The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Ganhei vontade de transformar o mundo, enquanto o mundo vai transformando-me. Tudo à volta é tão claro, tudo à volta é tão dúbio. Sento-me, acendo um cigarro enquanto os dedos percorrem o teclado autonomamente descrevendo cada sentido, cada momento, dissipando os pensamentos numa postura de equilíbrio equilibrista.
Com o sol a traçar-me o perfil, giro no mundo do girassol onde tudo é tão novo, tudo é simples numa teia de complicações. Não mergulho de cabeça, não cometo esse erro, porque de erros foi feita a estrada e sinuoso foi o seu caminho. Vivo do hoje, para hoje, sem querer sonhar, sem pedir mais. É fácil, sei como me sinto hoje, estou seguro do que quero, bebo de ti, bebes de mim, não paro obcecado a perder tempo com amanhã, se há um amanhã. Gosto do que tenho, gosto do que somos ou não somos, gosto de estar, gosto de sentir, de sentir falta, gosto porque gosto mas não perco o equilíbrio.
Tenho vontade de mais, sede de mais. Sinto o sangue pulsar nas veias, nativo de mim, nativo de ti mas ainda tenho tanto para reconquistar, tanto ainda para fazer, tenho tanto para percorrer e vou fazendo o malabarismo de equilibrar-me no tempo. No meu tempo, no teu tempo, naquele que até poderá vir a ser nosso. Fazes-me bem, faço-te melhor ainda e quando sozinhos ficamos o mundo encontra o equilíbrio fechando-se em nós e é assim que gosto de estar. Gosto do que gostas, estamos bem juntos, ficamos bem juntos, faço-te tremer, tu tiras-me o ar. Sim existe algo, existe mais, mas mais é amanhã e ainda estamos no hoje. No passo certo, com equilíbrio, talvez cheguemos lá ou talvez não mas isso é amanhã.
Vem ver, eu estou a batalhar com o tempo contra os meus problemas, a dançar no palco do mundo e vou vivendo o meu trabalho que tanto gosto, vivendo as relações, sejam amizades ou familiares, não te vou dizer como agir ou que fazer, só sei dizer-te que vivo por demais mas também que não vou desequilibrar porque preciso de traçar em mim a conduta de pensamento no equilíbrio que necessito e que à tão pouco tempo ajudaste-me a reconquistar.

É em adversidades da vida que encontramos pessoas bonitas, tantas vezes de forma inesperada, que nos perguntam como estamos e que até ficam à espera para ouvir a resposta.
Vagueavam em corredores sem ter muito tempo para pensar, duas cicatrizes que ainda recentes não sararam por completo, a vida contínua a ser sempre aquela procura de aventura e emoções, e num toque inesperado de mundos diferentes, dois rostos sorriram ao conhecerem-se. Um encontro fortuito que tem feito muito bem, apenas estar por estar, perdido no oriente em conversas cumplices infindáveis. Pensa muito nas opiniões dos outros, penso na tua opinião. Fala-me de ti, eu falo-te de mim e talvez no caminho esteja a cura dos nossos males.



A vida é cinzenta por natureza e a nós cabe dar-lhe tons coloridos. Foi assim, foi fugindo do cinza e dos problemas diários que avassalam o nosso dia-a-dia, que nasceu a turma do ix. A turma do ix, foi um encontro fortuito, de um grupo de indivíduos que buscavam algo mas que


Outro dia, saí para ir comprar tabaco ao café que existe aqui perto que ainda mantém as portas abertas até às duas da matina e ao olhar para um grupo de adolescentes que por lá se encontravam e fiz um sorriso. Sentei-me bebi uma imperial e aproveitei para divagar nos meus pensamentos. Isto é a turma do ix!
Todos os membros da turma do ix, já atingiram aquela idade onde a responsabilidade profissional impera, onde a azáfama dos dias é despendido

porque ele são pesadelo em más recordações, ele são o stress do trabalho, das

Diferente de gentes de poucas vistas, como uma a turma do ix

It would cause me pain if we were to end it
But I could start again
You can depend on it

I know I'm right
For the first time in my life

A internet é algo muito giro, mas perigoso. Noventa e nove porcento não tem essa percepção. É uma arma e eu só agradeço que não me a façam usar. Sim. Eu nasci inteligente para estas coisas. Novas tecnologias é comigo. A vida de uma pessoa pode ser desfeita à conta do mundo virtual. Até mesmo aquelas sopeiras que se sentem o máximo porque sabem ler uns livrecos, podem ser atacadas por um hacker!
Sempre me fiz aos projectos que acreditei que poderia concluir, só a esses. A internet é uma das ferramentas com que mexo muito bem, além do mundo gráfico que me permite criar-me um maratonista mesmo sendo um tipo de canadianas à mais de 14 anos. O problema é que. será que os intelectuais, tão intelectuais que eles são, acham bem andar a cutucar uma fera? Que para mais eles não conhecem de nado nenhum? Bem eu não sou nenhum Sócrates, mas não vou espicaçar alguém que pode desfazer a minha vida! mas isto sou eu a pensar alto....
Será que as pessoas não têm noção que as fotos podem ser copiadas, adulteradas e incluídas em sites pouco recomendáveis!? Eu não colocaria as minhas fotos sabendo o que por aí é possível ser feitas as maiores provas. Quantos sites pornográficos incluem imagens amadoras? De amador aquilo não tem nada, são locais onde se encontram caras de ex's E quer-me pareer que ou te portas vem ou de fiven ã o tens nada.!
na pio4eqw e3wp3wqw, 5imuqw ´3 im doe3o
Tenham dó de mim! Os recalcamentos são tais, que os maridos, só se encomendam por net, mas isto é ao mesmo tempo um mundo muito sombrio e de frustração! Mas como regem às suas convicções os outros pelos seus padrões esquecem que até lhes pode aparecer alguém que até saiba um bocadito mais do que elas e de certa forma consiga saber quantas cusquices fez por dia, qual a hora e de onde. Para não falar que se fosse uma pessoa mesmo má como as porteiras intelectuais me tomam, consiguia moradas, números de telefone e afins. O ponto de saber que consigo fazer a vida de alguém num inferno só estando em frente a um monitor... dá-me uma sensação de controle enorme. E que tal falsear fotografias!? Não é nada de especial para alguém com os meus conhecimentos

A Chefa, a Tieta Cabrita, o Gp Santinhos, o Basco e a Sininho. Núcleo duro de uma agência sempre em ebulição. Nunca tinha trabalhado tanto e com tão boa disposição. Há picos de trabalho durante o ano, claro que há, todas as agências são assim mas tem sido um mês e meio por demais! O que vai aguentando os efervescentes é a boa disposição e o excelente relacionamento que existe. Bem, também é verdade que contamos com as algálias e o soro intravenoso para nos servir de suporte à vida, pois de outra maneira já teríamos batido a caçoleta tal é a quantidade de horas contínuas na labuta.
Gp Santinhos, Chefa e o Basco, já chegaram a efervescer durante quarenta e três horas contínuas, com apenas pequenas paragens de alimentação. Estou a ver o filme à minha frente... A Chefa do lado esquerdo na revisão, a apaziguar o cliente ao telefone, Gp Santinhos do lado direito a rever as prints antigas em busca de falhas e o Basco em frente ao monitor de rato na mão a fazer contas de somar, sempre que se dava uma pausa ou silêncio.
Quando mais uma vez, se esperava pela acalmia, eis que aparece um mega projecto que pode lançar a agência para outros voos. Lá se teve de dizer adeus ao coelhinho da Páscoa e às papas de sarrabulho, bem como às noitadas programadas na Praia das Maçãs em karaokes e com mimos das priminhas. Pensavas tu que ias ver o mar? Pensavas tu que ias dormir até tarde, comer a bela da sopinha caseira e respirar o ar do campo? Ora volta mas é para o computador, prende a corrente, coloca a algália, espeta a agulha para o soro e vamos embora para nova maratona!
Quando me derem ordem de soltura, voltarei a relatar com mais precisão e pormenor o nosso ambiente de trabalho e as loucuras do dia-a-dia. Este fim-de-semana foi um pequeno milagre de descanso e divertimento que me vão sair do pêlo. Até pagar, muito bem pago estes dias, espero poder voltar a ver o sol, sem ser da janela do meu escritório.

Sento-me no escuro com o brilho do monitor a reflectir no casaco que ainda não tive coragem de tirar e chegam-me as palavras... Tens razão, tens toda a razão. Não é que não te queira bem, que não te dê valor, que não preze a nossa amizade, apenas nunca se proporcionou escrever sobre ti. Talvez seja a consequência de não haver palavras que cheguem para expressar todo o meu agradecimento e já por mais que uma vez te disse. É difícil ser teu amigo. Tu não tornas as coisas fáceis. A tua dedicação aos amigos é de tal forma, que torna complicado para qualquer um estar ao teu nível. Também é verdade que ultimamente tenho escrito muito sobre os meus sentimentos recentes e não tenho dado espaço a mais nada, porque talvez esta também seja uma forma de me apaziguar e de reencontrar um equilíbrio que durante algum tempo perdi. Esta noite fizeste uma cena de ciúmes barata, por causa do texto ao N. e tens razão, tens toda a razão, por isso aqui vai:
Quando estive internado, foste incansável e não é à toa que ganhaste a alcunha de Ti Kika Júnior, pois eu bem sei como é agitada a tua vida e embora andasses numa azáfama, com horários de padeiro e pressões do atleta, arranjavas sempre tempo para uma passagem pelo hospital e se não te fosse possível de todo aparecer, tinhas sempre a preocupação de ligar, com palavras de conforto e de amizade. Quantas e quantas vezes vieste visitar-me? Quantas vezes foste levar-me ao mundo perdido de Bucelas, depois de um dia de consultas, quando de manhã bem cedo, tinhas de estar de pé? Tu que tanto gostas de dormir!
Engraçado como são as coisas, não fomos colegas, estava eu de saída e tu a dar os primeiros passos nos amigos de sempre, ou seja não houve convivência evidente mas é giro como sempre guardei-te na memória, quando de outros com quem vivi anos, não guardo nada, nem mesmo o rosto. Esta ideia leva-me à letra da Chuva, da Mariza. - Há gente que fica na história, da história da gente e outras de quem nem o nome lembramos ouvir - Quando em Belém nos reencontrámos, estavas igual à lembrança que trazia e é giro ver que mesmo depois de um hiato de tempo enorme chegamos ao instante do hoje, em que somos inseparáveis. Estivemos uma semana sem nos vermos ou trocado mais do que duas palavras e senti a tua falta. Os nossos cafés, os jantares, o estarmos bem sem ter de abrir a boca, as palhaçadas e a expressão única que fazes quando tenho uma das minhas tiradas idiotas.
Eu tenho um feitio difícil, tu sabes bem isso, não sou fácil de suportar e no entanto encontras sempre paciência para me aturar, mesmo no pior dos meus dias. Como será isso possível? Mesmo quando andei caído numa ilusão de sentimentos que só me deitaram abaixo e que poderiam ter colocado a nossa amizade em causa, conseguíste surpreender-me. Disseste algo que me fez muito contente na altura. Por ter sido sobre quem era e à frente de quem foi. Sabes do que estou a falar? Foi esta a frase: Espero que sejam muito felizes! Agora recorda-te do enredo, do local, da data e à frente de quem o disseste. És mesmo o máximo e não deixas de me surpreender. Os cães ladram e a caravana passa, lia eu no outro dia.
Há momentos da tua dedicação que sempre guardarei comigo e dos quais me irei lembrar com um sorriso, mesmo que tenham sido alturas menos boas. A tua entrada na enfermaria com as almofadas, os brigadeiros que tanta fama ganharam em São Lázaro, os caracóis numa esplanada improvisada, o meu primeiro jogo da selecção em que tu tanto apoiavas o desempenho do Nuno Gomes, aquela maravilhosa tarde de esplanada de praia (foi dos melhores dias da minha vida, em completa paz com o mundo), o teu sorriso de surpresa e felicidade com um logótipo que a mim não custou nada fazer. São tantos os momentos que já levo de recordação que um obrigado não chega. Por mil vezes que repita a palavra, nunca será suficiente.
Sabes, hoje fizeste-me um pergunta que deliciou-me: - Como estás da costela? - Podes não ter percebido mas a verdade é que embora todas as pessoas saibam que eu tenho a costela partida, foste a única que até hoje que se lembrou de perguntar e isso faz muito sentido. Porque só mesmo tu é que arranjarias tempo para te alheares do teu mundo e pensar tanto no bem-estar dos outros. Tenho muito orgulho de te ter como amiga, porque o teu molde é mesmo único.
Tento ser aquilo que és para mim e acho que sabes que estarei sempre lá para ti, venha o que, ou quem vier e desculpa não conseguir atingir o teu patamar mas tens de ter a noção que é muito complicado manter o passo, embora te dê uma certeza. Estarei cá no bom, no mal e no assim, assim. Por mais palavras que continue para aqui a escrever nunca encontrarei forma de agradecer o poder dizer que és minha amiga.
Acabo com duas tiradas, que acho importantes ressalvar. Primeiro: Espero ter conseguído transmitir, com este texto, um bocadinho do quanto importante é ter-te na minha vida. Segundo: Quando é que fazes a vontade ao teu sobrinho Dudú e dás o jeitinho!? :D

Os anos passaram e seguimos rumos diferentes. Lembro-me de ti em menino, da mesma maneira como te apresentas hoje. Sempre feliz, bem-disposto e sempre agradado com o que te dizem. Não te imaginava sábio e ponderado, nunca te imaginei assim. Ao reencontrar-te, fiz um juízo errado, tu não és ingénuo, como à primeira vista pareces ser. Tu tens é uma paixão enorme por tudo o que te rodeia. Família, amigos, trabalho e os teus hobbies. Ficas sempre agradado com todas as novidades, encanta-te conhecer as pessoas e gostas de saber que quem te rodeia está bem, acreditando firmemente que as coisas vão se proporcionar pelo melhor.
De quando em vez, tens tiradas que me desarmam e olha que isso não é fácil de acontecer. Por duas ou três vezes fizestes comentários como se a minha alma fosse um livro aberto e acabas por colocar-me numa posição desconfortável. Anda um tipo tanto tempo a esconder-se para não nos lerem o coração e lá vens tu com uma frase que retira o chão a qualquer um! Onde vais tu perceber, aquilo que os outros não vêem, gostava eu de saber!
És inteligente e desligado da azáfama do mundo, com bom fundo e que ainda acredita no que de melhor existe nas pessoas. Em certa parte invejo essa tua crença e espantas-me com a fé que depositas em mim. Tens sido uma agradável surpresa e um excelente amigo. Foste tu que me fizeste acreditar, quando já nem eu mesmo acreditava. Como foste tu que me deste a mão invisível de apoio, quando já nem tu acreditavas. Tens razão, sempre acabas por ter razão. Fui à luta e fiz tudo o que tinha a fazer. Não chegou? Então segue o caminho de consciência tranquilo por saberes que tentaste. Foi algo deste género que tu me disseste no outro dia .
Obrigado pela tentativa de ontem, foi excelente. Ou pensas que não percebi o que estavas a tentar fazer? Eu até posso parecer alheado mas entendi-te perfeitamente. Sei que sabes sempre quando actualizo o blog, por isso quando leres essas linhas, não te preocupes comigo, não há necessidade. Não é para aí que estou virado mas estou bem e estarei ainda melhor. Só preciso de tempo, tempo para mim. Espero que as coisas corram como tu mereces e sabes sempre que podes contar comigo, seja para passar vergonhas nas análises do hospital ou em paragens stop, provocadas pelas correrias nocturnas.

Desculpa a exposição mas tinha de deixar-te aqui um obrigado sentido, por tudo aquilo que me tens proporcionado e todo o apoio que me deste. N Rules!

Quem me conhece sabe que adoro música, que vivo e respiro dela. Oiço de tudo um pouco, tenho uma excelente cultura musical e um pequeno tesouro discográfico. Sou daqueles que navega na net, em busca de novos sons e à uns meses descobri Colbie Caillat e o Jason Reeves. Hoje em dia Colbie passa nas rádios incessantemente, com o tema Bubbly, mas a menina da Califórnia, que relembra Jack Johnson na versão feminina têm temas muito melhores. Já tenho o primeiro álbum dela, "Coco" e embora não esteja incluído Droplets, versão que se pode encontrar no youtube fiquei muito contente por encontrar Realize. Que excelente álbum, com músicas a reviver sons pop de toada acústica. Muito bom, vale a pena.

O céu ferido vai-se esvaindo a conta-gotas perdendo a sua tonalidade verde, altera-se para um tom vermelho rubro, relembrando que tudo na vida se transforma, seja para melhor ou pior. Existe uma curiosidade de tentar entender se porventura existe a noção na outra margem de que utilizei todas as cores para pintar a vida.
Ainda vou puxando dos pincéis, dando umas pinceladas aqui e ali mas a tela não se dá, não quer inspirar e o quadro vai fluindo para uma mancha de negro, tatuada para uma eternidade que gladia contra a minha vontade enorme de querer voltar a reviver cores vivas.
O escuro, aos poucos, vai-se apoderando da esperança, por trazer no vento anúncios de margens que são verdadeiras estrelas presentes mesmo não se vendo, de chegarem a estar a dois passos e fingirem que não vieram a casa, banhadas em cores de Fridas Kalos, orgulhosas de bloqueios e extinções de contactos. A conta-gotas vai-se diluindo a vontade de batalhar contra esse escuro, por não encontrar razão ou inspiração e depreender com muita tristeza que a solidão é o caminho optado da margem. Em último apelo, vamos rogando ao tempo mais qualidade de tempo para criar a base de um amanhã melhor.
Costumava acreditar em Deus, no casamento, no céu e no inferno. Essas crenças já são dúbias mas ainda acredito no amor e em segundas oportunidades. O milagre da vida, a razão das pessoas viverem e morrerem, o porquê de se magoarem ou serem magoadas contínua a ser para mim um mistério. Gostava de encontrar a razão, o segredo, a resposta no último capítulo, na última frase, na última palavra do livro do Auster, porque a ideia de estarmos sozinhos, apartados do gémeo que é nossa alma neste mundo, é demais para ser suportada. Mas no fim do dia, o facto de nos ajudarmos uns aos outros, de estarmos presentes, apesar de todas as nossas diferenças, não importando no que acreditamos, é razão suficiente para continuar a acreditar num novo amanhã., num tempo de qualidade.

Sou uma pessoa imperfeita, tenho medo, o que significa que ainda tenho algo a perder - Nós não vamos conseguir que isto resulte, pois não? - É a frase que ecoa na minha cabeça mas não compreendo o seu significado, se o que se sente é por demais evidente. Se a química está lá presente porque será patente este sentimento de falta, de gelar com a opção de perder a esperança? Talvez um dia? Talvez... Talvez se não fechares a porta por completo. Se não resulta por estarmos em ritmos diferentes isso não implica que amanhã o compasso não esteja afinado. Temos de entrar no balanço do diapasão, afinar tons e acreditar, enfim, ter fé. É preciso querer acreditar no que se sente.
É necessário crer que um dia vamos dar esse concerto, vamos ensaiar para que isso aconteça, aprender com o tempo. Só praticando se chega a perfeição, sem sentir a pressão do momento de querer acertar à primeira. Adquire as notas no teu ritmo, sente-te segura em cada passo que dês. Estarei por aqui para te ajudar, se assim optares, para te guiar nesse processo pois será um mundo silencioso que me acolherá se por ventura tu não quiseres apreender o ritmo.
Sou uma pessoa imperfeita e contínuo a ter medo...

Acorda numa madrugada fosca, inchado do tempo. Do tempo que nunca foi agora. Do tempo que tudo trouxe e tudo levou. Há marcas da vida que não marcam e há uma intensidade num ápice que perfura a pele e se entranha no mais profundo lugar do ser.
Fica a sensação de compreender que foi como a água que se escapa dos dedos escorregadios e não se consegue suster. Faltou a esperança, a força para acreditar e confiar na bonança após a tempestade. A falta de paciência para esperar o que nunca foi agora, acabou traída pela avidez de querer no imediato, o que se sabia que iria ser.
Brilha cintilante a nuvem envolta pela angústia de viver por sobreviver. Numa enxurrada de pensamentos recordando as promessas levadas no sopro das palavras. Quando se apelou à calma infinita de uma espera, com companheirismo e presença assídua e acabou-se por tropeçar nas palavras dos diálogos, que poluíram discussões perdendo todo o sentido de existência. Foi o medo, o medo de existir o que agora é real. Porque o agora, nunca será uma realidade. Jogam as escritas, no tom seco e duro da palavra irreversível.
O mundo voltou a girar, essa máquina infernal que não perde o tempo da sua marcha. Sentado num banco à janela vai faltando a energia, a vontade, o querer, para voltar a vestir a capa que todos engana quando o dia se faz alto. Vou fazendo preces à vida, chegando a implorar ao mundo. Dá-me forças, devolve-me a vontade de ser quem fui, porque assim não sou ninguém.

Irreversível: Designativo de um processo ou fenómeno químico ou físico que, após a sua concretização num determinado sentido, não pode voltar ao estado primitivo.

Ontem ao falar com uma grande amiga, que não via há muito tempo, dei-me conta que nunca expliquei porque utilizo o nome The Real Johnny Bravo. Já faz alguns anos que adoptei este nick para tudo na net.
Para quem não conhece ou sabe, Johnny Bravo é uma personagem de banda desenhada, criada para o cartoon network, por Van Partible. Achei logo delicioso o visual da personagem. Numa mescla de Elvis com James Dean. Bem constituído, de feições quadradas, loiro de pele clara com uma enorme popa. A vestimenta incluí uns óculos escuros, dos quais nunca se separa, calças de ganga e t-shirt preta.
Lembro de ver o primeiro episódio e de ficar pasmado, com o enredo. Trata-se de uma sátira ao perfil de muito suposto homem que por aí deambula. Johnny Bravo, vive em casa da mãe, é obcecado por mulheres bonitas, narcisista, de raciocínio lento e mestre na conversa do engate barato.
Em todos os episódios existe uma personagem feminina inteligente e que não suporta Johnny e tudo o que ele representa. Em todos os enredos, ele acaba sempre por se meter em trapalhadas para conquistar a rapariga, a lembrar o coiote com todos os estratagemas para apanhar o bip-bip e que termina sempre esfomeado. Neste caso, acaba sempre sozinho, com mazelas e frustrado...
Desde a origem que a minha vida assemelha-se com as devidas proporções. Não falo, somente da área afectiva, englobo a comparação em todos os campos. A maior parte das vezes sou eu mesmo que crio os meus problemas, acabando sempre chamuscado, sozinho, sem razão e a pagar as consequências. Também eu tenho mazelas físicas e da alma para o resto da vida, por causa das asneiras que fiz. Como diz Ti Kika: "tu nem com o corpo aprendes!" Mas tal qual, Johnny Bravo dos desenhos animados, também eu mostro sempre o meu sorriso a quem convive comigo.
Johnny Bravo durou quatro temporadas com um total de sessenta e cinco episódios, havendo ainda hoje reposições. Quanto ao Johnny da vida real, contínua neste espectáculo, apelidado de existência, pronto para a próxima aventura, de temporada em temporada, até não haver audiências e cancelarem a série.

Eu lutarei para que morra em mim o desejo de amar o mel dos teus olhos, porque a exaustão que tomou conta do meu ser, seria uma penitencia eterna. Quero ter fé, na crença de que não irei cair em tentação desesperada de um abismo profundo e conseguirei levar o barco a porto seguro.

No entanto a tua fugaz presença foi o tornar da noite em dia, e eu sinto que levarás para sempre a minha pele na tua pele, como na minha por longo tempo ficará tatuado o teu sabor a sal. Foi um desencontro no tempo que trouxe até mim a misteriosa essência do teu ser num desordenado abandono à felicidade.

Longe não se encontra o dia em que a tua face encostará em outra face. Uma silhueta diferente da minha mas compreensiva, presente, paciente e que verdadeiramente ames. Isso será possível no instante que conseguíres encontrar a paz que necessitas para resolver o que não está resolvido. Essa porta já não se encontra trancada a sete chaves, foi semi-aberta ,porque eu fui o teu parceiro confidente no íntimo da noite mas tu não perceberás que quem a abriu fui eu.

Eu ficarei na minha solidão, como o veleiro perdido no horizonte, navegando no silêncio da luz do farol, vagueando nas ondas da noite. Levarás contigo sempre a minha presença ausente, que de vez em quando recordarás, por necessidade de um pequeno gesto, um sorriso ou uma palavra de incentivo.

Nessa recordação de mim, conta os teus anseios que te consomem ao mar agitado, que as palavras jogadas no sopro do vento, viajarão sobre as estrelas cintilantes, até chegarem a mim e eu tentarei ser a tua voz presente, numa ausência apaziguadora e serenada.

Num início de ano próspero em viagens, foi gladiando contra os ponteiros do relógio, que na passada sexta-feira, consegui entrar no comboio em direcção ao Porto. Destino final Viana do Castelo ou a aposta numa nova abordagem à vida.
Aos primeiros movimentos da carruagem, fui perdendo-me nas imagens em andamento de um adeus a Lisboa, carregadas de esperança e na ilusão de uma mudança de atitude que não levassem a um outro adeus. Foi revezando o tempo em pensamentos e na música do mêpêtrês que durante quatro longas horas mantive-me imóvel no meu banco até atingir Campanhã.
À minha espera na estação estava o bólide do atleta e a Marta na condução com roteiro traçado em gps a uma francesinha no Capa Negra. Neste restaurante, conhecido por servirem a típica iguaria do Porto, existe na ementa três variedades de francesinhas: Com ovo, com batatas e a especial. A especial, é muito, muito especial porque não leva ovo, nem batatas! Preferimos optar pela francesinha que não vem impressa no menu. A que é servida com ovo e batatas! Após o repasto, já mais relaxado mas com o peso do mundo sobre os ombros, seguimos viagem para Viana. A quantidade de horas que se devem à cama, obrigaram ainda, a uma pequena paragem para um café em Neiva, servido por uma silhueta atípica carregada de sotaque visiense. A chegada a Mujães, coincidiu com o regresso a casa, da nossa "Isabelita" da sua actuação no Santoinho.
O tempo foi correndo nas asas da noite, em conversas que se tornavam infindáveis, servidas com whisky do defunto no aconchego convidativo do sofá, até as quatro da manhã. Com o chegar do amanhecer, encontrava-me já sozinho na sala, deambulando na internet em busca de um sinal de mudança. A vontade e a esperança, impeliam-me de não arredar pé do computador. Foi nesta postura que os olhos traiam o sorriso que pela manhã recebeu a minha anfitriã. Com os fantasmas dos velhos do Restelo a viverem na minha mente, desisti por momentos e cedi a três almejadas horas de descanso.
Na saída para almoço tardio, volta a leve disposição de fingir, esquecer o que se deixou para trás, saboreando a refeição com brincadeiras, gracejos e calcorreando a cidade e os seus recantos em busca de distracção numa fuga de pequenos nadas, pequenos tudo. Apela-se à defesa do bom ambiente, erguendo-se a máscara da brincadeira, que as olheiras teimam em delatar. Percorre-se Santa Luzia, em busca da fotografia perfeita com um misto de fé e crença. Os caminhos do monte a encherem os pulmões do que é puro e no contraste do dia cinzento, com o verde do campo, a mente a fugir para pensamentos impróprios para altura de relaxamento e prazeres da vista.
Ao cair da noite, jantar a dois com a Martolas, enquanto a Caty se faz a caminho da gravação do dvd no Santoinho. Um arroz de tamboril, acompanhado com o vinho que tanto tinha procurado em ementas de jantares que se queriam especiais. Os empregados uma simpatia e a companhia merecia novo chamamento da armas fazendo-me cumprir com o mote. A palhaçada teria início.
Para meu agrado, a nossa Isabel Silvestre, arranjou maneira de nos fazer entrar na festança do Santoinho. O que muito contribuiu para um momento bem passado, a perder a lembrança da realidade. A noite já ébria pintou a manta, rodeado do que é típico, da nossa cultura, a nossa herança. O orgulho nas nossas raízes estampado com brio em cada interveniente ou espectador, forçou em mim uma boa disposição, repleta de risos genuínos, a diverti-me como se o amanhã e o passado tivessem sido barrados à entrada daquele espaço. Já alta ia a noite quando regressámos à morada da Catarina. A estafa fez-me bem, os copos ajudaram a quebrar a resistência para mais uma noite em claro, perdido na escuridão. Acabei por adormecer profundamente, levando comigo uma anestesia de qualquer raciocínio. Dormir por dormir.
Domingo, com um acordar já nostálgico, prosseguimos viagem para o Camelo. O restaurante onde as minhas papas de sarrabulho aguardavam-me impacientes, enquanto eu ia salivando. Os três em estado de descompressão, foram degustando os petiscos embalando na moleza de um adeus anunciado desde a chegada. Resistindo ao cansaço, ainda houve tempo para um último passeio até à praia fluvial do Rio Neiva. O resto da tarde foi passada em casa. Martolas a ecoar o tractor, prostrada no sofá a retemperar energias para a viagem, a Caty de atenção virada para a televisão e eu no retornar da busca do sinal perdido em offline.

Já entrando na noite, fizemos-nos à estrada, deixando promessas à Caty de uma nova visita para breve, com mais tempo, mais convívio e mais amigos de sempre. O caminho para Lisboa foi passado numa batalha com a repetição do cd culminando com a passagem para a rr e o relato do meu Benfas, obrigando-me de certa maneira, a fugir ao olhar que cada vez mais contemplava o futuro na tempestade, que se aproximava a cada quilómetro que fazíamos. Porque nem a sombra de quem sou me transforma em alguém melhor, acabo por fazer descer a cortina do palco, em doces ilusões de esperança num amanhã que já não existe.
De qualquer maneira... Thanks Caty, thanks Martolas, por momentos fizeram-me esquecer o mundo cinza e recarregar energias para as batalhas contra a minha própria sombra.

Fechou-se a porta, um enorme portal, em grande estrondo. Volta a sombra omnipresente, a sombra de quem tu mereces ser. Está de volta ao abraço de uma vida monocromatica, em tons de cinza.
Ainda permaneces atónito com a luz que por instantes te ofuscou mas ela teimou em fugir de ti, como o dia foge da noite. Já se faz escuro, está na hora de te abrigares do orvalho e das temperaturas baixas que por aí vêm. Espevita-te, tens de despachar-te. Agasalha-te, procura um refúgio, a noite está a cair depressa.
Amanhã o dia não vai ser claro, não será fresco, nem ameno. Estará pardo, e tu tens de ter tento contigo. Volta a colocar a pedra, no peito. É o lugar dela. Para quê teimaste tu em te enamorares pelo sol? Não sabias que o sol, está longe, a milhares de quilómetros de distância? O seu calor refresca mas também queima e por fim esconde-se.
Não estejas imóvel, saí de frente do portal, ele não se quer voltar a abrir, ele não se vai escancarar. O Sol já se pôs, as nuvens ameaçam uma tempestade e a sombra aguarda-te com tanto carinho... bem-vindo à realidade da tua vida.

O desenho alimenta as linhas que traçam a minha profissão e das cores brota a vivacidade do que faço na vida. Delas sobrevive a minha essência. Na idade ordinária da minha vida, com a ponta dos dedos fui percorrendo lentamente o cromático da tabela de cores. Estudei-as pormenorizadamente, deambulei nas suas associações, no significado produzido em mim e nos outros, a sensação que cada tonalidade transmite. A relação das cores com os nossos sentimentos a demonstrarem como ambos não se combinam de forma acidental, onde as suas associações não são meras questões de gosto mas de experiências universais que estão profundamente enraízadas na nossa linguagem e no nosso pensamento.
No vermelho achei o sangue, a emoção, a vida. No azul encontrei a calma, a força, o pensamento. O amarelo apresentou-me o dia, a fome, a seca. Com alguns anos de estudo, já explorara várias tonalidades, até que em certo dia de Janeiro apresentou-se uma variação de verde. Verde jade. Parei para o examinar, sorri com a visão, sentei-me e absorvi a emoção que ele me provocou. Esperei que a contemplação do outro lado do espelho, também extasiasse.
Esta noite a sintonia do tom é de verde esperança. De esperança no futuro risonho que por aí se apresenta através de um brilho castanho profundo, de sorriso marfim aconchegante e um cromático pastel sempre disposto a avivar-se e mostrar a natureza da sua força. Levantei-me mas não ando. Apenas levito, de mão dada com o reflexo do espelho, para o futuro brilhante que o verde jade proporciona.

A idade da vida distingue-se em dois momentos. Aqueles em que estamos a calcorrear o mundo e nos momentos em que o mundo continua a girar mas nós optamos parar no tempo. Foi numa dessas paragens da caminhada, que gostava de manter-me, que acreditei que momentos felizes também são dos menos afortunados.
Duas almas, moldadas pelas intempéries do percurso, reencontram-se numa bifurcação do caminho e pararam. Eram duas almas que começaram a trilhar o caminho juntos mas optaram por itinerários diferentes e naquele momento reviram-se e fizeram uma pausa. Durante um breve instante ambos estiveram parados. Sorriam por voltarem a ver uma cara familiar, enquanto à sua volta , o mundo teimava em prosseguir o seu andamento.
Sentaram-se a relatar o seu caminho e perceberam que embora tenham tido preferência por roteiros diferentes, tinham encontrado as mesmas avalanches, as mesmas tempestades. Descobriram que o gémeo que todo o ser possui, poderia muito bem estar deparado à sua frente. Os olhos vivos, deambulam numa procura intensa da outra alma, A alavanca de motivação encontrou nessa pausa a fé e esperança num abrigo para dois.
Só que o tempo não perdoa a perca da inocência e relembrou que para construir um abrigo, é necessária muita dedicação, suor e lágrimas e a opção mais fácil é continuar a vereda. Uma das almas, com receio de não ter suficiente motivação levantou-se. Disse um até já e recomeçou a mover-se.
A outra alma manteve-se sentada. Acreditava possuir o vigor por ambos para criar o abrigo, mas não poderia-o dizer. Ainda tendo o seu orgulho conservou-se sentado, porque não poderia demonstrar o que lhe ia no âmago do seu ser. Ainda se mantêm assim enquanto vai mirando a sua companheira de percurso encetar os primeiros passos, contra um horizonte de verde jade, na secreta esperança de presenciar uma nova paragem. Quando se findam as crenças, resigna-se a sobreviver.

Still sitting down, waiting for my friend to turn around

Aconchegado na almofada, voa
Tenta criar asas e sonhar,
A voz disse
Tenta por tudo amar

Procura na ondulação da maré
No canto do sopro matinal
A voz disse
Amar é algo especial

Dá o tom à canção
Solta as amarras da voz
Não ignores a sensação
Tenta por tudo amar

É o reflexo de quem sente
Viver a vida a sonhar
Ao longo do tempo, espaço
Sem parar de procurar

Acredita que consegues
Deixa de lado as vaidades
Por tormentas e temporais
Nunca abandones o desejo
Serás feliz num último ensejo
Não abandones o sonho jamais

Jamais...

Aqui estamos para festejar mais um ano que acaba e dar as boas vindas ao que aí vem. É chegado o momento de uma retrospectiva e analisar o que foi este ano. Desta vez, tive um ano recheado de aventuras, sentimentos e marcos. Bons e maus. Algo habitual em certas matérias mas que surpreendeu-me noutras, com as quais não tinha sobressaltos à algum tempo.
Entrei em 2007 enredado numa rotina estável como à muito já não acontecia. Financeiramente e profissionalmente as coisas preparavam-se para continuarem nessa estabilidade, estava integrado numa comunidade arredada do caótico da capital, vivendo com qualidade de vida, com tempo para tudo e para nada. Rodeado pela simplicidade da vila e dos seus habitantes, empregado a fazer o que gosto e no que sou bom, reatando laços familiares e mantendo uma saúde estável, se no meu caso se pode chamar estável! Tudo parecia bem embora sempre com um sentido de vazio, de algo que me escapava e contínua de certa maneira a escapar.
Com o desenrolar do ano as coisas foram se alterando, a saúde começou a dar de si ao fim do primeiro trimestre, a vida deu sinais que a idade já não é a mesma e que por mais que queira iludir-me, não sou nenhum super-herói. A bomba que vai-me injectando de vida, deu sinal de que precisava de revisão, muito por culpa do stress que provinha do trabalho. As incompatibilidades de compreensão para a gestão de certos assuntos, levavam-me a conter dentro de mim uma irritabilidade, que proporcionou pequenos sustos. Revivi o conceito de taquicardia e dores de peito. Ao tempo que não passava por isso.
Quando retornei de férias, entrei em incompatibilidade com a empresa e os seus conceitos. Passei de bestial a besta, por indagar estratégias de compadrios. O meu trabalho passou a não ter qualidade e os inconformados, como eu, foram sendo afastados ou despedidos. É uma verdade, que sou de confrontos, que gosto de levar a minha avante, que não estava habituado a estar dentro de uma empresa de grande dimensão mas no fim dá-me um certo gozo ver que independentemente de ter sofrido consequências da minha postura, afinal sempre tinha razão. Afastaram o administrador que estava a renovar a empresa, para um papel inconsequente e colocaram no seu lugar o director comercial, que assumiu uma postura de quem não se quer comprometer. O director de vendas no mercado estrangeiro, donde provinha as grandes receitas, foi despedido. Tendo logo arranjado colocação noutra grande empresa, que soube aproveitar o seu conhecimento do mercado. Não me renovaram o contracto baseando-se na premissa que a minha visão de design diferia da imagem que a empresa queria passar. Uma desculpa, como outra qualquer, por começar a fazer perguntas incómodas. Eu sei que o maior lesado fui eu e que a empresa continuará a existir mas dá-me uma certa satisfação, que devido à má gestão, o prejuízo do primeiro semestre ascendesse ao 600 mil euros, levando a novas alterações dentro da empresa e que o meu trabalho que era tão mal, tenha sido reaproveitado para novas campanhas!
Tomei a decisão nessa altura de tratar finalmente da infecção na perna. Foram meses de vai e vem para o hospital, de antibióticos em massa, de horas em consultas, que terminaram com a decisão final do internamento e duas operações para a contabilização final de vinte e cinco. Pelo caminho reencontrei amigos perdidos no tempo, que fizeram questão de estarem presentes neste momento delicado. Ainda ando em recuperação e acredito que por mais algum tempo assim andarei, porque as coisas comigo nunca são simples e fáceis. Os primeiros prognósticos foram os melhores, passaram a piores e agora estão num intermédio. Como não me deixo iludir nas melhoras e sou teimoso como uma mula, vou continuando a iludir o destino que me está reservado à tantos anos.
Quase no fim do ano, depois de algumas privações, estou de volta ao trabalho, desta vez numa agência de publicidade, onde encontrei um excelente ambiente, onde reconhecem as minhas capacidades, valorizam-nas e dão-me carta branca para criar. Acredito que as coisas vão se proporcionar da melhor maneira, pois tem tudo para dar certo. Estou também de volta a Lisboa, sem ter ainda certezas do pouso final, mas já com algumas possibilidades. Até à concretização andasse no limbo e que 2008 traga aquilo que trago nas resoluções.

O melhor este ano:

A minha mãe pelo apoio incondicional e por ter-me convencido a ir ao hospital
As minhas primas por me fazerem acreditar que sou sempre bem vindo
Os amigos que voltei a encontrar e que tanto me têm apoiado em tudo
As muitas pessoas que se preocuparam com o meu bem-estar enquanto estive internado
A efervescente, por acreditar no meu valor profissional

O pior este ano:

Os problemas de saúde
A má conduta das pessoas com a minha situação profissional
A falta de carácter do meu pai, a qual já se tornou um hábito
A desilusão por continuar a acreditar que é possível certos impossíveis
O assalto à minha casa e o roubo do carro

"Eu tento ser um bom pai. Dar o melhor aos meus miúdos. Trabalho de noites para pagar as suas mensagens de telemóvel. Levo-os para competições de natação mas comparado com o Dick Hoyt, eu não sou nada." (Sports Illustrated, por Rick Reilly)

Oitenta vezes ele empurrou o seu filho deficiente, Rick, por maratonas de 26.2 milhas. Oito vezes ele empurrou o filho numa cadeira de rodas pelas 26.2 milhas, como também puxou-o a nadar por 2.4 milhas num barco a borracha e fez 112 milhas a pedalar com o filho sentado num assento - tudo isto no mesmo dia.
Esta história de amor começou em Winchester, Mass., há 43 anos, quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o nascimento, deixando-o com deficiências cerebrais e incapaz de controlar os seus membros. Dick conta que os médicos disseram-lhe que o filho "seria um vegetal o resto da vida" depois quando Rick tinha nove meses, disseram: "ponha-o numa instituição". Mas o Hoyts não se deixou convencer. Repararam que os olhos do Rick seguia-o enquanto caminhava no quarto.
Quando Rick fez 11 anos, fizeram-lhe exames no departamento de engenharia da universidade e perguntaram se haveria qualquer coisa para ajudar o miúdo a comunicar. De maneira nenhuma, responderam "não há raciocínio no seu cérebro. ". Dick opos-se e pediu que contassem uma anedota a Rick. Este riu-se. Pelos vistos muito se passava na sua cabeça. Equipado com um computador que permite controlar o cursor, tocando num interruptor com o lado da sua cabeça, Rick podia finalmente comunicar. Primeiras palavras? "Go Bruins!"

Quando um colega do liceu ficou paralisado num acidente e a escola organizou uma corrida de solidariedade em seu nome, Rick disse: "Pai, eu quero fazer aquilo'' Pois sim! Como era possível a Dick, um homem que se descrevia como um ronhas, que nunca andara mais do que uma milha, empurrar o seu filho durante cinco milhas? Ainda assim, ele tentou. "Então passei eu a ser o deficiente" diz Dick. "eu fiquei de incapaz durante duas semanas".
Esse dia mudou a vida de Rick. ele teclou "Pai, quando nós estávamos a correr, eu senti-me como se já não fosse deficiente!" E essa frase mudou a vida de Dick. Tornou-se obcecado em dar a Rick esse sentimento o mais frequentemente possível. Começou a ficar em tal forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a maratona de Boston em 1979. "Não há maneira possível'' foi dito a Dick por um oficial da corrida. Os Hoyts não eram um único corredor, e não eram completamente um concorrente de cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick apenas juntaram-se ao longo dos concorrentes e corriam de qualquer maneira, a seguir encontraram uma maneira de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 Eles entraram numa corrida e conseguiram um tempo tão rápido que se qualificaram para a maratona de Boston, no ano seguinte.
Então alguém disse: "Dick, porque não um triatlo?" Como é que uma pessoa que nunca tinha aprendido a nadar e não montava uma bicicleta desde os seis anos conseguiria transportar o seu filho de 110 libras através de um triatlo? Ainda assim, Dick tentou. Já fizeram 212 triatlos, incluindo quatro, de 15 horas Ironman no Havaí. Deve ser uma frustação para um atleta de 25 anos, ver-se ser ultrapassado em competição por um homem de idade a rebocar um adulto num barco a borracha! Um dia perguntaram a Dick. "Porque não tenta concorrer sozinho para ver como se saía?" De maneira nenhuma, respondeu. Dick "faço-o puramente pelo sentimento de ver o sorriso do Rick enquanto corremos, nadamos ou pedalamos juntos". Com 65 anos e Rick com 43, terminaram a sua vigésima maratona de Boston, na posição 5,083 entre 20.000 participantes. O seu melhor tempo? Duas horas, 40 minutos em 1992 - somente 35 minutos a mais que o melhor tempo do mundo, que, caso não saibam foi concluído, sem o atleta ter empurrado um outro homem numa cadeira de rodas.
"Sem qualquer dúvida" escreveu Rick "O meu pai é o pai do século". E Dick também retirou algo desta experiência. Há dois anos teve um ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos encontraram uma das suas artérias obstruída em 95% . "Se não estivesse em tão boa forma física, você provavelmente já teria morrida à 15 anos'' disse o médico. Assim, de certa maneira, Dick e Rick salvaram a vida um do outro.

Dia de descobertas de quem sou, dos pensamentos dos outros mas acima de tudo, da vinda de mais um ser a este mundo. Mas por enquanto esconde-se no tempo, a sensação da ternura de ir conhecendo as coisas pela curiosidade, de querer saber do bem estar dos que guardo no coração. Mesmo impelido pela curiosidade, à descoberta que vem aí mais uma Moser. Não me foi comunicado, nem dito, descobri... O nome foi bem escolhido, é Madalena, como o da senhora minha mãe.
Acredito que estejas feliz, vais ser pai. Quando ela chegar vais começar a entender o que isso realmente significa. Fico feliz por ti e pela Maria, sei que era um desejo teu muito antigo e que agora vais concretizar. Estamos é a ficar em desvantagem! são só senhoras Moser.
Não te esqueças daqueles que querem saber de ti é que sempre estivemos cá para te apoiar e com canta a música "Não vás sem deixar destino ou direcção e leva contigo recordação e um beijo pendurado ao peito do teu coração."

Como o passar do tempo, ambos esqueceremos a brisa, na maioria do tempo que andarmos a deambular pelos cantos do mundo. Porque o fim era anunciado, antes de ter um inicio. Mas de vez em quando, eu sei que continuarei a levar a tua mente a viajar por mundo que ambicionas. Porque será sempre assim, desde que o sonho se concretize num mero sonho existencial, porque por mais que se percorra o quotidiano, o olhar, o sorriso, o tacto é nosso num infinito peculiar e sem ter a necessidade de palavras. Continuaremos a viver num mundo paralelo onde tu foste feita para mim e eu para ti. Mas neste mundo guardo para ti um adeus anunciado desde o primórdio do primeiro olhar.

Gostaria de rodear a minha alma no teu ardente olhar, fechando a cortina para o mundo e viver num paralelo onde não se sente o tempo, onde dois se unem numa matéria só. Mas a escolha foi ditada por uma realidade intrínseca, que soube encontrar na razão, a altura certa para levantar voo com destino longínquo, apartando-se de um desgosto real.

Há certas alturas em que tenho necessidade de isolar-me de tudo e de todos em busca de um recarregar de energias, acima de tudo procuro ânimo para novas batalhas. Os motivos para o retiro, podem ser variados, mas existe sempre uma erva daninha que teima em persistir no tempo e de roubar-me o alento, acabando sempre por levar-me à dúvida do que sou e do que represento. Essa erva daninha resolve de vez enquando mostrar-se ao meu mundo, relembrando-me que é uma constante da minha existência. Mesmo sendo recorrente na minha vida, é algo ao qual não consigo habituar-me. Por isso mesmo, de vez enquando, recorro a um retiro de silêncio e solidão para conseguir buscar a minha paz interior.
A felicidade é algo a que estamos destinados a perseguir e não alcançar. Essa é a realidade de um estrada que a erva daninha apresenta como algo imutável no meu futuro mas em que eu não quero acreditar. Uma busca infinita em círculos contínuos. Onde somos felizes só por breves momentos ou instantes. O que eu quero acreditar é que o percurso é feito com um objectivo e o qual um dia conseguirei alcançar.
Tem sido um caminho ardiloso, repleto de dissabores mas continuo com vontade de percorrer-lo. Sempre depositando esperança no que o futuro reserva. Esperançado em encontrar aqueles breves momentos, onde uma acção ou um gesto fazem toda a diferença e surpreendem-me ao mostrar um sorriso, um olhar ou alegria. A vida têm sido assim, percorrida atrás de sonhos, por vezes com encontro final com o desgosto, a angústia e a desilusão. Mas à de ser no meu passo, no meu tempo e à minha maneira que vou fazendo o que tem de ser feito para chegar ao destino.
Eu venho de uma família de media-alta sociedade, culta, educada e que não consegue conceber o meu estilo de vida, encontra-se apartada de tudo o que me envolve e sofre à distância com a minha vivência de uma maneira peculiar. Por não entender, não saber e compreender, buscam na minha incapacidade física a razão final para tudo aquilo que comporta as poucas decepções que conhecem. Acham que a incapacidade física de que compadeço, de certa maneira é uma revolta interior contra o mundo ou que faz de mim menos do que sou. Eles não sabem é que a minha força está na mentalidade. O que é a minha realidade não é a deles. O que realmente vivi e senti é um mundo estritamente antagónico para os seus olhos e no seus mundos. Tenho tido momentos muitos maus. Não diria maus pois em tudo consegue-se extrair algo de bom. Têm sido fase menos boas, onde cheguei a roçar os limites do inconcebível do bem-estar e da sobrevivência. Tenho vergonha de falar desses tempos, porque só eu sei o que me custou superar-los. Ninguém sabe, é algo meu e não pretendo que saibam mas no fundo a verdade é que tenho muito orgulho de os ter conseguído superar.
É neste contexto que não concebo que uma silhueta que não consegue entender os ardis do que são as verdadeiras adversidades da vida, se plante à minha frente com posturas de verdade indefectível a desbobinar posturas e posições a serem tomadas. Revolta-me estes jogos de palavras ditatoriais, de monólogos de donos da razão, que são concebidas numa imaginação fértil oposta à realidade de quem eu sou ou do que é o meu passado, ou mesmo do que é a verdadeira realidade. Saio frustrado pois por mais que queira argumentar, vou-me basear no que para esclarecer o meu ponto de vista? Na realidade embrionária dos mundos supérfluos da silhueta? Bem, quando a silhueta souber o que é encontrar-se no dilema de ter de optar por gastar um euro entre o bilhete de metro para ir a uma entrevista de trabalho ou comprar um pão para saciar a fome de um semana, então nesse momento poderá dizer que tem argumentos para dialogar comigo. Até aí viro as costas, saio revoltado mas termino sempre a rir-me para mim mesmo porque sou mais homem, mais experiente, com mais passado e acima de tudo tenho mais força para encarar as adversidades futuras do que uma silhueta alguma vez à de ter. Pobre daquele que não entende a minha verdade obscura.
Ontem vi um filme, Pursuit Happyness. Deu-me para chorar. Talvez porque tenha revisto fases da minha vida, porque também já vivi algumas daquelas situações, talvez porque sou assim, persistente e sigo a resistir à natureza e continuo por cá. Revi-me nas dificuldades, mas acima de tudo no orgulho de saber esconder de tudo e de todos os obstáculos que se transpõem nos bastidores da perseguição do sonho. Quando no fim dizem à personagem que tinha conseguído o seu objectivo. Acho que a minha reacção quando conseguir alcançar o meu equilíbrio será a mesma. Correr para o meio da multidão, reter as lágrimas, sorrir e lançar um grito surdo ao mundo pela conquista. As adversidades do que fui, do que sou, são uma constante que quero fazer desaparecer do mapa mas que persistem numa presença assídua, que em certos momentos, empoladas pela erva daninha, obrigam-me a um retiro para um juízo de valores e estratégia. Um recarregar de energias para enfrentar-las. Hoje acabou-se mais um retiro. Eu só posso continuar a acreditar, porque como diz o excelente Stevie “I still going to reach the higher ground”.



















































































Cada um adapta-se às situações adversas numa maneira muito própria, muito sua. Conseguimos encontrar o equilíbrio para atestar as forças de formas variadas, todas elas são válidas, tendo na finalidade o mesmo objectivo. A superação da alma e das dificuldades. Há quem recorra à psicologia para enfrentar os seus problemas, a religião também se torna por vezes solução, existem outros que olham para os problemas do quotidiano e sentem a necessidade de recorrer aos que lhe são próximos para buscarem a vontade, outros há que guardam para dentro e rebuscam no seu orgulho a força para enfrentar os desafios. Outros inspiram-se nas experiências passadas de outrem para revitalizarem-se. No fim todas as fórmulas são válidas, desde que o resultado final seja a positividade de recarregar a vontade, do ensejo de superar as barreiras da vida. Mas o que fazer quando o grito sufoca no interior?
Quando temos a vontade de bramar aos quatro ventos a angústia que nos tolhe o interior e sentimos que o grito mudo, não alcança um destinatário? Qual será a solução para enxotar o peso que nos remói o pensamento? Não, este texto não é a solução retorcida que encontrei para um apelo. Apenas um recordar de momentos vividos, de recordar um passado que não se quer existencial.
Hoje encontro-me sentado no café, isolado na sala do fundo a beber uma cerveja, de phones nos ouvidos, escrevendo estas linhas, à espera que o mundo mude e me mostre um passado mais feliz de mim mesmo. Pois olho para trás e fiz tantas asneiras, repeti-as e continuo a não encontrar soluções para os gritos sufocados que eram presença assídua do passado. Embora tenha muito orgulho das avalanches que consegui superar, também tenho muita vergonha de ter passado por momentos menos felizes, mais duros na existência de um orgulho muito próprio. Durante muito tempo fui uma pessoa triste, inacabada e entristeci muitas pessoas. Sei que nunca serei o que almejaram para mim e já aprendi a viver com isso. Sei que poderia chegar bem mais longe, sei que tenho talento em muitas áreas e que tenho um arte inata para cativar pessoas. No fundo sei muito, sei demais.
As desculpas para a inexistência de sucesso foram muitas. Ao início era pela idade, depois ser inexperiente demais para as dificuldades que enfrentei, seguiu-se não merecer todo o empenho que colocaram em mim. Houve alturas que a falta de sorte também fez parte do rol de desculpas e por fim resignei-me aos factos e à realidade. A vida é assim, é difícil e os erros pagam-se caros, principalmente com o corpo! De dentes cerrados aceitei a realidade dos meus erros, sorri e segui para a frente. Porque nada paga um sorriso e por isso mais vale passar a vida a sorrir.
Maior parte do tempo, passamos a preocupar-nos com o que foi e com o que poderia ser, quando a nossa maior preocupação deveria ser: - Como vou tornar o dia de hoje especial? É assim que tento todos os dias despender o meu tempo e emoções. Com aqueles de quem gosto, com aqueles que principalmente gostam de mim por quem sou e que estão sempre presentes para tudo. Há um trabalho de anos a realizar, num formato de compensação. No fim há momentos em que ainda consigo ser o que idealizaram, pequenos momentos de ilusionismo quando menos se espera, tal fénix renascida das cinzas, em que deslumbro por breves segundos.
Os gritos sufocados, nunca foram superados, continuam bem guardados no meu interior. Muitos mais hão de aparecer e juntar-se aos que cá estão, no longo percurso da estrada da minha vida mas o interior tornou-se infinito e contempla uma complacência infinita. Olho para trás e não quero saber das dificuldades. Olho para a frente e não quero saber das dificuldades. No fundo almejo pelo dia em que o meu inconsciente só me deixe recordar o que de bom passei, porque no mal encontro muitas asneiras, muitos pecados, muitas lágrimas e sofrimento. Desses momentos não reza a história, só gritos sufocados.

Existem alturas em que o silêncio se apodera do tempo, por muito que as pessoas te rodeiem. A alma levita e foge da emaranhada multidão e do corpo suspenso na sua pose. Levita para sonhar acordada a desejar o que nunca se teve. E nesse levitar, percorro o caminho onde deambulam as dúvidas que os "ses" me deixaram. Ainda rendilha nos meus pensamentos a dúvida do que seria o futuro, mas o sentimento maior ensinou-me a mentir e não morrer em buscas desenfreadas à procura de uma presença tua. Embora ainda haja um pouco do teu tempo, das tuas palavras, do teu cheiro em cada momento de mim.
Percorro a maratona destas dúvidas, buscando a solução para cada um desses momentos, para cada decisão e acabo sempre na mesma encruzilhada. O correcto não fez sentido. Pode ter acabado mas não terminou, porque sei que num momento de real querer, eu estarei cá para outra vez ensinar-te a voar, porque fui eu que roubei a tua essência e a transportei aos infindáveis lugares que nunca ousaste alcançar.
Ganhei novo alento para a continuação da vida e começo lentamente a descer do sonho. Procedo à reunião do corpo à alma cansada da maratona. Olho para o relógio e apenas se passaram uns segundos desde que levitei. Pareceu-me uma eternidade. Continuo a farsa do tempo e retorno às pessoas. Aos poucos vou esquecendo a brisa dos sonhos até ao nosso próximo levitar.

Numa era onde impera o egoísmo, onde a brutalidade do realismo apresenta-se em cada esquina e em que cada um vive no seu casulo muito seu, muito fechado, há momentos que fazem-nos acreditar na possibilidade de algo melhor, de um mundo mais justo e mais solidário. Esse momento chegou-me através de um filho de um amigo meu. Ele fazia seis anos e como era-me impossível estar com o garoto no dia do seu aniversário, fui tomar café a casa desse amigo na noite anterior, de maneira a poder oferecer a prenda de anos.
O antes, o durante e o após da entrega da prenda, fizeram passar por mim aquela brisa da juventude, que por vezes retornar para reavivar a sua presença. No arrepio da sua passagem, recorda-me que já fui feliz, que também eu um dia tive aquele brilho ingénuo no olhar, onde o sorriso rasgado era genuíno. Foi assim que ganhei o dia. Voltei atrás no tempo...
Estou em casa do meu avô, rodeado pelos meus pais, tios, primos e os avós. Excitado pela aproximação da meia-noite, contando os minutos. Os brinquedos com que sonhei estão a chegar porque eu portei-me bem o ano inteiro e o Pai Natal bem o sabe! Dizia para os meus pais que era injusto, eu não poder ficar com eles a ver a chegada do Pai Natal. Porque teria que estar com o meu irmão e os meus primos fechado no quarto, se eu era o mais velho? Será que o Pai Natal, não percebia que os adultos estavam a fingir? Eu também sei fingir! Pai Natal, eles não estão a dormir!
Os adultos entravam no quarto, chamando por nós e a correria para a árvore de Natal era enorme. A excitação deambulava na cara de cada um de nós. Rodeávamos a árvore tentado adivinhar através do formato dos embrulhos, o que cada um deles continha. Seria aquele carro tele-comandado? Ou talvez o jogo de construção? Sentávamos impacientes, para que a minha mãe começasse a distribuição das prendas. Cada um de nós aguardava pela sua vez de receber a prenda, com o mesmo brilho nos olhos que revi no outro dia na cara do filho do meu amigo. Soube-me bem recordar, soube-me bem sentir-me humano, voltei ao presente e plantei os pés no chão ao sentir-me útil a alguém, à felicidade de uma criança. Foi um momento agradável, que ao chegar a casa reavivou outras recordações, outras emoções. Acima de tudo, levou-me à saudade.
Tenho perdido tantos momentos cruciais da tua vida, Tento todos os dias fugir às culpas, consciencializando-me que está para breve, será em breve, o dia em que seremos mais unidos do que nunca. Mas bateu-me a saudade ao recordar como nós brincámos os dois no dia em que te dei a bateria. Recordas-te dela? O sorriso que vi no outro dia na cara do outro menino, tinha as mesmas marcas do teu. Por qualquer motivo inexplicável, rias sem conseguir parar, sempre que começavas a fazer batuques Adoravas o som que emanava daquela bateria... Passámos horas e horas nos batuques, até tu caíres nos meus braços, com o peso do cansaço e do sono. O sorriso que levavas quando adormeceste, foi o mesmo que revi na outra noite, quando um menino ensonado me deu um beijo de boa noite e disse: – Obrigado Tio Nuno!