O céu ferido vai-se esvaindo a conta-gotas perdendo a sua tonalidade verde, altera-se para um tom vermelho rubro, relembrando que tudo na vida se transforma, seja para melhor ou pior. Existe uma curiosidade de tentar entender se porventura existe a noção na outra margem de que utilizei todas as cores para pintar a vida.Ainda vou puxando dos pincéis, dando umas pinceladas aqui e ali mas a tela não se dá, não quer inspirar e o quadro vai fluindo para uma mancha de negro, tatuada para uma eternidade que gladia contra a minha vontade enorme de querer voltar a reviver cores vivas.
O escuro, aos poucos, vai-se apoderando da esperança, por trazer no vento anúncios de margens que são verdadeiras estrelas presentes mesmo não se vendo, de chegarem a estar a dois passos e fingirem que não vieram a casa, banhadas em cores de Fridas Kalos, orgulhosas de bloqueios e extinções de contactos. A conta-gotas vai-se diluindo a vontade de batalhar contra esse escuro, por não encontrar razão ou inspiração e depreender com muita tristeza que a solidão é o caminho optado da margem. Em último apelo, vamos rogando ao tempo mais qualidade de tempo para criar a base de um amanhã melhor.
Costumava acreditar em Deus, no casamento, no céu e no inferno. Essas crenças já são dúbias mas ainda acredito no amor e em segundas oportunidades. O milagre da vida, a razão das pessoas viverem e morrerem, o porquê de se magoarem ou serem magoadas contínua a ser para mim um mistério. Gostava de encontrar a razão, o segredo, a resposta no último capítulo, na última frase, na última palavra do livro do Auster, porque a ideia de estarmos sozinhos, apartados do gémeo que é nossa alma neste mundo, é demais para ser suportada. Mas no fim do dia, o facto de nos ajudarmos uns aos outros, de estarmos presentes, apesar de todas as nossas diferenças, não importando no que acreditamos, é razão suficiente para continuar a acreditar num novo amanhã., num tempo de qualidade.
2 comments:
Boa Amei o título!
Mas não estás sozinho. Tens amigos. Tens a louca da Isabelita!
bjs
grandes e cheios de saudades
A Isabelita Maria, não é louca. É uma sonhadora, uma esperançosa. Talvez seja este o termo que melhor define-te. Esperança.
Não posso ficar com os louros do título, pois não é meu. Foi algo que li, no espaço maravilhoso de um click (agora puxou-me para a vertente profissional!) que nos leva a ler e ver coisas que de outra maneira não seriam possíveis.
Pela vida fora, tive o privilégio de conviver com muita gente, muito por força de vários factores: a veia comunicativa, a facilidade de interacção, o meu próprio estado físico, que leva muitas pessoas a abordarem-me curiosas sobre o meu percurso de vida. Por essas razões e mais algumas, sempre estive rodeado de pessoas, mas por muitos amigos que tenha, que não os tenho, o que trago comigo é meu. É algo pessoal. Costumo dizer que sou um solitário no meio da multidão. Porque só eu senti aquilo a que sobrevivi, só eu tenho percepção do que conquistei. Nunca poderei pôr em palavras a riqueza da minha vida, o que me leva a um hábito horroroso de excluir-me mesmo estando rodeado de amigos.
De qualquer maneira é sempre bom saber que temos pessoas que se preocupam connosco.
Thanks for the support Isabelita Maria
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