The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Houve um ano que a Arca se lembrou de concorrer para a realização da decoração do Baile de Gala da Queima das Fitas. O tema proposto foi Conimbriga e a ocupação romana e com a qualidade apresentada acabámos por ganhar o concurso. Todos os alunos participavam na concepção e montagem das peças para a decoração, pois contava para melhoramento das notas. A maioria das peças foram criadas em poliuretano, uma espuma parecida com esferovite mas rígida. Uma fonte, cachos de uvas gigantes, colunas enormes de cinco metros finalizadas com capitel.
Lembro-me da azáfama que foram esses dias! O tempo para criar as peças era pouco e trabalhava-se quase vinte e quatro horas seguidas! Depois veio as montagens e aí sim, foi mesmo complicado. Tivemos de montar uma estrutura de andaimes à volta da sala para poder-se montar as colunas. Lembro que havia colegas meus que dormiam em colchões do ginásio para não perderem tempo a ir a casa! Eu como sempre, perco um pouco a noção da minha incapacidade e era verem-me no topo dos andaimes a colar as colunas, porque a maioria dos meus colegas tinha medo de cair! Francamente eram só cinco metros de altura! Foram dias esgotantes e só acabámos a decoração a três horas de começarem a entrar as pessoas!
Durante o tempo que vivi em Coimbra, nunca fui a um Baile de Gala. Apanhei um enjoo tal com a decoração que nunca lá fui! Acabei por ir uma única vez quando já não era aluno. Foi no ano que nasceu o Gui e a mãe dele, como se encontrava grávida queria ir também mas opus-me pois não era seguro para ela e para o Gui estarem na Queima, fizemos então um acordo, que contemplava deixar-lhe o carro. E assim fui para a Queima.
Não tinha planeado ir ao Baile, mas acabou por se proporcionar e com um fato emprestado por um amigo do Zé Miguel, acabei por ir. Foi a primeira vez que senti-me deslocado em Coimbra! Todos de smoking e vestidos de gala e aqui o enjorcado de fato! Acabei por ficar sentado na mesa com antigos colegas e professores e com a descontracção que o tempo foi instalando, acabou por ser a galhofa total! Comi muito, bebi muito e às tantas os meus colegas apresentaram-me uma rapariga.
Estivemos na conversa uma boas duas horas e comecei a sentir que o intuito dela estava virado para outro lado, que não o da amizade. fui indo na onda até que chegou-se a um ponto da conversa que ela acabou por ser bastante atrevida, de maneira que colocou-me entre a espada e a parede. Saí graciosamente da situação com a desculpa que a minha namorada estava grávida e que prezava muito a fidelidade na nossa relação. Ela sorriu e pareceu satisfeita com o meu esclarecimento. A conversa ainda se prolongou por mais uma meia-hora até que chegou-se perto de mim um colega que pediu para falar comigo em privado. "Olha lá, mas tu não bates bem!? Essa é a filha do reitor e ele está a olhar para vocês!" Olhei de soslaio para o professor Freire disfarçadamente e bem vi a sua cara! Expliquei ao meu colega que não se passava nada, mas que tinha recebido uma proposta bem tentadora! Nesse momento agradeci aos céus por ser comprometido, porque se assim não fosse, até teria aceitado o convite! Não sou é suicida, ao ponto de ter uma aventura com a filha do Reitor!!!

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