The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida


Eu sou a chuva, que molha mas que seca rapidamente. Sou aquela presença efémera. Não sou um marco, uma referência. Sou apenas mais um vulto que deambula por aqui, sem realmente deixar uma marca. Sou a gota incómoda que qualquer guarda-chuva reflecte, sem nunca perder um segundo a reflectir na sua existência.
Cada vez mais o cansaço penetra à raiz das entranhas, cada vez mais a vida empurra a tomar a decisão que não se deseja mas sendo verdade que episódio, atrás de episódio, compreende-se que não há outra opção válida, é apenas o sinal de seguir em frente. É forçar ignorar um farol de luz intensa a delinear o futuro.
Respira, perdoa, resigna, passa uma borracha e aceita a única solução que o destino oferece, faz já algum tempo. Tens de ir embora, é essa a resposta que está à tua frente. Não tenhas medo. Eu sei, só eu sei o que sentes mas não pares no tempo, porque quem amas, nunca parou por ti. Nunca deu uma demonstração de amor e não vivas na esperança de um dia vislumbrar algo, porque só vais ficar parado no tempo, esperando um milagre que nunca vai acontecer. Já não há mais lenha por onde arder e o futuro clama por ti.
Deixa de lado esse semblante infeliz que cada dia marca mais o rosto cansado. Um olhar molestado por tristezas, que acumula uma velhice precoce mas presente. Deixa de viver no limite, ansiando por uma punição, como forma de perdão e que nunca vais alcançar. Pára. Quem és tu? Cada vez menos nada. Realmente, pára. Para onde vais? Cada vez mais para um abismo profundo. Ganha ânimo, cria objectivos. Não podes continuar a viver na esperança de respirar um ar que já não é teu por direito. Aceita, nunca foi. Acorda para a realidade!
A fórmula do renascer, está na chuva, que lava o passado. Tu és a chuva, que todos conhecem e a poucos tocas. É a chuva que relembra, que há sempre um recomeçar. Há sempre uma nova hipótese. Um fenómeno mutável e esguio que se adapta ao presente.
Quando as nuvens abrirem e o sol raiar, recorda que perdeste tudo e aceita isso como uma verdade imutável. Aceita. Já estás no fundo, portanto, o que é que tens a perder? Arrisca, vai-te embora. Agora o futuro só pode ser a subir e a tua possível cura chama por ti. O céu inclina-se e segura a tua mão, dando a direcção correcta através do trilho de fogo. O fardo que relevas, só alivia se aprenderes a seguir em frente.
Espero que da próxima vez que escrevas, seja para dizer-me que estás feliz, porque agoniza-me saber, que já não és crente. Que já não acreditas em finais felizes.
Abraço meu amigo, falamos quando adormeceres e a almofada for aquela companheira, que revigorará o ânimo. Não percas a esperança em dias de sóis!