The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Num início de ano próspero em viagens, foi gladiando contra os ponteiros do relógio, que na passada sexta-feira, consegui entrar no comboio em direcção ao Porto. Destino final Viana do Castelo ou a aposta numa nova abordagem à vida.
Aos primeiros movimentos da carruagem, fui perdendo-me nas imagens em andamento de um adeus a Lisboa, carregadas de esperança e na ilusão de uma mudança de atitude que não levassem a um outro adeus. Foi revezando o tempo em pensamentos e na música do mêpêtrês que durante quatro longas horas mantive-me imóvel no meu banco até atingir Campanhã.
À minha espera na estação estava o bólide do atleta e a Marta na condução com roteiro traçado em gps a uma francesinha no Capa Negra. Neste restaurante, conhecido por servirem a típica iguaria do Porto, existe na ementa três variedades de francesinhas: Com ovo, com batatas e a especial. A especial, é muito, muito especial porque não leva ovo, nem batatas! Preferimos optar pela francesinha que não vem impressa no menu. A que é servida com ovo e batatas! Após o repasto, já mais relaxado mas com o peso do mundo sobre os ombros, seguimos viagem para Viana. A quantidade de horas que se devem à cama, obrigaram ainda, a uma pequena paragem para um café em Neiva, servido por uma silhueta atípica carregada de sotaque visiense. A chegada a Mujães, coincidiu com o regresso a casa, da nossa "Isabelita" da sua actuação no Santoinho.
O tempo foi correndo nas asas da noite, em conversas que se tornavam infindáveis, servidas com whisky do defunto no aconchego convidativo do sofá, até as quatro da manhã. Com o chegar do amanhecer, encontrava-me já sozinho na sala, deambulando na internet em busca de um sinal de mudança. A vontade e a esperança, impeliam-me de não arredar pé do computador. Foi nesta postura que os olhos traiam o sorriso que pela manhã recebeu a minha anfitriã. Com os fantasmas dos velhos do Restelo a viverem na minha mente, desisti por momentos e cedi a três almejadas horas de descanso.
Na saída para almoço tardio, volta a leve disposição de fingir, esquecer o que se deixou para trás, saboreando a refeição com brincadeiras, gracejos e calcorreando a cidade e os seus recantos em busca de distracção numa fuga de pequenos nadas, pequenos tudo. Apela-se à defesa do bom ambiente, erguendo-se a máscara da brincadeira, que as olheiras teimam em delatar. Percorre-se Santa Luzia, em busca da fotografia perfeita com um misto de fé e crença. Os caminhos do monte a encherem os pulmões do que é puro e no contraste do dia cinzento, com o verde do campo, a mente a fugir para pensamentos impróprios para altura de relaxamento e prazeres da vista.
Ao cair da noite, jantar a dois com a Martolas, enquanto a Caty se faz a caminho da gravação do dvd no Santoinho. Um arroz de tamboril, acompanhado com o vinho que tanto tinha procurado em ementas de jantares que se queriam especiais. Os empregados uma simpatia e a companhia merecia novo chamamento da armas fazendo-me cumprir com o mote. A palhaçada teria início.
Para meu agrado, a nossa Isabel Silvestre, arranjou maneira de nos fazer entrar na festança do Santoinho. O que muito contribuiu para um momento bem passado, a perder a lembrança da realidade. A noite já ébria pintou a manta, rodeado do que é típico, da nossa cultura, a nossa herança. O orgulho nas nossas raízes estampado com brio em cada interveniente ou espectador, forçou em mim uma boa disposição, repleta de risos genuínos, a diverti-me como se o amanhã e o passado tivessem sido barrados à entrada daquele espaço. Já alta ia a noite quando regressámos à morada da Catarina. A estafa fez-me bem, os copos ajudaram a quebrar a resistência para mais uma noite em claro, perdido na escuridão. Acabei por adormecer profundamente, levando comigo uma anestesia de qualquer raciocínio. Dormir por dormir.
Domingo, com um acordar já nostálgico, prosseguimos viagem para o Camelo. O restaurante onde as minhas papas de sarrabulho aguardavam-me impacientes, enquanto eu ia salivando. Os três em estado de descompressão, foram degustando os petiscos embalando na moleza de um adeus anunciado desde a chegada. Resistindo ao cansaço, ainda houve tempo para um último passeio até à praia fluvial do Rio Neiva. O resto da tarde foi passada em casa. Martolas a ecoar o tractor, prostrada no sofá a retemperar energias para a viagem, a Caty de atenção virada para a televisão e eu no retornar da busca do sinal perdido em offline.

Já entrando na noite, fizemos-nos à estrada, deixando promessas à Caty de uma nova visita para breve, com mais tempo, mais convívio e mais amigos de sempre. O caminho para Lisboa foi passado numa batalha com a repetição do cd culminando com a passagem para a rr e o relato do meu Benfas, obrigando-me de certa maneira, a fugir ao olhar que cada vez mais contemplava o futuro na tempestade, que se aproximava a cada quilómetro que fazíamos. Porque nem a sombra de quem sou me transforma em alguém melhor, acabo por fazer descer a cortina do palco, em doces ilusões de esperança num amanhã que já não existe.
De qualquer maneira... Thanks Caty, thanks Martolas, por momentos fizeram-me esquecer o mundo cinza e recarregar energias para as batalhas contra a minha própria sombra.

Fechou-se a porta, um enorme portal, em grande estrondo. Volta a sombra omnipresente, a sombra de quem tu mereces ser. Está de volta ao abraço de uma vida monocromatica, em tons de cinza.
Ainda permaneces atónito com a luz que por instantes te ofuscou mas ela teimou em fugir de ti, como o dia foge da noite. Já se faz escuro, está na hora de te abrigares do orvalho e das temperaturas baixas que por aí vêm. Espevita-te, tens de despachar-te. Agasalha-te, procura um refúgio, a noite está a cair depressa.
Amanhã o dia não vai ser claro, não será fresco, nem ameno. Estará pardo, e tu tens de ter tento contigo. Volta a colocar a pedra, no peito. É o lugar dela. Para quê teimaste tu em te enamorares pelo sol? Não sabias que o sol, está longe, a milhares de quilómetros de distância? O seu calor refresca mas também queima e por fim esconde-se.
Não estejas imóvel, saí de frente do portal, ele não se quer voltar a abrir, ele não se vai escancarar. O Sol já se pôs, as nuvens ameaçam uma tempestade e a sombra aguarda-te com tanto carinho... bem-vindo à realidade da tua vida.

O desenho alimenta as linhas que traçam a minha profissão e das cores brota a vivacidade do que faço na vida. Delas sobrevive a minha essência. Na idade ordinária da minha vida, com a ponta dos dedos fui percorrendo lentamente o cromático da tabela de cores. Estudei-as pormenorizadamente, deambulei nas suas associações, no significado produzido em mim e nos outros, a sensação que cada tonalidade transmite. A relação das cores com os nossos sentimentos a demonstrarem como ambos não se combinam de forma acidental, onde as suas associações não são meras questões de gosto mas de experiências universais que estão profundamente enraízadas na nossa linguagem e no nosso pensamento.
No vermelho achei o sangue, a emoção, a vida. No azul encontrei a calma, a força, o pensamento. O amarelo apresentou-me o dia, a fome, a seca. Com alguns anos de estudo, já explorara várias tonalidades, até que em certo dia de Janeiro apresentou-se uma variação de verde. Verde jade. Parei para o examinar, sorri com a visão, sentei-me e absorvi a emoção que ele me provocou. Esperei que a contemplação do outro lado do espelho, também extasiasse.
Esta noite a sintonia do tom é de verde esperança. De esperança no futuro risonho que por aí se apresenta através de um brilho castanho profundo, de sorriso marfim aconchegante e um cromático pastel sempre disposto a avivar-se e mostrar a natureza da sua força. Levantei-me mas não ando. Apenas levito, de mão dada com o reflexo do espelho, para o futuro brilhante que o verde jade proporciona.

A idade da vida distingue-se em dois momentos. Aqueles em que estamos a calcorrear o mundo e nos momentos em que o mundo continua a girar mas nós optamos parar no tempo. Foi numa dessas paragens da caminhada, que gostava de manter-me, que acreditei que momentos felizes também são dos menos afortunados.
Duas almas, moldadas pelas intempéries do percurso, reencontram-se numa bifurcação do caminho e pararam. Eram duas almas que começaram a trilhar o caminho juntos mas optaram por itinerários diferentes e naquele momento reviram-se e fizeram uma pausa. Durante um breve instante ambos estiveram parados. Sorriam por voltarem a ver uma cara familiar, enquanto à sua volta , o mundo teimava em prosseguir o seu andamento.
Sentaram-se a relatar o seu caminho e perceberam que embora tenham tido preferência por roteiros diferentes, tinham encontrado as mesmas avalanches, as mesmas tempestades. Descobriram que o gémeo que todo o ser possui, poderia muito bem estar deparado à sua frente. Os olhos vivos, deambulam numa procura intensa da outra alma, A alavanca de motivação encontrou nessa pausa a fé e esperança num abrigo para dois.
Só que o tempo não perdoa a perca da inocência e relembrou que para construir um abrigo, é necessária muita dedicação, suor e lágrimas e a opção mais fácil é continuar a vereda. Uma das almas, com receio de não ter suficiente motivação levantou-se. Disse um até já e recomeçou a mover-se.
A outra alma manteve-se sentada. Acreditava possuir o vigor por ambos para criar o abrigo, mas não poderia-o dizer. Ainda tendo o seu orgulho conservou-se sentado, porque não poderia demonstrar o que lhe ia no âmago do seu ser. Ainda se mantêm assim enquanto vai mirando a sua companheira de percurso encetar os primeiros passos, contra um horizonte de verde jade, na secreta esperança de presenciar uma nova paragem. Quando se findam as crenças, resigna-se a sobreviver.

Still sitting down, waiting for my friend to turn around

Aconchegado na almofada, voa
Tenta criar asas e sonhar,
A voz disse
Tenta por tudo amar

Procura na ondulação da maré
No canto do sopro matinal
A voz disse
Amar é algo especial

Dá o tom à canção
Solta as amarras da voz
Não ignores a sensação
Tenta por tudo amar

É o reflexo de quem sente
Viver a vida a sonhar
Ao longo do tempo, espaço
Sem parar de procurar

Acredita que consegues
Deixa de lado as vaidades
Por tormentas e temporais
Nunca abandones o desejo
Serás feliz num último ensejo
Não abandones o sonho jamais

Jamais...

Aqui estamos para festejar mais um ano que acaba e dar as boas vindas ao que aí vem. É chegado o momento de uma retrospectiva e analisar o que foi este ano. Desta vez, tive um ano recheado de aventuras, sentimentos e marcos. Bons e maus. Algo habitual em certas matérias mas que surpreendeu-me noutras, com as quais não tinha sobressaltos à algum tempo.
Entrei em 2007 enredado numa rotina estável como à muito já não acontecia. Financeiramente e profissionalmente as coisas preparavam-se para continuarem nessa estabilidade, estava integrado numa comunidade arredada do caótico da capital, vivendo com qualidade de vida, com tempo para tudo e para nada. Rodeado pela simplicidade da vila e dos seus habitantes, empregado a fazer o que gosto e no que sou bom, reatando laços familiares e mantendo uma saúde estável, se no meu caso se pode chamar estável! Tudo parecia bem embora sempre com um sentido de vazio, de algo que me escapava e contínua de certa maneira a escapar.
Com o desenrolar do ano as coisas foram se alterando, a saúde começou a dar de si ao fim do primeiro trimestre, a vida deu sinais que a idade já não é a mesma e que por mais que queira iludir-me, não sou nenhum super-herói. A bomba que vai-me injectando de vida, deu sinal de que precisava de revisão, muito por culpa do stress que provinha do trabalho. As incompatibilidades de compreensão para a gestão de certos assuntos, levavam-me a conter dentro de mim uma irritabilidade, que proporcionou pequenos sustos. Revivi o conceito de taquicardia e dores de peito. Ao tempo que não passava por isso.
Quando retornei de férias, entrei em incompatibilidade com a empresa e os seus conceitos. Passei de bestial a besta, por indagar estratégias de compadrios. O meu trabalho passou a não ter qualidade e os inconformados, como eu, foram sendo afastados ou despedidos. É uma verdade, que sou de confrontos, que gosto de levar a minha avante, que não estava habituado a estar dentro de uma empresa de grande dimensão mas no fim dá-me um certo gozo ver que independentemente de ter sofrido consequências da minha postura, afinal sempre tinha razão. Afastaram o administrador que estava a renovar a empresa, para um papel inconsequente e colocaram no seu lugar o director comercial, que assumiu uma postura de quem não se quer comprometer. O director de vendas no mercado estrangeiro, donde provinha as grandes receitas, foi despedido. Tendo logo arranjado colocação noutra grande empresa, que soube aproveitar o seu conhecimento do mercado. Não me renovaram o contracto baseando-se na premissa que a minha visão de design diferia da imagem que a empresa queria passar. Uma desculpa, como outra qualquer, por começar a fazer perguntas incómodas. Eu sei que o maior lesado fui eu e que a empresa continuará a existir mas dá-me uma certa satisfação, que devido à má gestão, o prejuízo do primeiro semestre ascendesse ao 600 mil euros, levando a novas alterações dentro da empresa e que o meu trabalho que era tão mal, tenha sido reaproveitado para novas campanhas!
Tomei a decisão nessa altura de tratar finalmente da infecção na perna. Foram meses de vai e vem para o hospital, de antibióticos em massa, de horas em consultas, que terminaram com a decisão final do internamento e duas operações para a contabilização final de vinte e cinco. Pelo caminho reencontrei amigos perdidos no tempo, que fizeram questão de estarem presentes neste momento delicado. Ainda ando em recuperação e acredito que por mais algum tempo assim andarei, porque as coisas comigo nunca são simples e fáceis. Os primeiros prognósticos foram os melhores, passaram a piores e agora estão num intermédio. Como não me deixo iludir nas melhoras e sou teimoso como uma mula, vou continuando a iludir o destino que me está reservado à tantos anos.
Quase no fim do ano, depois de algumas privações, estou de volta ao trabalho, desta vez numa agência de publicidade, onde encontrei um excelente ambiente, onde reconhecem as minhas capacidades, valorizam-nas e dão-me carta branca para criar. Acredito que as coisas vão se proporcionar da melhor maneira, pois tem tudo para dar certo. Estou também de volta a Lisboa, sem ter ainda certezas do pouso final, mas já com algumas possibilidades. Até à concretização andasse no limbo e que 2008 traga aquilo que trago nas resoluções.

O melhor este ano:

A minha mãe pelo apoio incondicional e por ter-me convencido a ir ao hospital
As minhas primas por me fazerem acreditar que sou sempre bem vindo
Os amigos que voltei a encontrar e que tanto me têm apoiado em tudo
As muitas pessoas que se preocuparam com o meu bem-estar enquanto estive internado
A efervescente, por acreditar no meu valor profissional

O pior este ano:

Os problemas de saúde
A má conduta das pessoas com a minha situação profissional
A falta de carácter do meu pai, a qual já se tornou um hábito
A desilusão por continuar a acreditar que é possível certos impossíveis
O assalto à minha casa e o roubo do carro

"Eu tento ser um bom pai. Dar o melhor aos meus miúdos. Trabalho de noites para pagar as suas mensagens de telemóvel. Levo-os para competições de natação mas comparado com o Dick Hoyt, eu não sou nada." (Sports Illustrated, por Rick Reilly)

Oitenta vezes ele empurrou o seu filho deficiente, Rick, por maratonas de 26.2 milhas. Oito vezes ele empurrou o filho numa cadeira de rodas pelas 26.2 milhas, como também puxou-o a nadar por 2.4 milhas num barco a borracha e fez 112 milhas a pedalar com o filho sentado num assento - tudo isto no mesmo dia.
Esta história de amor começou em Winchester, Mass., há 43 anos, quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o nascimento, deixando-o com deficiências cerebrais e incapaz de controlar os seus membros. Dick conta que os médicos disseram-lhe que o filho "seria um vegetal o resto da vida" depois quando Rick tinha nove meses, disseram: "ponha-o numa instituição". Mas o Hoyts não se deixou convencer. Repararam que os olhos do Rick seguia-o enquanto caminhava no quarto.
Quando Rick fez 11 anos, fizeram-lhe exames no departamento de engenharia da universidade e perguntaram se haveria qualquer coisa para ajudar o miúdo a comunicar. De maneira nenhuma, responderam "não há raciocínio no seu cérebro. ". Dick opos-se e pediu que contassem uma anedota a Rick. Este riu-se. Pelos vistos muito se passava na sua cabeça. Equipado com um computador que permite controlar o cursor, tocando num interruptor com o lado da sua cabeça, Rick podia finalmente comunicar. Primeiras palavras? "Go Bruins!"

Quando um colega do liceu ficou paralisado num acidente e a escola organizou uma corrida de solidariedade em seu nome, Rick disse: "Pai, eu quero fazer aquilo'' Pois sim! Como era possível a Dick, um homem que se descrevia como um ronhas, que nunca andara mais do que uma milha, empurrar o seu filho durante cinco milhas? Ainda assim, ele tentou. "Então passei eu a ser o deficiente" diz Dick. "eu fiquei de incapaz durante duas semanas".
Esse dia mudou a vida de Rick. ele teclou "Pai, quando nós estávamos a correr, eu senti-me como se já não fosse deficiente!" E essa frase mudou a vida de Dick. Tornou-se obcecado em dar a Rick esse sentimento o mais frequentemente possível. Começou a ficar em tal forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a maratona de Boston em 1979. "Não há maneira possível'' foi dito a Dick por um oficial da corrida. Os Hoyts não eram um único corredor, e não eram completamente um concorrente de cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick apenas juntaram-se ao longo dos concorrentes e corriam de qualquer maneira, a seguir encontraram uma maneira de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 Eles entraram numa corrida e conseguiram um tempo tão rápido que se qualificaram para a maratona de Boston, no ano seguinte.
Então alguém disse: "Dick, porque não um triatlo?" Como é que uma pessoa que nunca tinha aprendido a nadar e não montava uma bicicleta desde os seis anos conseguiria transportar o seu filho de 110 libras através de um triatlo? Ainda assim, Dick tentou. Já fizeram 212 triatlos, incluindo quatro, de 15 horas Ironman no Havaí. Deve ser uma frustação para um atleta de 25 anos, ver-se ser ultrapassado em competição por um homem de idade a rebocar um adulto num barco a borracha! Um dia perguntaram a Dick. "Porque não tenta concorrer sozinho para ver como se saía?" De maneira nenhuma, respondeu. Dick "faço-o puramente pelo sentimento de ver o sorriso do Rick enquanto corremos, nadamos ou pedalamos juntos". Com 65 anos e Rick com 43, terminaram a sua vigésima maratona de Boston, na posição 5,083 entre 20.000 participantes. O seu melhor tempo? Duas horas, 40 minutos em 1992 - somente 35 minutos a mais que o melhor tempo do mundo, que, caso não saibam foi concluído, sem o atleta ter empurrado um outro homem numa cadeira de rodas.
"Sem qualquer dúvida" escreveu Rick "O meu pai é o pai do século". E Dick também retirou algo desta experiência. Há dois anos teve um ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos encontraram uma das suas artérias obstruída em 95% . "Se não estivesse em tão boa forma física, você provavelmente já teria morrida à 15 anos'' disse o médico. Assim, de certa maneira, Dick e Rick salvaram a vida um do outro.

Dia de descobertas de quem sou, dos pensamentos dos outros mas acima de tudo, da vinda de mais um ser a este mundo. Mas por enquanto esconde-se no tempo, a sensação da ternura de ir conhecendo as coisas pela curiosidade, de querer saber do bem estar dos que guardo no coração. Mesmo impelido pela curiosidade, à descoberta que vem aí mais uma Moser. Não me foi comunicado, nem dito, descobri... O nome foi bem escolhido, é Madalena, como o da senhora minha mãe.
Acredito que estejas feliz, vais ser pai. Quando ela chegar vais começar a entender o que isso realmente significa. Fico feliz por ti e pela Maria, sei que era um desejo teu muito antigo e que agora vais concretizar. Estamos é a ficar em desvantagem! são só senhoras Moser.
Não te esqueças daqueles que querem saber de ti é que sempre estivemos cá para te apoiar e com canta a música "Não vás sem deixar destino ou direcção e leva contigo recordação e um beijo pendurado ao peito do teu coração."

Como o passar do tempo, ambos esqueceremos a brisa, na maioria do tempo que andarmos a deambular pelos cantos do mundo. Porque o fim era anunciado, antes de ter um inicio. Mas de vez em quando, eu sei que continuarei a levar a tua mente a viajar por mundo que ambicionas. Porque será sempre assim, desde que o sonho se concretize num mero sonho existencial, porque por mais que se percorra o quotidiano, o olhar, o sorriso, o tacto é nosso num infinito peculiar e sem ter a necessidade de palavras. Continuaremos a viver num mundo paralelo onde tu foste feita para mim e eu para ti. Mas neste mundo guardo para ti um adeus anunciado desde o primórdio do primeiro olhar.

Gostaria de rodear a minha alma no teu ardente olhar, fechando a cortina para o mundo e viver num paralelo onde não se sente o tempo, onde dois se unem numa matéria só. Mas a escolha foi ditada por uma realidade intrínseca, que soube encontrar na razão, a altura certa para levantar voo com destino longínquo, apartando-se de um desgosto real.

Há certas alturas em que tenho necessidade de isolar-me de tudo e de todos em busca de um recarregar de energias, acima de tudo procuro ânimo para novas batalhas. Os motivos para o retiro, podem ser variados, mas existe sempre uma erva daninha que teima em persistir no tempo e de roubar-me o alento, acabando sempre por levar-me à dúvida do que sou e do que represento. Essa erva daninha resolve de vez enquando mostrar-se ao meu mundo, relembrando-me que é uma constante da minha existência. Mesmo sendo recorrente na minha vida, é algo ao qual não consigo habituar-me. Por isso mesmo, de vez enquando, recorro a um retiro de silêncio e solidão para conseguir buscar a minha paz interior.
A felicidade é algo a que estamos destinados a perseguir e não alcançar. Essa é a realidade de um estrada que a erva daninha apresenta como algo imutável no meu futuro mas em que eu não quero acreditar. Uma busca infinita em círculos contínuos. Onde somos felizes só por breves momentos ou instantes. O que eu quero acreditar é que o percurso é feito com um objectivo e o qual um dia conseguirei alcançar.
Tem sido um caminho ardiloso, repleto de dissabores mas continuo com vontade de percorrer-lo. Sempre depositando esperança no que o futuro reserva. Esperançado em encontrar aqueles breves momentos, onde uma acção ou um gesto fazem toda a diferença e surpreendem-me ao mostrar um sorriso, um olhar ou alegria. A vida têm sido assim, percorrida atrás de sonhos, por vezes com encontro final com o desgosto, a angústia e a desilusão. Mas à de ser no meu passo, no meu tempo e à minha maneira que vou fazendo o que tem de ser feito para chegar ao destino.
Eu venho de uma família de media-alta sociedade, culta, educada e que não consegue conceber o meu estilo de vida, encontra-se apartada de tudo o que me envolve e sofre à distância com a minha vivência de uma maneira peculiar. Por não entender, não saber e compreender, buscam na minha incapacidade física a razão final para tudo aquilo que comporta as poucas decepções que conhecem. Acham que a incapacidade física de que compadeço, de certa maneira é uma revolta interior contra o mundo ou que faz de mim menos do que sou. Eles não sabem é que a minha força está na mentalidade. O que é a minha realidade não é a deles. O que realmente vivi e senti é um mundo estritamente antagónico para os seus olhos e no seus mundos. Tenho tido momentos muitos maus. Não diria maus pois em tudo consegue-se extrair algo de bom. Têm sido fase menos boas, onde cheguei a roçar os limites do inconcebível do bem-estar e da sobrevivência. Tenho vergonha de falar desses tempos, porque só eu sei o que me custou superar-los. Ninguém sabe, é algo meu e não pretendo que saibam mas no fundo a verdade é que tenho muito orgulho de os ter conseguído superar.
É neste contexto que não concebo que uma silhueta que não consegue entender os ardis do que são as verdadeiras adversidades da vida, se plante à minha frente com posturas de verdade indefectível a desbobinar posturas e posições a serem tomadas. Revolta-me estes jogos de palavras ditatoriais, de monólogos de donos da razão, que são concebidas numa imaginação fértil oposta à realidade de quem eu sou ou do que é o meu passado, ou mesmo do que é a verdadeira realidade. Saio frustrado pois por mais que queira argumentar, vou-me basear no que para esclarecer o meu ponto de vista? Na realidade embrionária dos mundos supérfluos da silhueta? Bem, quando a silhueta souber o que é encontrar-se no dilema de ter de optar por gastar um euro entre o bilhete de metro para ir a uma entrevista de trabalho ou comprar um pão para saciar a fome de um semana, então nesse momento poderá dizer que tem argumentos para dialogar comigo. Até aí viro as costas, saio revoltado mas termino sempre a rir-me para mim mesmo porque sou mais homem, mais experiente, com mais passado e acima de tudo tenho mais força para encarar as adversidades futuras do que uma silhueta alguma vez à de ter. Pobre daquele que não entende a minha verdade obscura.
Ontem vi um filme, Pursuit Happyness. Deu-me para chorar. Talvez porque tenha revisto fases da minha vida, porque também já vivi algumas daquelas situações, talvez porque sou assim, persistente e sigo a resistir à natureza e continuo por cá. Revi-me nas dificuldades, mas acima de tudo no orgulho de saber esconder de tudo e de todos os obstáculos que se transpõem nos bastidores da perseguição do sonho. Quando no fim dizem à personagem que tinha conseguído o seu objectivo. Acho que a minha reacção quando conseguir alcançar o meu equilíbrio será a mesma. Correr para o meio da multidão, reter as lágrimas, sorrir e lançar um grito surdo ao mundo pela conquista. As adversidades do que fui, do que sou, são uma constante que quero fazer desaparecer do mapa mas que persistem numa presença assídua, que em certos momentos, empoladas pela erva daninha, obrigam-me a um retiro para um juízo de valores e estratégia. Um recarregar de energias para enfrentar-las. Hoje acabou-se mais um retiro. Eu só posso continuar a acreditar, porque como diz o excelente Stevie “I still going to reach the higher ground”.



















































































Cada um adapta-se às situações adversas numa maneira muito própria, muito sua. Conseguimos encontrar o equilíbrio para atestar as forças de formas variadas, todas elas são válidas, tendo na finalidade o mesmo objectivo. A superação da alma e das dificuldades. Há quem recorra à psicologia para enfrentar os seus problemas, a religião também se torna por vezes solução, existem outros que olham para os problemas do quotidiano e sentem a necessidade de recorrer aos que lhe são próximos para buscarem a vontade, outros há que guardam para dentro e rebuscam no seu orgulho a força para enfrentar os desafios. Outros inspiram-se nas experiências passadas de outrem para revitalizarem-se. No fim todas as fórmulas são válidas, desde que o resultado final seja a positividade de recarregar a vontade, do ensejo de superar as barreiras da vida. Mas o que fazer quando o grito sufoca no interior?
Quando temos a vontade de bramar aos quatro ventos a angústia que nos tolhe o interior e sentimos que o grito mudo, não alcança um destinatário? Qual será a solução para enxotar o peso que nos remói o pensamento? Não, este texto não é a solução retorcida que encontrei para um apelo. Apenas um recordar de momentos vividos, de recordar um passado que não se quer existencial.
Hoje encontro-me sentado no café, isolado na sala do fundo a beber uma cerveja, de phones nos ouvidos, escrevendo estas linhas, à espera que o mundo mude e me mostre um passado mais feliz de mim mesmo. Pois olho para trás e fiz tantas asneiras, repeti-as e continuo a não encontrar soluções para os gritos sufocados que eram presença assídua do passado. Embora tenha muito orgulho das avalanches que consegui superar, também tenho muita vergonha de ter passado por momentos menos felizes, mais duros na existência de um orgulho muito próprio. Durante muito tempo fui uma pessoa triste, inacabada e entristeci muitas pessoas. Sei que nunca serei o que almejaram para mim e já aprendi a viver com isso. Sei que poderia chegar bem mais longe, sei que tenho talento em muitas áreas e que tenho um arte inata para cativar pessoas. No fundo sei muito, sei demais.
As desculpas para a inexistência de sucesso foram muitas. Ao início era pela idade, depois ser inexperiente demais para as dificuldades que enfrentei, seguiu-se não merecer todo o empenho que colocaram em mim. Houve alturas que a falta de sorte também fez parte do rol de desculpas e por fim resignei-me aos factos e à realidade. A vida é assim, é difícil e os erros pagam-se caros, principalmente com o corpo! De dentes cerrados aceitei a realidade dos meus erros, sorri e segui para a frente. Porque nada paga um sorriso e por isso mais vale passar a vida a sorrir.
Maior parte do tempo, passamos a preocupar-nos com o que foi e com o que poderia ser, quando a nossa maior preocupação deveria ser: - Como vou tornar o dia de hoje especial? É assim que tento todos os dias despender o meu tempo e emoções. Com aqueles de quem gosto, com aqueles que principalmente gostam de mim por quem sou e que estão sempre presentes para tudo. Há um trabalho de anos a realizar, num formato de compensação. No fim há momentos em que ainda consigo ser o que idealizaram, pequenos momentos de ilusionismo quando menos se espera, tal fénix renascida das cinzas, em que deslumbro por breves segundos.
Os gritos sufocados, nunca foram superados, continuam bem guardados no meu interior. Muitos mais hão de aparecer e juntar-se aos que cá estão, no longo percurso da estrada da minha vida mas o interior tornou-se infinito e contempla uma complacência infinita. Olho para trás e não quero saber das dificuldades. Olho para a frente e não quero saber das dificuldades. No fundo almejo pelo dia em que o meu inconsciente só me deixe recordar o que de bom passei, porque no mal encontro muitas asneiras, muitos pecados, muitas lágrimas e sofrimento. Desses momentos não reza a história, só gritos sufocados.

Existem alturas em que o silêncio se apodera do tempo, por muito que as pessoas te rodeiem. A alma levita e foge da emaranhada multidão e do corpo suspenso na sua pose. Levita para sonhar acordada a desejar o que nunca se teve. E nesse levitar, percorro o caminho onde deambulam as dúvidas que os "ses" me deixaram. Ainda rendilha nos meus pensamentos a dúvida do que seria o futuro, mas o sentimento maior ensinou-me a mentir e não morrer em buscas desenfreadas à procura de uma presença tua. Embora ainda haja um pouco do teu tempo, das tuas palavras, do teu cheiro em cada momento de mim.
Percorro a maratona destas dúvidas, buscando a solução para cada um desses momentos, para cada decisão e acabo sempre na mesma encruzilhada. O correcto não fez sentido. Pode ter acabado mas não terminou, porque sei que num momento de real querer, eu estarei cá para outra vez ensinar-te a voar, porque fui eu que roubei a tua essência e a transportei aos infindáveis lugares que nunca ousaste alcançar.
Ganhei novo alento para a continuação da vida e começo lentamente a descer do sonho. Procedo à reunião do corpo à alma cansada da maratona. Olho para o relógio e apenas se passaram uns segundos desde que levitei. Pareceu-me uma eternidade. Continuo a farsa do tempo e retorno às pessoas. Aos poucos vou esquecendo a brisa dos sonhos até ao nosso próximo levitar.

Numa era onde impera o egoísmo, onde a brutalidade do realismo apresenta-se em cada esquina e em que cada um vive no seu casulo muito seu, muito fechado, há momentos que fazem-nos acreditar na possibilidade de algo melhor, de um mundo mais justo e mais solidário. Esse momento chegou-me através de um filho de um amigo meu. Ele fazia seis anos e como era-me impossível estar com o garoto no dia do seu aniversário, fui tomar café a casa desse amigo na noite anterior, de maneira a poder oferecer a prenda de anos.
O antes, o durante e o após da entrega da prenda, fizeram passar por mim aquela brisa da juventude, que por vezes retornar para reavivar a sua presença. No arrepio da sua passagem, recorda-me que já fui feliz, que também eu um dia tive aquele brilho ingénuo no olhar, onde o sorriso rasgado era genuíno. Foi assim que ganhei o dia. Voltei atrás no tempo...
Estou em casa do meu avô, rodeado pelos meus pais, tios, primos e os avós. Excitado pela aproximação da meia-noite, contando os minutos. Os brinquedos com que sonhei estão a chegar porque eu portei-me bem o ano inteiro e o Pai Natal bem o sabe! Dizia para os meus pais que era injusto, eu não poder ficar com eles a ver a chegada do Pai Natal. Porque teria que estar com o meu irmão e os meus primos fechado no quarto, se eu era o mais velho? Será que o Pai Natal, não percebia que os adultos estavam a fingir? Eu também sei fingir! Pai Natal, eles não estão a dormir!
Os adultos entravam no quarto, chamando por nós e a correria para a árvore de Natal era enorme. A excitação deambulava na cara de cada um de nós. Rodeávamos a árvore tentado adivinhar através do formato dos embrulhos, o que cada um deles continha. Seria aquele carro tele-comandado? Ou talvez o jogo de construção? Sentávamos impacientes, para que a minha mãe começasse a distribuição das prendas. Cada um de nós aguardava pela sua vez de receber a prenda, com o mesmo brilho nos olhos que revi no outro dia na cara do filho do meu amigo. Soube-me bem recordar, soube-me bem sentir-me humano, voltei ao presente e plantei os pés no chão ao sentir-me útil a alguém, à felicidade de uma criança. Foi um momento agradável, que ao chegar a casa reavivou outras recordações, outras emoções. Acima de tudo, levou-me à saudade.
Tenho perdido tantos momentos cruciais da tua vida, Tento todos os dias fugir às culpas, consciencializando-me que está para breve, será em breve, o dia em que seremos mais unidos do que nunca. Mas bateu-me a saudade ao recordar como nós brincámos os dois no dia em que te dei a bateria. Recordas-te dela? O sorriso que vi no outro dia na cara do outro menino, tinha as mesmas marcas do teu. Por qualquer motivo inexplicável, rias sem conseguir parar, sempre que começavas a fazer batuques Adoravas o som que emanava daquela bateria... Passámos horas e horas nos batuques, até tu caíres nos meus braços, com o peso do cansaço e do sono. O sorriso que levavas quando adormeceste, foi o mesmo que revi na outra noite, quando um menino ensonado me deu um beijo de boa noite e disse: – Obrigado Tio Nuno!

Olá! Apraz-me dizer olá... Não, a vida não recomeçou, não aconteceu algo extraordinário, simplesmente tenho estado ausente e voltei, Por essa razão, olá!
Escrevia uma amiga minha à uns tempos. "Cada um que passa na nossa vida passa sozinho, mas não vai só... Levam um pouco de nós mesmos e nos deixam um pouco de si mesmos". Toneladas delas já divagaram na minha e levaram um pouco de mim! Mas como diz Mercury, I’m the great pretender... ao qual contraponho. Morreste antes de conhecer o verdadeiro artista! Citando outra amiga... "Não és cromo, és a caderneta!" Uma prima teve o seguinte comentário, para a minha mãe, no outro dia do nada – “Tia eu não entendo o Nuno” ao qual a minha mãe respondeu – “Ninguém entende!” Fiquei a pensar. Será a postura errada? Será que contorno por completo todas as normas do bem fazer e bem estar? O caminho de vida não é o habitual, isso já nós sabemos. Mas o que me fez realmente pensar foi a seguinte suposição. Será tão ilógico para os outros a minha maneira de encarar a vida? Se calhar é por aí. Porque fujo à normalidade que é a nossa sociedade.
Eu sei que não sou um prodígio de conquistas ou modelo da sociedade. Mas será que o correcto é formar família, ir ao hipermercado ao fim-de-semana aturar o povinho que digladia pela promoção do dois em um, levantar às oito da manhã para enfrentar o trânsito, chegar para o trabalho mecanizado que se detesta e retornar a casa à hora de jantar, para o único tema de conversa ser as arrelias que se teve no escritório. Para deixar de ter vontade de passear porque, o fim-de-semana se tornou no recarregar de baterias para aguentar a semana que aí vem, de agenda repleta de reuniões inúteis, de engraxar fulanos que não se suporta e não se retirar prazer do que se produz. É isto a norma? É isto o correcto? Obrigado, mas continuo a gostar mais da minha visão,
Sim pé rapado que encara o problema com um, vamos jantar aonde? Ou tudo se resolve! Não há gambas para deliciar o paladar? Ok! Venha daí essa bifana! O que vou fazer amanhã? Não sei, mas espero conquistar o mundo, conhecer novas pessoas, ser feliz e sobretudo divertir-me! Porra! Sem dar por ela já lá vão mais de três décadas! O que fiz? Muita loucura, muito disparate, mas acima de tudo diverti-me! Porque é isso que levo, porque não é a fortuna que poderia ter, não é o cargo ou status. É o que realmente me diverti!
Eu sei que não valho um chavo. Quando me conhecem, acham-me o máximo, porque sou diferente mas quando cai o verniz, é um ver se te havias! Tenho um feitio difícil mas dou muita importância àqueles que mostraram que estão presentes quando passo as passinhas. Esses merecem que eu engula sapos, que não seja egoísta, que me recorde que estiveram lá e por isso cala-te deficiente!
Continuo a perseguir um better man à maneira do Robbie Williams, mas a encosta que é a minha estrada, vejo-a como sendo para ser trilhada em modo solitário, e todas as mágoas e dificuldades são para ser superadas e suportadas sozinhas. Porque as minhas lágrimas só eu posso apanha-las. Só eu sei confortar-las e só eu sei o que sofri. O mundo morria se soubesse o que já vivi de mal. Seria o derrubar do mito. E todos nós gostamos de acreditar em mitos. Mas eu sigo, vou continuando de sorriso trilhando a encosta, rindo pelo caminho agreste, procurando a clareira para fazer a pausa, onde encontro o convívio do momento. É assim, fazendo os outros sonhar que podem um dia encontrar na falsidade de mim uma razão para acreditar em algo melhor, que vou assobiando perante o cansaço que levo nas pernas, no tempo e na alma.

Foi um mês e meio de internamento com resultado final satisfatório. Comecei por ser internado em São Lázaro onde dei entrada pelas oito horas da manhã de dia 6 de Junho, após uma directa a passear por Lisboa. A primera operação ocorreu pelas onze e meia desse mesmo dia e para meu espanto acordei às três da tarde, sem dores e muito bem disposto. A operação correu muito bem, a infecção estava localizada, o que tornou tudo mais fácil para os ortopedistas.

Durante a estadia em São Lázaro fui criando uma empatia com a maioria do pessoal do hospital, havendo mesmo alguns enfermeiros que me conheciam de anteriores "visitas". Pela minha enfermaria passaram, também bons colegas. Tirando duas excepções o senhor Manuel, que obrigava os restantes companheiros de enfermaria a redobrada vigilância, à noite, às suas investidas à casa-de-banho e o senhor Gentil, que de gentil tinha pouco ou nada. Fulano taciturno, que foi incapaz de um bom dia ou olá, durante a sua estadia, aos restantes colegas. Esteve sempre do contra em qualquer decisão e para melhorar a situação, à noite dedicava-se ao nudismo e ao ressonar em altas porpoções, levando-me mesmo a mudar de enfermaria! Mas também fiz bons amigos, como o Pedro, o Nélson, o Rui, o Greg ou o Hugo.

De tudo se passou um pouco em São Lázaro e com o passar do tempo, fui tendo regalias que não eram habituais ao comum dos doentes. Era o único que recebia uns queijos e marmelada para acompanhar o lanche, podia quando certos enfermeiros estavam de serviço, usufruir da internet do gabinete de enfermagem e chegava a estar com as visitas até às dez da noite. Para isso acontecer também contribuia a minha postura com o pessoal clínico, pois não fui doente de dar trabalho e mostrava-me sempre disponível para auxiliar algum doente que necessitasse de apoio. Cheguei a pedido de enfermeiros, a ir visitar doentes para levantar-lhes a moral.

Foi assim que conheci o Greg e através dele o seu amigo Wilson que trabalhava num restaurante japonês. Consegui convencer-lo a trazer-me sushi ao hospital e um belo dia, deliciei-me! Outro episódio giro, passou-se com a Marta Ventura (sim! Essa mesma voz da rádio renascença!), amiga de colégio que certo dia, após muita insitência apresentou-se no hospital com um taparuer de caracóis! Sim caracóis! Sentado na cadeira de rodas em pleno pátio ao sol de final de tarde, só faltava a mesa e a cerveja para compor o quadro. O engraçado, era ver as pessoas a passarem com olhar incrédulo para nós!

Passadas cinco semanas após a primeira operação, sou transferido para o serviço da plástica em São José. Assim que cheguei ao serviço, assustei-me! Parecia que tinha saído do Hotel de cinco estrelas para a pensão da Tia Mariquinhas! Todo o serviço está a cair aos bocados, em todo o serviço só existia uma televisão. Material médico estava sempre em falta, bem como qualquer outro material. Cheguei mesmo a ter de limpar-me a lençóis após tomar banho à gato. Na casa de banho, que não estava preparada para receber pessoas com deficiências, o tecto parcialmente não existia e só me vinha à memoria a história que vivi, neste mesmo hospital, quando à dez anos o tecto me caiu em cima da perna! Mas a melhor de todas, foi quando cheguei ao serviço. Pedi uma garrafa de àgua, ao qual me responderam que só podiam dar aos doentes de queimados. Logo aí achei estranho, mas calei-me. Quando chegou o jantar, constactei que não trazia bebida nenhuma e disseram-me que naquele serviço, não havia bebida à refeição. Agora pergunto eu. Se não temos direito à água sem bebida às refeições um doente bebe o que durante o internamento!?

Para cúmulo dos cúmulos, aconteceu-me um episódio caricáto. Quando comecei a poder levantar-me para a cadeira de rodas, que por sinal não se desfez por pouco, comecei a ir ao café do hospital. Certo dia fui ter com a minha mãe ao café, por onde me demorei cerca de uma hora. Ao retornar ao serviço, o único elevador que dá acesso ao serviço de cirurgia plástica, estava avariado! Só mesmo comigo! Para melhorar ainda o cenário, a minha mãe quando se dirigiu ao serviço para comunicar que o elevador não funcionava, sabe que tenho alta por não me encontrar no serviço! Do melhor! com tanto doente que vai ao café, tinha de ser logo comigo que vieram de implicar! Como fervo em pouca àgua nestas situações, travei-me de razões com a directora do serviço, o que não abonou muito a meu favor! Acabei por ter alta na segunda-feira passada.

Gostava de deixar aqui o meu obrigado a todos aqueles que compareceram no hospital para me visitar ou telefonaram para saber como estava a passar. Tendo de particularizar este agradecimento para a Marta Ventura e o Bruno Santos, companheiros de conversas infindáveis e à Sónia Mendes que assumiu o papel de mamã durante a minha estadia no "spa".

Já temos uma primeira análise à teoria do vaso. No final do primeiro tempo, encontramos um empate técnico com ligeira vantagem para o vaso, que apresentou um jogo vistoso, aberto e alegre proporcionando bons momentos. O vaso está neste momento em repouso de intervalo, a carregar baterias, recebendo instruções e com ganas de abordar a segunda parte do jogo.
Para a semana, voltamos à carga e à mesa de operações para receber implante ósseo. A ver vamos como corre, mas garanto-vos que depois de uma excelente primeira parte, a fasquia aumentou e esperamos que o vaso abra o livro e finalize o segundo tempo com vantagem no marcador.
Próximo relato para a semana que vem... até lá saudações benfiquistas!!!

Mais uma para a colecção. Até hoje foi parecendo que não existia, ou que era algo que estava longe ainda de acontecer. Mas no fundo sabia que se aproximava o momento. É algo necessário. Não estou muito convicto que resulte, mas também nunca fui de virar a cara ao desafio. Como diz a minha mãe: - "Eu nem com o corpo aprendo!"
Desta vez também tem o seu perigo, ou não fosse hábito da minha vida andar sempre no limite da linha. Já devo alguns anos à cova e sempre fui conseguindo enganar o Barqueiro, com esta postura meio destemida, meio de louco, confiando na sorte e no querer. Mas os anos passam, já não sou um miúdo por muito que me custe notar isso, o corpo já não é o mesmo e não sei até que ponto consegue aguentar. O êxito da operação, não é algo garantido, nem que vá resolver a situação mas há que manter sempre a esperança e nem que seja pelo gozo de ser carne para canhão.
Vou por uma teoria em prática. Diz o ditado "Tanto vai o cântaro à fonte, que um dia vem quebrado"... mas também existe aquele que diz "Vaso ruim não quebra". Vamos tentar comprovar a qualidade do vaso e ver se ele é mesmo ruim... Durante uns tempos não vou poder escrever, mas gostava de poder continuar a contar-vos as histórias do The Real Johnny Bravo, porque ainda muitas estão guardadas no baú das recordações e merecem ficar na história.


Existem momentos nesta vida, sensações e imagens que não se explicam. Não existe lógica nos acontecimentos, nas ideias mas sabemos que eles existem. É como um católico praticante acreditar piamente na existência de Deus, sem nunca o ter visto.


Se eu pudesse voltar a página da vida àquele dia, voltaria sempre ao mesmo momento. Àquela fracção de segundo antes de tu apareceres para o mundo. Porque aquela sensação ninguém me rouba, ninguém apaga. Vai sempre estar comigo. Tenho dado por mim ultimamente a sonhar de olhos bem abertos, revivendo aquele segundo. Lembro-me como se fosse hoje, do calor que senti, do aperto que me causaste no peito, das lágrimas que jorrei. Toda a emoção de te saber.


Tenho passado muito tempo a pensar em ti e no teu dia, se calhar porque ele também se aproxima e mais uma vez não vou poder estar contigo. Desta vez por motivos bem mais alheios à minha vontade, mas a promessa que te fiz mantém-se e é para cumprir. Acredita que se me deixarem vou fazer por cumprir-la.


Fará oito anos em Agosto. Andava cansado, sem dormir. Estava no carro, com o teu avô. Pedi-lhe para me acordar assim que houvesse alguma novidade. A tua mãe estava lá dentro, tu não querias nascer por nada, só te aguardavam para o princípio da manhã e eu não podia entrar para estar perto de vocês os dois. Achei que poderia dormitar um pouco e pôr o sono em dia, porque nos dias anteriores nada tinha descansado, por passar o tempo sempre preocupado contigo e com a tua mãe. Dormi umas duas horas e acordei sozinho no carro. Fiquei bastante preocupado, como se já estivesses por cá e ninguém me tivesse chamado. Encontrei a tua avó, na entrada, que me disse para subir e dar um beijo à tua mãe, pois estavam a preparar-se para ti. Subi o elevador e sentei-me sozinho num dos bancos a aguardar por vocês. Em frente estavam duas senhoras que também esperavam. Enquanto elas iam falando eu olhava ansiosamente para a porta do elevador à espera de ver a tua mãe passar. Foi aí. Foi nessa altura. Tenho a certeza que esperaste por mim, como se toda a complicação que criaste, tivesse por razão a minha presença, naquele momento.


Senti um aperto no coração, algo se passava e eu não estava a perceber, aquelas coisas que o pai tem e que por norma se chama instinto. Chama-lhe o que quiseres, foi algo diferente do que alguma vez sentira. Forte, muito presente, uma certeza uma sensação que no segundo seguinte se clareou na minha cabeça. Um choro veio lá de dentro, as senhoras comentaram: - Mais um que nasceu! E eu soube imediatamente que eras tu! Não tinha lógica! A tua mãe deveria estar a subir no elevador, mas ninguém me conseguiu tirar da ideia que eras tu. Estava sozinho, vivi esses momento sozinho, vivi-o contigo, só os dois o sabemos.


Tinha um sorriso na cara e lágrimas nos olhos mas tentava encontrar uma explicação para aquele momento, uma lógica porque teimava eu que eras tu. Não era possível, a tua mãe ainda não tinha entrado! Estava nesta divagação e sai de rompante do bloco a tua avó, a pedir-me para ir ao carro depressa buscar a máquina fotográfica. Descemos os dois e só a meio caminho é que ela confirmou-me. Tu já tinhas nascido! Eu senti-te, não sei-o explicar ou dar uma razão mas a verdade é que eras tu. É um elo só nosso, que por mais que queiram não vão conseguir destruir. O sangue é mais forte que tudo e este elo será sempre eterno, meu filho.

Sábado. O dia começou com uma reunião com o partido socialista de Bucelas. Para as horas que obrigaram-me a levantar, disse das poucas e boas! Detesto jogos de bastidores, não se coadunam com a minha postura de vida, de ser directo e não ter papas na língua. Acabei por debitar o que achava que estava errado, quais as directrizes mais sensatas que o partido deveria seguir e assim por diante! A realização da reunião tinha como objectivo fazer-nos apoiar uma outra candidatura para a concelhia de Loures. Claro está, com proveitos pessoais para a presidente de sede. Não fui na cantiga, bem como o resto dos convidados e a senhora bem teve de se contentar com um rotundo não!!!
Saí da reunião e seguia em direcção a casa, quando sou abordado pelo Nélson. Já não o via a uma semana e queria colocar a conversa em dia. Toca de ir para a sede. O senhor Cardoso, ao ver-nos entrar, sacou logo de duas médias e não tive coragem para dizer que não. Como a primeira caiu bem, acabei por juntar mais duas à colecção antes de seguir viagem para Lisboa. O Nélson, dispôs-se a dar-me boleia e ainda acabámos por fazer mais uma paragem pelo caminho.
Cheguei ao Super-Chef atrasado quarenta e cinco minutos, o Hugo e a Carla já estavam sentados. O intuito do almoço era combinar com o gerente do restaurante, o almoço dos antigos alunos do Académico. Azar dos azares, o gerente tinha acabado de sair e nem por telefone era possível falar com ele, pois tinha o telefone desligado! Bem acabámos por almoçar e como os planos do Hugo e da Carla tinham também levado um revés, ela acabou por estar disponível para acompanhar-me para a visita ao Museu Berardo, no CCB. O Hugo deu-nos boleia e combinámos de nos encontrar ao fim da tarde nos pasteis de Belém.
Eu tinha reservado um lugar na conferência com o Joe Berardo, mas já chegámos atrasados uma hora. Com muita cara-de-pau, algo que está-me no sangue. Passei ao lado da imensa fila de espera e acerquei-me do balcão e disse para o recepcionista: - "Boa tarde, eu venho para a conferência com o Comendador Berardo, às 16 horas." Claro está que eu sabia que a conferência tinha sido mudada para as duas e meia, mas fiz-me de ingénuo! Pediram-me muitas desculpas por não me terem contactado! E o rapaz encaminhou-nos para o resto da sessão! A Carla, ficou a perceber, qual é a minha lata para estas situações! Não pagámos pevas e ainda fomos acompanhados pelo recepcionista! Nesta coisa da sem vergonha sou um verdadeiro artista!
Ainda assim, tive tempo para fazer uma pergunta ao Joe Berardo, à qual soube fugir com muita diplomacia, o que já seria de esperar! Levei para casa uma brochura assinada e um bacalhau com a desculpa da resposta não ter sido a mais esperada! Percorri a colecção de lés-a-lés e embora tivesse esperado mais do período fim século XVIIII, início de XIX, consegui ficar bastante agradado com o período Americano. os dois quadros de Picasso passa-se por eles sem se perceber que o são. Do Dali só uma peça. Dos tugas, tirando a Paula Rego, que adorei os simbolismos, fiquei bastante frustrado... Há tipos que fazem uma chamada arte, que eu não consigo conceber que assim seja chamada! Mas pronto, à sempre uma alminha, que acha os tipos geniais!
Encontrámos-nos com o Hugo nos pasteis, vinha acompanhado da Marta e se não fosse pelo calor que se fazia sentir teríamos obviamente permanecido mais uma hora na cavaqueira! Mas o abafado no interior só nos convidava a dar corda ao sapatos! Ainda ficámos uma boa meia-hora no exterior, na conversa enquanto o amigo da Marta não chegava para lhe dar boleia para o concerto do Ricky Martin. Epá!!! Eu pelo meu lado, ainda tinha tempo até o concerto do Represas e estava a gostar da conversa.
Fez-se as despedias, após alguma conversa com o amigo da Marta, sobre a exposição, ao qual o Hugo e a Marta olhavam com um ar entediado e seguimos para o Campo Grande. Fiz-me ao metro até ao Rossio. Fui subindo até ao Castelo, apreciando a paisagem e pensando como esta cidade é bonita e tão pouco revisitada pelos seus habitantes. Gosto do pitoresco das vielas e dos cafés desta zona da cidade. Subi as escadas e cheguei ao Memórias. Parei para beber um imperial e após alguma conversa com o dono do bar que é meu conhecido, segui o meu caminho passando pelo Chapitô e finalizando na entrada para o Castelo. Fui levantar o meu bilhete e sentei-me na esplanada a desfrutar dos últimos raios de sol sobre o Tejo.
Entrei já passava das dez. Sentei-me a meio, a fumar um cigarro. A quatro, cinco cadeiras ao lado tinha por companhia, o António Costa. Só famosos! Eu e ele!!! (modestia à parte!). Entra o António Zambujo para a primeira parte. Artista que não conhecia mas que fez com que ficasse com vontade de conhecer mais do seu trabalho. Fadista que fisicamente e vocalmente, se compara muito com o André Sardet. Gostei do repertório, fados antigos mas eruditos, nada dos chavões habituais. A seguir veio o Represa e puxou dos galões. Os grandes êxitos: Acontece, Da Próxima Vez, Mariana, Colibri (Pureza e Desejo), Fora do Tempo, Memórias de um beijo (a minhas preferida). Coroados com o Feiticeira, no encore em dueto com o António Zambujo. Cada música trouxe-me à memória sempre a mesma pessoa, mais parecia que tinha sido de propósito! Finalizaram o serão com a noite do Max. Gostei bastante mas soube-me a pouco, uma hora e quarenta e cinco que pareceram passar-se num ápice. É sempre assim quando estamos a fazer algo que gostamos.
Quando olhei para o relógio fiquei alarmado! Quase meia-noite e a última camioneta para Bucelas a partir daí a uma hora. Desci até ao Rossio num instante. A descer todos os santos ajudam! Consegui chegar mesmo em cima da hora à paragem, por sorte a camioneta estava atrasada. Contou-me o motorista que tinha sido por causa do concerto do Tony Camionetas em Loures. Eu com um dia excelente e o Tony Carreira é que enche! Não entendo este povo!
Fiz o resto da viagem a dormitar e domingo, resguardei-me nos lençóis a ler o meu livrito... Foi um bom dia, recheado de cultura e como dizia o pin que trouxe do CCB, culture is life.

Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais...