caminho com o sorriso característico e não esqueças de embalar uma grande dose de positivismo. Só assim poderás levar o barco a bom porto. Vamos em frente.
Acredita no amanhã, sem nunca recordar o que se perdeu. Não interessa com quem se partilha ou se quer se é necessário partilhar mas se for caso disso, que sintas que é alguém que deseja com a mesma intensidade e não alguém que vive no egoísmo indiferente ao que sentes. Importante é estares de bem com a vida, de bem contigo, inundado pela essência do que te faz feliz.
Enquanto houver a premissa e a crença, de que um melhor dia virá. Tudo é possível. Acredito em ti, acredito no sonho, aliás, ainda acredito que possas ser feliz. Mereces, é imperativo que isso aconteça, caso contrário qual o intuito desta passagem? Sonha menino, continua a sonhar, que o êxtase encontra-se ao virar da esquina à tua espera e deixa de persistir numa conjuntura que só vive no teu ideal. Procura a tua felicidade.

O arauto chegou com a sua proclamação solene, com medo de ouvir as palavras que sempre temi e a invasão dilacerante de um sentimento agridoce que penetra a pele ambígua a cada palavra. A esperança de realização do sonho de uma vida desvanece por completo na penumbra da mensagem, sendo apenas colmatada pela propagação de um sentimento de paz, ao compreender que já não é relevante o sentimento desta casa, a felicidade mora na porta ao lado. A noite toma conta de si, com estrelas que ofuscam a memória ao saber que voltou a sorrir. Achou o seu rumo, já não está sozinha.
Ao vislumbrar o vulto que se afasta na linha do horizonte, uma lágrima começa a escorrer face abaixo por ter dado à metade de mim, a liberdade de voar em busca do seu caminho mas essa mesma lágrima cessa ao tocar a ponta do lábio que sorri, por presenciar a existência de uma nova mão que se entrelaça. Guiando, envolvendo e acompanhando o seu caminho por águas menos turvas e revoltosas. É a maior prova de amor que poderia dar. Estou profundamente feliz por ti.
Eu nunca fui de promessas passageiras e houve algumas que quebrei mas juro que nos curtos dias que ainda restam, serei eternamente grato por ter tido o privilégio e o orgulho, de por breves instantes ter caminhado a teu lado. As memórias de quem fomos já foram embaladas e só desejo que este novo alguém compreenda e agradeça, a sorte de ser responsável pela tua felicidade. Eu não sou de muitas caras, uso só uma máscara, por isso compreendes que este desejo vem do mais sincero de mim.
Felicidades para o teu novo sonho, meu amor