A confirmação através daquela mensagem seca, foi apenas a assinatura de uma sentença de morte há muito sentida. Há dois meses soou o alarme, a intuição que te mostra a certeza daquilo que não consegues ver, sussurrou. O mundo terminou, capacita-te disso. Tens de aceitar. O mundo morreu e não há nada que possas fazer para alterar o seu fim.
Mas aquela fé estúpida, que te consome até à última gota do teu ser, dizia. Acredita, o amor um dia irá falar mais alto. Sentimento estúpido que fazes tanto sofrer, que escondo na minha profundeza e luto todos os dias por ignorar, com o único intuito de manter um norte equilibrado. Hoje deitaste-me por terra. Senti-o bem cedo, senti que algo não estava bem e à noite, ali estava. Bem em frente dos olhos, o recado que apenas tinha um destinatário.
Senti o chão fugir, um peso enorme dentro de mim, como se fosse explodir. Respira, respira, dizia uma voz no fundo da alma mas não sei, não sei como respirar, sussurrava em resposta. Cada palavra dilacerava mas era impossível parar de consumir cada uma daquelas frases, tentar compreender a emoção com que foi escrito aquele recado. Sinto que fui abalroado por um camião em excesso de velocidade deixando-me consciente, apenas para sentir na plenitude, a imensa agonia corroer o meu corpo.
Não foi inocente a maneira como o recado foi escrito, como aliás nada do que fazes é feito irracionalmente. Doeu horrores, destruíste em segundos, o pouco do que tinha conseguido reparar com muito esforço neste último ano mas também não posso deixar de agradecer. Afinal, compreendo acima de tudo, que fizeste o que sempre pedi. Não foi uma declaração ao teu novo amor, foi uma afirmação para mim. Já não te quero, amo outra pessoa. Estas são as palavras que não escreveste.
Reli e voltei a reler cada palavra, perdi a conta às vezes que procurei os significados e agora mesmo de rastos, a maior mágoa é a forma como tudo aquilo que sei que fiz-te sentir de bom, forças em relativizar por completo, como se nunca tivesse existido. Em parte estou feliz que estejas a viver um grande amor, também compreendo que é necessário deixar para trás o passado, para poder viver o presente mas desculpa dizer-te.
Esse carrossel de sentimentos, as tais borboletas que agora sentes e que afirmas não viver desde a adolescência, viveste-as todas intensamente comigo. Estão tatuadas para sempre em cada foto, em cada recado de amor, na caixa de memórias que construímos, eu, tu e a nossa princesa. No vídeo que guardo e revivo tanta vez, onde declaras o amor que sentes, não pelas palavras que saem da tua boca mas pelo brilho que trazes no olhar, no imenso sorriso estampado no teu rosto. Estas memórias podes tentar ocultar-las da tua vida, da mesma forma que apagas tudo que te possa recordar o que vivemos mas estarão para sempre presentes num lugar dentro de ti.
Não havia necessidade de teres sido cruel, eu recebi o recado de uma forma clara. Não era preciso proclamar em tão viva voz, que estás a viver o teu grande amor. O que foi vivido entre nós tão intensamente, irá para sempre perdurar, mesmo que não leve em si a mesma adrenalina desse teu novo amor. Os pequenos pormenores de mim, estarão para sempre escondidos sobre pequenos marcos teus, que só nós dois sabemos decifrar. A cifra csaid que tanto estimas e usas até profissionalmente, é apenas um dos muitos exemplos.
Como vês meu doce, não foi necessário esperar dez anos, para arranjares antídoto para o nosso amor. Apenas um bastou para encontrares a morada da casa branca e apagares-me por completo da tua existência.
Aceito não ter sido o teu grande amor, mas com certeza fui um dos amores da tua vida.










