The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

O beijo, acto de paixão, prazer ou carinho. Um acto viciante, ardente e perpetuando nas minhas memórias. Um beijo de fogo, capaz de seduzir e incendiar. Gosto de paixão, de desejo, de força e intensidade, trocado no segundo seguinte por outro dócil, alternado com carícias suaves, intensificando-se o desejo. O beijo corrido que empregue ao acordar torna o dia mais suportável de aturar. Aquele que remete-se ao simbolismo de uma relação duradoira e cúmplice. O beijo amigo, prolongado na face, sinal de carinho e amizade. Demonstração de respeito por aqueles que nos são queridos. O beijo sonhado, relembrado como marca de um passado. Um anseio de reviver memórias. O nervoso de um primeiro beijo, do primeiro de todos e do primeiro dado à pessoa amada. Chave simbólica de recordações, sensações e vivências. Aquele tudo diz sobre o caminho de uma relação.
Citando Oliver Wendell Holmes - O som de um beijo não é tão elevado como o do canhão, mas o seu eco perdura por muito mais tempo - Assim ecoa na minha cabeça todos os beijos que dei, os que sonhei, os que ensejo e os que sempre recordarei. O beijo é o melhor dos afectos.

Somewhere, over the rainbow, way up high.
There's a land that I heard of Once in a lullaby.
Somewhere, over the rainbow, skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.



Há uns tempos, esta foi uma das músicas que me foi dedicada, por uma amiga. Sem ela saber, esta é daquelas, que toca-me profundamente. Tenho seis versões deste tema, na minha colectânea. É um grito de esperança, é uma daquelas músicas onde procuramos conforto, quando tudo se torna negro. É a ingenuidade que gostava de ainda possuir, é acima de tudo o sorriso que ainda consigo ter quando a lágrima escorre face abaixo.

Why, oh why can't I? Why can't I be happy, be resolved, be glad....

Esta não é da minha autoria, é um pensamento ou vários... é uma postura de estar perante a vida. Foi-me oferecida, por quem me concebeu. Foi uma oferenda, que tenta por si só, dar-me esperança no futuro... Thanks Mammy.

Caminha tranquilamente por entre a confusão e ansiedade, e lembra-te da paz que pode existir no silêncio. Tanto quanto possível, sem te renderes, mantém boas relações com toda a gente. Diz a tua verdade claramente e em sossego; e escuta os outros, mesmo os mais simples e ignorantes; também eles têm a sua história. Evita pessoas ruidosas e agressivas, porque elas são um vexame para o espírito. Se te comparares com outros, podes tornar-te vaidoso e amargo, porque haverá sempre pessoas acima e abaixo de ti próprio. Alegra-te tanto com os teus resultados como com as tuas expectativas. Mantém-te interessado na tua própria carreira, por mais simples que seja. É uma verdadeira riqueza perante a instável sorte dos tempos. Sê cauteloso nos teus negócios, porque o mundo está cheio de enganos. Mas não deixes que isso te cegue quanto à existência da virtude. Muita gente luta por novos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo. Sê tu mesmo. Sobretudo, não finjas no afecto. Nem sejas cínico em relação ao amor, porque diante de toda a aridez e desencanto, ele é tão eterno como os campos. Aceita com suavidade o passar dos anos, entregando graciosamente as coisas da juventude. Cultiva a força do espírito para que te proteja na eventual desgraça. Mas não desesperes com a imaginação. Muitos medos resultam da fadiga e da solidão. Para lá do rigor do comportamento, sê cuidadoso contigo próprio. Tu és uma criança do universo não menos do que as árvores e as estrelas. Tens o direito de estar aqui. E ainda que não seja evidente para ti, não duvides que o universo evolui. Por isso, fica em paz com Deus, seja qual for o conceito que tens dele e sejam quais forem os teus esforços e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma. Apesar de todas as ilusões, dificuldades e sonhos desfeitos, o mundo ainda é maravilhoso. Tem cuidado. Esforça-te por ser feliz.


Encontrado na Igreja de S. Paulo, Baltimore, 1692

Ouvi dizer, que muitos daqueles que percorram o percurso da vida ao meu lado, por breves instantes, alcançaram grandes sucessos.
Orgulho-me de ter trilhado, por instantes, os mesmos passos de um menino que no mês passado foi cantar na primeira parte do Russ Ballard no Campo Pequeno. Tive a felicidade de ver crescer outro menino, que em Setembro vai levar o seu Tributo a Beatles ao Coliseu e que sei chegará muito longe. Bebi muitos copos, em grandes noitadas, com outro rapaz, oito anos mais velho, mas sempre com um sorriso de um miúdo estampado, que hoje é uma referência da música portuguesa. Outro catraio, que tenho o prazer de dizer que é um amigo, já passou pela música, pela apresentação e cheguei mesmo a ver-lo fazer um strip ao som dos gostbusters num programa de televisão. Também outro menino que partilhou a minha vivência, é hoje apresentador num dos canais privados de televisão. Outro até cantor de música clássica, conceituado no país e além fronteiras.
Na panóplia de pessoas com quem tive o gosto de percorrer a estrada, também se encontram outros que, não sendo figura públicas e do espetáculo, são referências pelos sucessos alcançados. Um amigo de infância, é figura preponderante no parlamento europeu. Outro doidivanas, que inacreditavelmente conseguiu imitar um acidente meu, é hoje uma das vozes activa no centro democrático social. Um colega de carteira, é uma referência do ensino de marketing em terras do tio Sam, tendo trabalhos publicados no BusinessWeek e the Financial Time.
Aqueles de quem mais me orgulho, por terem dado o prazer da sua companhia, não são figuras activas dos media, não são preponderantes no futuro mediático e em orgulho pré-concebidos da nação. São aqueles que parecendo anónimos, são os que fazem a máquina funcionar e seguir uma rota, plena de esperança.
São eles taxitas, vendedores comerciais, jornalistas, directores, escuteiros ou simples casais que concebem as mentes que liderarão este país a um lugar melhor. São eles arquitectos, engenheiros, maridos e mulheres, pais e mães dedicados. São estes que muitas das vezes, fazem-me pensar. Redireccionar caminhos, a encontrar forças para alcançar objectivos. É num sorriso de uma criança de 8 anos que encontro a lucidez para prosseguir. É no carinho de uma amizade, que entendo o meu dever de continuar a batalhar. É na esperança que, vislumbro nos olhos daqueles que me amam, incondicionalmente para que seja alguém melhor, que compreendo que ainda não é altura para desistir.
Eu sou mágico, inigmático, supreendente. Quando todos esperam o desfecho, eis que tiro o coelho da cartola. Aqui estou eu, para entreter e dislumbrar-vos. Se existe um palco onde actuo, ele deve-se a vocês, por acreditarem que devo ser parte integrante do espectáculo. Obrigado a todos que percorreram a calçada ao meu lado. Quando o espectáculo tiver o seu final, celebrem. Façam a festa, festejem a vida e não o final, festejem o caminho e nunca o término, pois só é verdadeiramente importante as aventuras, emoções e os momentos que passámos juntos. E os meus momentos, até aos dias de hoje, só foram significativos por por ter a vossa presença.

Por vezes estúpido, ingénuo ou talvez não tanto, muitas vezes a tentar adivinhar o mundo dos pensamentos, sem nunca aceitar a improbabilidade de não ter controlo em tudo o que existe. A dar tudo a todos e a exigir tudo de todos, por vezes sem compreender que não é possível mais empenho mas sempre pautando cada segundo da sua rota, numa entrega com muita paixão em tudo que é feito. Impulsivo, talvez derivado de uma necessidade contínua de sentir. Um louco lúcido que incrivelmente demonstra um sentido de liderança, quando muitas vezes, frustrantemente tenta estar em segundo plano.
Um dependente da curiosidade, provenha ela de um mexerico ou das razões da essência do ser. Muito mais curioso pelo sexo oposto, arriscando mesmo dizer, dependente do fascínio que existe na não compreensão do ser. Embora sempre concentrado em viver o hoje, gosta de parar e relembrar o passado. Sorri, ri ainda mais, em alto e bom som. Uma das suas imagens de marca, a boa disposição, mesmo quando o mundo parece estar à beira do fim. Sozinho, por opção, sozinho numa multidão de gente, com a noção exacta que tocou a vida de muitos, por vezes de uma forma negativa mas em grande parte de uma maneira muito positiva.
E era aqui que queria chegar, chegar às frases que hoje ouvi, apanhado desprevenido e que muito me sensibilizaram. Tiveram um sabor especial, porque não foram obrigadas, foram espontâneas e sentidas, foram uma forma de exprimir aquilo que realmente sou, um amigo com que podem contar para todas as ocasiões.

"não estou contigo muitas vezes mas acredita que confio em ti a 100%."

"um excelente amigo...presente, não sempre, mas talvez para sempre."

"Até dá raiva, quando queres sabes fazer coisas muito boas, obrigada."

"Aprendi que este ano, sei quem são os meus verdadeiros amigos.... tu és um deles!"

Há muitos anos que jogos os dados, tentando a sorte. Há muito mais tempo, vivo numa corda do circo, muito ténue, tentando equilibrar as hipóteses. Por incrível que pareça, consigo sempre levar a melhor, mesmo quando tudo aponta para a maior catástrofe. É nestas alturas que relembro as palavras de uma grande amiga. "Tu não és a pessoa mais azarada do mundo, és a pessoa que consegue realizar o inacreditável!"
Dá que pensar... quantas vezes, não desafiei a sobrevivência? Quantas vezes achei que tinha chegado a um beco sem retorno e por fim, miraculosamente aparecia uma solução. A verdade é que a minha vida não é feita de altos e baixos mas de grandes soluções em momentos vitais.
Sou um tipo super-orgulhoso, não admito a ninguém que venha dizer como devo viver, talvez porque nunca encontrei ninguém que tivesse sobrevivido a metade do que passei, mas se o mundo deparar-se à minha frente, não rogarei a luta, e a aí estou eu para derrubar toda e qualquer ânsia que ele possa ter com a certeza de que não vou vergar. Incrivelmente, eu sou eu!
Se há algo que é garantido, é que não vou brilhar como um diamante, não vou ser a estrela da companhia, não serei nunca a capa da dolce e gabanna, não serei um yes man, nem por sombras deixarei de dormir uma noite a pensar que deixei de ser o que quero por uma vontade maior... Se o mundo tentar controlar-me, pode contar com algo... estarei cá para derrubar todas as suas esperanças em deitar-me abaixo. Eu sou mais eu, sou maior do que tudo, sou mais do que muitas vezes acredito e sou muito menos do que muitas vezes acredito mas como conclusão, sou um osso muito duro de roer.
Sou o melhor amigo, sou o maior dos boémios, sou o mestre de cerimónias, puro, directo, sempre com uma finalidade. Sem rodeios demonstro que vale mesmo a pena, andar por cá... no fim, se houver dúvidas, porra olhem para mim!!!!
Deveria eu estar cá!? Não claro, que não, mas não estou por cá!? Então vamos é curtir até de madrugada, vamos saborear o que existe hoje, porque não há ninguém que dê garantias do amanhã.

Sê há alguma maneira de demonstrar o que quero sentir quando um dia olhar para o lado... esta música demonstra todo o carinho que eu quero rever nos olhos da pessoa que estiver lá...


Semana particularmente agradável. Começando num sábado calorento, a levantar-me às 11 da manhã para o convívio Académico. Foram poucos os representantes de uma época dourada mas também é verdade que assim foi muito aprazível, convidativo pela intimidade proporcionada. Foi um dia em que pensava sair só para este convívio e terminou com o leite de chocolate, no café ao lado de casa, pela manhã seguinte! Almoço, lanche, patuscada, jantar, prova de vinhos, muito calor, dança, muitos copos, cerveja, vinho, whisky e boleia para casa, que as pernas nem para o táxi já tinham coragem de ir!
Até numa festa de anos vi-me envolvido, dancei uma brasileirada com a aniversariante sexagenária. Antes, ainda estive naquela casa específica dos petiscos, onde se comem bons caracóis, camarões, moelas e todas as iguarias possíveis. No meio de tudo, não foi só rambóia, também houve tempo para visitar os stands da medicina veterinária no ccb. É verdade que quando cheguei à taberna ideal, ia naquela de beber uma cerveja e ver os Cavaliers perderem, porque o dia já tinha sido longo mas o calor era tal que não houve coragem para subir até ao quinto andar e fui mesmo prestar visita à casa mãe. De qualque forma tinha que lá passar, para ir buscar mais um convite, para que um casal amigo pudesse estar presente no vigéssimo terceiro aniversário.
Não sei se foi da vaga de calor ou do ambiente mas a verdade é que quando entrei, estavam todos possessos! Entrei, pedi mais uma cerveja para apontar na cartilha alcóolica daquele dia. Encostei-me a uma mesa e quando dei por mim já estava a dançar com a tal sexagenária, o Luís Represas a dar-me um grande abraço pela escolha músical, o Miguel dos Polo Norte muito mamado a não conseguir dar uma nota e o Rui da Operação Triunfo a perguntar-me quinhentas vezes se ia lá estar no aniversário! Porra já te disse que sim! Depois foi vir para casa, a dizer que tinha de beber leite que o tabaco estava atrofiar-me! Lá cheguei a casa, numa bela boleia.
Domingo, ainda mais calor quando acordei. Sem saber como, estava como Deus me trouxe ao mundo. Respirar estava difícil mas um banho de água fria ajudou a recompor as ideias. Depois deparo-me com mais dois convites, irrecusáveis! Festa anos oitenta... Quando!? Logo no dia seguinte ao aniversário do Xafarix! Oh Meu Deus... não há quem se aguente! A proposta seguinte? Santo António! Ah malandro, então tu que és o santo casamenteiro, aprontas-me uma dessas? Festa privada, com faduncho, sardinha e chouriçada em plena zona história lisboeta? Não sabes que essas coisas não se recusam?
A seguir ao feriado estou feito, vou precisar de férias para recompor-me mas o pior é que é semana de TPH e não há hipótese de fugir. Sim, vão lá curtir o fim de semana prolongado que eu vou repensar no serão em casa da minha querida amiga, passado nesta noite anterior e nas borgas fenomenais que por aí chegam enquanto agarro-me ao pc!

Andei a passear pela colecção musical. Deu-me a ideia de contextualizar o gosto num top ten, algo utópico, pois a paixão pela música é maior do que tudo. Voltei, revirei, ouvi e tentei ainda mais, por fim, fica-me a sensação frustrante de deixar grandes músicas de fora. As que escolhi são aquelas que relembram, acima de tudo, grandes recordações, momentos únicos, pois é natural em mim associar um momento eterno ou alguém especial a uma música. Fica aqui uma selecção muito única e própria....

Dave Matthews Band - #41


Guns N' Roses - Don't You Cry


Matchbox Twenty - If You're Gone


Pearl Jam - Black


Richard Bonna - Kaladancoro

Simply Red - For Your Babies

Phil Collins - Against All Odds


Creed - With Open Arms


Stevie Wonder - Lately


Bon Jovi - Never Say Goodbye


Aerosmith - Amazing

Sou católico, baptizado e com primeira comunhão feita, só faltou o crisma mas nessa altura, já não era mais um do rebanho e sim um ser pensante. De qualquer forma, hoje adulto, abomino a igreja católica em toda as suas normas fundamentadas em éticas demagógicas. A igreja católica foi o maior dos terroristas nas páginas da história. A maior culpada de muitos dos crimes cometidos na existência humana. A implementação do Cristianismo, Cruzadas, Inquisição, etc. Mesmo assim, num conflito muito próprio e ambíguo é ela que fornece-me a fé que possuo.
Não é em Cristo, o salvador que andou sobre água em quem acredito, não é nos mandamentos proclamados por Moisés que baseio esta crença, nem sequer em Adão e Eva ou no paraíso. É no existir do que há sempre algo de bom em todos nós, é no não querer aceitar que existem más pessoas, porque em tudo existe algo de um lado melhor. Como da mesma forma, não posso aceitar, que sou completamente mau ou bom... tenho defeitos, mas vivo com a convicção que tentarei sempre fazer tudo, o que está ao meu alcance, para ser melhor do que era ontem.
Um dia ouvi ou li uma frase, que fez acordar em mim a racionalidade sobre a religião. A religião é feita pelos homens. Os homens erram, logo a religião é um erro. Agora há um sentimento que é muito próprio, muito meu. Não é Alá, Buda ou Cristo, não é uma personagem mas um estado de ser. Em todas as religiões existe um senso comum, Todas adoram um além, um todo, pacífico, equilibrado, algo imperceptível que nos leva a atingir a paz com as decisões. que tomámos E é nesse acreditar, na existência de um exodus que recria-se a minha fé.
Quando oiço músicas como estas, levita-me o estado mais esotérico e passo a ser alguém mais crente, alguém que tenta realizar-se num estado melhor do que era quando acordou....



Eu sei que estou bem, quando ando sobre deadlines apertados e ainda me dou ao luxo de parar, para colocar um bom som em modo ambiente. Eu sei que estou bem, quando não procuro clientes e não tenho mãos a medir para o trabalho. Eu sei que estou bem, quando entro no café do costume e sou recebido com um sorriso e um novo mimo para adoçar o paladar. Eu sei que estou bem, quando tenho a noção que estou mais gordo mas mesmo assim não me dá para ter remorsos, por petiscar todas aquelas coisas gordurosas e deliciosas. Eu sei que estou bem, quando há amigos que telefonam a perguntar ansiosos, por aquele convívio cá em casa. Eu sei que estou bem, quando os amigos enviam mensagem do género: - Então não dizes nada!? Eu sei que estou bem, quando já não me ralo com avaliações de prós e os contras e deixo-me ir é na corrente da surpresa desconhecida e gostosa do que aí vem. Eu sei que estou bem, quando o maravilhoso entre brumas, já não me choca, não cria qualquer sentimento e só demonstra que estou a reconhecer a realidade. Eu sei que estou bem, pois quando rodo a chave, estou no meu lar e não há melhor lugar para querer estar. Eu sei que estou bem, porque não há imposição de rótulos, de afirmações ou surpresas de frases que foram ditas no passado.
Realmente eu estou bem, estou como um vinho de reserva de pequena tiragem. Encorpado, que deixa sem fôlego no primeiro trago, de degustação lenta e intensa mas que não serve a qualquer paladar. Sinto-me bem e não mudava nada neste momento. Gosto deste stress laboral, gosto de ter tempo para os convívios cúmplices e de explanar quem sou, para quem gosta de sentir a saudade da minha presença constante.




E tudo se resume ao maior defeito... a cedência. Se não tivesse cedido à tentação de parar de estudar para ir tomar um café, nunca teria ido parar a uma cama de hospital. Se não tivesse cedido ao apelo de levar uns amigos a sair, porque tinha um carro de cinco lugares, mesmo estando constipado, se calhar não tinha voltado a uma cama de hospital. Se tivesse sido orgulhoso e não tivesse abdicado do meu futuro em prol de um familiar, se calhar não teria passado as misérias que vivi. Se não tivesse caído em tentação numa noite sobre um luar perfeito, não teria vivido com quem vivi. Se tivesse dito não, numa noite fria em pleno inverno, perdido algures na serra da estrela, não sentiria esta sensação de falta que vive comigo constantemente. Se não cedesse à razão de que uma traição é um erro de percurso de vida, hoje seria um homem casado ou talvez divorciado. Se não cedesse ao facilitismo, provocado pela ausência de uma razão de existir e continuação, se calhar não teria sofrido tamanhas privações. Se não tivesse cedido à ilusão de palavras oportunistas em causa e tempo, se calhar não teria acreditado que havia maneira de reabilitar o meu espírito. Se um dia não tivesse, cedido à ilusão de que aquela pessoa que tinha à minha frente, voltaria a ser a menina que conheci com 11 anos, talvez não tivesse sofrido tanto dizer adeus. Se em cima disto tudo, tivesse tido a coragem para não ceder e demonstrar, que independentemente do passado, do medo que sentíamos, dos mundos tão antagónicos, da beleza que ofuscava-me e de vivências tão dispares, ainda havia lugar para a partilha e a esperança de um futuro a dois. Se calhar o rancor, não seria uma constante e pelo menos pudesse-se preservar uma amizade.
Se por uma vez na vida aprendesse a dizer não, a não ceder àquele momento em que é obrigatório dizer não, talvez hoje seria alguém realizado. Vamos ver se é neste novo capítulo, que consigo virar a mesa e dizer que não cedo.

Há a gripe suína, há sida, há tanta porcaria que se pode apanhar por tabela por aí, até maus-feitios e hipocrisias. Chegou o calor e com ele a fase da procriação, espero que esta não se lembre de bater-me à porta, que não tenho qualquer intenção de ser infectado.
É que é tudo muito giro mas ao fim de nove meses é que são elas, saem cá para fora uns seres adoráveis que têm como missão atormentar o resto da nossa vivência. Já fui infectado com este vírus e adorei mas chega a experiência de uma vez para perceber que os efeitos secundários são demolidores. Até porque se a situação não for bem medicada, ao longo do tempo, os germes tornam-se seres que só dá mesmo vontade de exterminar, tal é o feitio abominável. E há tantos por aí a precisarem de um exterminador à moda do Arnold. Alguns deles, até conseguem despistar a doença das vacas loucas mas a verdade é que elas próprias são as ditas loucas!
Este ano, vou ser tio, vou ser padrinho, só falta mesmo ser pai ou avô! Avô é difícil, mas não impossível, só se o Guigas for um verdadeiro artista da cabeça aos pés. Para pai já chega este, que não me apetece outra vez dormir só de duas, em duas horas, nem ouvir uma miúda a dizer às 5 da manhã que tem de comer morangos urgentemente e lá vai o palerma à procura deles.
O calor é lixado, trás sempre umas vontades maquiavélicas de reproduzir. Não é que eu não goste do treino, aliás sou apologista da execução até chegar-se à perfeição, é muito saudável. Só que nesta altura da vida prefiro acabar nos últimos lugares e não estar no pódio a receber um troféu ou medalha. Chiça! O que vale é que há cerveja fresca, os caracóis estão a chegar, a água refresca o ímpeto e o ar-condicionado está a preço acessível para vacinar qualquer um ;)

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que tende por norma a desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na mesma proporção que os dois vão estando mais unidos, é maior a partilha, torna-se superior a troca, a vivência conjugal. Para partilhar é necessário dar. Dar é a chave do sentimento.
Amor é sinónimo de entrega constante, dar-se ao outro recebendo na mesma medida. Só através de um sacrifício ilusório, se conserva o amor mútuo. É vital aprender a relevar os defeitos do parceiro, a perdoar uma e outra vez, sem guardar rancor. A não devolver com mal, um mal adquirido. A não dar importância exacerbada a uma frase desagradável e tantas mais definições de entrega poderiam ser mencionadas.
Por tudo isto o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é permitido, pois a verdadeira ilusão é a existência de regras no amor. Não há uma fórmula mágica que encaixe em todos os casais. É necessário uma vontade mútua de entrega incondicional, de partilha num espaço temporal único e equilibrado de ambos os lados, excedendo os nossos próprios limites.

Agora pergunto a mim mesmo... será que algum dia conseguirás absorver por completo esta filosofia?

E se o destino das nossas vidas se resumisse a uma única opção, será que seria mais fácil? Bem, depende de vários factores. Claro que a margem de sucesso seria consideravelmente maior mas, não é também verdade, que podemos cometer quinhentos erros e numa só opção conseguimos virar o jogo a nosso favor.
Hoje faria um ano de vida mas o que ontem foi verdade, hoje é uma utopia sem validade. Acredito no físico, acredito numa imagem a dois em que existe balanço, harmonia, onde o todo demonstra ser um só. Desde o início mantive sempre a mesma frase: - Somos de ligas diferentes. Hoje percorri as imagens de uma existência a dois e é curioso ver o caminho percorrido. As primeiras fotos demonstram essa distância de vivência. Folheia-se umas quantas mais à frente e chega-se a um preciso momento, onde é possível visualizar a tal harmonia. Onde os mundos já não parecem tão dispares. Nessa foto, que guardo como o momento do encontro desses mundos, aquela imagem onde tudo parece fluir no mesmo sentido, onde o todo da mensagem encontra-se em qualquer ponto da imagem, vislumbro o casal perfeito.
Percorre-se mais umas folhas, tal como um movimento animado, e volta-se a sentir a distância a reaparecer. Chego à imagem final, a última prova dessa existência a dois, e vejo como a frase inicial fazia tanto sentido, desde o seu princípio. Ainda há uns tempos, mostrava essa imagem final a outra pessoa, que não presenciou esta fase da minha vida. Chegámos ambos à mesma conclusão. A foto não bate certo, falta-lhe algo. É verdade que não apresentei a tal imagem especial, onde consigo vislumbrar tudo a conciliar-se mas não será por apresentar, essa única imagem, que a sensação de desequilíbrio desaparece ou retira razão a uma opinião consolidada e plena de certezas absolutas.
Esta mesma pessoa, é aquela com quem recuso-me hoje em dia, a registar um momento fotográfico. Talvez seja um receio válido, provido de lógica, de que se esse momento for capturado, eu acabarei por encontrar nele, alguma razão para uma imperfeição que não quero vislumbrar. Estou tão bem no desconhecido ;)

Teimoso, extremista, orgulhoso. Defeitos que nunca tentei camuflar, defeitos que em certas situações servem muito mais como qualidade do que defeito. Ultimamente, são eles a melhor ferramenta para concretizar um bem-estar, a realização de objectivos, a forma de encarar as adversidades e as desilusões.
É uma fase estranha, uma fase sem grande vontade de optar, seja pelo que for. Abril tem sido um mês amorfo, um mês de adaptação a uma nova vida, a um novo dia-a-dia, que só por si implica a mudança de rotinas, posturas e convivências. Os três defeitos marcaram a sua presença neste mês.

Teimoso - Propus-me a um desafio profissional complicado e hoje compreendo que foi a minha teimosia, a alavanca que levou a bom porto a concretização dos objectivos. Foi muita a vontade de desistir e mandar às couves os absurdos - prazos impensáveis, mudanças constantes e atrasos de envio de material - Foi com uma ponta de orgulho que hoje recebo um email final que contendo as seguintes palavras:

Meus Caros, Foi com alguma expectativa que esperei por este momento. Sempre acreditei que conseguíssemos. A questão era, se teríamos de transpirar muito ou não. Vi suor e vi dedicação. Aplausos! ... Vocês são os maiores

Extremista - Num novo lar, feito à minha medida e à minha maneira, achei que era chegada a hora de optar por activar este defeito. De que serve andar a prolongar situações, que não possuem solução, se o mesmo prolongamento só reveste-se num final impregnado de mágoas, discussões e dissabores? Optei por extremar posições com todos. À minha maneira, à minha vontade. Gostam de quem sou, gostam de conviver comigo, pois muito bem, os contactos continuam os mesmos e estarei sempre cá para o que quiserem. Dois dedos de conversa, um desabafo, um pedido de ajuda ou para simplesmente desfrutar de uma boa companhia. Não gostam da minha postura, não há paciência, não vale a pena? Ok... cada um no seu caminho, sem ressentimentos. Já era mais do que hora, de optar por preocupar-me comigo e com o meu caminho. Não corro mais atrás de supostos amigos ou amores ilusórios.

Orgulhoso - Sou assim desde miúdo. Digam o que disserem este defeito eleva-me à essência de quem sou. Orgulho-me de suplantar dificuldades que a maioria dos mortais nunca viveram, orgulho-me do caminho que percorri, do que conquistei, do que perdi mas acima de tudo, do que sou, represento e da maneira como encaro a vida.
Hoje, orgulho-me de ter criado as condições que o ano passado pareciam impensáveis a muito boa gente, de ter conseguido concretizar as promessas que fiz, de ter batido com a porta na cara a afamados e moralistas, sem qualquer ponta de resignação. Orgulho-me de ter optado por tudo o que é novidade e que hoje já são peças constantes na minha existência. Sem compromissos, sem explicações, deixando o tempo correr e usufruindo com todo o prazer, dos momentos vividos.

Hoje, quando cheguei a casa, após mais uma saída com vertente empresarial, que cada vez mais consome a minha vivência, vim para o computador terminar aquele trabalho que há tanto tempo massacra-me, suspirando para ter tempo para todo o resto. Sentei-me recordando como ontem vivi aquela sensação, que para mim é amorfa, de estar farto de aqui estar. Já estava enjoado e a doer-me os olhos, por estar em frente a um computador há tantas horas, algo que parece inconcebível na minha existência.
Eu sei, que a responsabilidade obriga-me a estar à frente desta máquina mais vezes do que seria desejável. Sei também, que só suporto estas horas porque amo o que faço e hoje como hábito de tantos anos, mais uma vez sentei-me para recomeçar onde tinha parado mas houve algo que obrigou-me a vir aqui desabafar estas linhas. Tenho costumes, hábitos, como qualquer um de nós.
Sentei-me, abri o ficheiro principal que ando a trabalhar, abri o firefox, o msn e o winamp, como sempre faço. Vi as actualizações do hi5, do blog, do nosso jogo, as notícias em falta, os mails por ler e coloquei o random do winamp a tocar. A sorte ou o destino colocou uma das 10.000 músicas que tenho no pc a tocar e parei com tudo. Ouvi, senti a letra e cheguei aqui. In God's Hand, foi a música que começou por tocar. Já tinha ouvido a música mas se calhar, por não ser a altura correcta, não tinha tido tanto sentido como teve hoje...

Now our love's floating out the window
Our love's floating out the back door
Our love's floating up in the sky in heaven
Where it began back in God's hands

You said that you had said all that you had to say
You said baby it's the end of the day
And we gave a lot but it wasn't enough
We got so tired that we just gave up

E foram estas linhas que levaram-me a escrever. Embora sempre tenha sentido uma revolta pela sensação, que fiz mais do que o razoável, foi mesmo isto que aconteceu. O que existiu de bonito, acabou por voltar às mãos de Deus. Era-lhe impossível ter dado mais do que deu naquela altura e para mim era pouco, não chegava. Agora que estou numa nova fase, entendo que ambos deram muito mas que nunca foi suficiente para resultar e simplesmente chegámos ao ponto sem retorno, onde a única opção era desistir.

P.S.: Eu sei que vais ler estas linhas e antes de mais peço-te desculpa. Tenho evitado escrever, porque sei que eventualmente o que escrever pode mexer contigo mas abordar o tema da sombra que atormenta-te, era se calhar, o que seria necessário para fazer-me acordar de vez, para deixar os fantasmas do passado extinguirem-se de vez. Independentemente do que escrevi, não questiones o mérito daquilo que te disse no outro dia, nem por sombras. Estou muito bem, com aquilo que temos e se calhar é chegada a hora de ir em frente :) ... I Still Haven´t Found What I´m Looking For

Um dia especial, um dia meu. Acordar lutando para sair da cama, sem destino. Abrir a janela e vislumbrar um sol radioso, um novo início. Ainda estremunhado, dou comigo prostrado no sofá a desfrutar dos cereais, enquanto devoro os episódios em falta. Lentamente, a tigela vai esvaziando e a batalha é vencida pelo ócio, que comanda o corpo a manter-se aninhado no sofá mais cinco minutos. Não há obrigações, não há programas, apenas o lazer de estar sem fazer nada.
Finalmente, após uma chamada telefónica, o ócio perde fulgor e obriga o corpo a verificar as mensagens. Assunto resolvido. Já que estás de pé, que tal ires arranjar-te? Sim, já passa da hora do almoço.
Refrescante, revitalizador. Até já canto meu, vou passear e usufruir do sol. A rua está deserta, compra-se o jornal e vagueia-se pelo bairro, até sentar na esplanada deixando o calor do sol, trazer consigo o bem-estar. A leitura é calma, pausada, sem pressas de onde ir, sem ter onde estar presente. De quando em vez, a leitura é interrompida para atender umas quantas chamadas e os ponteiros do relógio, seguindo o seu caminho, levam-me até ao final da tarde. O calor vai dando lugar ao fresco do fim do dia e está na hora de recolher ao abrigo. Um último gole e a promessa de retornar para a famosa francesinha.
Sabe bem, rodar a chave. Sabe bem este canto a que chamo de casa. Pousar as chaves, despir o casaco e deixar o corpo cair no sofá, para mais um bocado de nada, vazio de pensamentos, vazio de querer, que não seja querer estar aqui sem nada para fazer. O nó no estômago apresenta que já duas horas se foram e que é chegado o momento, para nova saída. Lentamente, a rua continua deserta, lentamente faz-se o caminho para o jantar. Sacia-se o desejo, sacia-se ainda mais a recordação daquela noite especial, que após várias desventuras, às cinco da manhã, saboreávamos o paladar do norte, numa esquina de Lisboa.
Subo a rua, a tentar moer o gosto pesado da refeição. Bebo o café na esplanada do amigo, agora vizinho, acompanhado por um Jameson, enquanto vou apreciando as luzes da cidade. As pessoas vão chegando, o espaço começa a ganhar vida e mais uma caminhada, que o fresco da noite, já convida ao retiro. Forço o corpo a vir passear ao ciberespaço e escrevo estas linhas enquanto o Che parte 1 e 2 aguardam a minha aprovação.
Vou voltar a aninhar-me no sofá, antes vou buscar mais um whisky e uns amendoins para acompanhar a sessão cinéfila e eis que chega a pergunta. O que fiz hoje? Dei um passo enorme, o mais difícil de assumir. Nem um pensamento até este momento. Nada mal para primeiro passo. Basta de adiar o inevitável, chega de ilusões, chegou a hora de largar mão. de vez Foi um dia tão agradável, no vai-e-vem lento e satisfatório de um sábado caseiro, que não me apetece ter mais do que isto, não preciso mais do que isto. Finalmente estou em casa e foi um dia especial, um dia meu.

Pesado o ar, num espaço brando de bondade. Sentido, o estado constante de ansiedade. Um jogo contínuo, que se perpetua no tempo, há demasiado tempo. Palavras que não chegam, momentos que não se vivem, sentimentos que tardam em desaparecer e esta esperança idiota que não arranja maneira de morrer de vez.
Queria ter a fórmula da pílula do esquecimento, de não viver um estado de graça, que não possui graça nenhuma, com a sua ausência imponente e insolente. Estou cansado de esperar, na esperança do momento em que a página do livro é finalmente desfolhada e não se pensa, não se racionaliza, simplesmente sente-se e demonstra-se.
Há dias assim, dias em que a inevitável impaciência, apodera-se como uma bala fulminante, embriagando o consciente com a sua verdadeira realidade. Há dias que desespero, outros que abstraio-me e há aqueles em que finjo. Finjo não ser quem sou, finjo não sentir o que sinto e finjo ainda mais que é mesmo assim que quero estar. Finjo acima de tudo, que não existes, tal como a história de sonho que vivi. Há alturas que consigo fingir tão bem, que chego por breves instantes, a acreditar que nunca foi real. Hoje, não é um desses dias.

Num canto meu, tentando manter-me virado para o oeste, vou pintando as primeiras linhas do meu lar. Foi um semana árdua a que passou, onde o tempo correu sempre mais rápido que a minha vontade. Percalços, contrariedades, atrasos, compras, mais compras, montagens, carregamentos, trabalho, muito trabalho e mesmo assim, ainda não consegui ter tudo funcional na Johnny's House. No entanto, já vou desfrutando do aconchego da minha sala, vendo as minhas séries, a bebericar uma cerveja ou um leite, dependendo da disposição. O quarto ainda encontra-se por finalizar mas o cansaço, aliado ao prazo apertado para a entrega de um trabalho, retiram qualquer coragem de entrar naquele espaço.
Na semana passada, tive que encostar a vida social a um canto e a possibilidade de encher os pulmões de ar fresco, só foi privilegiada aquando de um almoço impossível de fugir. Já havia comprometido-me, à cerca de um mês atrás, para o almoço dos antigos alunos do Valsassina. A vontade não era muita, por várias razões: Não foi colégio que frequentei por muito tempo, estava muito cansado, por causa das mudanças, tinha trabalho para finalizar e da lista de participantes, poucos eram os que recordava-me. Um colega, fez questão de às 11 horas vir buscar-me e não tive maneira de recusar. Uma tarde, que parecia algo despropositada, tornou-se num momento agradável, quando revi caras que sentavam-se ao meu lado na carteira ou na esplanada da gata, a beber umas cervejas em quanto o tempo corria para a idade adulta. Acabou por ser um momento retemperador, para uma semana caótica.
Esta será um semana, de recarregamento de energias e focar-me em finalizar as funcionalidades da mansão, terminar um trabalho e agarrar outros dois que estão pendentes, por falta de tempo. Assim se mantenha a vida, para sentir-me, pelo menos, bem comigo e com o mundo, já que a canção não habita um sexto andar.