Tal como o tempo agreste, a realidade bate como a lufada de ar gélido. chocante no primeiro contacto, revigorante na sua convivência.
Sempre fui adepto do inverno, quando a natureza eleva-se ao expoente relembrando o quão infimos somos, sendo também nessa imensidão realçados os nossos sentidos. Ao vislumbrar o mar em todo o seu explendor, sinto-me tonificado. A paixão de viver que há em mim revitaliza-se.
Porque o mundo está cheio de palavras e poucos actos, cansado de ouvir e de verdades turvas. Talvez o maior choque seja compreender que o idealizado, nunca foi a realidade. O sentimento nunca será puro quando por trás se escondem outros interesses.
É entre bafos de um cigarro e as ondas que rompem contra os rochedos, que cresce em mim a convicção de que não permito mais desrespeito, que não tolero a ausência de compromisso. Sem entrega, não existe estabilidade, não existe futuro. A esperança, guarda-se naquele baú bem no recanto escuro que o tempo faz por esquecer.
Não se cura um vício com outro, só o tempo e o bem-estar interior saram feridas. Aos poucos caminho para lá, tal como as ondas que vislumbro, também eu chegarei à praia.
Os salpicos gélidos de água salgada escorrem pela cara, intensificando o sentir. Está na hora de recolher à lareira e deixar-me embalar pelas chamas, queimando o desgosto e apagando memórias.
"O meu corpo esqueceu-se de ti. A mão já não sabe o caminho para os teus cabelos. A língua estranha o teu sabor. Só o coração te reconhece. Ainda." by Nano Contos
0 comments:
Enviar um comentário