The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Chegou o bem-dito fim-de-semana! Acabaram-se as aulas, saí de Coimbra em direcção a Lisboa com o pensamento no merecido descanço. Ia em plena autoestrada, sem capota, a ouvir bem alto Andrea Bochelli e a sentir os últimos raios de sol que Outubro trazia. Toca o telemóvel, era o João! Estranhei, o que seria que o meu irmão queria, não era normal ligar-me. Activei o sistema de mão livres, do outro lado da linha, a voz do João:
- Estou Nuno, onde andas?
Respondi-lhe:
- Estou na auto-estrada a caminho de Lisboa. Porque? O que se passa?

- Queres ir a Salamanca passar o fim-de-semana?
- Johnny, tenho de ir a Lisboa buscar roupa lavada, não dá!
- Eu passo por casa do pai e levo-te, anda lá! Vou eu, o Luis Nuno e o Miguel!
Encontramos-nos a meio caminho da auto-estrada.

Fiquei tentado e acabei por aceder ao convite, parei na estação de Aveiras e aguardei por eles. Passada uma hora estavamos os quatro em direcção a Salamanca. Eu e o Miguel no meu carro, o João e o Luis Nuno seguiam no carro deste, atrás de nós! Como não sabiam o caminho ia eu à frente.
Chegámos a Salamanca ao fim da tarde, eu só rezava para que houvesse caixas multibanco que aceitassem o meu cartão. Como não fui preparado, não tinha pesetas comigo! fomos à procura de uma pensão que fosse barata e que tivesse as mínimas condições. À segunda ou terceira tentativa, lá achamos uma que nos convinha. Dois quartos, um para mim e para o Miguel, outro reservado ao meu irmão e ao Luis Nuno. Fui tomar um banho enquanto o João e o Luis Nuno trataram de fazer amizade com umas espanholas que estavam num quarto ao fundo do corredor.
O Luis Nuno e o meu irmão que tinham namoradas nessa altura, depois de conhecerem as espanholas, chegam ao nosso quarto com o seguinte discuso: - O que se passar neste fim-de-semana fica aqui! Pensei logo - Estes querem festa! - Respondi-lhes: - Eu vim para divertir-me, fazer umas noitadas e beber uns copos. Não vim com esse intuito para aqui! O Miguel com um aceno de cabeça, concordou comigo e saímos à procura de um sítio para jantar.
Lá encontrámos uma caixa multibanco que aceitava o meu cartão, levantei dinheiro e achámos um restaurante aberto. Durante o jantar só fizemos asneiras, o Luis Nuno a gozar com o empregado, a comida a voar pelo restaurante e não sei como não correram connosco! Vingaram-se na conta! Renitentes com o valor, lá pagámos a despesa e saímos em direcção ao centro! Já tinha ouvido falar que a vida nocturna de Salamanca era muito gira mas não se via viva alma, tudo fechado! Já começava a arrepender-me de ter vindo quando ao virar da esquina entramos numa rua cheia de bares e pessoas. - Assim, sim! Pensei eu para com os meus botões! Estivemos umas boas duas horas a saltar de bar em bar, até que chegamos à Plaza Maior. Ainda dei de caras com o Nuno Afonso, antigo jogador do Benfica que jogava no grémio da terra! Estivemos um bocado à conversa e depois entrámos num restaurante-bar chamado "Cervantes".
O local era muito acolhedor, sentámos os quatro numa mesa à janela com vista sobre a plaza e retemperámos energias. Estavamos em amena cavaqueira quando começamos a ouvir falar português numa outra mesa. O Luis Nuno e o João que por sinal, já estavam bem aquecidos, levantaram-se num ápice ao aperceberem-se que eram raparigas. Dirigiram-se à mesa, apresentaram-se e por lá ficaram. Eu e o Miguel deixámo-nos ficar na nossa mesa a saborear a cerveja. Passado um bom bocado as duas miúdas, disseram ao Luis Nuno para nos chamarem também para a mesa delas. Acabámos por ceder e juntámo-nos ao grupo.
Eram duas raparigas e um rapaz. Uma delas estava a estudar por aquelas paragens e os outros dois tinham ido lá visitar-la. A rapariga estudava artes e ao saber que eu também estava ligado às artes, começamos por ter tema de conversa. O Miguel estava-se a entender às mil maravilhas com a amiga e o meu irmão e o Luis Nuno ao sentirem que não iam levar nada, resolvem voltar as suas atenções para a cerveja! Os nossos novos amigos convidaram-nos a conhecer os melhores locais da noite e acedemos ao convite.
À saída do Cervantes, já a minha ligação com a minha nova amiga tinha levado uma reviravolta, com um beijo que me foi roubado! O Miguel, também se ia entendendo com a sua amiga. E o meu irmão que já estava mais para lá que para cá, decidiu catrapiscar umas americanas que estavam sentadas num banco da plaza! Assustadas com estado inebriante levou mais uma nega! Fizemo-nos ao caminho de um bar de "shopitos". Entrámos e sentámos nuns bancos altos, enquanto o meu irmão e o Luis Nuno que já tinham perdido o interesse nas nossas compatriotas, vislumbraram duas espanholas ao balcão e acometeram um novo assalto frustado. As raparigas intimidas com a investida esperaram que eles fossem à casa-de-banho para darem corda aos sapatos e fugirem dali o mais rápido possível! Já frustados com o insucesso, vieram ter connosco para irmos para outro sítio. Anuímos com a ideia e fomos para uma discoteca.
Não estive muito tempo por lá, a minha "amiga" queria que eu fizesse uma crítica ao trabalho artístico que ela tinha em casa. Acabámos por sair os cinco. Eu, o Miguel, as amigas e o amigo delas em direcção à casa da minha amiga. O João e o Luis Nuno, que por esta altura já se encontravam nas lonas, foram para a pensão. Entrei em casa das raparigas. O rapaz foi-se deitar, o Miguel e a amiga foram para a sala e eu fui ao quarto da minha amiga avaliar o seu trabalho artístico! Acabei por adormecer e só acordei com o Miguel a bater à porta pois já estava farto de levar recusas e de ver desenhos animados em espanhol! Fizemos o caminho todo a pé até à pensão, eu estava todo dorido, a rogar pragas ao fecho do trânsito na zona histórica de Salamanca! O Miguel bem me ia incentivando para continuar e quando começou a surgir a pensão no horizonte, fiz mais um esforço. Já raiava as primeiras luzes do dia!
Dormimos até tarde e ao fim do dia, depois de nos arranjarmos, seguimos para o Cervantes. Acabámos por ficar para jantar. E depois de uma deliciosa refeição regada a cervejas, seguimos o périplo dos bares. Ao princípio da noite de sábado, zarpámos em direcção a uma discoteca que as nossas amigas lusas nos tinham recomendado. À porta, finalmente o meu irmão e o Luis Nuno conseguiram, através do "portunhol" desencantar duas espanholas para os acompanharem na entrada. Eu de canadianas seguia atrás deles e ao passar por uma enchente de pessoas começei a entrar na conversa com um espanhol que também se fazia conduzir em canadianas. Apresentou-me aos seus amigos e acabei por perder o rasto ao resto do meu grupo. Deixei-me ficar na conversa com os espanhois, em particular uma castelhana. Eram umas boas quatro da manhã quando finalmente consegui desembaraçar-me da minha "amiga" espanhola e fui à procura dos meus comparsas. Dei uma volta pela discoteca e nem viva alma do paradeiro deles! fiz-me a caminho da pensão, voltando a rogar pragas ao corte do trânsito! Outra vez, o dia a amanhecer! Ainda tive tempo de passar pelas brasas antes de sairmos da pensão.
Estremunhado e depois de um café para acordar, ainda me sentia cansado mas
rumámos até Coimbra em velocidade de cruzeiro. Ao chegar à porta de minha casa, passei a mochila do Miguel para o carro do Luis Nuno e despedi-me deles. O João e o Luis Nuno comentavam os episódios sucedidos no fim-de-semana e ainda não entendiam como era possível, eu não ter feito a viagem com o mesmo intuíto que eles e ter tido tanta sorte! O Miguel sorria com toda aquela situação e à cabeça vinha-me aquele frase - Quando menos se espera...

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