The Real Johnny Bravo

Histórias de um livro chamado vida

Ora cá estamos nós no Dom Tacho ou como os amigos íntimos apelidam, Dom Juan, em mais uma noite animada de convívio. Já de porta fechada e com os cúmplices do costume, a noite parecia levar o melhor rumo, eis que nas despedidas e vindo embora com C, em direcção ao carro, deu-me uma daquelas saudades de visitar a minha colónia de férias predilecta.
Seguia eu atrás de C, quando as canadianas e os pés ganharam vida própria e vão por aí fora, numa cena a relembrar as quedas do "Sozinho em Casa". Resultado? Bem o resultado foi estatelar-me na calçada, no meio de um cheiro nauseabundo e com uma dor insuportável na coluna. Provocando-me dificuldades extremas em respirar. Logo se gerou o pandemónio, A. correndo em meu auxilio, quase que se junta a mim e numa questão de segundos já rodeado pelos companheiros, consigo quase perdendo os sentidos, compreender o sucedido.
O cheiro, era nada mais nada menos que vomitado, que preenchia toda a calçada, onde eu encontrava-me deitado, sem condições para levantar e só mantendo a cabeça de fora do charco, pois o VHS estava a apoiar-me a cabeça. Uns meninos, lembraram-se de embebedar-se em casa e vir para a varanda vomitar a rua toda e inclusive os carros estacionados, que isto de concurso de vomitar da varanda, tem muito que se lhe diga.
A queda, foi de uma cena hollywoodesca, as dores cada vez mais insuportáveis e como o cheiro ao redor não era dos mais agradáveis, eis que chega a minha carruagem. Numa viagem que mais parecia uma montanha-russa, ligado a oxigénio, pois viagem de montanha-russa que se preze, deve ser sempre acompanhada de umas belas inalações de ar fresco, só dispensava mesmo era as dores ao passarmos por cada buraco mas viagem em Lisboa sem passar por buracos é algo surreal. Não se pode ter tudo.
Ao chegar à colónia de férias, fui recebido pelos empregados do turno nocturno. Raio-X para abrir o apetite. De seguida, prepararam-me a cama, pois gostam tanto de rever-me, que quiseram logo que desse entrada na colónia com todas as mordomias possíveis. De manhã, sem direito a pequeno-almoço, pois ainda havia a possibilidade de sair-me a sorte grande e ir parar àquela sala VIP, onde gostam de fazer-nos uns cortes enquanto dormimos, acabei por ir ao TAC.
O TAC foi simpático, ditando que afinal não teria direito a entrada na sala VIP mas que ficaria para observação e com direito a bónus. Gostaram tanto da minha visita, que receitaram repouso absoluto, tramal e paracetamol para o traumatismo lombar e como prenda de despedida, ainda tive direito a receber um vale de compras para um colete protector para usar nos próximos tempos.
Há saudades que por vezes devem ser saciadas. Irra!

P.S.: Obrigado aos incansáveis amigos que quiseram reviver estes meus momentos de glória na colónia de férias. Vocês são excelentes :)

Tenho tido nos últimos meses tantas vitórias, tantas como as asas que sonho ter para voar e que todos possuímos mas que só damos conta da sua importância quando sentimos o alento daqueles que nos rodeiam para partilhar-mos. Faz sete meses, sete longos meses que roubaram-me o querer de algo mais. Ao início foi uma questão de orgulho, de demonstrar que era capaz, de que a conquista era tão fácil como uma breve respiração. Tentar provar que conseguia.
Hoje, foi um daqueles dias, em que fui o centro, fui o desejo e no entanto nunca senti-me realizado. Claro, que sabe bem, estarmos rodeados por pessoas que nos tomam como alguém desejável, como alguém acima das expectativas mas realmente, será isso importante perante a memória do passado? Não, não me parece, a memória vive, vive num piscar de olhos, vive num cheiro, num segundo de lembranças que por mais que se tentem apagar, entranharam na pele.
Não esqueço nenhum momento, os bons e os maus, pois mesmo esses tendo de ser vividos, foram vividos ao lado de quem se queria. Parece idiota, mas o que mais recordo são as discussões. Aquelas que no fundo sendo o lado menos convidativo, são aqueles que fazem-me pensar do porque de ter optado por estar sozinho, pois se há alguém que consegue tirar-me do sério, era ela. E não será isso a vida!?
Sabe bem, claro que sabe bem sentir-me desejado, sabe bem pensar no dia que se avizinha no amanhã, agora qual será a minha atitude? Realmente não posso afirmar qual será. Há sempre algo que prende-me e que não me deixa mergulhar, não me deixa entrar em loucuras. Um sentimentos estúpido ou que talvez de estúpido só tenha a não realização do passado. Porque a culpa não é minha, não é dela, foi do momento e se não deveria ter existido, será possível explicar a saudade? Essa constante que acompanha-me desde o levantar até ao momento em que perco os sentidos ao dormir, porque na verdade, aquele imagem acompanha-me no decorrer do dia-a-dia... Estúpido? Talvez, no sentido da Sarah McLachlan.
Hoje foi um bom dia para o ego, amanhã melhor será mas quem serei eu? Não sei responder. Será que vou saltar fora no último instante ou será que é desta que aventuro-me? Não sei, sei só que se optar pela aventura terei saudades do passado e que se não aventurar-me, saberei que perdi a hipótese de esquecer o passado. Dilema

Hoje sofri um intervenção. Uma intervenção consiste em ter-mos amigos a chamarem-nos à realidade. Estive dia e meio sem aparecer no local do costume, sem falar com as pessoas que correntemente estão no meu dia-a-dia. Fui bombardeado com telefonemas para saberem da minha existência, sem nunca atender e quando esta noite cheguei ao ponto de encontro, sofri esta intervenção. Sim, é verdade que são pessoas que convivem comigo há pouco tempo mas que já se habituaram à minha presença, por mais inacreditável que tal pareça.
Comecei por dizer, que era um stress, um filme, sem razão de ser, só porque não tinha atendido o telefone e faltado a um dia de convívio habitual, eu sou assim, sou um solitário, por vezes necessito do meu espaço. Ouvi de tudo, ouvi muito mais do que quis. Ouvi uma análise, do que realmente tentam descortinar do que sou e demonstro. Foi um erro de casting, não absorvi uma única palavra dessa análise mas revi-me em palavras de amizade.
A vida, os acontecimentos e as casualidades fizeram-me ser alguém solitário por muito que esteja em companhia. Talvez como mecanismo de defesa, talvez por habituação, talvez porque no fundo não há maneira de ser compreendido e compreender-me. No fim sobra uma razão muito racional. Porque não conseguirei nunca dar-me por inteiro. Porque no fundo tenho medo, tenho muitos bicho papão escondidos no armário e é muito mais seguro manter as relações superficiais, pois assim, é certo que não sairei decepcionado, magoado, triste. Se parecer que dás muito, não há muitas perguntas.
É comigo que conto, é comigo que sei que posso contar... Ok, é verdade, é incrível, há quem queira o meu bem mas também é verdade que o meu bem-estar só eu posso alcançar. Para poder estar bem, teria de expor-me e eu não o posso fazer, o medo e de certa forma a vergonha de quem realmente já fui, não me permite.
Quando o mundo era quase meu, tudo se desvaneceu, sofri o que nunca sofri e quando hoje disse que sendo o mais novo era o mais experiente, ninguém conseguiu compreender a minha frase. Só Deus, aquele meu amigo que está sempre presente, sabe o caminho tortuoso que já percorremos. Por vezes carregado, por vezes sobre o olhar crítico, por muitas vezes com uma coragem estúpida de sobrevivência que acho que nenhum de nós consegue compreender a sua existência. Insistência imperceptível.
Se nós não compreendemos, como podem outros entender!? Tem sido um caminho pecaminoso, recheado de erros, de amarguras, de estupidez enfática e de muita mágoa, de uma noção precisa de tudo o que se perdeu, de tudo o que faz falta para estar de bem com a vida. Se sou feliz? Não, não sou... ser feliz é um êxtase momentâneo, não vivo de ilusões, vivo para as ilusões, esperando com muita esperança que acima de tudo um dia o sol volte a nascer em todo o seu esplendor, trazendo tudo aquilo que já tive. Se não hoje, um dia, numa nova vida, numa nova dinâmica, numa vida em que seja possível esquecer todos os erros do passado.
Estou cansado de ser uma cortina, uma fachada e de esconder os meus sentimentos. Perdi os que mais amei, perdi a dignidade, falhei na escolhas do passado e não sei como dar a volta. Hoje tudo é fútil, tudo é insignificante perante tudo o que já tive e deixei fugir.

Skank - Me Sinto tão só, me sinto tão seu.. 25 de Agosto - 10 years

O beijo, acto de paixão, prazer ou carinho. Um acto viciante, ardente e perpetuando nas minhas memórias. Um beijo de fogo, capaz de seduzir e incendiar. Gosto de paixão, de desejo, de força e intensidade, trocado no segundo seguinte por outro dócil, alternado com carícias suaves, intensificando-se o desejo. O beijo corrido que empregue ao acordar torna o dia mais suportável de aturar. Aquele que remete-se ao simbolismo de uma relação duradoira e cúmplice. O beijo amigo, prolongado na face, sinal de carinho e amizade. Demonstração de respeito por aqueles que nos são queridos. O beijo sonhado, relembrado como marca de um passado. Um anseio de reviver memórias. O nervoso de um primeiro beijo, do primeiro de todos e do primeiro dado à pessoa amada. Chave simbólica de recordações, sensações e vivências. Aquele tudo diz sobre o caminho de uma relação.
Citando Oliver Wendell Holmes - O som de um beijo não é tão elevado como o do canhão, mas o seu eco perdura por muito mais tempo - Assim ecoa na minha cabeça todos os beijos que dei, os que sonhei, os que ensejo e os que sempre recordarei. O beijo é o melhor dos afectos.

Somewhere, over the rainbow, way up high.
There's a land that I heard of Once in a lullaby.
Somewhere, over the rainbow, skies are blue.
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.



Há uns tempos, esta foi uma das músicas que me foi dedicada, por uma amiga. Sem ela saber, esta é daquelas, que toca-me profundamente. Tenho seis versões deste tema, na minha colectânea. É um grito de esperança, é uma daquelas músicas onde procuramos conforto, quando tudo se torna negro. É a ingenuidade que gostava de ainda possuir, é acima de tudo o sorriso que ainda consigo ter quando a lágrima escorre face abaixo.

Why, oh why can't I? Why can't I be happy, be resolved, be glad....

Esta não é da minha autoria, é um pensamento ou vários... é uma postura de estar perante a vida. Foi-me oferecida, por quem me concebeu. Foi uma oferenda, que tenta por si só, dar-me esperança no futuro... Thanks Mammy.

Caminha tranquilamente por entre a confusão e ansiedade, e lembra-te da paz que pode existir no silêncio. Tanto quanto possível, sem te renderes, mantém boas relações com toda a gente. Diz a tua verdade claramente e em sossego; e escuta os outros, mesmo os mais simples e ignorantes; também eles têm a sua história. Evita pessoas ruidosas e agressivas, porque elas são um vexame para o espírito. Se te comparares com outros, podes tornar-te vaidoso e amargo, porque haverá sempre pessoas acima e abaixo de ti próprio. Alegra-te tanto com os teus resultados como com as tuas expectativas. Mantém-te interessado na tua própria carreira, por mais simples que seja. É uma verdadeira riqueza perante a instável sorte dos tempos. Sê cauteloso nos teus negócios, porque o mundo está cheio de enganos. Mas não deixes que isso te cegue quanto à existência da virtude. Muita gente luta por novos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo. Sê tu mesmo. Sobretudo, não finjas no afecto. Nem sejas cínico em relação ao amor, porque diante de toda a aridez e desencanto, ele é tão eterno como os campos. Aceita com suavidade o passar dos anos, entregando graciosamente as coisas da juventude. Cultiva a força do espírito para que te proteja na eventual desgraça. Mas não desesperes com a imaginação. Muitos medos resultam da fadiga e da solidão. Para lá do rigor do comportamento, sê cuidadoso contigo próprio. Tu és uma criança do universo não menos do que as árvores e as estrelas. Tens o direito de estar aqui. E ainda que não seja evidente para ti, não duvides que o universo evolui. Por isso, fica em paz com Deus, seja qual for o conceito que tens dele e sejam quais forem os teus esforços e aspirações, na ruidosa confusão da vida, conserva-te em paz com a tua alma. Apesar de todas as ilusões, dificuldades e sonhos desfeitos, o mundo ainda é maravilhoso. Tem cuidado. Esforça-te por ser feliz.


Encontrado na Igreja de S. Paulo, Baltimore, 1692

Ouvi dizer, que muitos daqueles que percorram o percurso da vida ao meu lado, por breves instantes, alcançaram grandes sucessos.
Orgulho-me de ter trilhado, por instantes, os mesmos passos de um menino que no mês passado foi cantar na primeira parte do Russ Ballard no Campo Pequeno. Tive a felicidade de ver crescer outro menino, que em Setembro vai levar o seu Tributo a Beatles ao Coliseu e que sei chegará muito longe. Bebi muitos copos, em grandes noitadas, com outro rapaz, oito anos mais velho, mas sempre com um sorriso de um miúdo estampado, que hoje é uma referência da música portuguesa. Outro catraio, que tenho o prazer de dizer que é um amigo, já passou pela música, pela apresentação e cheguei mesmo a ver-lo fazer um strip ao som dos gostbusters num programa de televisão. Também outro menino que partilhou a minha vivência, é hoje apresentador num dos canais privados de televisão. Outro até cantor de música clássica, conceituado no país e além fronteiras.
Na panóplia de pessoas com quem tive o gosto de percorrer a estrada, também se encontram outros que, não sendo figura públicas e do espetáculo, são referências pelos sucessos alcançados. Um amigo de infância, é figura preponderante no parlamento europeu. Outro doidivanas, que inacreditavelmente conseguiu imitar um acidente meu, é hoje uma das vozes activa no centro democrático social. Um colega de carteira, é uma referência do ensino de marketing em terras do tio Sam, tendo trabalhos publicados no BusinessWeek e the Financial Time.
Aqueles de quem mais me orgulho, por terem dado o prazer da sua companhia, não são figuras activas dos media, não são preponderantes no futuro mediático e em orgulho pré-concebidos da nação. São aqueles que parecendo anónimos, são os que fazem a máquina funcionar e seguir uma rota, plena de esperança.
São eles taxitas, vendedores comerciais, jornalistas, directores, escuteiros ou simples casais que concebem as mentes que liderarão este país a um lugar melhor. São eles arquitectos, engenheiros, maridos e mulheres, pais e mães dedicados. São estes que muitas das vezes, fazem-me pensar. Redireccionar caminhos, a encontrar forças para alcançar objectivos. É num sorriso de uma criança de 8 anos que encontro a lucidez para prosseguir. É no carinho de uma amizade, que entendo o meu dever de continuar a batalhar. É na esperança que, vislumbro nos olhos daqueles que me amam, incondicionalmente para que seja alguém melhor, que compreendo que ainda não é altura para desistir.
Eu sou mágico, inigmático, supreendente. Quando todos esperam o desfecho, eis que tiro o coelho da cartola. Aqui estou eu, para entreter e dislumbrar-vos. Se existe um palco onde actuo, ele deve-se a vocês, por acreditarem que devo ser parte integrante do espectáculo. Obrigado a todos que percorreram a calçada ao meu lado. Quando o espectáculo tiver o seu final, celebrem. Façam a festa, festejem a vida e não o final, festejem o caminho e nunca o término, pois só é verdadeiramente importante as aventuras, emoções e os momentos que passámos juntos. E os meus momentos, até aos dias de hoje, só foram significativos por por ter a vossa presença.

Por vezes estúpido, ingénuo ou talvez não tanto, muitas vezes a tentar adivinhar o mundo dos pensamentos, sem nunca aceitar a improbabilidade de não ter controlo em tudo o que existe. A dar tudo a todos e a exigir tudo de todos, por vezes sem compreender que não é possível mais empenho mas sempre pautando cada segundo da sua rota, numa entrega com muita paixão em tudo que é feito. Impulsivo, talvez derivado de uma necessidade contínua de sentir. Um louco lúcido que incrivelmente demonstra um sentido de liderança, quando muitas vezes, frustrantemente tenta estar em segundo plano.
Um dependente da curiosidade, provenha ela de um mexerico ou das razões da essência do ser. Muito mais curioso pelo sexo oposto, arriscando mesmo dizer, dependente do fascínio que existe na não compreensão do ser. Embora sempre concentrado em viver o hoje, gosta de parar e relembrar o passado. Sorri, ri ainda mais, em alto e bom som. Uma das suas imagens de marca, a boa disposição, mesmo quando o mundo parece estar à beira do fim. Sozinho, por opção, sozinho numa multidão de gente, com a noção exacta que tocou a vida de muitos, por vezes de uma forma negativa mas em grande parte de uma maneira muito positiva.
E era aqui que queria chegar, chegar às frases que hoje ouvi, apanhado desprevenido e que muito me sensibilizaram. Tiveram um sabor especial, porque não foram obrigadas, foram espontâneas e sentidas, foram uma forma de exprimir aquilo que realmente sou, um amigo com que podem contar para todas as ocasiões.

"não estou contigo muitas vezes mas acredita que confio em ti a 100%."

"um excelente amigo...presente, não sempre, mas talvez para sempre."

"Até dá raiva, quando queres sabes fazer coisas muito boas, obrigada."

"Aprendi que este ano, sei quem são os meus verdadeiros amigos.... tu és um deles!"

Há muitos anos que jogos os dados, tentando a sorte. Há muito mais tempo, vivo numa corda do circo, muito ténue, tentando equilibrar as hipóteses. Por incrível que pareça, consigo sempre levar a melhor, mesmo quando tudo aponta para a maior catástrofe. É nestas alturas que relembro as palavras de uma grande amiga. "Tu não és a pessoa mais azarada do mundo, és a pessoa que consegue realizar o inacreditável!"
Dá que pensar... quantas vezes, não desafiei a sobrevivência? Quantas vezes achei que tinha chegado a um beco sem retorno e por fim, miraculosamente aparecia uma solução. A verdade é que a minha vida não é feita de altos e baixos mas de grandes soluções em momentos vitais.
Sou um tipo super-orgulhoso, não admito a ninguém que venha dizer como devo viver, talvez porque nunca encontrei ninguém que tivesse sobrevivido a metade do que passei, mas se o mundo deparar-se à minha frente, não rogarei a luta, e a aí estou eu para derrubar toda e qualquer ânsia que ele possa ter com a certeza de que não vou vergar. Incrivelmente, eu sou eu!
Se há algo que é garantido, é que não vou brilhar como um diamante, não vou ser a estrela da companhia, não serei nunca a capa da dolce e gabanna, não serei um yes man, nem por sombras deixarei de dormir uma noite a pensar que deixei de ser o que quero por uma vontade maior... Se o mundo tentar controlar-me, pode contar com algo... estarei cá para derrubar todas as suas esperanças em deitar-me abaixo. Eu sou mais eu, sou maior do que tudo, sou mais do que muitas vezes acredito e sou muito menos do que muitas vezes acredito mas como conclusão, sou um osso muito duro de roer.
Sou o melhor amigo, sou o maior dos boémios, sou o mestre de cerimónias, puro, directo, sempre com uma finalidade. Sem rodeios demonstro que vale mesmo a pena, andar por cá... no fim, se houver dúvidas, porra olhem para mim!!!!
Deveria eu estar cá!? Não claro, que não, mas não estou por cá!? Então vamos é curtir até de madrugada, vamos saborear o que existe hoje, porque não há ninguém que dê garantias do amanhã.

Sê há alguma maneira de demonstrar o que quero sentir quando um dia olhar para o lado... esta música demonstra todo o carinho que eu quero rever nos olhos da pessoa que estiver lá...


Semana particularmente agradável. Começando num sábado calorento, a levantar-me às 11 da manhã para o convívio Académico. Foram poucos os representantes de uma época dourada mas também é verdade que assim foi muito aprazível, convidativo pela intimidade proporcionada. Foi um dia em que pensava sair só para este convívio e terminou com o leite de chocolate, no café ao lado de casa, pela manhã seguinte! Almoço, lanche, patuscada, jantar, prova de vinhos, muito calor, dança, muitos copos, cerveja, vinho, whisky e boleia para casa, que as pernas nem para o táxi já tinham coragem de ir!
Até numa festa de anos vi-me envolvido, dancei uma brasileirada com a aniversariante sexagenária. Antes, ainda estive naquela casa específica dos petiscos, onde se comem bons caracóis, camarões, moelas e todas as iguarias possíveis. No meio de tudo, não foi só rambóia, também houve tempo para visitar os stands da medicina veterinária no ccb. É verdade que quando cheguei à taberna ideal, ia naquela de beber uma cerveja e ver os Cavaliers perderem, porque o dia já tinha sido longo mas o calor era tal que não houve coragem para subir até ao quinto andar e fui mesmo prestar visita à casa mãe. De qualque forma tinha que lá passar, para ir buscar mais um convite, para que um casal amigo pudesse estar presente no vigéssimo terceiro aniversário.
Não sei se foi da vaga de calor ou do ambiente mas a verdade é que quando entrei, estavam todos possessos! Entrei, pedi mais uma cerveja para apontar na cartilha alcóolica daquele dia. Encostei-me a uma mesa e quando dei por mim já estava a dançar com a tal sexagenária, o Luís Represas a dar-me um grande abraço pela escolha músical, o Miguel dos Polo Norte muito mamado a não conseguir dar uma nota e o Rui da Operação Triunfo a perguntar-me quinhentas vezes se ia lá estar no aniversário! Porra já te disse que sim! Depois foi vir para casa, a dizer que tinha de beber leite que o tabaco estava atrofiar-me! Lá cheguei a casa, numa bela boleia.
Domingo, ainda mais calor quando acordei. Sem saber como, estava como Deus me trouxe ao mundo. Respirar estava difícil mas um banho de água fria ajudou a recompor as ideias. Depois deparo-me com mais dois convites, irrecusáveis! Festa anos oitenta... Quando!? Logo no dia seguinte ao aniversário do Xafarix! Oh Meu Deus... não há quem se aguente! A proposta seguinte? Santo António! Ah malandro, então tu que és o santo casamenteiro, aprontas-me uma dessas? Festa privada, com faduncho, sardinha e chouriçada em plena zona história lisboeta? Não sabes que essas coisas não se recusam?
A seguir ao feriado estou feito, vou precisar de férias para recompor-me mas o pior é que é semana de TPH e não há hipótese de fugir. Sim, vão lá curtir o fim de semana prolongado que eu vou repensar no serão em casa da minha querida amiga, passado nesta noite anterior e nas borgas fenomenais que por aí chegam enquanto agarro-me ao pc!

Andei a passear pela colecção musical. Deu-me a ideia de contextualizar o gosto num top ten, algo utópico, pois a paixão pela música é maior do que tudo. Voltei, revirei, ouvi e tentei ainda mais, por fim, fica-me a sensação frustrante de deixar grandes músicas de fora. As que escolhi são aquelas que relembram, acima de tudo, grandes recordações, momentos únicos, pois é natural em mim associar um momento eterno ou alguém especial a uma música. Fica aqui uma selecção muito única e própria....

Dave Matthews Band - #41


Guns N' Roses - Don't You Cry


Matchbox Twenty - If You're Gone


Pearl Jam - Black


Richard Bonna - Kaladancoro

Simply Red - For Your Babies

Phil Collins - Against All Odds


Creed - With Open Arms


Stevie Wonder - Lately


Bon Jovi - Never Say Goodbye


Aerosmith - Amazing

Sou católico, baptizado e com primeira comunhão feita, só faltou o crisma mas nessa altura, já não era mais um do rebanho e sim um ser pensante. De qualquer forma, hoje adulto, abomino a igreja católica em toda as suas normas fundamentadas em éticas demagógicas. A igreja católica foi o maior dos terroristas nas páginas da história. A maior culpada de muitos dos crimes cometidos na existência humana. A implementação do Cristianismo, Cruzadas, Inquisição, etc. Mesmo assim, num conflito muito próprio e ambíguo é ela que fornece-me a fé que possuo.
Não é em Cristo, o salvador que andou sobre água em quem acredito, não é nos mandamentos proclamados por Moisés que baseio esta crença, nem sequer em Adão e Eva ou no paraíso. É no existir do que há sempre algo de bom em todos nós, é no não querer aceitar que existem más pessoas, porque em tudo existe algo de um lado melhor. Como da mesma forma, não posso aceitar, que sou completamente mau ou bom... tenho defeitos, mas vivo com a convicção que tentarei sempre fazer tudo, o que está ao meu alcance, para ser melhor do que era ontem.
Um dia ouvi ou li uma frase, que fez acordar em mim a racionalidade sobre a religião. A religião é feita pelos homens. Os homens erram, logo a religião é um erro. Agora há um sentimento que é muito próprio, muito meu. Não é Alá, Buda ou Cristo, não é uma personagem mas um estado de ser. Em todas as religiões existe um senso comum, Todas adoram um além, um todo, pacífico, equilibrado, algo imperceptível que nos leva a atingir a paz com as decisões. que tomámos E é nesse acreditar, na existência de um exodus que recria-se a minha fé.
Quando oiço músicas como estas, levita-me o estado mais esotérico e passo a ser alguém mais crente, alguém que tenta realizar-se num estado melhor do que era quando acordou....



Eu sei que estou bem, quando ando sobre deadlines apertados e ainda me dou ao luxo de parar, para colocar um bom som em modo ambiente. Eu sei que estou bem, quando não procuro clientes e não tenho mãos a medir para o trabalho. Eu sei que estou bem, quando entro no café do costume e sou recebido com um sorriso e um novo mimo para adoçar o paladar. Eu sei que estou bem, quando tenho a noção que estou mais gordo mas mesmo assim não me dá para ter remorsos, por petiscar todas aquelas coisas gordurosas e deliciosas. Eu sei que estou bem, quando há amigos que telefonam a perguntar ansiosos, por aquele convívio cá em casa. Eu sei que estou bem, quando os amigos enviam mensagem do género: - Então não dizes nada!? Eu sei que estou bem, quando já não me ralo com avaliações de prós e os contras e deixo-me ir é na corrente da surpresa desconhecida e gostosa do que aí vem. Eu sei que estou bem, quando o maravilhoso entre brumas, já não me choca, não cria qualquer sentimento e só demonstra que estou a reconhecer a realidade. Eu sei que estou bem, pois quando rodo a chave, estou no meu lar e não há melhor lugar para querer estar. Eu sei que estou bem, porque não há imposição de rótulos, de afirmações ou surpresas de frases que foram ditas no passado.
Realmente eu estou bem, estou como um vinho de reserva de pequena tiragem. Encorpado, que deixa sem fôlego no primeiro trago, de degustação lenta e intensa mas que não serve a qualquer paladar. Sinto-me bem e não mudava nada neste momento. Gosto deste stress laboral, gosto de ter tempo para os convívios cúmplices e de explanar quem sou, para quem gosta de sentir a saudade da minha presença constante.




E tudo se resume ao maior defeito... a cedência. Se não tivesse cedido à tentação de parar de estudar para ir tomar um café, nunca teria ido parar a uma cama de hospital. Se não tivesse cedido ao apelo de levar uns amigos a sair, porque tinha um carro de cinco lugares, mesmo estando constipado, se calhar não tinha voltado a uma cama de hospital. Se tivesse sido orgulhoso e não tivesse abdicado do meu futuro em prol de um familiar, se calhar não teria passado as misérias que vivi. Se não tivesse caído em tentação numa noite sobre um luar perfeito, não teria vivido com quem vivi. Se tivesse dito não, numa noite fria em pleno inverno, perdido algures na serra da estrela, não sentiria esta sensação de falta que vive comigo constantemente. Se não cedesse à razão de que uma traição é um erro de percurso de vida, hoje seria um homem casado ou talvez divorciado. Se não cedesse ao facilitismo, provocado pela ausência de uma razão de existir e continuação, se calhar não teria sofrido tamanhas privações. Se não tivesse cedido à ilusão de palavras oportunistas em causa e tempo, se calhar não teria acreditado que havia maneira de reabilitar o meu espírito. Se um dia não tivesse, cedido à ilusão de que aquela pessoa que tinha à minha frente, voltaria a ser a menina que conheci com 11 anos, talvez não tivesse sofrido tanto dizer adeus. Se em cima disto tudo, tivesse tido a coragem para não ceder e demonstrar, que independentemente do passado, do medo que sentíamos, dos mundos tão antagónicos, da beleza que ofuscava-me e de vivências tão dispares, ainda havia lugar para a partilha e a esperança de um futuro a dois. Se calhar o rancor, não seria uma constante e pelo menos pudesse-se preservar uma amizade.
Se por uma vez na vida aprendesse a dizer não, a não ceder àquele momento em que é obrigatório dizer não, talvez hoje seria alguém realizado. Vamos ver se é neste novo capítulo, que consigo virar a mesa e dizer que não cedo.

Há a gripe suína, há sida, há tanta porcaria que se pode apanhar por tabela por aí, até maus-feitios e hipocrisias. Chegou o calor e com ele a fase da procriação, espero que esta não se lembre de bater-me à porta, que não tenho qualquer intenção de ser infectado.
É que é tudo muito giro mas ao fim de nove meses é que são elas, saem cá para fora uns seres adoráveis que têm como missão atormentar o resto da nossa vivência. Já fui infectado com este vírus e adorei mas chega a experiência de uma vez para perceber que os efeitos secundários são demolidores. Até porque se a situação não for bem medicada, ao longo do tempo, os germes tornam-se seres que só dá mesmo vontade de exterminar, tal é o feitio abominável. E há tantos por aí a precisarem de um exterminador à moda do Arnold. Alguns deles, até conseguem despistar a doença das vacas loucas mas a verdade é que elas próprias são as ditas loucas!
Este ano, vou ser tio, vou ser padrinho, só falta mesmo ser pai ou avô! Avô é difícil, mas não impossível, só se o Guigas for um verdadeiro artista da cabeça aos pés. Para pai já chega este, que não me apetece outra vez dormir só de duas, em duas horas, nem ouvir uma miúda a dizer às 5 da manhã que tem de comer morangos urgentemente e lá vai o palerma à procura deles.
O calor é lixado, trás sempre umas vontades maquiavélicas de reproduzir. Não é que eu não goste do treino, aliás sou apologista da execução até chegar-se à perfeição, é muito saudável. Só que nesta altura da vida prefiro acabar nos últimos lugares e não estar no pódio a receber um troféu ou medalha. Chiça! O que vale é que há cerveja fresca, os caracóis estão a chegar, a água refresca o ímpeto e o ar-condicionado está a preço acessível para vacinar qualquer um ;)

Não confundir o amor com a paixão dos primeiros momentos, que tende por norma a desaparecer. O verdadeiro carinho cresce na mesma proporção que os dois vão estando mais unidos, é maior a partilha, torna-se superior a troca, a vivência conjugal. Para partilhar é necessário dar. Dar é a chave do sentimento.
Amor é sinónimo de entrega constante, dar-se ao outro recebendo na mesma medida. Só através de um sacrifício ilusório, se conserva o amor mútuo. É vital aprender a relevar os defeitos do parceiro, a perdoar uma e outra vez, sem guardar rancor. A não devolver com mal, um mal adquirido. A não dar importância exacerbada a uma frase desagradável e tantas mais definições de entrega poderiam ser mencionadas.
Por tudo isto o amor também significa exceder-se, fazer mais do que é permitido, pois a verdadeira ilusão é a existência de regras no amor. Não há uma fórmula mágica que encaixe em todos os casais. É necessário uma vontade mútua de entrega incondicional, de partilha num espaço temporal único e equilibrado de ambos os lados, excedendo os nossos próprios limites.

Agora pergunto a mim mesmo... será que algum dia conseguirás absorver por completo esta filosofia?

E se o destino das nossas vidas se resumisse a uma única opção, será que seria mais fácil? Bem, depende de vários factores. Claro que a margem de sucesso seria consideravelmente maior mas, não é também verdade, que podemos cometer quinhentos erros e numa só opção conseguimos virar o jogo a nosso favor.
Hoje faria um ano de vida mas o que ontem foi verdade, hoje é uma utopia sem validade. Acredito no físico, acredito numa imagem a dois em que existe balanço, harmonia, onde o todo demonstra ser um só. Desde o início mantive sempre a mesma frase: - Somos de ligas diferentes. Hoje percorri as imagens de uma existência a dois e é curioso ver o caminho percorrido. As primeiras fotos demonstram essa distância de vivência. Folheia-se umas quantas mais à frente e chega-se a um preciso momento, onde é possível visualizar a tal harmonia. Onde os mundos já não parecem tão dispares. Nessa foto, que guardo como o momento do encontro desses mundos, aquela imagem onde tudo parece fluir no mesmo sentido, onde o todo da mensagem encontra-se em qualquer ponto da imagem, vislumbro o casal perfeito.
Percorre-se mais umas folhas, tal como um movimento animado, e volta-se a sentir a distância a reaparecer. Chego à imagem final, a última prova dessa existência a dois, e vejo como a frase inicial fazia tanto sentido, desde o seu princípio. Ainda há uns tempos, mostrava essa imagem final a outra pessoa, que não presenciou esta fase da minha vida. Chegámos ambos à mesma conclusão. A foto não bate certo, falta-lhe algo. É verdade que não apresentei a tal imagem especial, onde consigo vislumbrar tudo a conciliar-se mas não será por apresentar, essa única imagem, que a sensação de desequilíbrio desaparece ou retira razão a uma opinião consolidada e plena de certezas absolutas.
Esta mesma pessoa, é aquela com quem recuso-me hoje em dia, a registar um momento fotográfico. Talvez seja um receio válido, provido de lógica, de que se esse momento for capturado, eu acabarei por encontrar nele, alguma razão para uma imperfeição que não quero vislumbrar. Estou tão bem no desconhecido ;)

Teimoso, extremista, orgulhoso. Defeitos que nunca tentei camuflar, defeitos que em certas situações servem muito mais como qualidade do que defeito. Ultimamente, são eles a melhor ferramenta para concretizar um bem-estar, a realização de objectivos, a forma de encarar as adversidades e as desilusões.
É uma fase estranha, uma fase sem grande vontade de optar, seja pelo que for. Abril tem sido um mês amorfo, um mês de adaptação a uma nova vida, a um novo dia-a-dia, que só por si implica a mudança de rotinas, posturas e convivências. Os três defeitos marcaram a sua presença neste mês.

Teimoso - Propus-me a um desafio profissional complicado e hoje compreendo que foi a minha teimosia, a alavanca que levou a bom porto a concretização dos objectivos. Foi muita a vontade de desistir e mandar às couves os absurdos - prazos impensáveis, mudanças constantes e atrasos de envio de material - Foi com uma ponta de orgulho que hoje recebo um email final que contendo as seguintes palavras:

Meus Caros, Foi com alguma expectativa que esperei por este momento. Sempre acreditei que conseguíssemos. A questão era, se teríamos de transpirar muito ou não. Vi suor e vi dedicação. Aplausos! ... Vocês são os maiores

Extremista - Num novo lar, feito à minha medida e à minha maneira, achei que era chegada a hora de optar por activar este defeito. De que serve andar a prolongar situações, que não possuem solução, se o mesmo prolongamento só reveste-se num final impregnado de mágoas, discussões e dissabores? Optei por extremar posições com todos. À minha maneira, à minha vontade. Gostam de quem sou, gostam de conviver comigo, pois muito bem, os contactos continuam os mesmos e estarei sempre cá para o que quiserem. Dois dedos de conversa, um desabafo, um pedido de ajuda ou para simplesmente desfrutar de uma boa companhia. Não gostam da minha postura, não há paciência, não vale a pena? Ok... cada um no seu caminho, sem ressentimentos. Já era mais do que hora, de optar por preocupar-me comigo e com o meu caminho. Não corro mais atrás de supostos amigos ou amores ilusórios.

Orgulhoso - Sou assim desde miúdo. Digam o que disserem este defeito eleva-me à essência de quem sou. Orgulho-me de suplantar dificuldades que a maioria dos mortais nunca viveram, orgulho-me do caminho que percorri, do que conquistei, do que perdi mas acima de tudo, do que sou, represento e da maneira como encaro a vida.
Hoje, orgulho-me de ter criado as condições que o ano passado pareciam impensáveis a muito boa gente, de ter conseguido concretizar as promessas que fiz, de ter batido com a porta na cara a afamados e moralistas, sem qualquer ponta de resignação. Orgulho-me de ter optado por tudo o que é novidade e que hoje já são peças constantes na minha existência. Sem compromissos, sem explicações, deixando o tempo correr e usufruindo com todo o prazer, dos momentos vividos.

Hoje, quando cheguei a casa, após mais uma saída com vertente empresarial, que cada vez mais consome a minha vivência, vim para o computador terminar aquele trabalho que há tanto tempo massacra-me, suspirando para ter tempo para todo o resto. Sentei-me recordando como ontem vivi aquela sensação, que para mim é amorfa, de estar farto de aqui estar. Já estava enjoado e a doer-me os olhos, por estar em frente a um computador há tantas horas, algo que parece inconcebível na minha existência.
Eu sei, que a responsabilidade obriga-me a estar à frente desta máquina mais vezes do que seria desejável. Sei também, que só suporto estas horas porque amo o que faço e hoje como hábito de tantos anos, mais uma vez sentei-me para recomeçar onde tinha parado mas houve algo que obrigou-me a vir aqui desabafar estas linhas. Tenho costumes, hábitos, como qualquer um de nós.
Sentei-me, abri o ficheiro principal que ando a trabalhar, abri o firefox, o msn e o winamp, como sempre faço. Vi as actualizações do hi5, do blog, do nosso jogo, as notícias em falta, os mails por ler e coloquei o random do winamp a tocar. A sorte ou o destino colocou uma das 10.000 músicas que tenho no pc a tocar e parei com tudo. Ouvi, senti a letra e cheguei aqui. In God's Hand, foi a música que começou por tocar. Já tinha ouvido a música mas se calhar, por não ser a altura correcta, não tinha tido tanto sentido como teve hoje...

Now our love's floating out the window
Our love's floating out the back door
Our love's floating up in the sky in heaven
Where it began back in God's hands

You said that you had said all that you had to say
You said baby it's the end of the day
And we gave a lot but it wasn't enough
We got so tired that we just gave up

E foram estas linhas que levaram-me a escrever. Embora sempre tenha sentido uma revolta pela sensação, que fiz mais do que o razoável, foi mesmo isto que aconteceu. O que existiu de bonito, acabou por voltar às mãos de Deus. Era-lhe impossível ter dado mais do que deu naquela altura e para mim era pouco, não chegava. Agora que estou numa nova fase, entendo que ambos deram muito mas que nunca foi suficiente para resultar e simplesmente chegámos ao ponto sem retorno, onde a única opção era desistir.

P.S.: Eu sei que vais ler estas linhas e antes de mais peço-te desculpa. Tenho evitado escrever, porque sei que eventualmente o que escrever pode mexer contigo mas abordar o tema da sombra que atormenta-te, era se calhar, o que seria necessário para fazer-me acordar de vez, para deixar os fantasmas do passado extinguirem-se de vez. Independentemente do que escrevi, não questiones o mérito daquilo que te disse no outro dia, nem por sombras. Estou muito bem, com aquilo que temos e se calhar é chegada a hora de ir em frente :) ... I Still Haven´t Found What I´m Looking For

Um dia especial, um dia meu. Acordar lutando para sair da cama, sem destino. Abrir a janela e vislumbrar um sol radioso, um novo início. Ainda estremunhado, dou comigo prostrado no sofá a desfrutar dos cereais, enquanto devoro os episódios em falta. Lentamente, a tigela vai esvaziando e a batalha é vencida pelo ócio, que comanda o corpo a manter-se aninhado no sofá mais cinco minutos. Não há obrigações, não há programas, apenas o lazer de estar sem fazer nada.
Finalmente, após uma chamada telefónica, o ócio perde fulgor e obriga o corpo a verificar as mensagens. Assunto resolvido. Já que estás de pé, que tal ires arranjar-te? Sim, já passa da hora do almoço.
Refrescante, revitalizador. Até já canto meu, vou passear e usufruir do sol. A rua está deserta, compra-se o jornal e vagueia-se pelo bairro, até sentar na esplanada deixando o calor do sol, trazer consigo o bem-estar. A leitura é calma, pausada, sem pressas de onde ir, sem ter onde estar presente. De quando em vez, a leitura é interrompida para atender umas quantas chamadas e os ponteiros do relógio, seguindo o seu caminho, levam-me até ao final da tarde. O calor vai dando lugar ao fresco do fim do dia e está na hora de recolher ao abrigo. Um último gole e a promessa de retornar para a famosa francesinha.
Sabe bem, rodar a chave. Sabe bem este canto a que chamo de casa. Pousar as chaves, despir o casaco e deixar o corpo cair no sofá, para mais um bocado de nada, vazio de pensamentos, vazio de querer, que não seja querer estar aqui sem nada para fazer. O nó no estômago apresenta que já duas horas se foram e que é chegado o momento, para nova saída. Lentamente, a rua continua deserta, lentamente faz-se o caminho para o jantar. Sacia-se o desejo, sacia-se ainda mais a recordação daquela noite especial, que após várias desventuras, às cinco da manhã, saboreávamos o paladar do norte, numa esquina de Lisboa.
Subo a rua, a tentar moer o gosto pesado da refeição. Bebo o café na esplanada do amigo, agora vizinho, acompanhado por um Jameson, enquanto vou apreciando as luzes da cidade. As pessoas vão chegando, o espaço começa a ganhar vida e mais uma caminhada, que o fresco da noite, já convida ao retiro. Forço o corpo a vir passear ao ciberespaço e escrevo estas linhas enquanto o Che parte 1 e 2 aguardam a minha aprovação.
Vou voltar a aninhar-me no sofá, antes vou buscar mais um whisky e uns amendoins para acompanhar a sessão cinéfila e eis que chega a pergunta. O que fiz hoje? Dei um passo enorme, o mais difícil de assumir. Nem um pensamento até este momento. Nada mal para primeiro passo. Basta de adiar o inevitável, chega de ilusões, chegou a hora de largar mão. de vez Foi um dia tão agradável, no vai-e-vem lento e satisfatório de um sábado caseiro, que não me apetece ter mais do que isto, não preciso mais do que isto. Finalmente estou em casa e foi um dia especial, um dia meu.

Pesado o ar, num espaço brando de bondade. Sentido, o estado constante de ansiedade. Um jogo contínuo, que se perpetua no tempo, há demasiado tempo. Palavras que não chegam, momentos que não se vivem, sentimentos que tardam em desaparecer e esta esperança idiota que não arranja maneira de morrer de vez.
Queria ter a fórmula da pílula do esquecimento, de não viver um estado de graça, que não possui graça nenhuma, com a sua ausência imponente e insolente. Estou cansado de esperar, na esperança do momento em que a página do livro é finalmente desfolhada e não se pensa, não se racionaliza, simplesmente sente-se e demonstra-se.
Há dias assim, dias em que a inevitável impaciência, apodera-se como uma bala fulminante, embriagando o consciente com a sua verdadeira realidade. Há dias que desespero, outros que abstraio-me e há aqueles em que finjo. Finjo não ser quem sou, finjo não sentir o que sinto e finjo ainda mais que é mesmo assim que quero estar. Finjo acima de tudo, que não existes, tal como a história de sonho que vivi. Há alturas que consigo fingir tão bem, que chego por breves instantes, a acreditar que nunca foi real. Hoje, não é um desses dias.

Num canto meu, tentando manter-me virado para o oeste, vou pintando as primeiras linhas do meu lar. Foi um semana árdua a que passou, onde o tempo correu sempre mais rápido que a minha vontade. Percalços, contrariedades, atrasos, compras, mais compras, montagens, carregamentos, trabalho, muito trabalho e mesmo assim, ainda não consegui ter tudo funcional na Johnny's House. No entanto, já vou desfrutando do aconchego da minha sala, vendo as minhas séries, a bebericar uma cerveja ou um leite, dependendo da disposição. O quarto ainda encontra-se por finalizar mas o cansaço, aliado ao prazo apertado para a entrega de um trabalho, retiram qualquer coragem de entrar naquele espaço.
Na semana passada, tive que encostar a vida social a um canto e a possibilidade de encher os pulmões de ar fresco, só foi privilegiada aquando de um almoço impossível de fugir. Já havia comprometido-me, à cerca de um mês atrás, para o almoço dos antigos alunos do Valsassina. A vontade não era muita, por várias razões: Não foi colégio que frequentei por muito tempo, estava muito cansado, por causa das mudanças, tinha trabalho para finalizar e da lista de participantes, poucos eram os que recordava-me. Um colega, fez questão de às 11 horas vir buscar-me e não tive maneira de recusar. Uma tarde, que parecia algo despropositada, tornou-se num momento agradável, quando revi caras que sentavam-se ao meu lado na carteira ou na esplanada da gata, a beber umas cervejas em quanto o tempo corria para a idade adulta. Acabou por ser um momento retemperador, para uma semana caótica.
Esta será um semana, de recarregamento de energias e focar-me em finalizar as funcionalidades da mansão, terminar um trabalho e agarrar outros dois que estão pendentes, por falta de tempo. Assim se mantenha a vida, para sentir-me, pelo menos, bem comigo e com o mundo, já que a canção não habita um sexto andar.

Em dia de cumprir a segunda promessa, a alvorada deu-se bastante cedo para um domingo. Eram sete e meia da manhã, quando os olhos deixaram entrar a claridade densa que incidia pela janela mal fechada. Com calma o banho, o desejado pequeno-almoço apresentou-se de seguida e após amainar os protestos do estômago, pus-me em marcha dirigida ao escritório, havia que colocar o trabalho em dia.
São nove e meia em ponto e os amigos escuteiros aí estavam para a excursão ao Ikea. A demanda que parecia ficar resolvida por volta das onze e meia, terminou com duas horas de atraso, já não havendo tempo para passar no escritório e trazer os restantes pertences. Ficou agendado para terça-feira. A energia, também já escasseava. Branco, dizia-me o meu amigo. Branco como a cal, é como estás. Sim tens razão, a cara já não consegue disfarçar as dores insuportáveis, após tanto esforço físico mas a alma, essa sim, está bem e recomenda-se. Ainda há muito trabalho pela frente. Montar, arrumar e adquirir mais alguns pertences mas por fim já se vislumbra o calor do aconchego do novo lar e isso só por si, acalenta o espírito inquieto.
Se antes já era rotulado como um beto rebelde, expressão utilizada por uma amiga o fim-de-semana passado e que tanto fez-me rir, agora então é que não consigo livrar-me mais do rótulo. O novo estaminé do Johnny Bravo está instalado paredes meias com a avenida mais in da capital. Num sossego adocicado por este domingo nublado, que ainda guarda umas quantas horas de bricolage, sinto uma satisfação gratificante, por cumprir mais uma das minhas promessas. Fica só a faltar a terceira e última. O Licas mas só irei dedicar-me a essa promessa, após terminar as mudanças. Convites para jantares já tenho dois por cumprir. Um dedicado à ajuda preciosa dos meus camaradas escuteiros e outro com a noiva mais espanhola e o nosso elo de ligação, a amiga nostálgica.
Bem a agora é hora de terminar o intervalo, tão retemperador e marchar à Oscar Tower, para a bricolage e às instruções do Ikea. O próximo post, já será escrito na secretária de um sexto andar, virado para o primeiro passo onde incide a luz do futuro. Até lá, aquele abraço.

A partir do momento que as luzes se foram, nada mais brota aqui e é chegada a hora de deixar para trás tudo aquilo que se conheceu. Reinventar um ponto de partida para o futuro, baseado na realidade que não se compreende mas que se aceita, na ínfima proporção de aceitar que só conseguimos alterar o que é nosso e não o de outros.
Estive em baixo, cansado demais para articular uma palavra, a desejar fervorosamente o que não era possível alcançar, depois abanei, acordei para a realidade e na minha cabeça já vou a passo de corrida ao encontro do que é meu por direito. A moeda atirada ao poço dos desejos impregnada de uma única vontade. Não voltar a olhar para trás tão cedo.
Falta o primeiro passo físico, sem olhar para o passado. É inegável a inexistência de um futuro e que o passado deve ser remetido ao seu lugar. O presente é mesmo essa luz revitalizada num arco-íris livre de um compromisso exacto, que tento adiar continuamente mas que que fique explicito. As cinzas do sonho, estarão sempre guardadas naquela caixa de memórias, como um dos momentos idílicos da minha existência e que de quando em vez irei visitar com carinho.
Hoje, comprometido, palavra de importância relevante, agarro-me ao mundo, recebo o que é meu, viajando sem mover-me numa harmonia constante. Não é de um dia para o outro mas é na noção que vai chegar o momento singular em que vou voltar a voar em direcção a algo. Estou bem, estou preparado, comprometido comigo e com o futuro.

Queria saber fechar os olhos para não ver a verdade que não deveria existir. A luz que se esfuma numa lenta cadência, trás sabor irónico impregnado de masoquismo, ao invés de deixar a escuridão apoderar-se num eclipsar de segundo. Se a ausência de luz chegasse num ápice talvez o desconforto daquela contínua e ínfima esperança se desintegrasse finalmente.
O sal cobre a pele, pele seca, pele que já não brilha. É árida, rígida, montra do trilho bravio que percorreu nesta vivência pintada com laivos de eternidade. Fugir, é o conceito que mais banha a alma mas fugir do que, se já não existe nada do que fugir? É numa ilha deserta, recheada de areia movediça, que o sufoco das palavras deparam-se com a ausência de destinatário e ai, chega a altura de voltar ao silêncio, voltar para a sombra e não mais ouvir o eco das palavras que já não possuem razão de existir.
Deixei para trás o que juntou um elo tão improvável de existir, deixei para trás todos os sonho de querer, deixei de querer algo que a vida teima em não oferecer, deixo-me ir na vaga diária da maré, preferindo ficar distante da verdade, amainando a ventania que vai cá dentro, em paz comigo e em hora de reinventar um futuro, seja ele qual for. É tempo de num pensamento meu, brotar o ideal de uma vida como se fosse sopro, asa, ar, água fluída, como pele que mantém-se para sempre.



P.S.: Tenho curiosidade de saber, quem é o leitor de terras de sua majestade, que quase diariamente passa por aqui. Tem sido agradável ver assiduamente que o que escrevo, é lido em Inglaterra.

Vi um documentário à dias, onde a base do programa consistia em fazer uma única pergunta a todos intervenientes, sendo que cada uma das pessoas, era dos lugares mais dispares do mundo. A pergunta era para definirem o que é o amor.
De Itália, dizia uma senhora na casa dos sessenta e muitos, que o amor era sexo mas também não acordar o marido quando levantava-se de manhã. Um japonês, expressava que embora já não andasse de mão dada na rua com a mulher, amava-a ainda mais. Um senhor Neozelandês, comentava que não era de afectos e que embora fosse casado à 42 anos, o que mais prezava era o respeito. Do Mali, chegou a resposta de uma senhora, para quem o amor, era a dedicação que tinha para com o marido, quando este chegava a casa do trabalho, preparando-lhe o banho e fazendo a refeição, mas a melhor explicação, veio da Indonésia. Dizia a rapariga que o amor é como um ovo. Se apertarmos o ovo com força, ele desfaz-se nas nossas mãos. Se apertarmos ao de leve, ele cairá ao chão e irá partir-se mas se soubermos segurar-lo com a força exacta ele durará para sempre.
Esta é das melhores definições sobre o amor, que alguma vez ouvi... O amor é como um ovo.

Sei o que procuro, sei o que quero mas não consigo descortinar no ambiente baço da vida, o que desejo. Ter a noção perfeita que está a um passo de alcançar e preso por amarras que impedem esse passo. Vivo na contradição de uma encruzilhada, onde chego sempre tarde e a más horas, para ter a lucidez de acertar na escolha. Opto por não complicar e aceito a rede de segurança de não decidir.
Tenho satisfação com a segurança de não mergulhar nos sentimentos e o desconforto de não viver-los. O tempo flui e com ele leva a emoção do gostar de arriscar. Vivo resignado à não opção de decidir, vivo com a consciência que optar pode magoar a mim e a outros. Que a sede insaciável de sentir os sentimentos, deve arranjar consolo na pequena troca de olhares, da carícia e do beijo dado ao de leve polvilhado com sensação platónica, que encontro em outras silhuetas. Sei que perco por não optar mas também sei que ganho muito por não optar. É a racionalidade das defesas do ser, a vir ao de cima mostrar que embora não sorva sentimentos, posso muito bem contemplar o sabor da existência, com uma suficiente vivência que outras silhuetas oferecem-me através de pequenos momentos de prazer.
Há novas que trás o vento, que dão à razão de uma decisão difícil mas lógica, a razão que a razão procurava. Não há dois sentires iguais, não há duas posturas iguais e não há duas dores iguais. Há um singular e único sentimento que podemos viver-lo nas trevas ou com a noção de foi uma etapa do caminho e com que devemos aprender a conviver. Assim optei, optei por não decidir, pois decidir implica sentir e eu não quero sentir, porque não quero sofrer.

Hoje, fui almoçar com um bom amigo, amigo esse que vive uma situação emocional complicada. Namora com alguém com quem passa a vida em discussão. Na realidade, ele está completamente apaixonado por essa pessoa e acredito que do lado dela o sentimento seja igual mas a verdade é que a relação não resulta pelos mais variados motivos. Porque não foi a altura mais apropriada, porque têm posturas na vida antagónicas, porque os gostos são diferentes, a idade diferente, etc.
Vejo-o como nunca o vi. Vejo-o a fazer os sacrifícios que nunca fez, vejo-o acima de tudo infeliz à procura de uma razão para agarrar-se a uma felicidade efémera que já não existe mas que na sua mente vale a pena o esforço para reencontrar.
Fomos almoçar, num ambiente em que mais valia estar sozinho. A maior parte do tempo, esteve a trocar mensagens ou a discutir ao telefone , sobre um assunto irrelevante, como tantas vezes sucede. É já um vício rotineiro que leva-os a viverem em extremos. Muita paixão ou muito atrito. O almoço acabou por não ter o mesmo sabor, acabei a almoçar sozinho, com ele a despedir-se para mais uma vez ir ter com a sua cara-metade, discutir mais um assunto tão banal, como ir ver o jogo da bola onde e acompanhado de quem.
Dei-lhe conselhos antes de ir embora, tentei chamar-lo à razão, demonstrando o porque de esta situação não ser saudável para ele, como sempre tento fazer. A reacção de defesa foi apontar-me o dedo a dizer que também eu fiz o oposto aos meus conselhos, há bem pouco tempo. Tem razão o amigo, mas mais razão tem a razão. Não basta as pessoas gostarem uma da outra, não basta as pessoas amarem-se como se não existisse mais ninguém perfeito para elas. A realidade, é esta: As pessoas comprometem-se, estão dispostas a ceder e aceitam como o parceiro é ou então o amor acaba por não ser suficiente para a relação resultar. A vontade de moldar a pessoa amada às nossas vontades, de sermos intransigentes nos nossos quereres, não sentirmos segurança na relação, gera discussões desnecessárias e nada mais é do que um veneno para um término anunciado.
Estou preocupado com o meu amigo. Já presenciei situações complicadas na sua vida, sempre presenciei esses momentos difíceis mas nunca senti-me tão impotente para poder apoiar-lo. Por mais que diga, por mais que faça, ele acaba por tomar a opção errada. Não faz muito tempo, também ele tentou levar-me o espírito e por mais que falassem, por mais que dissessem, não conseguia aceitar uma decisão final sabendo o que iria sentir. Uma sensação de perda, de vazio, acima de tudo, uma sensação de frustração por não ter conseguido que a relação com a pessoa perfeita resultasse.
Houve um dia, como outro qualquer, sem qualquer razão aparente ou motivo, em que acordei e automaticamente compreendi. Devo acima de tudo gostar mais de mim, devo preservar-me e a vida não acaba hoje, há sempre a possibilidade de existir um amanhã. Como diz Neil Finn, numa das suas magníficas letras... It would cause me pain, If we were to end it, But I could start again, You can depend on it. E é esse o espírito que se deve ter nestas situações, embora saiba que não é fácil encaixar esta postura, é algo que deve ser aceite sem nunca pensarmos bem nisso. Também eu lutei contra essa sensação durante uns tempos, mas a verdade é que não era feliz, não sentia-me realizado, estava em guerra com o mundo, ainda pior, estava em guerra comigo e para que? Hoje já ultrapassei, já recomecei a minha vida. Claro que ainda tenho saudades da potencialidade do que poderia ter sido mas ao olhar para trás isso aconteceu numa breve passagem de um momento singular, se calhar mais na minha cabeça, mais numa esperança singular, do que em qualquer outra coisa.
Hoje estou melhor comigo, estou melhor com o mundo, nota-se naturalmente na minha postura, na minha vivência, na minha maneira de estar. Voltei a rir, divirto-me nos meus convívios, divirto-me com a vida, aprecio-a. Estou de volta ao meu melhor e foi algo que aconteceu naturalmente.
Espero que não demore muito a poder reencontrar-te meu amigo, pois hoje em dia não és a pessoa afável e bem disposta que sempre conheci. Meu caro, diz chega. Farta-te de ti, dá um chega para lá, não insistas. Volta a ser quem sempre foste. Cá estaremos como sempre estivemos para apoiar-te a superares a perda.

Nunca a frase - Ano novo, vida nova - teve tanto sentido na minha vivência e ainda estamos em Fevereiro. Tudo se apresenta com uma nova roupagem. Depois de uma mudança de planos profissionais repentina e numa corrida contra o tempo, eis que é chegada uma nova era.
Estou num novo rumo profissional, onde para além de ter encontrado um desafio aliciante, que desenvolve uma estabilidade há muito perdida, tem o condão de oferecer-me segurança em vários aspectos. Estava mesmo a necessitar de algo assim.
Financeiramente compensável, rodeado de um ambiente agradável e funcional, com uma vista deliciosa sobre a cidade, colegas com boa onda e mimado diariamente com um lanche devinal. Bolachas de azeite e coentros, petit-gateau, croissant, chá ou nespresso. Unicamente uma peca. As vindas à rua para matar o vício do cigarro mas até isso se torna irrelevante, quando te sentes bem com a vida.
Ao entrar no novo ano, já tinha mudado algumas coisas, algumas até na própria maneira de abordar a vida. Talvez, levado por toda esta onda positiva que tem-me abalado, vivo com uma nova postura. Mais serena, mais em paz comigo, o que leva a ser surpreendido com alguns comentários "Estás com bom ar" ou "Gosto de ver-te assim, andavas com má cara" ou até mesmo "Pareces mais novo". Embora surpreendido, pois realmente não estava à espera deles, acho que os comentários nada mais são, do que um espelho desta sensação de acalmia, este serenar do espírito que 2008 não trouxe.
Os dias em espera da mudança profissional, foram dedicados, quase em exclusivo, a conviver com amigos. Jantares e almoços diários, onde fui colocando em dia, a história de vidas daqueles por quem tenho carinho. Ele era italiano, indiano, churrasco, brasileiro, enfim, uma panóplia de boa degustação. Também reencontrei outros amigos, que têm surpreendido pela positiva, pois mais não eram que lembranças lonquíncuas e afinal, ao reencontrar-las, têm proporcionado momentos bastante deliciosos.
Também um novo look, inflamado por um guarda-roupa renovado a fundo, ajudou a auto-estima a impor-se. Agora fica a faltar a chegada do Licas e do novo lar, que acredito serem realizáveis ainda este mês, para as coisas comporem-se mas sem pressas e a seu tempo. Quando for será. Nunca será uma realização completa, acho que tal seria impensável, pois não é da minha maneira de ser, sentir-me satisfeito a 100%. Talvez a sensação de realização mas nunca de satisfação plena, até porque existem assuntos importantes que ainda têm de ser resolvidos, outros mal resolvidos e ainda aqueles que já não são assunto mas que ando a aprender a deixar.
De qualquer forma. O sol brilha, a sensação do calor torna os dias aprazíveis, o barco vai tomando o seu rumo e o espírito, esse encontra-se tranquilo, aguardado a chegada ao porto que se vislumbra no horizonte.

Como está o meu coração? O meu coração está bem, não consegues ouvir-lo? Está a bater, por isso acho que está bem. Continuo a viver não continuo?
Porque entraria eu numa longa conversa, tentando explicar o porque de já não querer acreditar no amor? Que defendo o meu coração pois não gosto de pensar que ele sobrevive por causa de outra pessoa. Que sou alguém, que quer manter a guarda bem alta e não pretende deixar ninguém chegar perto do coração.
O meu coração já foi rasgado e partido em mil pedaços tantas vezes, colado de volta mais umas quantas, mesmo quando algumas vezes, um pequeno pedaço ainda se solte e seja complicado de reencontrar-lo. Mas como disse no início, eu estou bem. O meu coração está bem, está a bater e quer-me parecer, que é essa a sua principal função. Certo?

Achei deliciosas as regras, para além de estarem muito bem fundamentadas. Por isso dei-me ao trabalho de traduzir e postar :)

Os homens estão sempre a ouvir "as regras" do lado feminino, pois aqui estão as do lado masculino. Sim, existem as regras do lado masculino e todas elas são número 1 intencionalmente.

1. Aprende a trabalhar com o tampo da sanita. Já és uma mulher. Se está levantada, baixa-a. Nós precisamos dela de pé, vocês precisam dela para baixo. Ninguém nos ouve queixar por encontrar o tampo em baixo.

1. Ir às compras não é um desporto. E não, nós nunca iremos pensar em compras como desporto

1. Chorar é considerado chantagem.

1. Pergunta exactamente aquilo que queres saber. Vamos ser claros: Pistas subtis não funcionam! Pistas óbvias não funcionam! Digam o que querem, ponto!

1. Sim e não são respostas aceitáveis para a maioria das questões.

1. Venham ter connosco com um problema, se quiserem ajuda para resolver-lo. É isso que fazemos. Se querem compreensão e incentivos, recorram às amigas, é para isso que elas servem.

1. Uma dor de cabeça que dura 17 meses é um problema. Consulta um médico.

1. Qualquer coisa dita por nós há seis meses é inadmissível como argumento numa discussão. Na realidade, todos os comentários expiram no prazo máximo de sete dias.

1. Se vocês não se vestem como uma top model, não esperem que nós nos comportemos como um galã de cinema.

1. Se pensas que estás gorda, é porque provavelmente estás. Não nos perguntem.

1. Se algo que dissermos pode ser interpretado de duas maneiras, e uma delas faz-te ficar furiosa, era a outra interpretação que nós pretendíamos dar.

1. É possível perguntar-nos se sabemos fazer algo ou dizer-nos para fazer algo. Não as duas coisas. Se sabes a melhor maneira de fazer, então faz tu própria.

1. Sempre que possível, por favor dizer o que tem de ser dito, durante o intervalo do jogo.

1. Vasco da Gama não necessitava de direcções para o caminho. Nós também não.

1. Todos os homens vêem a 16 cores, tal qual as definições básicas do Windows. Pêssego, por exemplo, é um fruto, não uma cor. Abóbora é um legume. Não temos a menor ideia do que é malva!

1. Se dá comichão, será coçado.

1. Se nós perguntamos o que se passa e a resposta for "nada". Nós vamos agir como se nada se passasse. Nós sabemos que estão a mentir mas nem vale a pena a trabalheira.

1. Se fazes uma pergunta para a qual não queres ouvir a resposta, espera uma resposta que não queres ouvir.

1. Se temos
imperativamente de ir algum lado e estamos atrasados, qualquer roupa é óptima para a ocasião.

1. Não perguntem-nos sobre o que estamos a pensar, caso não estejam preparadas para discutir sobre futebol, corridas de automóveis ou as contas da casa.

1. Tens demasiada roupa.

1. Tens demasiados sapatos e malas.

1. Eu estou em forma. Redondo é uma forma.

1. Obrigado por leres: Sim, eu sei. Tenho de dormir no sofá esta noite mas será que tens a noção que os homens não se importam? É como ir acampar!

Num fim-de-semana preenchido de actividades, onde a boa companhia foi imperatriz, reencontrei parte de um sossego que necessito para o meu equilíbrio.
Sexta-feira, tive a possibilidade de preencher o prazer da mesa, com o prazer da companhia, sempre fora de horas . Para mim, o prazer da mesa, estende-se muito mais além da qualidade da refeição. Uma boa refeição é aquela que compartilhamos com alguém com quem sentimos sintonia, num espaço acolhedor e intimista. Tive a satisfação de usufruir de um almoço transmontano condimentado de conversas agradáveis, com uma excelente pessoa, por quem tenho bastante apreço. As horas passaram como se de segundos se tratassem mas é sempre assim quando todos os bons temperos se misturam. Um bom vinho, uma agradável refeição, uma excelente companhia, uma conversa simpática e um ambiente acolhedor.
Para o jantar, um restaurante ao qual não voltava faz algum tempo e que em outra altura da vida, era local de assiduidade diária. Também mais uma vez, fora de horas decentes, na companhia de um amigo constante, com muita gargalhada à mistura, relembrando séries míticas de uma vida, Duarte e Companhia, os três Duques, MacGuiver, Casa na Pradaria, Bonanza e muitas mais, enquanto a faca deslizava num pedaço de carne macia, acompanhada de arroz e esparregado.
Sábado foi dedicado ao lado mais cultural, tendo ido passear à MAC, que imperdoavelmente já sentia falta das minhas visitas. Por coincidência do destino, à umas semanas, tinha descoberto que a MAC era propriedade do pai de uma namorada de um amigo e na altura foi-me apresentado o convite para conhecer um autor que desconhecia, Opitz. Sábado aceitei o convite e fiquei bastante agradado por ter aceite fazer a visita. Logo ao entrar descortinei semelhanças com Klimt, um dos pintores que mais aprecio. Embora fosse uma exposição pequena, despendi algum tempo a assimilar cada pincelada, cada tom e sensação intuitiva ocultadas deliberadamente. Se torna-se-me excêntrico, teria concerteza adquirido uma peça em especial, pela qual apaixonei-me ao primeiro olhar.
À noite a visita habitual, pois o cantor com novo repertório, não admite uma ausência muito prolongada. Uma novidade chamada I'm Yours, tocada pela primeira vez em cordas, deixando de lado as teclas, foi o auge do serão. A companhia bastante agradável, aliada a umas caipiroskas fizeram com que o resto da noite, se tornasse bastante acolhedora. Não foi de maior qualidade, devido a um percalço de encaixe, menos afável. Ainda assim, deu para passear pela discoteca do momento antes de retornar ao aconchego dos lençóis.
Domingo, adiei um encontro com um casal amigo para descansar um pouco mais, mas se os eventos sociais permitirem será compensado durante a semana, antes da minha viagem cultural extra território nacional. A tarde foi aproveitada para vislumbrar uma sonoridade antiga mas sempre actual. Tributo aos Beatles, coisa rara de ser presenciada, devido ao carácter privado das actuações. Rodeado de caras amigas, com quem não estava faz séculos e outras novas bastante afáveis. Uma plateia atípica ao tempos modernos, conciliada com momentos hilariantes, uns vídeos, fotos e acima de tudo uma banda irrepreensível na mestria de actuação.
A noite dedicada à visualização da chama imensa da alma de seis milhões, incorporada em onze indivíduos. Uma azia, provocada pela certeza absoluta da existência de um envelope chorudo para o homem de preto, presenteado pelo maior mafioso do país, mas que um qualquer reenie resolve. Um jantar, mais uma vez, fora de horas. Não tão saboroso como os anteriores mas bem acompanhado, onde se discutiu a azia anterior e uns peixes que parecem não se dar bem com pessoas embriagadas.
Foi bem preenchido o tempo, fez-me bem ao equilíbrio que necessito. Um bom convívio é sempre um excelente medicamento para curar os males do ser. Gostei do resultado e por isso já preenchi a semana com mais receitas do mesmo medicamento. Quatro ao todo antes da partida cultural.

Devo a ti, o ar que pressiona o espaço e não me deixa respirar. Devo a ti, a sensação de conquista e realização sem nunca ter dado um passo. Devo a ti, ter conhecido a felicidade e a dedicação ao amor. Dedico a ti, o sufoco que perdura em mim a cada momento e todo o segundo que mantenho os olhos abertos, como se algo imprescindível faltasse em mim. Dedico a ti, o último pensamento que levo antes de fechar-me num sono profundo. Devo a ti, a memória do sonho que relembro quando vislumbro o primeiro raiar de sol.
Se fosse possível esconder a lua, para no escuro sussurra-te ao ouvido o segredo que é a imensidão do meu sentir e que só tu não aceitas como uma verdade absoluta, faria-o sem nunca olhar para trás. Sei que soa estranho mas tenho a perfeita noção que entreguei o melhor, o pior e o mais escondido de mim, sem nunca reflectir muito no que isso iria mexer com o teu mundo.
Quero sentir-me no cume das emoções, com a certeza de compartilhar o futuro que é nosso por direito, sabendo que não sou só mais uma peça do puzzle. Não chega ser importante apenas num instante ou num segredo a dois. Não chega a ausência forçada de um momento que seria perdido se houvesse um abraço, um primeiro relance, um primeiro toque.
Quero mais do que isso, merecemos mais do que isso mas se é turvo aceitar um sentimento que forças em querer negar, se é viveres numa actuação de um qualquer papel principal, em que o que foi, apresenta-se ao mundo como uma mera paixão de verão fora de tempo, então faz a representação de uma vida.
Faz-me acreditar que a profunda sensação das palavras e actos, entregues em momentos singulares e únicos, foram o culminar de uma grande ilusão. Que da tua boca não ouvi a sinceridade das palavras que os teus olhos diziam-me à tanto tempo e ainda hoje quando cruzam com os meus, respiram o mesmo querer. Demonstra-me com uma franqueza impossível de ser posta em causa, que não ficas nervosa só por me ver. Que quando aproximo o meu corpo do teu, não tremes e o chão parece que te foge. Que quando olho no profundo dos teu olhos, esqueces o mundo e por maior que seja a multidão ao redor, parece que encontramos-nos numa sala vazia, a comunicar sem nunca necessitar de dizer uma única palavra. Faz-me apagar da memória as lágrimas que senti como minhas, impotente para impedir-las de jorrar, quando disse adeus e o mundo para ti parecia que tinha terminado ali. Prova-me que a saudade e a sensação de perda, não foram reais, quando da possibilidade de vivermos ainda mais longe.
Peço-te do fundo do coração, demonstra-me que estou errado. Talvez assim possa seguir no meu caminho, com a sensação de um erro de julgamento absoluto. Caso contrário, não forces um apartar que será cruel e não é necessário a nenhum dos dois. Como dizia Pessoa: - No teatro da vida quem tem o papel de sinceridade é quem, geralmente, mais bem vai no seu papel. Eu vou continuar a representar o meu.